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União Europeia: e-books não são livros e não têm direito a desconto nos impostos

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Ronaldo Gogoni, em Meio Bit

A peleja entre livros físicos e e-books está longe de ser decidida. De um lado temos empresas como a Amazon, brigando para que haja uma equiparação na carga tributária, o que reduziria os preços não só dos livros digitais como também dos e-readers. Do outro há o governo e o mercado editorial, que relutam em classificar o novo formato como um livro de papel, o que derrubaria seus preços sensivelmente.

Isso não é exclusivo do Brasil, lá fora a briga é a mesma. Agora a Comissão Europeia decidiu que e-books em geral (as publicações, não os aparelhos) não podem ser considerados livros, mas “serviços”. E com isso, terão uma taxação maior.

A decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia saiu na última quarta-feira como resposta à decisão tomada em 2012 por França e Luxemburgo, que não diferenciam os livros digitais dos físicos e concedem descontos iguais nos impostos. Ambos foram processados por desrespeitar uma regulamentação que estava causando evasão de impostos. De acordo com a corte (cuidado, PDF), um e-book não pode ser considerado um livro per se porque depende de um outro dispositivo para ser lido, como um e-reader, um tablet, um smartphone ou um computador.

Como sua contraparte de papel não depende de tais recursos, os e-books são para os olhos da Comissão serviços e não bens de consumo, e devem receber a taxação máxima do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA). Dessa forma, França e Luxemburgo que cobram 5,5% e 3% de impostos passariam a cobrar 20% e 17%, respectivamente. Desnecessário dizer quem vai a pagar a conta…

Não é essa a primeira vez que a EU se atiça por perda de dinheiro: uma mudança da lei numa ocasião anterior obrigou a Amazon a aplicar o IVA correspondente em cada país da Europa em que vende livros digitais, pois até então a lojinha do tio Bezos utilizava a taxa de Luxemburgo, a mais baixa.

O mais provável é que ambos países recorram da decisão, e a própria Comissão reconhece que cada nação poderá no futuro utilizar diversos mecanismos legais a fim de definir suas próprias políticas, mas mesmo assim não deixa de ser uma tremenda derrota para quem esperava ver o velho continente olhar os e-books com mais carinho. Mas é um fato, o dinheiro sempre fala mais alto.

Oito razões para não desistir dos livros em papel

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Ao que parece, os jovens continuam a preferir os livros em papel aos e-books. Facilidades na compreensão, no envolvimento com a história e menos distrações justificam a preferência.

Publicado no Observador

O Huffington Post organizou uma lista que mostra como o anúncio da morte dos livros em papel pode ser exagerado, explicando também por que razão estes são melhores do que a alternativa eletrônica. Ora veja:

1. Os jovens tendem a acreditar que a informação útil está fora da internet

Um estudo do Pew Research, que revelou que a geração milênio (o grupo que nasceu entre o início dos anos 80 e o ano 2000) gosta mais de ler livros do que os adultos, descobriu também que é mais provável que os jovens acreditem que a informação útil se encontra nos livros em papel e não na alternativa eletrónica. Cerca de 62% dos entrevistados com idade inferior a 30 anos identificou-se com esta afirmação, enquanto apenas 53% dos inquiridos com idade superior a 30 anos responderam da mesma forma.

2. É mais provável que os jovens (e não tanto os adultos) comprem manuais de estudo em papel

Um estudo conduzido pelo Student Monitor mostrou que 87% dos gastos em manuais no início do ano letivo de 2014 foi em livros físicos e não em livros eletrônicos.

3. Estudantes preferem estudar humanidades em livros do que através de cópias digitais gratuitas

Quando se trata de ciências e de matemática, os manuais eletrônicos servem. Mas no que toca às humanidades já não é assim, segundo um estudo da Universidade de Washington que concluiu que 25% dos estudantes de humanidades compram versões físicas dos livros pedidos pelos professores.

4. Os jovens preferem livros físicos mesmo quando não se trata de manuais

Já vimos que os estudantes preferem manuais não eletrônicos. Um estudo da Nielsen de 2014 revelou que esta preferência se aplica também aos livros mais pessoais. O que leva os jovens a comprar livros, questionava o inquérito. As respostas “pesquisar em bibliotecas”, “pesquisar em livrarias” ficaram à frente das recomendações nas redes sociais ou em sites de venda de livros.

5. Os estudantes não desenvolvem uma ligação emocional com os textos que leem no tablet e têm uma menor compreensão daquilo que leram dessa forma

Ler a mesma história na tela ou no papel e perceber as diferenças no envolvimento do leitor relativamente à narrativa foi a proposta de um estudo realizado em 2012. Resultado? Aqueles que leram a história no iPad não conseguiram ficar absorvidos pela história e foram incapazes de se envolverem com as personagens e com o enredo a um nível emocional. Em 2013, o jornal USA Today também publicou as conclusões de um estudo que descobriu que os estudantes compreendem menos aquilo que leem se o fizerem no tablet.

6. Juntos, pais e filhos também preferem os livros aos livros eletrônicos

Um estudo do instituto Joan Ganz Cooney Center do Sesame Workshop, responsável por investigar a leitura na infância, descobriu que nas leituras antes de deitar, os pais preferem ler aos filhos livros em papel, por considerarem que as aplicações disponibilizadas em alguns livros eletrônicos infantis, como vídeos e gráficos interativos, levam a distrações.

7. Os livros eletrônicos prejudicam o sono

Os pais podem ter razão. Pelo menos foi o que concluiu um estudo da Universidade de Harvard, que descobriu que se o livro eletrônico emitir luz, a pessoa que o lê tem mais dificuldade em adormecer, demorando, em média, mais dez minutos até conseguir fechar os olhos e descansar.

8. É difícil evitar a distração enquanto se leem livros eletrônicos

No livro Words Onscreen: The Fate of Reading in a Digital World, Naomi S. Baron escreveu que os jovens têm mais dificuldade em concentrar-se quando leem no tablet porque é mais provável (três vezes mais provável do que ao ler livros em papel) que a sua atenção se disperse por várias tarefas ao mesmo tempo.

Jovem ganha dinheiro escrevendo livro de sexo com dinossauros

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"Taken by the Pterodactyl" (Levada pelo Pterodáctilo)

“Taken by the Pterodactyl” (Levada pelo Pterodáctilo)

Yannik D´Elboux, no UOL

Com mais de 40 livros eróticos sobre sexo entre mulheres e dinossauros, uma norte-americana, na faixa dos 20 anos, encontrou um caminho para fazer o que gosta e aumentar sua renda. Sob o pseudônimo de Alara Branwen, ela escreve em coautoria com a amiga Christie Sims, que também usa nome fictício, grande parte das histórias, à venda em formato digital na loja virtual Amazon.

Os títulos de seus livros são curiosos. Entre os mais populares estão: “Mating with the Raptor” (Acasalamento com o Raptor), “Taken by The T-Rex” (Levada pelo T-Rex) e “Ravished by Triceratops” (Violentada pelo Triceratops).

Na maioria das tramas, criaturas poderosas, sedutoras e dominadoras envolvem heroínas que não resistem aos encantos dos monstros, quase sempre sexualmente insaciáveis e dotados de membros enormes. Apesar das protagonistas serem mulheres, Alara afirma que os homens representam metade dos seus leitores.

Em entrevista ao UOL Comportamento por e-mail, a autora erótica, que evita aparecer na mídia, fala um pouco mais sobre como surgiu o interesse em criar histórias com seres fantásticos. Além disso, Alara Branwen revela que segue no gênero erótico e que os dragões são a bola da vez no trabalho da dupla.

UOL:  Você é uma escritora profissional? Tem outro trabalho?

Alara Branwen: Sou escritora profissional por enquanto, mas estou trabalhando em vários empreendimentos comerciais, entre eles, em uma editora.

UOL: Quando você começou a escrever erotismo com dinossauros? Você foi a criadora desse gênero?

Alara: Iniciei no meio de 2013. Não, não sou a criadora, de jeito nenhum! Muitas pessoas me mostraram vários exemplos desse gênero, que datam desde os anos 1960.

UOL: E como você teve essa ideia de escrever sobre sexo com dinossauros?

Alara: Eu estava dando uma caminhada um dia quando, de repente, por alguma razão, eu pensei no “Jurassic Park” [“Parque dos Dinossauros”, filme de Steven Spielberg]. Então minha mente voltou para o meu trabalho. Os dois se misturaram e “boom”: nasceu o erotismo com dinossauros.

UOL: Você sempre teve interesse em literatura erótica? Você acha que dinossauros são excitantes?

Alara: Eu, sinceramente, fiquei interessada nesse tipo de literatura por duas razões. A primeira é que eu sempre gostei de escrever livros eróticos. É divertido e sempre achei excitante criar mundos e personagens sensuais. A segunda razão, quando comecei, é porque eu estava em uma situação financeira difícil e precisava do dinheiro.

UOL: Como estão indo as vendas dos seus livros no site da Amazon? Em média, quantos você vende por mês?

Alara: Não gosto de falar de números específicos nem quanto dinheiro estou ganhando, mas posso revelar isso: minha renda é maior do que a de 70% dos lares nos Estados Unidos.

UOL: Como seus leitores reagem ao seu trabalho? Eles ficam curiosos ou excitados com seus livros?

Alara: Acredite ou não, muitos dos meus leitores realmente gostam do meu trabalho. Alguns acham apenas divertido, enquanto outros se excitam com meus livros. Entretanto, a maioria que se excita com os textos não verbaliza muito esse fato.

UOL: Além de dinossauros, você escreve histórias eróticas sobre outras criaturas?

Alara: Sim, escrevo sobre as mais variadas criaturas fantásticas. Dragões, grifos, hidras, ogros. Nomeie uma criatura e eu provavelmente já devo ter escrito uma história a respeito dela.

UOL: Os dinossauros sempre representam homens em seus livros? Conte-me um pouco sobre o teor das histórias.

Alara: Os dinossauros representam machos nos meus livros. Eles não são apenas homens, são dinossauros. Seus pensamentos são bem diferentes dos nossos. A maior parte das histórias é sobre mulheres que são pegas em situações estranhas, nas quais elas devem ou querem fazer sexo com a criatura a fim de ter prazer, sair de uma situação ruim ou, simplesmente, porque elas querem.

UOL: Você planeja traduzir seus livros?

Alara: Eu gostaria de traduzir meus livros para várias línguas. Tenho falado com uma pessoa nesse momento para traduzir para o português e o espanhol.

UOL: Quais são seus próximos projetos?

Alara: Atualmente, estou trabalhando em histórias eróticas de diferentes gêneros. Mas tenho escrito vários livros eróticos com dragões.

UOL: Você pode revelar seu nome verdadeiro? Se não, por que você prefere mantê-lo em segredo?

Alara: Eu prefiro manter minha identidade secreta. Eu valorizo minha solidão algumas vezes e não quero que as pessoas venham atrás de mim, constantemente, me identificando como a “dino porn lady” [senhora do pornô dinossauro].

 

Acesso ilimitado a livros eletrônicos por R$19,90 mensais

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Publicado no Catraca Livre

Leia quantos livros eletrônicos desejar e ainda economize. No programa Kindle Unlimited da Amazon é assim: você explora diferentes títulos, autores, gêneros e categorias por apenas R$19,90 por mês, com cancelamento disponível a qualquer momento. Se quiser testar, os primeiros 30 dias são gratuitos.

Neste serviço da Amazon, não é necessário ter um dispositivo Kindle (leitor de livros digitais da Amazon) para aproveitar o programa. Acesse o aplicativo gratuito de leitura da Kindle, e leia seu livro em qualquer dispositivo que tenha o app instalado.

Na loja Kindle você encontra todos os títulos disponíveis do programa Kindle Unlimited. Esses livros exibem o ícone da Kindle Unlimited e apresentam o botão “leia de graça” nas suas páginas.

Livros como “Orgulho e Preconceito”, da Jane Austen; “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de J.K. Rowling; “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde; e “1984”, de George Orwell estão disponíveis do programa.

Saiba mais sobre o Kindle Unlimited aqui e comece a testar o seu agora.

O novo voo do Estante Virtual, maior plataforma online de sebos do Brasil

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(foto: divulgação)

(foto: divulgação)

Empresa, que faz 9 anos, agora também vende livros novos. Seu fundador, André Garcia, explica o surgimento da ideia do negócio, como o site tornou-se uma referência

Marcia Pinheiro, no IDGNOW [via Brasileiros]

André Garcia é destes jovens empreendedores que tiveram uma ideia simples, em 2005, que ninguém havia pensado: centralizar em um único site, a Estante Virtual, os principais sebos do País. Hoje, tem como parceiros cerca de 1,3 mil livreiros virtuais e oferece um milhão de títulos. No esquema do site, não há necessidade de investimento em logística, uma vez que os próprios sebos são responsáveis pela entrega do livro ao comprador. O faturamento da empresa vem da comissão cobrada dos sebos participantes, que vai de 8% a 12% sobre a compra, de acordo com o volume vendido.

Depois de se firmar no segmento de livros usados, a Estante passou a comercializar exemplares novos, a exemplo do que já faz a Amazon, seu principal concorrente. Com este passo, Garcia espera conquistar mais leitores, além dos tradicionais estudantes, pesquisadores e caçadores de raridades. O empresário é adepto do lema “ócio criativo”. Por isso, os funcionários do site trabalham apenas seis horas por dia, “com salário de oito”, segundo afirma. Para ele, a produtividade tende a aumentar quando as pessoas chegam felizes ao trabalho, depois de terem a manhã livre para seus hobbies ou compromissos. Para se ter uma ideia da qualidade do público comprador e do acervo, na última lista dos mais vendidos, constavam: A Menina que Roubava Livros (Markus Zuzak), Lolita (Vladimir Nobokov), Admirável Mundo Novo (Adous Huxley) e Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez).

Em 2015, ele aposta no aperfeiçoamento dos mecanismos de compra, além de abrir a Estante para a colaboração dos compradores, que poderão dar dicas de leitura, fazer resenhas e postar fotos. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Brasileiros.

Brasileiros – Como o senhor teve a ideia de criar a Estante Virtual?
André Garcia: Eu estava me preparando para fazer um mestrado em Psicologia Social, uma área diferente da que me formei – Administração. Eu estava frustrado em trabalhar em grandes empresas, nas quais a criatividade vai até a página dois. Estava estudando muito e lia livros em bibliotecas, porque então eu não estava com muito dinheiro. Mas muitos eu não encontrava e passei a frequentar sebos. Perambulava por eles e achei aquela forma de busca muito pouco amigável: ter de bater perna, perder muito tempo. Passei a procurar na internet se havia algum sebo on-line; achei meia dúzia que oferecia sistemas de buscas. A maioria só tinha um site e um e-mail de contato.

Havia então algum modelo de negócios no exterior, em que o senhor pudesse se inspirar?
Existia sim. Aqui no Brasil, havia o Mercado Livre, que é mais genérico. No exterior, a AbeBooks, que vende livros usados de vários sebos.

Como foi seu contato inicial com os sebos? Houve desconfianças?
Eu tive a ideia em setembro de 2004. Comecei a fazer a Estante; inclusive eu mesmo desenvolvi o código. Não sou formado em programação, mas aprendi para fazer o site, de tão empolgado que eu estava. Nem tinha dinheiro para pagar alguém para fazer. Ao mesmo tempo, mapeei os sebos por meio de guias e lista telefônica. Quando a Estante ficou pronta, disparei uma mala direta por e-mail e Correios, expliquei qual era o negócio. Primeiro, entraram os sebos, digamos, mais tecnológicos, que estavam há muito tempo querendo um site como o nosso. Aos poucos, foram entrando os outros e, por último, até os mais desconfiados aderiram a esta forma de venda.

Qual foi o investimento inicial?
Na época, R$ 10 mil. Era pouco. Foi o que ganhei com a rescisão contratual do último emprego, onde fiquei um ano. Eu era uma empresa de um homem só. O custo era baixo. Continuei a estudar para prestar o mestrado, passei, mas o valor da bolsa de estudos era muito pequeno. Resolvi, então, tocar a Estante.

Quantas pessoas o site emprega hoje?
Quarenta pessoas.

A companhia tem alguma abordagem especial em gestão de pessoas?
Nós temos a gestão do ócio criativo. O expediente de trabalho é de seis horas, mas o salário é de oito. Desde que eu montei o site, fiz questão de fazer diferente das empresas onde trabalhei. Acreditamos que, tirando o cafezinho e o tempo que as pessoas passam no Facebook, seis horas podem ser muito mais produtivas do que oito. Mais até do que nos lugares modernos, como os pontocom, onde a ênfase é decorar baias e encher o escritório de brinquedos. Damos a manhã livre para as pessoas irem à praia, por exemplo.

Onde fica a sede da empresa?
No Rio, em Laranjeiras.

Normalmente, o calcanhar de Aquiles dos negócios on-line é a questão da logística. Como o senhor montou a sua?
O produto está com o vendedor, não comigo. Fazemos recomendações para ele postar em um prazo máximo de 24 horas. O sebo é responsável pela remessa. Somos apenas um conector. Consolidamos a constelação de vendedores em um lugar só.

Como é feito o pagamento?
O pagamento vai para o sebo e, na mesma hora, é cobrada a comissão. Isso é feito por meios de pagamento como o PayPal, que faz o depósito automaticamente.

Quantos livreiros estão na Estante e quantos títulos são oferecidos?
Temos mais 1.300 livreiros virtuais e mais de um milhão de títulos em português. É o maior sebo virtual em língua portuguesa do planeta.

Que gênero é maioria? Livros científicos, técnicos, best-sellers?
Best-seller é uma parte menor. Grande parte é composta por livros acadêmicos, científicos, muita literatura. Nossa base é muito pulverizada. Entre os mais vendidos, há obras de George Orwell, Gabriel Garcia Marquez e Milan Kundera. São pérolas literárias, que fogem das óbvias listas tradicionais.

Desde a criação da Estante, quantos livros foram vendidos?
Mais de 14 milhões.

A Amazon é seu concorrente?
Sim, concorrente direto.

Eles já fizeram oferta para comprar o seu negócio?
Não. Nunca.

Há algum tempo, a Estante elevou a taxa de comissão dos livreiros, o que teria gerado desconforto?
Em novembro de 2013, fiz uma viagem a dez cidades e visitei mais de cem livreiros. Ouvi deles várias solicitações, como novos meios de pagamentos, ferramentas de gestão, de coisas que não estávamos fazendo. Pediram ainda mais equipes de atendimento. Providenciamos os avanços e apresentamos um novo patamar de serviços. Foi impossível manter o mesmo preço. Fizemos um investimento de tecnologia de R$ 4 milhões em 2014. Tudo tem um preço. Mas é natural a tensão em um primeiro momento. A comissão era de 6% e passou a ser de 8% a 12%. Quanto mais o lojista vende, pode baixar a taxa para 8%.

O senhor perdeu muitos lojistas com a mudança da taxa de comissão?
Não chegou nem a dez.

Sua equipe ainda faz captação de sebos?
Na verdade, os sebos nos procuram. Na semana passada, falei com um sebo de Gramado, na Serra Gaúcha, que é pioneiro na região. Mal abriram e nos procuraram.

Por que a Estante vai também vender livros novos?
As livrarias convencionais há muitos anos estão se concentrando nos mais vendidos. Isso cria uma demanda não atendida dos livros de catálogo. Por exemplo, você vai a uma livraria e encontra só dois títulos do Rubens Fonseca. Isso é muito ruim para a diversidade. Já tínhamos no acervo uma quantidade muito grande – cerca de 2 milhões – de livros novos e o que fizemos agora foi categorizar as obras e abrir as portas para este tipo de segmento.

O senhor também pretende entrar no negócio de venda de música?
Estamos muito focados em livros, mas novas áreas são sempre uma possibilidade. De todo modo, o mercado fonográfico está em crise.O CD está desaparecendo e o DVD tem forte concorrência de veículos como o Netflix, o pay-per-view de canais fechados. Não é uma coisa que consideremos agora.

E os livros eletrônicos?
Por enquanto, não. Não temos um título eletrônico sequer.

A Estante tem uma reputação muito boa no Reclame Aqui e no e-bit, pela quantidade de problemas solucionados em relação às queixas dos compradores. Qual é a estratégia?
Eu atribuo o bom atendimento a uma política que temos desde o início, que é não lavar as mãos. No caso de qualquer reclamação que chega à Estante, entramos em contato com o sebo, pedimos a ele que interceda nos Correios. Se a entrega demorar muito além do prazo acordado, a sugestão é devolver o dinheiro. Se o sebo não reembolsar, nós os fazemos e vamos atrás do sebo. Temos uma política muito rigorosa de qualidade com nossos vendedores. Os 1.300 sebos no meu site são os melhores do País.

A principal reclamação é atraso?
Sim. Os Correios têm deixado muito a desejar.

Quais são seus planos para 2015?
Queremos ampliar a oferta de livros novos, também com a entrada em livrarias que atuam neste mercado. Implantar ainda a compra expressa, só por e-mail, sem a necessidade de se fazer o log in e senha, que é uma chatice. São recursos de usabilidade. Também vamos investir bem forte em crowd sourcing, em que o usuário pode enriquecer a base de dados, cadastrando fotos, sinopses, resenhas. Enfim, criar uma rede colaborativa. O usuário não será um mero comprador, mas um colaborador.

Você tem algum concorrente no Brasil, além da Amazon?
Tem o Mercado Livre, mas que é mais restrito. Dedicado a livros, existem o Livronauta e o Sebos On-Line. Eles seguem o modelo da Estante, mas não dispõem de todos os recursos. Já houve outros, como o Gojaba, que ficou apenas dois anos no mercado e desistiu.

O senhor pode revelar o faturamento anual da Estante?
Não costumo divulgar isso. Mas encerramos o ano de 2014 com 1 milhão de títulos vendidos.

Qual é o deságio médio do livro usado em relação ao novo?
Em média, de 52%.

O senhor já fez alguma pesquisa sobre o perfil de seus compradores?
Grande parte é de universitários. Mas agora, com esta abertura, com a oferta de livros novos, em com todas as melhorias de usabilidade do site, qualquer pessoa que queira comprar um livro, fácil ou difícil de achar, pode comprar aqui, com a grande diferença que na Estante o consumo é ético. Isso porque assegura a sobrevida de milhares de livreiros e não só de um grande player.

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