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Tataraneto de Eça de Queirós ganha prêmio literário Leya

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O escritor português Afonso Reis Cabral, ganhador do prêmio Leya em 2014

O escritor português Afonso Reis Cabral, ganhador do prêmio Leya em 2014 . Divulgação

Publicado na Folha de S.Paulo

Afonso Reis Cabral, 24, tataraneto do mestre das letras lusas Eça de Queirós —autor de “O Primo Basílio”, venceu o prêmio literário Leya, dirigido a jovens escritores em Língua Portuguesa e que concede US$ 127 mil (cerca de R$ 300 mil).

Conforme informou a editora portuguesa, Cabral, o autor mais jovem a ganhar este prêmio instituído em 2008 cativou o júri com o romance “O Meu Irmão”, em que aborda a relação de dois irmãos, um deles com síndrome de Down. O livro competiu com um total de 361 originais de 14 países.

Formado em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, o jovem escritor já tinha publicado uma coleção de poemas que escreveu entre os 10 e 15 anos, com o título “Condensação”.

Na primeira edição do prêmio, realizada em 2008, o ganhador foi o jornalista e romancista brasileiro Murilo Carvalho, com “O Rastro do Jaguar”. O moçambicano João Paulo Borges levou a segunda edição com “O Olho de Hertzog”, em 2009. Já em 2010 o prêmio não foi entregue, pois o júri considerou que não houve obras com qualidade suficiente.

Em 2011, o Leya foi para o português João Ricardo Pedro, com “O Teu Rosto Será o Último”; e em 2012, a premiação foi para o também português Nuno Camarneiro, com “Debaixo de Algum Céu”. No ano passado, a ganhadora foi a portuguesa Gabriela Ruivo Trindade autora de “Uma Outra Voz”.

O Grupo Leya é formado, atualmente, por 17 casas editoras lusas, entre elas Asa, Caminho, Dom Quixote e Escritório do Livro.

Obra de Graciliano Ramos é celebrada com exposição e livro

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Lançamento da obra terá presença de familiares do escritor

Guilherme Sobota, no Estadão

Em 18 de setembro de 1910, o Jornal de Alagoas publicou um inquérito com um jovem literato alagoano que assinava G. Ramos de Oliveira – então com 17 anos, ele demonstra uma erudição impressionante ao listar impressões sobre O Guarani (que lera aos 10), afirmar que o “realismo nu de Adolfo Caminha e a linguagem sarcástica de Eça de Queiroz” o influenciaram e ter a capacidade de autoironia suficiente para dizer que seus primeiros textos, “pequeninos contos”, foram “verdadeiras criancices”.

Essa é a primeiro das 25 entrevistas que Graciliano Ramos (1892-1953) concedeu a jornais e revistas durante sua vida, agora reunidas em Conversas (Record). O livro ainda traz respostas do escritor a enquetes e depoimentos, e ganha um lançamento de luxo: a exposição Conversas de Graciliano Ramos foi montada no MIS de São Paulo baseada no projeto de pesquisa de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, com curadoria de Selma Caetano. A mostra fica aberta até o dia 9 de novembro e tem entrada gratuita – até ontem, a exposição ficou fechada para visitação por motivos de segurança. Nesta segunda-feira, ocorre no MIS o lançamento do livro, às 19h, com presença de familiares do escritor e dos organizadores – em um coquetel aberto ao público.

A exposição foi montada de modo a dar voz a Graciliano – da sua voz mesmo, não existe nenhum registro. As entrevistas então são uma forma direta de ouvir o que o escritor tinha a dizer além da sua produção ficcional. “Foi legal mostrar como o Graciliano falava de tudo, contrariando uma imagem sisuda”, diz a curadora Selma Caetano. Todas as frases estampadas nas paredes são do próprio Graciliano.

Selma viajou, junto com o fotógrafo Walter Craveiro, por cidades de Pernambuco e Alagoas que têm ligação com a vida do escritor. O intercâmbio entre acervos – do Arquivo Público de Alagoas, do Museu Casa Graciliano Ramos, do Projeto Portinari e do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP) – possibilitou uma reunião particular de imagens sobre a vida do escritor, de acordo com a curadora.

Multimídia. Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Multimídia. Exposição reúne fotos, documentos e vídeos sobre Graciliano Ramos

Há mais de dez anos pesquisando a obra de Graciliano, Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla foram além do trabalho de compilação no livro: com intenso contato com fontes primárias, como jornais e documentos oficiais, eles apresentam aqui uma contribuição, também, para a história da imprensa no País, ao pontuar o livro com uma profusão de notas de rodapé que situam as entrevistas no contexto da publicação.

Um traço marcante apontado por Conversas, segundo os pesquisadores, é que a construção das principais obras do escritor “partiu de contos, de modo que os capítulos se singularizam por sua força dramática, concisão e autonomia”. “Tal particularidade formal se deve à concepção realista de Graciliano, que se empenhou por concentração dramática e estilística, e à sua necessidade financeira, que o levou a publicar contos/capítulos, crônicas e artigos na imprensa”, afirmam os pesquisadores, por e-mail.

O segundo volume de Conversas, ainda por concluir, reunirá depoimentos de amigos e familiares, também publicados na imprensa – gente como José Lins do Rego, Jorge Amado, Rubem Braga -, assim como uma entrevista inédita com Luiza Ramos Amado, filha de Graciliano.

Salla destaca um dos depoimentos dado pelo escritor à revista Diretrizes, em 1942. Perguntado se “poderia um nazista escrever um poema?”, Graciliano responde: “sim, devem fazer também poemas. Se não os fizessem, abandonariam completamente a espécie humana”.

“Ele atrela o conceito de ‘humanidade’ à possibilidade de criação artística”, conclui Salla.

CONVERSAS
Org.: Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla
Editora: Record (420 págs. e 20 págs. de encarte, R$ 48) Lançamento com coquetel aberto ao público, segunda, às 19h, no MIS

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