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Para reduzir o tempo na cadeia, Cabral estuda e Cunha lê

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Foto: Reprodução

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Alvaro Costa e Silva, na Folha de S.Paulo

RIO DE JANEIRO – Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo vão cursar a mesma faculdade na qual o traficante Fernandinho Beira-Mar está quase se formando. A Fabapar (Faculdade Batista do Paraná) oferece curso a distância para presos que buscam redução de pena. Cabral (condenado no total a 72 anos e quatro meses de reclusão), Adriana (18 anos e três meses) e Beira-Mar (mais de 300 anos) optaram por estudar teologia. Tempo para ocupar-se com Deus não lhes faltará.

Espero estar enganado, mas o esquema me parece aquele do pagou-passou. O valor do semestre na faculdade é de R$ 2.664, podendo ser pagos em seis parcelas de R$ 444. O ex-governador, em seus tempos de estudante de jornalismo, era menos visto nas salas de aula do que nos campinhos de pelada, envergando a gloriosa camisa do Bonecas Forever (o cantor Toni Platão, craque do time, está aí para não me deixar mentir).

Em todo caso, para graduar-se em teologia, Sérgio Cabral terá de ler ao menos as “Confissões” de Santo Agostinho. Livro raro: uma autobiografia sincera. Escrita em 397, aborda a trajetória desse vaidoso professor de retórica que, antes da conversão, dedicou-se à busca mundana da projeção política, dos negócios escusos e do prazer.

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Em outra cela de cadeia, Eduardo Cunha (condenado a 14 anos e meio) aderiu ao programa de remição de pena pela leitura. Até agora, ele garante ter lido nove livros, ou seja, 36 dias a menos na prisão. Entre as obras, que devem ser obrigatoriamente resenhadas pelo detento, estão três romances de Moacyr Scliar; “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes; “Tufão”, de Joseph Conrad; e “O Estrangeiro”, de Albert Camus.

Gostaria de saber o que pensa Cunha de Meursault, o personagem de Camus que cometeu um crime absurdo. E de sua atitude diante do mundo, de pouco se importar pelo que fez.

Editora Record é proibida de vender livro sobre Eduardo Cunha

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Aílton de Freitas / Agência O Globo

Aílton de Freitas / Agência O Globo

Publicado no Bonde

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu proibir, por intermédio de uma liminar, a circulação do livro Diário da Cadeia, da editora Record. Na obra, assinada pelo pseudônimo de Eduardo Cunha, um autor desconhecido assume a identidade do político e narra o dia-a-dia do ex-presidente da Câmara na prisão. Os advogados de Eduardo Cunha entraram com uma ação de reparação de danos contra a editora Record, o editor Carlos Andreazza e o autor desconhecido.

A decisão da juíza Ledir Araújo determina uma multa de R$ 400 mil por dia, se o livro chegar a ser distribuído, além da identificação imediata do autor, que é desconhecido. Procurada pela reportagem do Estado, a editora Record disse que vai recorrer da decisão.

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