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Autor que irritou Paul McCartney é escolhido para escrever biografia do músico

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Publicado por Folha de S.Paulo

O escritor Philip Norman, famoso biógrafo que escreveu “Shout! The Beatles in their Generation” e “John Lennon: A Vida”, consideradas as mais completas biografias sobre os Beatles, assinou um contrato com a editora Little, Brown and Company para escrever sobre a vida de Paul McCartney.

O livro, que tem previsão de lançamento para 2015, vem sendo escrito após uma “aprovação silenciosa” de Paul, segundo o autor.

“Ele não está cooperando diretamente com o projeto, mas não se opôs às minhas entrevistas com seus amigos próximos”, disse Norman.

A falta de objeções, de certa forma, demonstra uma aproximação entre McCartney e o autor nos últimos anos. Quando “Shout!” foi publicado, Paul criticou o livro, afirmando que o biógrafo tentava se aprofundar em especulações sobre a banda, como uma suspeita de assassinato do empresário dos Beatles, Brian Epstein, cuja morte foi considerada acidental pela polícia. Norman cortou o episódio das edições seguintes.

McCartney chegou a declarar que o biógrafo o retratou como “subserviente” a John Lennon e que parecia considerá-lo um músico inferior. Mais tarde, ao escrever a biografia de Lennon –que teve a aprovação prévia de Yoko Ono–, Norman foi criticado pela viúva do músico pelo motivo oposto e retratar Lennon injustamente.

“Fui acusado de ser contra Paul em ‘Shout!’ e depois cheguei a conclusão que talvez tivesse mesmo sido um pouco injusto com ele.”

Enquanto escrevia o livro sobre Lennon, Paul McCartney concordou em responder às perguntas do biógrafo por e-mail.

Philip Norman também é autor de “Sympathy for the Devil: The Rolling Stones Story,” “Elton John,” “Rave On: The Biography of Buddy Holly” e “Mick Jagger.”

O ex-Beatle Paul McCartney, que anunciou nova turnê mundial passando pelo Brasil, em Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza (Dave Allocca/Associated Press)

O ex-Beatle Paul McCartney, que anunciou nova turnê mundial passando pelo Brasil, em Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza (Dave Allocca/Associated Press)

Como não fiquei amigo de Leminski

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Miguel Sanches Neto, no Valor Econômico

No começo dos anos de 1980, eu era aluno interno no Colégio Agrícola de Campo Mourão (noroeste do Paraná) e vinha lendo a literatura disponível nas bibliotecas públicas locais. Na estante de poesia, havia livros até os anos 1960, depois disso surgia uma grande lacuna, sequela talvez da ditadura militar, que vivia os seus estertores. Por conta disso, eu desconhecia a literatura contemporânea e tinha uma sede muito grande de participar de meu tempo, mesmo estando em um espaço nada apropriado a tais frivolidades – toda a minha família era de agricultores ou de trabalhadores subalternos, sem ou com baixa escolaridade.

Assim, eu não sabia onde ficava o tempo presente.

Não lia jornais de circulação nacional e não tinha professores e amigos com informações que pudessem me orientar na selva selvagem daquela terra vermelha. Foi em 1983 que comecei a participar do agora, por meio do informativo “Primeiro Toque”, da editora Brasiliense, que tinha como slogan um verso de Walt Whitman: “Que pode haver de maior ou menor que um toque?” Essa publicação permitia que comprássemos os livros por reembolso postal, dando dicas de títulos. Foi ali que comecei a conjugar as minhas leituras no presente, recebendo informações sobre autores que seriam fundamentais nos anos seguintes, como Charles Bukowski e John Fante. Mas, entre todos os autores, o meu herói era o poeta curitibano afropolonês Paulo Leminski, que tinha a cara da revista “Primeiro Toque” e da Brasiliense.

Quando chegou a edição com uma capa pop art de “caprichos e relaxos”, que vinha com o subtítulo de “saques, piques, toques & baques”, entrei em êxtase com essa poesia da informalidade, mais próxima do rock do que da literatura. Nunca tinha lido um poeta que falava grandes coisas em poemas completamente diretos e intensos, que manejava a música, a materialidade da palavra e a ironia. Esse é o livro de poemas que mais li na minha vida, e funcionou como uma bíblia para mim, compulsada nos meus momentos de descrença literária.

Continuei lendo Leminski pelas traduções que ele fazia para a mesma editora e depois por meio dos autores a que ele se referia em apresentações. Para o jovem interiorano que eu era, Leminski fez de Curitiba a capital da poesia brasileira. Não havia como ser escritor morando em outro lugar. Depois de uma tentativa frustrada, mudei-me para a capital em 1987. E continuei seguidor fiel de Paulo Leminski, agora já devorando entrevistas dele em periódicos, acompanhando de perto o seu trabalho no jornal “Nicolau”, no qual ele era figurinha fácil.

Discípulo autodeclarado é aquela coisa: quer porque quer ter alguma importância na vida do mestre. Sonha ser aceito e para isso tenta toda sorte de insinuação. Consegui com uma amiga em comum, a poeta Helena Kolody, o endereço do polaco e, numa carta completamente juvenil, mandei um texto para ele, datilografado na minha inseparável (até hoje) Lettera 35.

Só depois de despachar a carta, relendo os originais de meu poema, vi que havia uma crase errada. Essa talvez tenha sido uma das maiores vergonhas de minha vida de escrevinhador. Dirigir-se à pessoa que é para você o resumo da cultura – e Leminski foi isso para mim – numa linguagem inadequada era um crime de lesa-cultura. Não sei se exatamente por isso, mas o fato é que não tive mais coragem de procurar o poeta. Lembro-me que contava com a possibilidade de cruzar por ele no centro da cidade – tinha visto umas fotos dele no calçadão da rua das Flores – ou mesmo em uma livraria, principalmente na Ghiginone, onde ele lançara alguns livros. Passava na frente do Bife Sujo, um de seus lugares preferidos, mas em horários muito vespertinos para encontrá-lo. (mais…)

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