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Posts tagged Drogas

Passageiro grego é preso com 8kg de cocaína em livros em aeroporto do RS

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Droga foi achada dentro de coleção de livros (Foto: Reprodução/RBS TV)

Droga foi achada dentro de coleção de livros (Foto: Reprodução/RBS TV)

Aproximadamente 8 quilos de cocaína estavam escondidos em livros.
Homem estava embarcando para Lisboa, com Bruxelas como destino final.

Publicado no G1

A Polícia Federal prendeu um passageiro grego com aproximadamente 8 quilos de cocaína no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, na noite deste sábado (15). A droga estava escondida em páginas de livros.

Segundo os policiais, o passageiro foi abordado por aparentar nervosismo. Ele estava embarcando para Lisboa, em Portugal, e tinha como destino final a cidade de Bruxelas, na Bélgica. O homem foi preso em flagrante e levado para a Superintendência da Polícia Federal.

Autobiografia de Naldo tem sabor de chocolate

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O cantor Naldo e seu irmão Lula

O cantor Naldo e seu irmão Lula

Rafael Costa, na Veja

Naldo Benny enfrentou um ruidoso processo de divórcio para se casar com Ellen Cardoso, a Mulher Moranguinho, em uma celebração da qual seu filho se negou a participar. Mas as desavenças familiares são águas passadas – ao menos, nas páginas de Cada Vez Eu Quero Mais (Planeta, 91 páginas, 31,90 reais), autobiografia que o cantor de Amor de Chocolate lança na tarde deste domingo, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com título emprestado de um verso do seu maior hit. A obra, para ficarmos na mesma música, tem sabor de chocolate: nela, o cantor adoça tudo o que viveu, para contar da maneira mais positiva a sua trajetória, desde quando era conhecido como Ronaldo Jorge na Vila do Pinheiro, no Rio, até o momento em que se viu na varanda do Hotel Fasano, na praia de Ipanema, ao lado do ator Will Smith, ouvindo um bloco de Carnaval cantar, na rua embaixo, versos da sua canção.

A vida de Naldo, ao menos no livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso. Uma atitude louvável, ainda mais para quem, como ele diz ter feito, conseguiu atravessar a juventude sem ceder ao crime organizado ou às drogas, elementos que o rodearam no percurso. O problema é que o orgulho do músico por sua travessia – sem falar no fato de ele se declarar uma pessoa do bem – é exagerado a ponto de dar ao livro um grosso verniz chapa-branca.

1Com poucas páginas e letras garrafais, Cada vez eu Quero Mais é uma leitura fácil, rápida e pobre em detalhes, tanto sobre a vida pessoal como profissional do cantor, elementos que colocam um tempero a mais em uma biografia. No caso de Naldo, grande parte das situações narradas no livro pode ser facilmente encontrada no Google. Faltam detalhes sobretudo ao desfecho de Lula, irmão e parceiro musical no início da carreira, assassinado em 2008. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, carbonizado, no Instituto Médico Legal (IML). O episódio, desde a morte até o luto, é narrado em pouco mais de uma página, sem qualquer menção a quem poderia ter cometido o crime. É muito pouco, dada a importância do MC na vida do cantor. “Fiquei uns quatro meses deprimido, me forçava a sair do escritório apenas por achar que era o que Lula desejaria”, escreve Naldo, para já no parágrafo seguinte reaparecer restaurado, narrando a sua “volta por cima”.

Já o filho, Pablo Jorge, 16, fruto do casamento com Branka Silva, mal é citado e aparece apenas – com a metade de seu corpo – em uma foto quando bebê, no colo do pai.

Cada Vez Eu Quero Mais é uma leitura voltada exclusivamente para os fãs de Naldo Benny, que podem se comover com a história de superação e a batalha do cantor para sair do morro carioca e chegar à varanda do Hotel Fasano. E só. Já aqueles que procuram uma boa biografia, com histórias controversas e elementos inéditos, podem poupar trinta reais e meia-hora da vida com uma leitura de pouquíssima relevância.

A biografia de Naldo em cinco tópicos

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* Chapa-branca
Ao longo de todo o livro, Naldo exalta de maneira exacerbada sua história de superação e seu jeito de bom moço. A narrativa ofusca alguns fatos controversos de sua vida, como a briga judicial com sua ex-mulher, a produtora musical Elizete Pereira, mais conhecida como Branka Silva, em julho do ano passado, e a relação tortuosa com seu filho, Pablo Jorge, fruto do casamento com Branka, que tem apenas seu nome citado em poucos momentos da biografia. “Fui exposto desde cedo à realidade das drogas, assalto, roubo e crime, mas eu tinha muito medo de decepcionar minha mãe. E meu pai, que sempre nos ensinou que as conquistas vinham de trabalho e dedicação, também fez o que pôde para afastar desse cotidiano perigoso da gente”. Um dos – muitos – trechos em que Naldo destaca a importância de seus pais em sua vida e seu bom caráter.

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* Morte do irmão

A morte de Lula, seu irmão mais novo e parceiro musical no início da carreira, é citada brevemente, assim como muitos outros episódios da biografia. O episódio, desde o assassinato do MC, que é encontrado com o corpo carbonizado Instituto Médico Legal (IML), em 2008, até o luto vivido pelo cantor, é narrado ao longo de pouco mais de uma página, em que Naldo se limita a descrever que passou cerca de quatro meses deprimido e que acabou voltando ao trabalho com apoio da equipe da gravadora. “Mais bem cercado na época pelas gravadoras, tive apoio da equipe e dos empresários, que me trataram com carinho e não pressionaram para que eu voltasse logo a trabalhar”, escreve o funkeiro.

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* Busca pela fama

A busca pela fama é uma das partes mais interessantes da biografia, senão a única. Apesar de ser descrita sem muitos detalhes, Naldo fala sobre os “nãos” que recebeu de alguns produtores e o preconceito que sofria de muitos funkeiros pelo fato de tentar emplacar um estilo com mais melodia e letras românticas, que não citavam temas como crime, drogas e sexo. “O funk na época era mais pesado; as letras seguiam a linha da porrada ou sacanagem, não tinha sutileza ou romantismo. Não era exatamente a nossa praia, mas era o que fazia sucesso. Eu sempre tentava puxar os versos para ‘censura livre’. (…) O tal produtor nos recebeu supermal. A casa dele não tinha varanda, só um quintal para a gente atravessar e se molhar ainda mais. (…) Ao entrara na casa dele, a gente sentou e tudo estava molhado, e ele reclamou, grosseiro, desandando a falar que era responsável pela caravana tal, que administrava uns trinta MCs e blá-blá-blá”.

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* Historia de superação

A vida de Naldo contada em seu livro, não foge daquela história conhecida do menino humilde que decidiu investir em seu talento para alcançar o sucesso profissional, ou o estrelato. A história de superação, apesar de ser algo louvável, é citada em diversos momentos da obra, muitas vezes desnecessariamente. “Nessa hora, um filme passou na minha cabeça – uma história que começa como tantas outras, um moleque que desejava ter uma roupa de marca ou um tênis bacana, uma trajetória comum como a de qualquer garoto da favela. Ali, porém, no coração da praia mais famosa do mundo, na varanda de um hotel de luxo, esse menino da Vila do Pinheiro estava deixando o superstar de Hollywood de boca aberta”, escreve Naldo sobre o momento em que está ao lado de Will Smith na varanda do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, enquanto uma multidão na rua canta versos de sua música.

* Primeiro sucesso

Pouco depois da morte de Lula, Naldo se viu obrigado a seguir carreira solo e lançou o álbum Na Veia, em 2009. O disco foi produzido por uma gravadora independente e ganhou vida graças ao investimento do próprio cantor, que começou a ganhar uma “quantia razoável de dinheiro” como compositor. Uma de suas obras é a canção Depois do Amor, que viria a ser gravada por Belo e Perlla. As músicas, no entanto, foram todas compostas em parceria com o irmão, como o hit Como Mágica, primeira canção a fazer sucesso em nível nacional. “Peguei a grana que eu tinha juntado com os direitos autorais de Depois do Amor e Como Mágica, e banquei a gravação desse novo CD. A turma da música já conhecia a gente, os caras da rádio, locutores, diretores etc.”

Johnny Cash, entre o céu e o inferno em autobiografia

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Em obra recém-lançada, o lendário cantor de country e gospel lembra amigos, drogas e June Carter Cash

Roberto Nascimento, no Estadão

Popularizada no filme Johnny & June, de 2005, a história de Johnny Cash é a quintessencial trajetória cristã de um grande artista, desde o triunfo inicial à penumbra do pecado e, finalmente, à redenção: um caminho tão humano quanto divino, que o lendário cantor soube traduzir como poucos em letras e interpretações, de gospel ao blues, ao rockabilly. Basta ouvir os discos de sua série American, gravada nos últimos compassos de sua carreira, para compreender o tom transcendental com que Cash imbuiu sua música, assumindo um papel de pecador confesso cuja sinceridade arrebatadora ressoou entre o público.

Divulgação Livro tem a sinceridade da música de Cash

Divulgação
Livro tem a sinceridade da música de Cash

Na época em que os seis Americans foram gravados, Johnny Cash, morto em 2003 por causa de complicações causadas pela diabete, também preparou o seu segundo livro de memórias Cash: A Autobiografia, que chega agora às livrarias brasileiras em tradução da Editora Leya. (O Estado publicou uma matéria sobre o livro em 2010, quando a autobiografia estava em processo de lançamento, mas por alterações na grade, a editora o segurou até agora.)

No início dos anos 2000, Cash vivia uma renascença artística, possibilitada pelo produtor Rick Rubin, que o apresentou a uma nova geração de fãs por intermédio de um repertório equilibrado entre gospel e canções atuais, como Hurt, do Nine Inch Nails.

A sinceridade cortante das gravações ecoa nas palavras escritas por Cash que, pressentindo o fim, narra sua história com sabedoria curtida em anos de sofrimento e redenção. A primeira metade passa pelas origens de sua carreira, nos meados dos anos 50, quando Cash gravou seus primeiros discos pela lendária Sun Records, gravadora de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Roy Orbison. Há a descrição da mítica jam session entre Cash, Elvis, Lewis e Perkins, lançada no disco Million Dollar Quartet (Cash abriu mão de seu barítono e cantou uma oitava acima para combinar com Elvis).

Há os dramas do pianista, cantor e pastor Jerry Lee Lewis, que tinha certeza de que iria para o inferno quando via jovens se esfregando ao som de sua música (“Estou fazendo o que Deus mandou, mas estou levando todo mundo para o inferno. É para lá que eu vou se continuar cantando”, dizia Jerry). E há uma defesa de Elvis, que, para Cash, no início de sua carreira era tão invejado que foi tachado como um bad boy pelos próprios colegas. Mas um carinho especial é dado pelo cantor em sua abordagem do trágico amigo Roy Orbison, que suportou um sofrimento sobre-humano ao perder dois de seus três filhos em um incêndio em sua casa no Tennessee, enquanto fazia turnê pela Inglaterra. Cash e Orbison eram muito próximos. Cash morava do outro lado da rua da casa que pegou fogo e depois que Orbison conseguiu se reestruturar, comprou o terreno e prometeu ao amigo que jamais o venderia. Além dos colegas, boa parte de Cash: A Autobiografia concentra-se em drogas e problemas familiares.

Viciado em anfetaminas, barbitúricos e tudo o que viria a matar os ídolos do rock nos anos 60, o cantor foi um pioneiro em dramas de fama e dependência química. Chegou a passar dias alucinado no deserto como um pré-Jim Morrison. Botou fogo em uma reserva nacional. Alugou um avião para se transferir de um hospital, com medo que soldados de elite fossem plantar uma bomba em seu dormitório. Quebrou a porta do quarto de seu guitarrista a machadadas – feito que, em suas palavras, o levou a ser o “pioneiro do vandalismo de motel que tanto é glorificado no rock de hoje em dia”.

Cash conta suas melhores histórias ao relembrar o amor que teve por June Carter, sua alma gêmea e santa protetora até o fim da vida, passado entre Nashville e uma casa na Jamaica. Quando se deparava com o “cachorro negro”, nome que dava para o seu lado sombrio e autodestrutivo, era June quem o salvava, deixando claro que sua carreira se desfaria sem a companheira.Na mais singela das provas de amor de June Carter, Cash – sofrendo de síndrome de abstinência ao tentar se livrar das drogas – sente uma brisa que o guia, como a luz na alegoria de Platão, à entrada da caverna. Quando sai, lá está June, que o espera com uma cesta de maçãs.

O cantor morreu em setembro de 2003, quatro meses depois de sua mulher.

Conheça 10 escritores que eram famosos pelo uso de drogas

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Não é de hoje que artistas e drogas andam juntos. Sempre vemos rockstars usando drogas, assim como atores, pintores e… é claro, também, escritores! Haverá alguma conexão entre o fazer artístico e o uso de drogas? Muitos escritores, dos mais importantes, já usaram drogas, e ainda escreveram obras inteiras sob influência destas. Seriam as drogas alguma espécie de combustível criativo? Baudelaire, em Paraísos Artificiais, argumenta que o artista não pode depender de um veneno – como ele mesmo cunha as drogas – para pensar; porém não é novidade que, quando sob o efeito de substâncias que alteram a percepção, é possível ver as coisas de formas diferentes, fator este que, conseqüentemente, amplia a visão do escritor, cujo um dos principais intentos é mostrar, através de palavras, pontos de vista antes pouco – ou nunca – percebidos por outros. E isto é bem descrito também por Baudelaire, ainda em Paraísos Artificiais, referindo-se ao haxixe como um verniz mágico que colore a vida com solenidade, aclarando toda sua profundeza, e a embriaguez, assim, ilumina a inteligência.

Apesar de, obviamente, não ser necessário o uso de substâncias químicas para escrever, muitos escritores parecem ter uma necessidade de usar tais substâncias. Seria alguma consequência da ansiedade daqueles que questionam, talvez demais, o mundo a seu redor, por isso sentem a necessidade de escrever, e assim também a necessidade de se entorpecer de alguma forma? Bem, cada um usa drogas por seus próprios motivos, e não é certo julgar que é exatamente por esta ou por outras razões, mas o certo é que há uma forte presença do uso das drogas entre os literários. Portanto, segue uma breve lista com alguns (só alguns, é quase impossível lembrar-se de todos eles) dos mais importantes escritores que já usaram drogas – e que até já escreveram grandes obras sob sua influência.

p.s: alguns dos escritores abaixo não usavam, necessariamente, nenhuma droga ilítica. Mas, a bebida afetou tanto suas vidas que fica difícil não mencioná-los.

Hunter S. Thompson – Seu forte apreço pelo álcool lhe rendeu a fama de ter sido o fundador do jornalismo Gonzo, expressão que significa algo como “o último homem a permanecer em pé após muita bebida”, e como se isso não fosse o suficiente para colocá-lo com louvor nesta lista, ele até chegou, certa a vez, a dizer: “Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.” Thompson conviveu com a cultura hippie, e utilizou várias drogas, como LSD e álcool – sua bebida favorita era o rum. Seu mais famoso livro, Medo e Delírio em Las Vegas, foi o resultado distorcido de uma matéria que ele ficara de fazer para uma revista sobre uma corrida, porém gastou o dinheiro da hospedagem em drogas e bebidas, e acabou escrevendo, em vez da matéria, um relato sobre seus dias de entorpecimento. Thompson suicidou-se em 2005, com um tiro de espingarda. Em 2011, estreiou o filme O Diário de um jornalista bêbado, com Johnny Depp, que é baseado em um livro de Thompson.

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Stephen King – O mais famoso escritor de terror contemporâneo, Stephen King diz não se lembrar muito bem de quando escreveu um de seus maiores clássicos, Cujo, pois andava mal por conta do uso excessivo de cocaína e álcool na época. Seu problema com alcoolismo é até refletido em sua mais célebre obra, O Iluminado, na qual Jack Torrance também mostra ter um problema com bebidas. Com a agravação do vício de King, sua família e seus amigos interviram e desde então ele esteve sóbrio.

Charles Baudelaire – Famoso por sua poesia ligada ao vinho e às drogas, Baudelaire escreveu Paraísos Artificiais, na qual narra sobre as experiências geradas pelo uso do haxixe, do ópio e do vinho. Inclusive, fez parte de um grupo chamado Clube dos Hashishins, que se reuniam, obviamente, para usar haxixe. Baudelaire narra, de forma lírica, em sua obra, diversas formas como o haxixe, o ópio e o vinho, mas principalmente o haxixe, que pode ampliar a percepção do artista, iluminando sua inteligência. Porém, no fim do livro, ele condena o uso de substâncias como auxílio à criatividade, dizendo: “Aquele que puder recorrer a um veneno para pensar, em breve não poderá mais pensar sem o veneno. É possível imaginar o terrível destino de um homem cuja imaginação paralisada não soubesse mais funcionar sem o recurso do haxixe ou do ópio?” (Paraísos Artificiais, p. 50)

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Edgar Allan Poe – Impossível deixar fora desta lista o célebre Edgar Allan Poe. O escritor passou por diversos dilemas sérios no decorrer de sua vida, e entre eles (ou talvez em decorrer deles) estavam a dependência do álcool e do ópio. Poe inclusive mostra, em alguns de seus contos como Berenice e Ligeia, protagonistas também dependentes do ópio. Além de álcool e ópio, o escritor também usava láudano, e foi isso que utilizou em sua tentativa de suicídio, em 15 de novembro de 1848, um ano antes de sua morte.

Thomas de Quincey – Sua autobiografia chama-se Confissões de um comedor de Ópio – o que deixa bem claro o porquê dele estar nesta lista. De Quincey usava Láudano, uma mistura de ópio e álcool que contém morfina e codeína. Quando estava sem se entorpecer, sua produção literária tendia a decair, o que demonstra a importância das drogas em sua vida. Baudelaire foi fortemente influenciado por de Quincey, e em Paraísos Artificais há diversas citações da biografia deste, seguidas de comentários de Baudelaire. De Quincey defende abertamente o uso do ópio em Confissões de um comedor de Ópio, ao contrário de Baudelaire, que acabou se mostrando contra o uso.

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Hemingway – Quando falam de Hemingway, muitos o associam facilmente à bebida. São diversas as frases de Hemingway relacionadas ao assunto, como:”Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”, e “Para conviver com os tolos, um homem inteligente precisa beber” Sua bebidas preferidas eram o absinto, o Mojito, que conheceu em Havana, e também uma versão especial de Daiquiri, que hoje inclusive é chamada de Special Hemingway. O escritor, que bebia excessivamente em decorrer de problemas como depressão, se suicidou em 1961.

Samuel Coleridge – Láudano e ópio também eram as drogas preferidas de Samuel Coleridge, o autor do poema A Balada do Velho Marinheiro (The Rime of the Ancient Mariner), um dos poemas épicos mais fortemente influenciado pelo uso de drogas já escrito. Coleridge pertencia ao mesmo círculo social de Quincey, que chegou a escrever um ensaio sobre Coleridge e seu uso excessivo de ópio – o ensaio chama-se Coleridge e o Ato de Comer Ópio (Coleridge And Opium-Eating).

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Jack Kerouac – Um dos maiores escritores da famosa geração Beat escreveu muito sob efeito de drogas. O amigo do escritor, Allen Ginsberg, comentou que o próprio Kerouac disse que sentia que conseguia escrever mais dessa forma. Muitos de seus romances, entre eles, o aclamado On the Road, foram escritos sob a influência de benzedrina, entre outras drogas. Kerouac também bebia muito, o que pode ser considerado o seu suicídio lento, uma vez que o escritor chegou a declarar que, por ser católico, não podia cometer suicídio, mas podia beber até a morte. E foi o que ele realmente fez: Kerouac sofreu uma hemorragia de varizes no esôfago, o que o levou a fazer 26 transfusões de sangue, e foi em virtude do alcoolismo que ele morreu, em 1969.

Aldous Huxley – O autor do famoso Admirável Mundo Novo considerava o LSD e outros alucinógenos como portais para percepções espirituais profundas, místicas. Ele escreveu a obra As Portas da Percepção, na qual descreve experiências com o uso de drogas como o ácido lisérgico, a mescalina, entre outras. Huxley disse, em uma entrevista à Paris Review, em 1960, que, indiretamente, o uso de tais substâncias pode ajudar no processo criativo, mas não de forma que alguém possa dizer “agora vou tomar um ácido para escrever um poema brilhante”, isso ele não acreditava que funcionasse.

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Bukowski – O próprio já dizia: “Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.” “Se algo ruim acontece, você bebe em uma tentativa de esquecer, se algo de bom acontece, você bebe para celebrar, e se não acontecer nada, você bebe para fazer algo acontecer ” Depois dessas, acho que o próprio Bukowski já explica com suas próprias palavras porque está nessa lista, certo? Em suas obras há muitas referências ao álcool, assim como à maconha, apesar do escritor ter dito ser contra o uso de drogas; ele gostava realmente era de beber, de beber muito, inclusive defende o uso do álcool abertamente, como se pode notar no vídeo abaixo, onde diz que se não fosse a bebida, provavelmente teria se matado:

Menções importantes:

Truman Capote

Ken Kesey

Robert Louis Stevenson

William S. Burroughs

Philip K. Dick

Sylvia Plath (alcoolismo)

Anne Sexton (alcoolismo e pílulas para dormir)

Lord Byron (alcoolismo)

E então, que tal a lista? Quais escritores você acha que faltam aqui? (Sim, concordo que realmente faltam muitos, mas por mais escritores que se acrescente, acho que ainda faltariam mais haha) Comente!

Obs.: lista inspirada livremente na matéria litreactor.com

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

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Marilyn Wedge, no Cultivando o Equilíbrio

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?

TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre – que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.

Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.

Texto original em Psychology Today

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