Contando e Cantando (Volume 2)

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J.K. Rowling divulga cartas de rejeição de títulos escritos sob pseudônimo

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As assinaturas das cartas de rejeição foram apagadas para, segundo a autora, servirem de inspiração e não como "vingança'

As assinaturas das cartas de rejeição foram apagadas para, segundo a autora, servirem de inspiração e não como “vingança’

 

”Harry Potter” também foi rejeitado pelos mesmos editores que negaram a publicação de um livro assinado sob o pseudônimo de Galbraith

Publicado em O Povo

A autora da série de livros “Harry Potter”, J. K. Rowling, mostrou aos fãs cartas recebidas por editoras quando tentava vender seus títulos sob o pseudônimo de Robert Galbraith. As “rejeições” foram postadas no Twitter, nesta quinta-feira, 24.

Tudo começou quando um fã contou que havia sido rejeitado por um editor. J.K. então falou que a sua primeira carta de negação está pendurada na parede da cozinha. “Está pendurada porque ela me deu algo em comum com todos os meus escritores”, disse.

Segundo a autora, “Harry Potter” também foi rejeitado pelos mesmos editores que negaram a publicação de um livro assinado sob o pseudônimo de Galbraith.

O nome Galbraith havia sido adotado novamente pela escritora, nos últimos anos, porque ela sentia uma pressão grande ao escrever e vender novas histórias.

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Preconceito Literário

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BASTIDORES LITERÁRIOS – Preconceito Literário

Por Gianpaolo Celli, consultor do ALITERAÇÃO SERVIÇOS EDITORIAIS, no Livrólogos

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Já há algum tempo venho falando a respeito, seja aqui no blog, nas palestras e cursos que ministro, seções de coaching e mesmo contextualizando relatórios de leitura crítica, mas parece que uma vez mais o assunto, como notícia ruim, volta sempre à tona. Foi numa conversa genérica cujo tema era exatamente esse que deu para ver, nas entrelinhas, o um dos maiores problemas da literatura nacional, em especial a de gênero, é exatamente o preconceito.

Quantas vezes já não ouvi, ao comentar a respeito, que este ou aquele gênero literário nacional não presta? Que o escritor brasileiro não sabe escrever? Que a literatura fantástica daqui é só uma cópia mal feita do que já existe ou está surgindo lá fora? Que o gênero policial não funciona no Brasil? Como já coloquei anteriormente, não adianta dizer que o livro importado é melhor do que o nacional, quando só o que é excelente, ou Best-seller é efetivamente traduzido. FALA SÉRIO! Existe muita coisa medíocre sendo publicada em qualquer país do mundo!

O que acontece é que lá fora existe incentivo! As editoras acreditam nos autores, fazem o marketing do livro para que o leitor conheça o produto, se interesse por ele. Chegando a buscar parcerias com estúdios para adaptação de obras para filmes ou séries… Muitas das quais, inclusive, nem chegam aqui. E se chegam, vão direto para DVD. E as editoras daqui fazem o que? FALA SÉRIO! Lançam o livro e na maioria das vezes nem perdem tempo avisando aos leitores, ou a produtora que traz o filme, que o livro de onde o mesmo foi adaptado foi traduzido. Para que gastar mais dinheiro? Não é verdade? Só porque as vendas poderão aumentar? Quando a editora, como eu já vi acontecer, tem a coragem de afirmar que não aceitará nacionais, pois não consegue nem vender o que traz lá de fora! O que se poderia esperar?

E não é só isso, porque o leitor também tem culpa do cartório. Não somente pela ideia “colonizada” de que o que vem de fora é naturalmente melhor só porque veio de fora, mas também porque é preconceituoso, criticando sem nem ao menos conhecer o que surge no mercado nacional. Mas FALA SÉRIO! Cabe também ao escritor uma parte dessa culpa, pois ao invés de ter ir fundo na pesquisa, em seu próprio desenvolvimento como profissional da escrita, ele deixa seu ego aflorar, achando em sua ignorância que qualquer coisa que coloque no papel é ou está excelente.

Assim, como o ouroboros, a serpente que come a própria cauda, o ciclo eterno não se quebrará nunca. O que fazer para mudar isso? Cabe ao leitor, ao escritor, às editoras verificarem o que estão fazendo de errado e tentar mudar. Porque FALA SÉRIO! De nossa parte eu posso dizer, seja com as leituras críticas, os coachings, a direção literária, estamos ao menos tentando fazer nossa parte.

Após Enem, verbete de Simone de Beauvoir na Wikipedia é editado mais de 30 vezes

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Publicado em F5

Parece que o Enem despertou o interesse dos brasileiros por Simone de Beauvoir (1908 – 1986).

O verbete em português sobre a filósofa na Wikipedia foi editado mais de 30 vezes desde sábado (24), quando um trecho de sua principal obra, “O Segundo Sexo”, caiu na prova do Enem.

Na internet, a prova foi motivo de polêmica. Além da questão sobre Beauvoir no sábado, o tema da redação de domingo (25) foi sobre a violência de gênero no Brasil.

Segundo o histórico de edições da enciclopédia colaborativa, usuários tentaram “vandalizar” a página, incluindo boatos sobre Beauvoir envolvendo pedofilia. A alteração no verbete originou um barraco online: enquanto editores se apressavam em apagar as informações falsas, outros faziam questão de reincluir.

wikipedia

A disputa começou às 13h do domingo e continuou durante o dia inteiro, até que a página foi “protegida”, ou seja, agora só pode ser editada por editores certificados pelo site.

“Foi adicionado informações extras sobre o passado da pessoa”, diz uma das primeiras edições. “Desfeita a edição. Descrição indigna”, diz a edição seguinte. “Inclusão de informações”, teima o editor. “Mudei algumas notícias falsas”, rebate o outro.

“Informação falsa e sem fontes, provavelmente acrescentada por alguém que queira desqualificar sua importância histórica” e “O texto foi adulterado por pessoas de má fé” são algumas das justificativas usadas pelo último editor, que conseguiu proteger o verbete por “vandalismo excessivo”.

Os verbetes de Beauvoir em francês e inglês, mais completos, não dizem nada a respeito do boato, amplamente difundido no Brasil, de que a filósofa se envolvia sexualmente com suas alunas.

Site que oferece livros para download gratuito está ameaçado

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São 3 mil títulos, entre lançamentos e best-sellers; associação que representa editores ainda investiga os responsáveis pelo projeto

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

No ar há quase dois anos, o site Le Livros construiu um acervo de mais de três mil obras (o último de Chico Buarque já está lá), atraiu 402 mil seguidores no Facebook e, mais incrível, manteve-se fora do radar das editoras e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). Os livros oferecidos lá gratuitamente são protegidos pela Lei de Direitos Autorais e envolveram diversos profissionais em sua produção. A questão é polêmica. Trata-se de pirataria ou de democratização do acesso à cultura?

“Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós o faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”, disse um dos representantes do grupo, por e-mail, ao Estado. Mas, enquanto uma nova lei de direitos autorais ainda é discutida, o argumento não convence juízes. Agora mesmo, a ABDR ganhou uma ação contra uma pessoa que oferecia três obras acadêmicas para download. A indenização, pela lei, seria no valor de 3 mil exemplares de cada obra. Mas foi fixada em 100 exemplares porque não houve venda.

Lançamentos, como "O Irmão Alemão", de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Lançamentos, como “O Irmão Alemão”, de Chico Buarque, e best-sellers podem ser baixados gratuitamente

Entre janeiro e setembro, foram excluídos 92.847 links desse tipo. Só não é possível saber a quantidade de downloads. As editoras mais pirateadas são acadêmicas e a Record encabeça a lista das de interesse geral. As denúncias chegam a partir de autores e editoras. A ABDR, a quem as editoras delegam a questão, ainda briga na Justiça com o site Livros de Humanas, que foi muito popular e está fora do ar. E há dois meses ela mira no Le Livros, embora não saiba, ainda, a identidade dos responsáveis. Segundo o advogado da entidade, Dalton Morato, um mês depois de conseguir a informação, ele terá uma liminar para retirar o site do ar. “Não há dúvidas de que ele viola a lei de direitos autorais. Ele não cobra pelo conteúdo, mas aceita publicidade”, comentou.

O Le Livros sabe que está em perigo. “Quem luta por uma revolução sabe que cedo ou tarde cairá, mas que sua morte não será em vão, pelo contrário! Servirá para conscientizar milhares e posteriormente estes entrarão na luta e um dia a sede de conhecimento vencerá a ganância por dinheiro”, escreveram também no e-mail.

O site faz frequentemente vaquinhas online para pagar a hospedagem e comprar títulos. Aos usuários, pedem que doem os e-books comprados e o único vídeo no canal deles no YouTube ensina a tirar a proteção dos e-books da Amazon – ao que a gigante americana respondeu: “Respeitamos direitos autorais e esperamos que os consumidores também os respeitem. A política de nossa empresa é tentar prevenir a pirataria, oferecendo uma alternativa legal de baixo custo”.

Um dos argumentos de quem adere à prática é que o produto é caro, e o escritor Carlos Henrique Schroeder concorda. “Como autor, acho que o meio termo é o melhor caminho, e que a pirataria é um aviso válido: ou as editoras baixam o preço dos livros ou ela só vai crescer.”

Se as bibliotecas já tivessem encontrado um bom modelo de empréstimo de livro digital, é possível que esse tipo de site não tivesse mais função. Eduardo Spohr, um dos best-sellers do Grupo Record e cujos títulos estão no Le Livros, vê o compartilhamento do arquivo como um empréstimo de volume físico. No entanto, faz um alerta aos leitores – não falando exatamente sobre o novo portal, que conheceu pela reportagem: “É preciso tomar cuidado com sites hipócritas que usam a imagem de que estão fazendo um favor e democratizando a cultura, mas quando você vê eles têm fins lucrativos. O leitor é manipulado. Não paga um tostão, mas é vítima da publicidade. Não é pela grana, é pela justiça”.

Sobre baixar livros de modos alternativos, a escritora Luisa Geisler conta: “Se a ideia é matar a curiosidade de algo que todo mundo anda falando, faço isso do mesmo jeito como pegaria emprestado. Me sinto bastante culpada, se gosto do livro, compro pelo menos o e-book. E, se gosto muito do e-book, compro o livro em papel, porque nada compensa o livro na estante”. Se suas obras dependessem só de seu trabalho – e porque não se vive de direitos autorais – ela não veria problema em encontrá-los em sites como esse, mas não acha justo com a editora e as pessoas envolvidas, afinal, o livro é um produto comercial.

Cristiane Costa analisa a questão com suas três experiências. Como professora e ex-aluna de universidade pública, ela vê que os estudantes teriam uma bibliografia mais limitada se ficassem restritos às bibliotecas tradicionais. “Sempre que consigo um download gratuito de um livro importante, disponibilizo no grupo fechado no Facebook”, disse.

Como ex-editora, diz que se menos pessoas compram obras acadêmicas, menos obras serão publicadas. “E como autora desse tipo de livro, me pergunto: ainda vale a pena tentar a publicação em papel ou por uma editora de e-book? Depois do Google Acadêmico, a pior coisa que pode acontecer para um pesquisador é ter seu trabalho enterrado numa publicação em papel ou fechada em DRM e que não será encontrada em livraria nenhuma. Nesse sentido, ter seu conteúdo aberto significa mais chances de outras pessoas saberem que sua pesquisa existe.”

Artigo: A Amazon é aliada ou algoz dos editores?

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Comparei preços oferecidos por oito lojas virtuais. E não era a Amazon quem oferecia os maiores descontos

Imagem: Google

Imagem: Google

Carlo Carrenho em O Globo

Na última quinta-feira, a Amazon lançou sua loja virtual de livros físicos no Brasil. A partir de então, os profissionais do livro não têm outro assunto: a chegada da gigante e suas consequências para o mercado. Mas por que editores se preocupam tanto com isso? Afinal, a abertura de um novo canal de vendas deveria ser comemorada. E se esse canal é eficiente para oferecer bons descontos e atrair leitores, um tanto melhor, não?

A realidade é mais complicada. Muitos editores temem que descontos acirrados quebrem livrarias independentes e até tirem concorrentes de peso do mercado, dando à Amazon uma condição próxima do monopólio. Seria então questão de tempo para a empresa começar a exigir condições draconianas. Esse temor não é infundado, uma vez que a gigante norte-americana trava hoje batalhas de negociação com a Hachette nos EUA e com a Bonnier na Alemanha, fazendo uso de seu arsenal monopolista.

É importante, portanto, olhar a questão objetivamente. No último sábado, comparei os preços oferecidos por oito lojas virtuais para os 20 livros mais vendidos do país segundo a lista do boletim de notícias do mercado editorial PublishNews. E não era a Amazon quem oferecia os maiores descontos. Na realidade era o Extra quem praticava os melhores preços para 13 livros da lista, entre eles “A culpa é das estrelas” e “Getúlio — 1945-1954”. O desconto médio oferecido pelo Extra era de 46,19%, enquanto o Ponto Frio, do mesmo grupo, operava com 42,24%. A Amazon, com seu desconto médio de 41,55%, ocupava apenas a terceira posição. A Saraiva vinha logo a seguir, oferecendo 37,37% de desconto médio, seguida por Livraria da Folha, Fnac, Cultura e Submarino.

Como os descontos são maiores para best-sellers e menores para livros de catálogo, conclui-se que os descontos oferecidos pela Amazon não estão fora do padrão do que já era praticado pelo mercado brasileiro. É claro que sua chegada joga lenha na fogueira da guerra de preços, que ganhará ritmo acelerado e maior truculência, mas não se pode acusar a Amazon nem de ter começado a guerra, nem de oferecer os maiores descontos por enquanto.

Ainda assim, a defesa de uma lei do preço fixo para o livro ganha força entre editores e livreiros. O problema é que quem pagará a conta do preço fixo é o leitor, que não terá mais descontos. Vale lembrar que a Alemanha tem preço fixo, mas isso não impediu a Amazon de crescer e pressionar os editores.

O mercado de livros deve lembrar que hoje seu maior concorrente são as outras indústrias do entretenimento. Nos últimos dez anos, o PIB brasileiro cresceu 41,82%, e o faturamento das editoras apenas 7,34%, segundo números da Câmara Brasileira do Livro. A indústria do livro, portanto, está perdendo espaço, apesar do crescimento da classe C, do aumento de universidades e da queda do analfabetismo funcional. Nesse cenário, a Amazon está mais para uma aliada do editor do que para seu algoz. Mas tudo pode mudar no futuro, e não seria nem de longe a primeira traição da História por razões mercantilistas.

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