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Posts tagged Dramaturgo

A última entrevista de Nelson Rodrigues

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Nelson-Rodrigues

Alexandre Flores Alkimin, Revista Bula

Entrevista concedida em 26 de julho de 1980. Nelson Rodrigues morreria alguns meses depois

Em entrevista ao repórter J. J. Ribeiro, do jornal “O Opiniático” (órgão de destacada relevância na imprensa marrom e sensacionalista de Minas Gerais), o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues fala de seus amores e suas paixões — incluindo aí o seu time do coração, o Fluminense. Além de abordar temas referentes à política, ao Brasil e aos brasileiros, ao ser humano em geral, à sua vida e sua trajetória como escritor, entre outros assuntos não menos contundentes. Aos 66 anos de idade, morando em um apartamento em Copacabana, de frente à avenida Atlântica, o velho Nelson apresenta-se com o mesmo tom debochado e exagerado de sempre. Impondo a sua presença e aquele seu jeito peculiar e característico de se expressar e de se fazer entender: olhar insondável e apático; voz grossa e embolada; gestos vagarosos e ornamentais como os de um peixe colorido num aquário. Sem deixar, portanto, de esboçar certo entusiasmo e de exibir uma imagem de opulência física de causar inveja a qualquer um. Apesar de estar com a saúde um tanto quanto abalada, uma vez que ainda se recupera de uma colite ulcerática, doença essa que por pouco não o matou. As palavras tiradas da boca do entrevistado são as mesmas utilizadas em suas crônicas, contos, romances, peças teatrais, e difundidas por outros meios de comunicação (televisão, rádio e periódicos).

J. J. R. — Como foram os primeiros anos de sua vida?
Nelson Rodrigues — “Nasci em Pernambuco, a 23 de agosto de 1912, e permaneci em Recife até os cinco anos. Depois vim para o Rio de Janeiro, para onde trouxe minhas primeiras sensações da boca e do nariz: o gosto de pitanga e do caju e o cheiro do cavalo de estábulo. Mesmo considerando o mundo um péssimo anfitrião e a viagem a mais burra das experiências humanas, voltei a Pernambuco na mocidade, retornando à infância e às profundas sensações”.

J. J. R. — Como surgiu seu desejo de escrever?
Nelson Rodrigues — “A rigor, meu primeiro texto foi escrito na Escola Prudente de Morais aos sete anos de idade. Na época, sou considerado gênio por alguns, um tarado em potencial pelas professoras, e um maluco pelas alunas. A professora resolveu que não íamos escrever nada sobre estampas de vacas e pintinhos. Que podíamos fazer uma história de nossa cabeça, para ver quem era melhor. Ganhamos eu e um outro garoto que escreveu sobre um rajá montado no seu elefante favorito. Eu escrevi um texto que já me definia, um texto sobre o adultério. Minha primeira ‘A Vida Como Ela É…’ Um sujeito que entra em casa inesperadamente, abre o quarto e vê a mulher nua e um vulto pulando pela janela e desaparecendo na noite. O cara puxou a faca e matou a mulher”.

J. J. R. — Qual importância da escrita em sua vida?
Nelson Rodrigues — “Se eu não escrevesse, seria um desgraçado. A rigor, se você examinar bem, todos os meus personagens são tristes. Salvo algum esquecimento, não vejo ninguém alegre”.

J. J. R. — E a leitura, representa algo de fundamental em sua atividade de escritor?
Nelson Rodrigues — “Acho que ter cultura é importante para um dramaturgo. Ler muito, nem que seja um único livro, como ‘O Idiota’, ‘Crime e Castigo’, ‘Ana Karenina’ ou ‘Guerra e Paz’. Quando comecei a escrever, a única peça que eu conhecia bem — palavra de honra — era ‘Maria Cachucha’, de Joracy Camargo. Eu lia muito, de maneira voraz e ininterrupta. Mas só romances”.

J. J. R. — E o que o senhor diria para os leitores?
Nelson Rodrigues — “Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia”.

J. J. R. — Como foi o seu primeiro contato com o jornalismo? E o que é ser jornalista?
Nelson Rodrigues — “Quando entrei, pela primeira vez, numa redação, acabava de fazer dez anos. Com a trágica inocência das calças curtas, tive a sensação de que entrava numa outra realidade. As pessoas, as mesas, as cadeiras e até as palavras tinham um halo intenso e lívido. Era, sim, uma paisagem tão fascinante e espectral como se redatores, mesas, cadeiras e contínuos fossem também submarinos. Com o tempo, houve uma progressiva acomodação óptica entre mim e os vários jornais onde trabalhei. E as coisas passaram a ter a luz exata. Sempre restou em mim, porém, um mínimo do deslumbramento inicial”. — Ligeira pausa para acender o cigarro e dar a primeira tragada. — “Eu fui para a reportagem de polícia aos treze anos. Ora, por quê? A preferência pelo assunto já era uma antecipação de minha obra. A reportagem policial vai transformar-se para sempre num dos elementos básicos de minha visão de vida. Através dela tive intimidade com a morte (que sempre me apavorou) e nela vi um cadáver pela primeira vez. O jornalismo, daí em diante, passou a ser vital para mim. Tinha, entretanto, intenções literárias — ser romancista, a principal delas. Veio o teatro, porém”. — Com volubilidade evocativa: — “Até hoje, os seres da redação ainda me parecem de um certo dramatismo e têm não sei que toque alucinatório. Estou pensando em Gide e no seu gemido adolescente: — ‘Eu não sou como os outros! Eu não sou como os outros!’”. — De modo exasperado e suplicante: — “Nós, de jornal, também estamos meio-tom acima da rígida normalidade”.

J. J. R. — Como o senhor traduz o jornalismo?
Nelson Rodrigues — “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ‘ilustre’, de ‘insigne’, de ‘formidável’, qualquer borra-botas”.

J. J. R. — O senhor faz uso de diversos pseudônimos… Quem é Susana Flag?
Nelson Rodrigues — “A Susana Flag nasceu quando eu entrei para os Diários Associados. O Fred Chateaubriand disse que ia comprar um romance americano para publicar em capítulos. Eu me propus a fazer a experiência de escrever uma (mais…)

Historiador afirma ter encontrado único retrato de Shakespeare em vida

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shakespeare

Dramaturgo inglês que viveu entre 1564 e 1616 seria objeto de gravura em capa de livro botânico

Publicado no Divirta-se

Um historiador botânico britânico disse afirmou nesta terça-feira ter descoberto o único retrato conhecido feito em vida do mais famoso dramaturgo inglês, William Shakespeare (1564-1616) – uma tese recebida com ceticismo por alguns especialistas.

Mark Griffiths diz ter descoberto este retrato na gravura que adorna a capa da primeira edição de um famoso livro botânico do século 16, “The Herbal”, um compêndio de 1.484 páginas do botânico John Gerard (1545-1612).

“Esta é a primeira vez que temos um retrato identificado como sendo de Shakespeare, feito ainda em vida. Os únicos outros dois retratos autênticos de Shakespeare são póstumos”, explicou à AFP Mark Hedges, editor de revista Country Life, onde o artigo de Griffiths será publicado nesta quarta-feira.

“Este é William Shakespeare, aos 33 anos, no auge de sua carreira”, acrescenta Hedge, que o descreveu como um “jovem incrivelmente belo”. O físico de jovem observado na gravura contrasta com os retratos previamente conhecidos dele, onde o ‘bardo’ aparece mais velho.

A gravura contém quatro personagens principais nos quatro cantos, previamente identificados como sendo pessoas imaginárias, mas consideradas reais por Griffiths, graças aos padrões florais em torno deles e vários códigos e enigmas dos quais os contemporâneos de Elizabeth I eram entusiastas.

O historiador-botânico explicou à AFP que ele identificou William Shakespeare através de suas roupas poéticas, a frutilária que ele segura (flor intimamente ligada, de acordo com o pesquisador, à peça Vênus e Adônis) assim como um enigma que, uma vez decodificado, forma o nome do dramaturgo.

Os outros personagens foram identificados como o autor do livro, o célebre botânico flamengo Rembert Dodoens, e o tesoureiro da rainha, Lord Burghley.

“Sou profundamente cético. Eu não vi os argumentos com detalhes, mas Country Life certamente não é a primeira publicação a fazer esse tipo de declaração”, rebateu Michael Dobson, diretor do Instituto Shakespeare na Universidade de Birmingham. Outros especialistas também expressaram ceticismo.

“Eu fiz esta descoberta pela primeira vez há cinco anos e eu sempre tentei refutá-la desde então. E uma equipe de especialistas de universidades como Oxford e Heidelberg”, defende Griffiths.

“Tudo o que eu digo é baseado em provas documentais, históricas e científicas”, garante, citando uma dupla especialização em botânica e literatura inglesa.

Ariano Suassuna passa bem depois de sofrer aneurisma cerebral

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O diagnóstico é do Real Hospital Português, no Recife, onde o escritor está desde quinta-feira

Publicado no Zero Hora

Ariano Suassuna passa bem depois de sofrer aneurisma cerebral Julio Cavalheiro/Agencia RBS

Apesar da melhora do quadro, dramaturgo paraibano não terá alta Foto: Julio Cavalheiro / Agencia RBS

Ariano Suassuna passa bem e está consciente após sofrer aneurisma cerebral. O diagnóstico é do Real Hospital Português, no Recife, onde o escritor está internado desde quinta-feira. Apesar da melhora do quadro, Suassuna ainda não terá alta.

Segundo informações da Agência Brasil, o aneurisma foi detectado no sábado em exame de arteriografia cerebral e já foi tratado.

Esta foi a segunda vez em um mês em que o autor de Auto da Compadecida foi hospitalizado. No último dia 21, o dramaturgo sofreu um infarto de pequenas proporções e ficou até o dia 27 no mesmo hospital em que voltou a ser internado.

Escritor Ariano Suassuna tem alta após infarto

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Publicado por Folha de S.Paulo

O escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, 86, que sofreu um infarto no último dia 21, recebeu alta nesta terça-feira (27) no Recife.

Segundo boletim médico divulgado pelo Real Hospital Português e assinado pelo cardiologista Sérgio Montenegro, ele continuará o tratamento em casa, onde deve “permanecer em repouso por mais 40 dias”.

Autor de do “Romance d’A Pedra do Reino” e de clássicos do teatro nacional como “O Auto de Compadecida”, “O Santo e a Porca” e “A Pena e a Lei”, o paraibano Suassuna vive no Recife desde 1942 e é assessor especial do Governo de Pernambuco.

O escritor Ariano Suassuna durante aula-espetáculo na abertura da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no Theatro Pedro 2º / Silva Junior - 6.jun.13/Folhapress

O escritor Ariano Suassuna durante aula-espetáculo na abertura da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no Theatro Pedro 2º / Silva Junior – 6.jun.13/Folhapress

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dica do João Marcos

Realidade incendiária envolve o Ciclo de Leituras Públicas da USP

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Encontros aproximam o público de peças do teatro ocidental com a mediação de profissionais da área artística

Publicado por Catraca Livre

As leituras acontecem na Sala Experimental Plínio Marcos, com capacidade de 50 lugares. (Reprodução)

As leituras acontecem na Sala Experimental Plínio Marcos, com capacidade de 50 lugares. (Reprodução)

O ato de ler e deixar que as palavras escritas percorram as veias passando pelo coração até à mente na forma de desenhos, cenários, rostos e sentimentos é um hábito que precisa ser mantido. Sua prática, fundamental para o desenvolvimento cultural do indivíduo, torna-se o pano de fundo do Ciclo de Leituras Públicas da USP, que já se encontra na 9ª edição.

Entre os meses de maio e junho, o Tusp (Teatro da USP) apresenta programação gratuita sempre às 15h das segundas-feiras, com mediação do agente cultural Otácilio Alacran. A seleção de textos se baseou na “realidade incendiária”, ou o momento crucial em que o personagem precisa tomar uma decisão e, consequentemente, definir o rumo da história. Tal necessidade surge justamente da repressão de ideias ou ideais e acende uma “fagulha” capaz de incinerar a atual condição daquela figura representada.

As peças compuseram o importante cenário do teatro ocidental e as leituras permitem que os participantes entendam o processo de construção das histórias, assim como estilo de cada dramaturgo. Confira a programação completa:

Maio

6/5 O Interrogatório – de Peter Weiss (1965)
13/5 Agreste – de Newton Moreno (2004)
20/5 Biedermann e os Incendiários – de Max Frisch (1958)
27/5 O Balcão – de Jean Genet (1956)

Junho

03/6 Jogos na Hora da Sesta – de Roma Mahieu (1976)
10/6 Novas Diretrizes em Tempos de Paz – de Bosco Brasil (2001)
17/6 A Morte de Danton – de Georg Büchner (1835)

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