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Os melhores autores do país estão escrevendo novela, diz editor

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Tomás Pereira, um dos donos da Sextante, fala na Feira de Frankfurt

Tomás Pereira, um dos donos da Sextante, fala na Feira de Frankfurt

 

Mauricio Meireles, na Folha de S.Paulo

O editor Tomás Pereira, um dos irmãos donos da editora Sextante, lamentou na Feira do Livro de Frankfurt a baixa disseminação da ficção comercial no Brasil –e como os autores estrangeiros dominam a lista de mais vendidos nesse segmento.

“Os melhores autores brasileiros estão escrevendo novela”, afirmou Tomás, em inglês, numa conferência de editores, na quarta-feira (21), em resposta a uma agente literária que estava na plateia.

Ele contou a ela que o mercado leitor brasileiro não está tão maduro como na Europa, embora a lista de não ficção seja dominada por autores nacionais.

Procurado pela Folha para aprofundar o assunto, Tomás afirmou que o Brasil não consolidou um mercado de livros de massa e que as editoras não conseguem competir com o mercado de TV pelos autores com habilidade para serem best-sellers.

“Perdemos esses autores para a dramaturgia”, diz. “Dickens começou a escrever vendendo histórias por 15 centavos. Como somos grandes exportadores de novelas, criou-se uma indústria. A TV Globo faz oficinas de roteiristas.”

Marcos Pereira, o outro dono da editora e presidente do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), conta que chegou a tentar um livro do novelista Walcyr Carrasco, mas o projeto não foi para frente. “Imagine se a Janete Clair e o Dias Gomes tivessem sido autores de livros!”

O presidente do Snel também diz que o Brasil não tem o corpo de agentes literários que têm os EUA. Esses profissionais costumam trabalhar com os originais das obras mais comerciais. Os irmãos Pereira concordam, porém, que também os editores têm responsabilidade nisso –eles poderiam se dedicar mais a formar esse tipo de autor.

Sobre esse ponto, Tomás também fala da formação dos profissionais do livro. E aponta que, em muitas casas editoriais, é comum haver jornalistas que deixaram a profissão.

“Há a confusão entre livro e literatura, como se fossem necessariamente a mesma coisa. A própria ideia de ficção comercial causa [desconforto]”, afirma Tomás.

A outra questão é a dificuldade de um escritor conseguir se sustentar só com o dinheiro de seus livros. Isso, segundo ele, enfraquece o mercado editorial ante o audiovisual.

Livro de colorir para adulto tem proposta antiestresse

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Em "Jardim Secreto", cada página tem uma paisagem em branco, convidando o leitor a interagir. Reprodução | Editora Sextante

Em “Jardim Secreto”, cada página tem uma paisagem em branco, convidando o leitor a interagir. Reprodução | Editora Sextante

Debora Rezende, no A Tarde

O que você faz para aliviar o estresse? Algumas pessoas praticam lutas, outras meditam. Agora, também, você pode voltar à infância e colorir um livro. Essa é a proposta de Jardim Secreto – Livro de Colorir e Caça ao Tesouro Antiestresse, debut da escocesa Johanna Basford na literatura interativa.

A publicação, lançamento da Editora Sextante, é curiosa. São 96 páginas com desenhos dos mais variados jardins – todos em branco, esperando que o leitor pare e dê cor às paisagens.

Assim, o livro de pintura para adultos ganha vida e os leitores podem relaxar enquanto interagem com Jardim Secreto. Ao mesmo tempo, precisam encontrar animais e pequenos objetos escondidos entre as paisagens, além de descobrir o caminho certo para pequenos labirintos – tudo, claro, colorindo.

Mania de cores

Nas últimas semanas, o livro encabeçou a lista dos mais vendidos de não ficção de A TARDE. Traduzido para mais de dez países, tem tido destaque por conta de sua proposta.

Nana Vaz de Castro, gerente de aquisições da Editora Sextante, explica que o interesse em trazer o livro para o Brasil vem da proximidade do mesmo com a linha editorial da Sextante. “Buscamos sempre publicar livros que ajudem o leitor a terminá-lo melhor do que quando começou”, comenta.

A ideia da obra é que não haja lugar para o estresse durante a interação. Assim, enquanto colore e procura por animais escondidos, o leitor abandona seus problemas e relaxa – ao mesmo tempo em que retorna à infância e relembra os tradicionais livros de colorir.

Vivaldo Gomes, psicólogo, salienta que a proposta de um livro como Jardim Secreto não é propriamente terapêutica, mas que o entretenimento causado pela obra pode aliviar o estresse.

“Muito provavelmente vai haver um momento de relaxamento, de absorção”, explica Gomes. O exercício artístico na vida adulta, comenta, “vai sendo deixado para trás, e essa manipulação é fundamental para o desenvolvimento cognitivo”.

Lápis à mão

“O que me parece mais atraente no Jardim Secreto é que mesmo quem acha que não tem muito talento artístico consegue criar um resultado maravilhoso”, comenta Nana Vaz de Castro.

Com um conjunto de lápis de cor à mão, as flores, folhas, árvores e animais tornam o livro único para cada leitor – um jardim muito dificilmente vai ser igual ao outro.

A jornalista e pesquisadora Carolina Pinho, 34, já concluiu 80% do livro e guarda as páginas restantes para não ficar sem nada para colorir.
“As horas passam e eu nem reparo, é um relaxante ótimo, é aquela pausa necessária para refrescar a cabeça”, afirma. “Pegar uma caixa de lápis de cor, selecionar como se vai pintar e se perder no processo é fantástico”.

A autora, Johanna Basford, que, de licença maternidade, não deu entrevista, explica em seu blog que sua relação com a natureza vem de sua criação na fazenda da família, na área rural da Escócia.

O Jardim é a estreia oficial de Johanna na literatura interativa – antes disso, ela havia publicado uma edição limitada do livro Wonderlands, com algumas peças favoritas do seu acervo de ilustrações.

Seu trabalho, predominantemente em preto e branco, é todo feito à mão. A razão, explica a ilustradora em seu blog, é que Johanna acredita que desenhos assim captam mais a energia do artista do que aqueles criados através do computador.

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