Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Com 23 anos, Isabela Freitas acaba de lançar o romance Não se Apega, Não (Foto:Divulgação/Leo Aversa)

Jovem mineira Isabela Freitas começou a escrever no microblog Twitter. Seus conselhos e dicas fizeram tanto sucesso que ela foi convidada a lançar seu primeiro livro

Giulia Marquezini, no Correio da Bahia

Mineira, 23 anos, e dona dos melhores conselhos sobre relacionamentos. Isabela Freitas tinha apenas 19 anos quando, em 2011, atingiu mais de 25 mil pessoas no Twitter e resolveu criar o blog isabelafreitas.com.br.

Seus conselhos amorosos faziam sucesso em 140 caracteres e ela quis expandir, já que seus fãs pediam textos mais longos e diziam que gostariam de dividir suas histórias com a moça. O blog atualmente já soma mais de 60 milhões de visualizações e conta com outros colaboradores.

A plataforma, que serviria inicialmente para colocar seus sentimentos para fora e se expressar, alcançou um sucesso inesperado e os conselhos de Isabela foram parar no livro Não se Apega, Não (Intrínseca/R$ 14,90/256 páginas).

No livro, a blogueira cunhou as 20 regas do desapego, tema central da publicação de auto- ajuda. Em uma das passagens, Isabela é clara ao definir a palavra. “Desapego não é indiferença, covardia ou desinteresse. O desapego é se libertar de tudo aquilo que faz mal e causa sofrimento […] É sinônimo de se libertar”.

Não se Apega, Não conta a história da personagem Isabela, que decide terminar o namoro de dois anos com Gustavo. Mas a Isabela da ficção sempre namorou sério desde a adolescência e permanecer solteira é um enorme desafio na sua busca pelo autoconhecimento.

A coincidência com o nome, inclusive, foi uma jogada publicitária para que o leitor se sentisse mais próximo da história e da autora. E deu certo. O romance conquistou o público jovem, mais especialmente as meninas, fãs ansiosas que se espelham em Isabela e interagem com ela nas redes sociais na busca de um conselho amoroso sobre suas vidas.

As conclusões sobre amor e relacionamento que a personagem chega no decorrer da história foram embasadas nas experiências que os leitores do blog enviavam.

Em Entrevista ao CORREIO, a jovem autora se diz feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, responsável pela façanha de colocar Não se Apega, Não na lista dos livros mais vendidos durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, superando o best-seller A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Confira.

Como surgiu a ideia do blog e depois do livro?

O blog surgiu a pedido das minhas seguidoras no Twitter, que na época, novembro de 2011, contavam mais de 25 mil pessoas. Decidi entrar nessa de cabeça, e criei!. Nunca imaginei que fosse dar tão certo, ou que fosse fazer sucesso. Só me senti bem por ter um lugar onde podia me expressar, e colocar para fora meus sentimentos. Escrever um livro sempre foi um sonho, veja bem, eu, uma leitora assídua desde muito nova, escrevendo um livro? Só em sonho! Até que um dia recebo um e-mail despretensioso me convidando a escrever um livro. Era a editora Intrínseca, e eles estavam acompanhando o blog, e gostaram do meu trabalho. Foi inacreditável, ainda é.

A Isabela do livro é realmente você?
Não, eu nunca disse isso. A Isabela é uma personagem – ponto. Coloquei nela algumas de minhas experiências e as transformei em ficção. A brincadeira com o nome foi uma jogada, porque queria que o leitor se sentisse próximo, como se fôssemos amigos.

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Isabela Freitas em entrevista no Encontro com Fátima Bernardes (Foto: Reprodução)

Como seu ex-namorado encarou essa exposição?

Exposição? Mas ele nem é citado no meu livro! O ex-namorado do livro só existe no livro.

Escrever funcionou como uma espécie de terapia para curar decepções amorosas?

Escrever é terapia para tudo, na real. Decepção amorosa, tristeza, insatisfação, angústia, ressentimento. Todos esses sentimentos ruins se esvaem quando os colocamos em palavras. Escrever funcionou – para mim – como um processo de autoconhecimento, através da escrita percebi meus defeitos, erros, e mudei muita coisa que não estava certa na minha vida.

O que significa desapegar pra você?

Se livrar de coisas ruins que só te retém e te fazem mal. É isso que o desapego deve tratar. Deixar para trás o que é negativo, e levar consigo somente o que te faz bem.

Qual a diferença da Isabela de antes do livro e a de depois?

Como escritora, a diferença foi gritante. Como foi minha primeira obra, me sentia muito insegura ao escrever. Não sabia o que o leitor queria de mim, e se ele ia gostar do que foi apresentado. Escrevia, apagava, escrevia, apagava. Sou extremamente perfeccionista, e acho defeito em tudo. Então dá pra imaginar como foi esse processo de escrever o primeiro livro. A Isabela de depois do livro se viu feliz com o sucesso das vendas, o feedback positivo do público, e ganhou uma confiança para escrever o próximo. Parece que agora as palavras fluem com muito mais naturalidade.

Você está namorando. Esse novo amor veio de forma distraída, como você afirmou em seu livro? Como vocês se conheceram?

Ah, sim, sim. O Leonardo, meu namorado, é irmão do meu melhor amigo, Leandro. Já conhecia o Leandro há algum tempo, mas nunca tinha sido apresentada ao irmão. Quando o conheci, logo vi que tínhamos coisas em comum, mas nada mais do que isso – afinal, eu namorava outro garoto na época. Quando terminei meu namoro, nós percebemos tudo que estava ali, e nós nunca percebemos. A química era inegável, e nós, distraídos, nunca notamos.

Como seu namorado lida com a exposição dos seus pensamentos no blog?

Ele acha o máximo, de verdade. Fico até espantada. Ele me apoia em tudo que faço, e isso é essencial, sabe? Não podemos ter ao lado uma pessoa que tudo desconfia, afinal, um escritor é uma pessoa que imagina muitas histórias, e se você for levá-las todas a sério, não há relacionamento que aguente. Além de que ele se diverte, vai nos meus lançamentos, me cobra quando esqueço de postar alguma coisa, posso dizer que ele é meu assessor.

O blog tem colaboradores que escrevem além do público que sempre comenta. Como surgiu a ideia dessa colaboração?

Surgiu da necessidade de sempre produzir novos posts, afinal, é difícil conseguir manter o blog atualizado sozinha. Então, selecionei algumas pessoas das quais gosto do trabalho, e eles colaboram uma vez por semana, com textos novos.

Você pretende lançar outro livro? Ou alguma continuação desse?

O Não se Apega, Não vai ter uma continuação, sim. Estou escrevendo neste momento! A Isabela ainda vai se encrencar muito nos seus relacionamentos…

Meninas que se identificaram e que dizem que o seu livro mudou a vida delas. Qual a sensação, como escritora, desse retorno?

Diria que perfeita. Escrever é libertador, você coloca para fora tudo que sente, e espera que alguém sinta a mesma de volta. E quando me dizem frases como essas, nossa! Tenho vontade de abraçar bem forte a pessoa, e nunca mais soltar. Para um escritor, é como ganhar um Grammy. Mudar a vida das pessoas é algo que sempre quis, mas nunca soube ao certo como fazer. Agora sei, com palavras.

Não se Apega, Não esteve na lista dos mais vendidos da Editora Intrínseca durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada em agosto, desbancando A Culpa É das Estrelas, do americano John Green. Como você encara essa conquista?

Olha, tem certeza disso aí? Não, é sério? Ainda acho que é pegadinha, rs. Brincadeira. Eu encarei dessa forma: sem acreditar. Afinal, John Green é um gênio o qual admiro e muito! Um dia chego na unha do dedo mindinho dele, sabe? Agora é sério, acho que ver o Não se Apega, Não na lista dos mais vendidos mostra que o jovem brasileiro está cada vez mais interessado na leitura, e isso é algo prazeroso de se ver. Espero que esses leitores continuem comigo, me acompanhando a cada novo livro.

Em sua descrição no livro você diz que pretende cursar Jornalismo. Como andam esses planos? Dá pra relacionar um curso na universidade com a literatura?

Tranquei a faculdade de Direito no oitavo período para terminar de escrever Não se Apega, Não, então eu pretendo primeiro concluí-la, para depois pensar na faculdade que farei em seguida. Não posso desperdiçar quatro anos de estudos, mesmo que o Direito não seja mais uma opção para mim. As pessoas mudam, eu mudei. O Jornalismo está dentro dos meus objetivos e, com certeza, cursar essa faculdade ajudaria e muito na literatura. Sempre quis escrever um romance sobre uma jornalista, rs… Não sei por quê, mas jornalistas sempre me dão uma inspiração a mais.