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Editoras independentes criam livraria em ônibus escolar e estacionam por SP

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Rizomamóvel, ônibus que funciona como uma loja de livros de editoras independentes Por: Luís Dávila/Folhapress 23/02/2017

Rizomamóvel, ônibus que funciona como uma loja de livros de editoras independentes Por: Luís Dávila/Folhapress 23/02/2017

 

Peri Pane, na Folha de S.Paulo

Um ônibus escolar amarelo, igualzinho aos que aparecem em filmes americanos, chama a atenção de quem passa na rua Rui Barbosa, na Bela Vista, no centro paulistano. Estacionado na altura do número 269, em frente ao restaurante palestino Al Janiah, o veículo teve seu interior transformado em uma livraria colaborativa.

A ideia surgiu do coletivo Rizoma, uma distribuidora independente formada no fim do ano passado pelas editoras Autonomia Literária, Elefante e N-1. A proposta delas é abrir brechas para publicações que não têm espaço em grandes livrarias, funcionando como uma cooperativa, sem fins lucrativos.

“Pensamos em criar uma alternativa de circulação com esse modelo estratégico de guerrilha, chamando uma rede de amigos para ajudar nas vendas com porcentagens mais justas”, diz Cauê S. Ameni, 28, da Autonomia Literária.

O ônibus deve funcionar como um braço cultural da distribuidora para circular livros e ideias. “Pode ser uma plataforma para eventos gratuitos, shows, teatro, contação de histórias, debates e filmes”, diz Bianca Oliveira, 31, da Elefante. Ela projetou o espaço da livraria com a ajuda do pai, que é marceneiro, e do coletivo Piparia.

“Tudo começou com a paixão pelo livro”, afirma o filósofo Peter Pál Pelbart, 60, da N-1. “É uma pena que ele tenha sido reduzido a uma mera mercadoria, quando é um agente de transformação. Livro pode ser uma arma, uma dinamite.”

Além dos livros do coletivo, o Rizomamóvel, como é chamado o ônibus, também traz títulos de outras nove editoras parceiras, como a Lote 42 e a Mino. Ao todo, há cerca de 700 livros.

“A maior parte das editoras independentes trabalha por paixão, não é um mercado que dá muito dinheiro, as tiragens são pequenas e as publicações são muito mais bem-cuidadas”, diz Isabela Sanches, 29, assistente editorial da N-1.

Como um rizoma, raíz que cresce horizontalmente e inspirou o pensamento dos filósofos Félix Guattari e Gilles Deleuze, o coletivo pretende criar uma rede de pequenas editoras que têm as mesmas dificuldades e o desejo comum de circular.

“Hoje, está todo mundo no ‘plim plim’, na telinha. Então, todo espaço aberto para a leitura na rua é muito bem-vindo”, disse a psicóloga Marisa de Melo, 51, ao visitar o Rizomamóvel pela primeira vez.

A estreia do “busão-livraria” foi em frente à Biblioteca Mário de Andrade, no centro, em outubro do ano passado. A segunda parada foi na entrada do centro cultural b_arco, em Pinheiros. Já no começo deste ano, o ônibus estacionou no ponto fixo da Bela Vista. E lá deve permanecer até o fim deste mês.

No futuro, o coletivo deseja botar o ônibus para rodar em bairros da periferia e fazer pequenas viagens. “Temos um custo para se mover, só não rodamos mais por falta de recursos, então apoios são sempre bem-vindos”, diz Tadeu Breda, 32, da Elefante.

Livrarias sentem crise e ‘efeito Amazon’

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A comercialização de livros no País recuou 8,9%

A comercialização de livros no País recuou 8,9%

 

Publicado no A Tarde

Vender livros no Brasil não é tarefa fácil, ainda mais quando a economia anda para trás. Em 2016, a comercialização de livros no País recuou 8,9%, comprometendo a rentabilidade de editoras e, principalmente, de livrarias. Enquanto os produtores de livros sofreram com o cenário macroeconômico, o varejo tradicional teve de lidar também com a migração do cliente para as vendas online e com a chegada de uma poderosa concorrente: a americana Amazon.

O resultado foi um baque nas contas das grandes livrarias, que empreenderam forte expansão nos últimos anos, incentivadas pelas empresas de shopping centers, que viam as megastores culturais como “âncoras” de seus centros comerciais. “Muitas redes cresceram de forma desordenada e fora das regiões onde tinham público cativo, nem sempre com bons resultados”, disse uma fonte de mercado.

A dificuldade de repasse da inflação para os preços é um dos pontos de estresse do setor. “Meu livro mais ‘pop’ de 2008 tinha preço de capa de R$ 29,90. No ano passado, minha grande aposta custava, novamente, R$ 29,90”, compara uma fonte de uma grande editora nacional. O valor médio por obra hoje é de R$ 38,66. Embora tenha havido uma reposição de 15% nos últimos dois anos, o desconto médio aplicado pelo varejo é de 17,9%, o que faz o preço médio real ser de R$ 31,74. “Os custos cresceram, mas a receita do setor não acompanhou”, diz Marcos Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

Em dois anos, a Livraria Cultura viu sua receita cair 17%. Um dos grandes vilões da operação da empresa foi a aposta em uma loja no centro do Rio de Janeiro, dizem fontes do mercado editorial. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Conselho de Administração da Cultura, Pedro Herz, admitiu que a unidade traz desafios, em grande parte por sofrer com a retração de vendas decorrente da situação econômica do Rio e com os protestos que costumam ser realizados na região, próxima à Câmara Municipal.

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, a empresa, que compra os livros por consignação, tem repassado às editoras o dinheiro referente às vendas com atrasos que chegariam a seis meses. “As editoras não têm condições de suportar esse atraso por muito tempo”, disse uma fonte. Herz, porém, garante que não há atraso. Segundo ele, o que houve foi uma renegociação dos prazos com as editoras.

Fnac. Além da Cultura, outras varejistas enfrentam desafios. Na semana passada, a francesa Fnac anunciou que busca um parceiro no País, onde vem tendo resultados abaixo do esperado. A Saraiva tem reduzido sua aposta nos livros e ampliado espaço para tecnologia, games e aluguel de área para cafés. A companhia vendeu sua editora e, mesmo assim, continua registrando prejuízo – nos nove primeiros meses de 2016, as perdas foram de R$ 27,9 milhões.

A Livraria da Vila diminuiu o tamanho de sua loja no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, de 2,5 mil m2 para 400 m2 e deve fazer o mesmo na unidade do shopping JK Iguatemi, que tem 1,7 mil m2. De acordo com o dono da empresa, Samuel Seibel, essas operações não seguem o padrão da rede, cujas lojas têm em média 750 m2.

Justamente nos últimos dois anos, quando os resultados das livrarias começaram a piorar, a gigante Amazon iniciou sua operação de livros físicos no Brasil. A companhia americana caiu nas graças das editoras porque, ao contrário das principais livrarias físicas, compra os livros, em vez de pegá-los em consignação.

Uma grande editora disse ao jornal O Estado de S. Paulo que as vendas de seus livros por meio da Amazon, que eram próximas de zero há dois anos, representaram 10% do faturamento em 2016. Outra companhia afirmou que suas vendas dentro da Amazon cresceram 70% no ano passado.

Segundo a empresa americana, ter estoque próprio ajuda a deixar a operação mais “redonda”. Para Daniel Mazini, gerente-geral para livros impressos da Amazon Brasil, a aquisição dos exemplares deixa o fluxo de caixa das editoras mais previsível. As livrarias Cultura, Nobel, da Travessa e da Vila, no entanto, afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que a Amazon ainda não as preocupa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Texto de Fernando Scheller e Luciana Dyniewicz

Mesmo em tempos de crise, mercado recebe duas novas editoras

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Publicado no Boa Informação

O livro digital ainda não tomou o lugar do impresso, e os conglomerados da indústria editorial. Foto: Internet/Reprodução

O mercado editorial sofre com a crise brasileira. Se em 2014 havia uma esperança de que os números do setor se alinhassem com um possível crescimento do PIB. Hoje, sabe-se que isso não vai acontecer. Pesquisa da Fipe demonstrou que o preço real do livro caiu em 36% em 2015 e o faturamento passou de R$ 1,6 bilhão para 1,4 bilhão.

O livro digital ainda não tomou o lugar do impresso, e os conglomerados da indústria editorial, com grupos que reúnem dezenas de selos e editoras, são uma realidade. Hoje, cinco grupos produzem 50% dos livros vendidos no mundo. Mesmo assim, Florência Ferrari, Gisela Gasparian e Elaine Ramos decidiram montar uma editora assim que saíram da Cosac Naify, cujas atividades foram encerradas em 2016.

Inaugurada em setembro do ano passado, a Ubu completou seis meses com uma surpresa: foi preciso fazer uma segunda tiragem de Os sertões (Euclides da Cunha), livro de estreia da editora feito em parceria com o Sesc. No total, a Ubu produziu 6 mil exemplares do livro, o dobro de uma tiragem inicial de uma editora independente.

Em janeiro, foi a vez de Flávio Moura e André Conti deixarem a Companhia das Letras para fundar sua própria casa. Com Leandro Sarmatz e Marcelo Levy, Moura e Conti pretendem dar corpo a uma editora de grande porte. Não é pequena nem independente, como a Ubu, e tem a ambição de publicar literatura de forma geral, num ritmo inicial de dois livros por mês. “Não é uma editora de nicho, é uma editora de público geral, contando que a gente vai fazer ficção literária estrangeira e brasileira, não ficção, que é um guarda-chuva grande dentro do espírito de qualidade literária e de livros para durar. Ou seja, não são livros de temporada”, avisa Conti.

Mesmo com o momento ruim da economia e os números desanimadores da leitura no Brasil – a pesquisa Retratos da Leitura demonstrou que 44% dos brasileiros não leem e os que leem não ultrapassam cinco livros por ano -, os editores são otimistas.

O Correio falou com os editores para saber o que os motiva, num momento complicado para a economia e a cultura do país, a criar uma empresa de livros.

O editor André Conti. Foto: Ranato Parada/Divulgação

O editor André Conti. Foto: Ranato Parada/Divulgação

 

Vocês têm uma meta de lançamentos?
Este ano, a gente deve lançar 25 livros. Ano que vem, entre 20 e 25, de novo. E, a partir do terceiro ano, devemos diminuir porque aí teremos lançado todos os livros do catálogo e vamos nos concentrar em fazer alguns livros, uns 15 por ano, do começo do processo.

Você faz questão de esclarecer que a editora não será independente. E vocês vêm da maior editora do país. Vai ter alguma conexão com a Companhia das Letras, será uma editora no mesmo formato?
A Companhia das Letras surgiu em 1986 e pertence a um outro universo, do qual a gente fez parte. A gente se criou dentro. Mas ter uma editora nova é a possibilidade de fazer as coisas um pouco diferentes. A gente tem a preocupação de pensar uma editora que está surgindo em 2017. Obviamente, as editoras grandes se tornaram digitais, sociais e tal. Mas a gente já nasce assim, essa é a vantagem. A gente não está com o trem andando e precisa incorporar rede social, e-book e estrutura. A gente já nasce dentro de uma coisa moderna, então, certamente, nesse sentido, é uma editora diferente. É uma editora horizontal, então, a maneira como as decisões são tomadas por nós são coisas que a gente está tentando fazer diferente.

Mas com ambição de ser uma grande editora?
Com ambição de ser uma editora literária, conhecida, uma casa onde os livros têm qualidade, que os leitores se identifiquem, que o leitor que pegue um livro da nossa editora saiba que vai ter uma boa edição, que a curadoria de títulos é interessante, que a gente tenta trazer novidades. Claro que tem uma ambição de concorrer com as grandes, com as editoras que publicam coisas de qualidade. A gente tem uma escala diferente, claro, mas o que a gente quer publicar certamente é concorrente para as literárias.

Você disse que tem a vantagem de nascer num momento em que a internet é um espaço importante. Por quê?
Quando você lançava uma editora, há alguns anos, você aparecia no jornal falando, dependia de uma matéria para comunicar ao mundo, tinha um monte de intermediários entre a editora e o público e as editoras floresceram dentro desse sistema. A gente não tem intermediário, a gente já nasce em contato com o público e muito mais livres para experimentar linguagens, comunicações, formas de chegar aos leitores. É uma situação muito propícia. A gente quer entender de linguagem digital, como se comunicar com os leitores, como eles vão participar da vida dessa editora. E tudo isso começa e termina no ambiente digital. Nosso tamanho e o fato de ser uma editora nova nos permite arriscar mais, testar. A gente tem uma liberdade neste momento de tatear um pouco esse mundo digital.

Vocês pretendem usar a rede para ir além da divulgação?
Claro. Isso tem a ver com produção de conteúdo. Literatura tem sempre uma coisa meio estanque: sai o livro, aí você pode ir ao lançamento, tem um release e uma resenha. Acho que nossa editora permite pulverizar esse limite, burlar esse limite. E isso tem a ver com produção de conteúdo não institucional, com agitar as redes. Não é ficar no Facebook fazendo posts engraçadinhos com memes. É tentar entender como a gente pode usar a internet para fazer com que o conteúdo legal chegue aos leitores. É uma tentativa de criar coisas legais para os leitores.

“A gente não tem intermediário, a gente já nasce em contato com o público e muito mais livres para experimentar linguagens”

André Conti, editor de livros

Editora Gisela Gasparian. Foto: UBU/Divulgação

Editora Gisela Gasparian. Foto: UBU/Divulgação

 

O que significa ser uma editora independente no Brasil hoje?
Significa pensar o mercado editorial de uma maneira mais flexível. Nossa equipe é a menor possível, a gente contrata pessoas por projeto, os editores são (mais…)

Uma nova editora literária vem por aí

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Mauricio Meireles, Folha de S.Paulo

Título original: Editores deixam Companhia das Letras para abrir nova casa

392202-400x600-1Uma nova editora literária vem por aí. Os editores Flávio Moura e André Conti anunciaram, na tarde desta terça-feira (24), que estão deixando seu posto na Companhia das Letras para abrir uma nova casa. Como sócios, fazem parte Leandro Sarmatz, que já havia deixado a casa ano passado, Marcelo Levy, ex-diretor comercial da empresa, e a agente literária Ana Paula Hisayama, que deixa a Agência Riff.

Eles ainda não revelam o nome da nova editora nem o autores que pretendem lançar, mas afirmam que há um grupo de investidores envolvido no projeto.

“Não será uma Companhia das Letras, obviamente, mas também não será uma pequena editora independente. É uma casa para concorrer com as editoras literárias”, afirma Conti, ressaltando que está fazendo “uma transição alegre” na saída da Companhia.

Em nota, o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, diz ter recebido a saída de Moura e Conti com um “misto de tristeza e alegria”, destacando também o trabalho que Hisayama, Levy e Sarmatz tiveram na empresa.

“Uma das principais tarefas do publisher é a de ajudar a formar editores e profissionais do livro. Ao ver os jovens editores que agora nos deixam ter a coragem de iniciar um empreendimento editorial no Brasil, fico orgulhoso e esperançoso. Torço para que os anos de aprendizado na Companhia das Letras sejam úteis para a nova editora e desejo a ela muito sucesso”, disse Schwarcz.

Desde que a multinacional Penguin comprou 45% de participação na Companhia das Letras, em 2011, editores historicamente ligados à empresa têm deixado a casa. Além de Moura e Conti, já haviam saído, nos últimos anos, nomes como Marta Garcia e Maria Emília Bender.

Questionado, Conti diz que a saída não tem a ver com as mudanças na editora desde que passou a fazer parte de um grupo internacional.

“Não tem a ver. Claro que, quando essas mudanças foram ocorrendo, todo funcionário fica apreensivo. Mas o selo Companhia das Letras é muito protegido, é a menina dos olhos. Achamos que tinha um espaço [para uma editora literária], pintou um grupo de investidores que embarcou no projeto. Se não fosse isso… Minha vida é a Companhia”, diz o editor.

Ele acrescenta ainda que não está levando autores nem funcionários da antiga casa consigo. “Não é uma saída hostil nem agressiva. De que adiantaria eu pegar autores que a Companhia criou e me escorar no sucesso deles?”, afirma.

Na onda do Pokémon Go, livros apostam na realidade aumentada

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Tecnologia didática. Apresentado na última Bienal do Livro, “Diário dos sonhos” ensina educação financeira às crianças com desafios de realidade aumentada - Agência O GLOBO / Edílson Dantas

Tecnologia didática. Apresentado na última Bienal do Livro, “Diário dos sonhos” ensina educação financeira às crianças com desafios de realidade aumentada – Agência O GLOBO / Edílson Dantas

 

Editoras querem tornar leitura mais atraente por meio de interações virtuais

Publicado em O Globo

RIO — A mesma tecnologia que permite a jogadores caçarem criaturas virtuais pela cidade pode ser a solução para dinamizar um mercado editorial em crise no país. Surfando na onda do Pokémon Go, editoras investem cada vez mais na utilização da realidade aumentada em suas publicações. O recurso não é novo — vinha sendo utilizado sem muito alarde em obras físicas e digitais desde 2008 — mas ganha força à medida que é aperfeiçoado e invade progressivamente nossas vidas. Quem comprou a aposta, garante: chegou a hora e a vez da realidade aumentada na indústria do livro.

Seja na ficção, no didático ou no infantil, as possibilidades são múltiplas, desenvolvendo elementos gráficos em 3D, vídeo e interações entre o virtual e o real. O princípio é o mesmo que o do famoso jogo dos bichinhos japoneses, só que a serviço da leitura. Pela mediação de tablets e smartphones, personagens saem da página e ganham vida, cenários fixos viram mundos virtuais quase palpáveis, e a apresentação interativa de conteúdos difíceis como matemática ou ciência tornam o aprendizado mais lúdico e atrativo.

— Com a febre mundial do Pokémon Go, houve uma popularização da tecnologia, o que sinaliza o óbvio: se já está sendo assim nos games, será assim com os livros — avalia Josué Matos, da editora PenDragon, que exibiu na última Bienal de São Paulo, encerrada no sábado passado, publicações com a tecnologia em seu estande.

Seus mais recentes lançamentos (como a fantasia “Adelphos — A Revelação”, de M. Pattal) incluem interações em 3D entre público e obra. Os próximos prometem ir mais longe, oferecendo mapas virtuais em romances de fantasia e personagens animados saltando dos livros e brincando com os leitores.

— Felizmente o uso da tecnologia em um jogo mostrou o caminho para a união perfeita entre imaginação e realidade — diz o editor. — Saber fazer uso dessa tecnologia colocará definitivamente os livros de ficção, ou de qualquer outro gênero, como ferramenta lúdica, com potencial para mudar o mundo.

Por enquanto, as iniciativas atuais nesse sentido envolvem principalmente os universos didático e infantil. Também na última Bienal, a DSOP, especializada em educação financeira, exibiu o seu “Diário dos sonhos”, de Reinaldo Domingos (com ilustrações de Bruna Assis Brasil). O livro traz desafios animados, em que cenários e personagens saltam das páginas para ensinar crianças sobre o uso de dinheiro.

Presidente da DSOP, Reinaldo Domingos aponta diversas razões na demora para a ferramenta ganhar a indústria como um todo — e de continuar sendo ainda apenas uma aposta no mercado editorial.

— O custo de criação ainda é relativamente alto em relação ao processo de criação de um livro, o que torna um investimento arriscado — diz ele. — Tem também o fato de ser uma ferramenta relativamente recente. Contudo, tenho certeza que essa será uma tendência para o mercado de editoras, pela necessidade cada vez maior de integrar o livro físico com novas tecnologias, para sobreviver a uma evolução natural da comunicação.

Fundador da Ovni Studios, um estúdio independente de games, Tiago Moraes desenvolveu, no final do ano passado, o projeto “Perônio”, que junta a dinâmica dos livros animados com a interatividade digital das telas sensíveis, e foi um dos primeiros lançamentos na linha híbrida 3D, realidade virtual e aumentada. Ele acredita que, só agora, os dispositivos móveis ideais para este tipo de experiência passaram a oferecer a performance necessária para a difusão da tecnologia.

— Por muito tempo se usou a webcam dos computadores para experiências de realidade aumentada, mas é fácil entender que os computadores e notebooks não eram os dispositivos ideais para este tipo de experiência — explica Moraes. — Antes do Pokémon Go, a grande maioria das pessoas não fazia ideia do que se tratava. Agora, ao serem confrontadas com esse termo, já associam ao jogo e sabem do que se trata. Devido à popularidade do aplicativo, outros estão tentando surfar na onda da realidade aumentada, pois o mindset das pessoas muda e as oportunidades aparecem.

Segundo Moraes, novas tecnologias demoram para chegar ao consumo de massa. A partir de agora, contudo, a realidade aumentada tende a evoluir de forma rápida — e quem souber aproveitá-la melhor deve sair na frente.

— A tecnologia de hoje tenta fazer com que tudo esteja dentro de nossos celulares. Muitas das coisas que fazíamos nos computadores são feitas nos celulares, como e-mails, redes sociais, GPS, fotos e entretenimento de forma geral — diz. — Em um período curto, tudo estará nos celulares, computadores e TVs deixarão de existir.

“LIVROS INFANTIS SAEM NA FRENTE”

Com tese de doutorado sobre novas narrativas em mídias, a professora e coordenadora do curso de Jornalismo da Eco-UFRJ Cristiane Costa acredita que, de todas as novas estratégias para o livros animados, a realidade aumentada é a que tem mais possibilidade de vingar. Uma de suas principais vantagens em relação ao livro pop-up, que cria animações em dobraduras por meio de um complexo trabalho com o papel, é que ela não demanda os altos custos de impressão.

— Embora tenha uma linguagem única, a realidade aumentada é uma evolução dessa estética que já existia no impresso com os livros pop-up — explica. — Seu desenvolvimento a popularizou e aumentou o nível de interatividade.

Depois de pesquisar o assunto com Cristiane na UFRJ, a produtora editorial Aline Pina passou a editar um site sobre as novidades do uso da tecnologia nos livros. Segundo ela, os grandes grupos editoriais no Brasil continuam alheios às inovações nesse campo, que estão sendo introduzidas no mercado principalmente por editoras independentes, startups e agências de publicidade.

— Um bom projeto com realidade aumentada precisa ter um projeto gráfico pensado para o digital, que explore ao máximo as interações e as possibilidades oferecidas pelo conteúdo multimídia, e que esteja intimamente ligado com o conteúdo do impresso ou do aplicativo — opina Aline. — Atualmente, os livros infantis saem na frente porque têm maior apelo com as imagens, é mais fácil adaptar as histórias às animações. Estes livros são como brinquedo nas mãos das crianças, elas adoram. Nos didáticos, o uso da ferramenta torna o conteúdo mais fácil de vivenciar e aprender, mais empírico, construindo um novo entendimento baseado nas interações com objetos virtuais que trazem um material complementar e de fixação das aulas.

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