Livro de Roald Dahl, que completa 50 anos, teve conteúdos descartados pelo autor à época por serem ‘subversivos’

Johnny Depp na versão de 2005 de 'A fantástica fábrica de chocolate' - Reprodução

Johnny Depp na versão de 2005 de ‘A fantástica fábrica de chocolate’ – Reprodução

Publicado em O Globo

RIO — Para comemorar os 50 anos de um clássico da literatura infantojuvenil, a Penguin lançará uma nova edição de “A fantástica fábrica de chocolate”, de Roald Dahl, com um capítulo “perdido”. “Charlie bucket” havia sido escrito pelo autor em 1961 e havia ficado escondido em seus papéis, uma vez que Dahl desistiu dele porque o rascunho era “subversivo” para o público infantil. Um trecho pode ser lido no site do jornal “The Guardian“.

Publicado originalmente em 1964, “A fantástica fábrica de chocolate” fez sucesso tanto em papel quanto nas adaptações cinematográficas (de 1971 e 2005). No entanto, Dahl acabou excluindo trechos do livro antes de sua publicação original. O motivo seria o “teor subversivo” de trechos como “Charlie bucket” (“O balde do Charlie”), originalmente o quinto capítulo do romance.

Na passagem, o pequeno Charlie é acompanhado pela mãe (e não o avô, como é conhecido) à fábrica que dá nome ao livro. Dois personagens, que nunca chegaram a aparecer no romance, quase são esmagados e retalhados ao tentarem roubar caramelo de vagões que se dirigiam à sala de prensagem e corte dos doces. Um trecho mostra a “polêmica” que Dahl quis evitar:

“‘Aquele buraco’, disse o senhor Wonka, ‘leva diretamente ao que chamamos de Sala de Prensagem e Corte. Nela, o caramelo cru é levado dos vagões até a boca de uma máquina enorme. Ela o prensa até que ele fique fino e suave. Depois disso, várias facas descem e cortam, cortam, cortam, picando em quadradinhos, prontos para a loja.'”

Lançada em 1971, a versão cinematográfica com Gene Wilder no papel de Willy Wonka não foi sucesso de bilheteria, mas se tornou um clássico do cinema. Já a versão de Tim Burton, com o velho colega Johnny Depp, arrecadou mais de US$ 470 milhões.

No início de agosto, o livro havia causado polêmica por conta de sua nova capa. Muitos leitores e críticos disseram que o conteúdo da capa nada tem a ver com a temática do romance. Além disso, foi criticado o teor “assustador” dela, com olhar “psicopático”, afirmaram usuários de redes sociais.

Nova capa do romance de Roald Dahl foi considerada assustadora - Divulgação

Nova capa do romance de Roald Dahl foi considerada assustadora – Divulgação