Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged educação básica

Só Português, Matemática e Inglês serão obrigatórios nos 3 anos do médio

0

Publicado no UOL

sala-de-aula-cursinho-enem-vestibular-1351875445833_300x300Brasília – Na nova arquitetura do ensino médio, estabelecida na quinta-feira, 22, por Medida Provisória (MP) editada pelo presidente Michel Temer, apenas as disciplinas de Português, Matemática e Inglês serão obrigatórias durante os três anos que compõem a etapa. As demais passam a ser optativas da metade para o fim, a depender da área de conhecimento que o aluno decidir seguir, entre cinco possibilidades: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Técnico.

O texto da MP distribuído na quinta-feira à tarde aos jornalistas, antes da cerimônia de assinatura, causou polêmica ao dispensar o ensino de Artes e Educação Física durante todo o ensino médio. No início da noite, porém, a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) informou que a redação divulgada estava errada e carecia de “ajustes técnicos”. A versão final garante as 13 disciplinas exigidas atualmente por lei – até que seja definida a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em meados de 2017.

A depender da escolha do “itinerário” pelo aluno, as disciplinas de Inglês, Português e Matemática terão mais ou menos profundidade na abordagem. Se o estudante escolher seguir a área de Linguagens, por exemplo, aprenderá mais sobre orações subjuntivas do que sobre trigonometria (na Matemática). Marcada para novembro, a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano não sofrerá mudança.

A ideia de fazer a reforma por MP, que motivou críticas de associações e educadores, recebeu na quarta-feira o aval do relator da reforma do ensino médio na Câmara, deputado Wilson Filho (PTB-PB). Para ele, a tramitação agora será acelerada. “O que nós temos, acima de tudo, é a certeza de que o ensino médio caminha no lado errado.”
Integral

Com foco em ampliar o acesso à escola em turno integral (passando essa fase gradualmente de 800 horas/ano para 1,4 mil horas/ano), a reformulação dá prioridade à flexibilização do currículo e autonomia aos Estados para que criem as próprias políticas educacionais e programas – tudo com base nesta nova norma, considerada a maior mudança na Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB) em 20 anos. A fiscalização será feita pelo MEC.

As mudanças serão implementadas gradualmente, assegura o ministro Mendonça Filho. “A legislação abre para infinitas possibilidades, a cargo dos Estados.”

As alterações buscam desengessar o ensino médio, considerado por especialistas muito distante dos interesses dos jovens, o que contribui para as altas taxas de evasão escolar nesta etapa. O projeto de vida do aluno será a prioridade, disse Temer na quarta-feira, em discurso no Palácio do Planalto. “Os jovens poderão escolher o currículo mais adaptado à vocação. Serão oferecidas opções curriculares e não mais imposições”, afirmou o presidente, garantindo novamente que “não haverá redução de verba” para a educação.

As escolas não serão obrigadas a ofertar as cinco ênfases previstas pela nova regra. Dessa forma, há a possibilidade de um aluno que quer seguir na área de Matemática ter de mudar de instituição, caso o colégio em que estuda não ofereça a modalidade. O MEC não quis comentar a hipótese de ocupações e resistência por parte de estudantes, a exemplo do que aconteceu durante a reorganização da rede de São Paulo, no ano passado.
Prazo

Também não há prazo para que todas estejam plenamente de acordo com o que preconiza o texto. O MEC, no entanto, está otimista frente à presença, na cerimônia de quarta-feira, de secretários de Educação de diversos Estados. “Muitos já sinalizaram implementar projeto-piloto a partir do ano que vem”, disse o ministro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Museus devem incentivar perguntas no lugar de dar respostas

0

Sabine, no Blog Folha

museu-pablo-picasso-1

Crianças devem frequentar museus de ciências para aprender sobre ciência, certo? Errado.

De acordo com Robert Semper, um dos diretores do museu Exploratorium, que fica em São Francisco, EUA, o objetivo de espaços de divulgação científica como os museus é despertar a curiosidade das crianças para as ciências e não ensinar conceitos que devem ser memorizados. “Isso é função da escola”, diz. “Espaços não formais de educação devem instigar a curiosidade dos visitantes.”

Essa conversa interessante surgiu durante uma visita técnica ao Exploratorium, acompanhada de Semper e de um colega saudita, Amr Almadani, que coordena um espaço de interação de ciências voltado para a questão energética (Mishkat Interactive Center for Atomic and Renewable Energy). A ideia era entender como os museus de ciência contribuem para a educação científica e como podem estimular as crianças para as carreiras de ciência e as engenharias (“STEM”, na sigla em inglês).

Curiosamente, EUA, Arábia Saudita e Brasil –os três países envolvidos nesse encontro– sofrem por falta de mão-de-obra nas carreiras científicas. O Brasil, por exemplo, forma menos de 50 mil engenheiros por ano (precisaria de pelo menos o dobro) e carece de profissionais em áreas como física e química. De acordo com o MEC, há pelo menos 70 mil vagas sem dono para ministrar aula nessas áreas. A preferência nacional dos estudantes é por cursos como administração e direito.

Para Semper, os museus de ciência servem para atrair o aluno para aquilo que ele está aprendendo na escola, mas não devem ter o propósito de ensinar.”A escola é obrigatória e a maioria dos alunos não liga para o que está estudando. Aqui, as crianças vêm ao museu porque querem, no final de semana, e se conectam com aquilo que vêm.”

No Exploratorium, as crianças (e adultos –vi vários deles) interagem com luzes e espelhos, brincam com aparelhos que mostram com a propagação do som, interagem com uma bola eletromagnética famosa por deixar os cabelos em pé. Tudo simples, barato e manuseável. “Se alguma coisa quebrar, a gente conserta facilmente aqui mesmo na nossa oficina”, diz Semper.

E como avaliar se os vistantes aprenderam os conceitos científicos apresentados no museu? De acordo com Semper, não se trata de fazer os visitantes preencherem um formulário respondendo a perguntas conceituais. “A proposta é que as pessoas saim do museu mais questionadoras, mais interessadas e com perguntas mais inteligentes.”

TREINAMENTO

Isso tudo que acontece no museu, claro, não é desconectado da escola. Hoje, 30% do orçamento do Exploratorium (que vem do governo, de associações e do ingresso individual –em torno de R$50,00) é despendido com treinamento de professores. Quem dá aula nos EUA pode aplicar para uma espécie de bolsa do Exploratorium e, se aprovados, passam as férias de verão em treinamento no espaço de São Francisco, recebendo um salário extra.

Outros espaços de ciência que conheci nos EUA, como o Lawrence Hall of Science, que fica no topo de uma montanha na Universidade de Berkeley, igualmente na Califórnia, também trabalham com professores. O Lawrence Hall é conhecido pelo seu programa de desenvolvimento de currículo e de material didático para as aulas de ciências, exportado, hoje, para 25 países. Um dos projetos principais desenvolvidos lá junta ciência e literatura, por meio de livros sobre a lua, por exemplo. Afinal, por que não ler sobre ciência?

No Brasil, há museus de ciência igualmente ricos e interessantes, como o Catavento, que fica no centro de São Paulo. O problema é que a maioria dessas iniciativas está concentrada justamente em São Paulo, onde, estima-se, 18% da população frequenta museus (indicador semelhante ao encontrado em países europeus). Se considerarmos o país todo, apenas 4% da população declara visitar museus com frequência, de acordo com um estudo do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. Considerando que os museus de ciência contribuem para estimular as pessoas para as áreas científicas, será que não está na hora de aumentarmos esse indicador?

Esse post foi escrito da São Francisco, onde estou conduzindo uma pesquisa com Amr Almadani e outros colegas sobre inovação, empreendedorismo e educação com apoio da Einsenhower Fellowships.

Educação integral: conheça as propostas dos candidatos à presidência

0

Modalidade de ensino é tema recorrente nos atuais discursos políticos 

A educação integral é tema recorrente e está entre as metas do PNE (Plano Nacional de Educação)

A educação integral é tema recorrente e está entre as metas do PNE (Plano Nacional de Educação)

Publicado no R7

Entre as propostas para a área de educação dos candidatos à Presidência da República, a educação integral é tema recorrente, estando entre as metas do Plano Nacional de Educação. Porém, a maioria das propostas não apresenta informações sobre qual modelo de educação integral se pretende implantar na rede pública de ensino, como seria a parceria firmada com estados e municípios ou de onde viriam os recursos para sua implementação.

Veja a seguir o que dizem os candidatos à Presidência sobre essa modalidade de ensino.

Aécio Neves (PSDB) cita a escola de tempo integral entre as diretrizes educacionais do seu plano de governo. A proposta alia a implantação deste modelo de ensino à progressiva eliminação do ensino noturno para os jovens que não trabalham. O assunto é também mencionado nas diretrizes das políticas voltadas à mulher (item 9), em que a escola de tempo integral figura como opção para “liberar a mulher para o trabalho e também para os estudos”.

Dilma Rousseff (PT) fala da continuidade das políticas de estímulo à educação em tempo integral no país, como o Mais Educação, em que o governo federal transfere recursos diretamente para as unidades escolares implementarem as atividades esportivas, artístico-culturais e científicas no contraturno escolar, de forma que 20% da rede pública de ensino opere em tempo integral até 2018.

Eduardo Jorge (PV) não menciona especificamente a educação integral em sua proposta nem em seu site, mas já se mostrou favorável a ampliação do ensino em tempo integral em várias entrevistas à imprensa.

De acordo com a assessoria de campanha, a proposta de educação integral de Eduardo Jorge passa pela promoção de um sistema educacional mais amplo e complexo que o atual, inspirado nas ideias de Anísio Teixeira, que defendia que a educação da sala de aula fosse completada por uma educação dirigida. Esse sistema seria composto por “escolas-classe”, onde os alunos participariam das atividades de ensino regulares, e “escolas-parque”, onde funcionariam as atividades complementares (educação física, social, artística e industrial). Assim, os estudantes frequentariam ambas num sistema alternado de turnos.

Eymael (PSDC) também contempla a educação integral entre as suas propostas de governo. O candidato, porém, não detalha quais seriam as ações na área.

Levy Fidelix (PRTB) defende a implantação do sistema de ensino em tempo integral para a Educação Básica, embora ela não esteja especificada em sua proposta de governo apresentada à Justiça Eleitoral. Para ele, a educação integral poderia preparar os estudantes para o desenvolvimento do espírito cívico e patriótico e da cidadania.

Luciana Genro (PSOL) se compromete em seu programa de governo a garantir a expansão da educação em tempo integral conforme as metas fixadas no Plano Nacional de Educação.

Marina Silva (PSB) afirma que a educação integral deve dialogar com a comunidade, inserindo a escola no contexto local, regional, nacional e mundial. A proposta considera que para o desenvolvimento de uma cultura de paz e de sustentabilidade, as atividades artísticas, científicas e esportivas devem estar integradas com as atividades de ensino regulares, propiciando uma formação que contemple valores que incentivem o respeito e o cuidado com o outro e com o meio ambiente.

Para isso, a candidata pretende transformar o Programa Mais Educação em política de Estado de educação integral para toda a educação básica e investir na infraestrutura das escolas e na construção de novas unidades e parcerias com as universidades federais para formação contínua dos profissionais que atuam na educação integral.

Mauro Iasi (PCB) não menciona especificamente a educação integral nas diretrizes de governo apresentadas à Justiça Eleitoral e, apesar das várias tentativas, a assessoria de comunicação do candidato não enviou resposta à reportagem.

Pastor Everaldo (PSC) não menciona especificamente a educação integral nas diretrizes de governo apresentadas à Justiça Eleitoral e, apesar das várias tentativas, a assessoria de comunicação do candidato não enviou resposta à reportagem.

Rui Costa Pimenta (PCO) não menciona especificamente a educação integral nas diretrizes de governo apresentadas à Justiça Eleitoral e, apesar das várias tentativas, a assessoria de comunicação do candidato não enviou resposta à reportagem.

Zé Maria (PSTU) não faz referência direta à educação integral em suas diretrizes de governo, mas é favorável à ampliação do tempo de permanência dos estudantes nas escolas públicas.

O candidato, contudo, reconhece que a ampliação do ensino em tempo integral só será possível se for acompanhada de investimentos na infraestrutura das escolas, na contratação de mais profissionais da educação por meio de concursos públicos, além da valorização dos docentes com reajustes de salários e melhoria das condições de trabalho. Segundo ele, para conseguir isto, seria necessário “aplicar 10% do PIB em educação pública e estatal imediatamente, acabando com todos os repasses de recursos públicos às instituições de ensino privadas”.

Como funciona

Como o nome já diz, a educação integral é aquela que busca a formação integral do indivíduo, partindo da ampliação do tempo do aluno na escola. A jornada da educação integral é de, no mínimo, sete horas diárias ou 35 horas semanais

A intenção é permitir ao aluno mais tempo na escola para articular o desenvolvimento de habilidades em diversas áreas do conhecimento, como arte, cultura, esporte, cultura digital, meio ambiente, ciência e tecnologia, cidadania, inclusive reconhecendo outros espaços da comunidade como locais de aprendizagem.

Segundo os dados do último Censo Escolar de 2013, a educação em tempo integral corresponde a apenas 13,2% das matrículas da rede pública de educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

O PNE (Plano Nacional de Educação), aprovado recentemente, estipula que até 2024 a educação em tempo integral deverá alcançar pelo menos 50% das unidades escolares ou 25% das matrículas da Educação Básica na rede pública de ensino.

Escola padrão Fifa ainda é sonho

1

Apesar dos avanços, qualidade do ensino continua deficiente

Padrão-Fifa2
Rafael Moraes Moura, Estadão

De 1995 a 2013, o número de matrículas na educação básica cresceu de 43,8 milhões para 50 milhões, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No ensino superior, pulou de 1,8 milhão para 7,3 milhões. No mesmo período, a quantidade de universidades públicas federais subiu de 39 para 63. O orçamento do Ministério da Educação (MEC) saltou de R$ 33,7 bilhões (em valores corrigidos pela inflação) para R$ 101,8 bilhões, aumento de 202%.

No meio dessa sopa de números, fica evidente a constatação de que o País obteve ao longo das últimas décadas avanços significativos na inclusão de seus cidadãos no sistema educacional, conquista que esbarra em outro desafio: o da conquistar a qualidade de ensino. Apesar do progresso, a escola “padrão Fifa’’ reivindicada nas manifestações de junho de 2013, não está nem estará pronta para a próxima Copa.

Especialistas ouvidos pelo Estado apontaram uma série de medidas que precisam ser adotadas com urgência para melhorar a qualidade, da educação básica ao ensino superior: reformar o currículo escolar; aumentar a atratividade pela carreira de magistério; reduzir distorções regionais; firmar um pacto de colaboração entre os diferentes Entes federados; e garantir a eficiência da gestão.

“Temos uma escola sem infraestrutura, chata, do século19; um professor do século 20, com formação de muita teoria e pouca prática em sala de aula; e um aluno do século 21’’, analisa o diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna e ex-membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Ramos. “Se a gente não alinhar esses tempos, vai ser difícil fazer a mudança de que necessitamos. Houve muitos avanços, mas eles não colocaram o País na velocidade de cruzeiro que precisamos.’’

No pé da lista. O Brasil permanece entre os piores países em educação, conforme avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) – com 402 pontos na média geral, ocupa o 58.º lugar entre os 65 países examinados. A média do exame é de 497 pontos. O último Índice Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) apontou que não houve avanço no ensino médio entre as avaliações de 2011 e 2013, mantendo-se em 3,7. A meta era 3,9.

Para Ramos, sem atrair os jovens para a carreira de professor será difícil promover mudança quantitativa e qualitativa na sala de aula. “Fala-se em escola em tempo integral, mas precisamos de bons professores.’’ Um currículo inovador, que dialogue com o universo dos jovens e as diferentes áreas de conhecimento, também é fundamental, pondera.

Na opinião do coordenador-geral da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o próximo presidente da República terá a obrigação de construir uma agenda de colaboração federativa, firmado um acordo com Estados e municípios que envolverá necessariamente o aumento dos repasses feitos pela União.

“O espírito do Plano Nacional de Educação é de maior colaboração e isso segue o espírito da Constituição de 1988. Tudo que não foi resolvido desde então vai ter de ser resolvido agora’’, diz Cara. “As escolas ‘padrão Fifa’ vão começar a se viabilizar se a União tiver vontade política de cooperar com Estados e municípios. É preciso acordar os critérios para os municípios fazerem bom uso desse recurso.’’

Sancionado pela presidente Dilma Rousseff em junho, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece as diretrizes das políticas públicas na área para os próximos dez anos. O texto tramitou no Congresso Nacional por três anos e meio até chegar à mesa da presidente.

Metas. Entre as metas do PNE estão a elevação do investimento em educação para 10% do PIB até 2024, a erradicação do analfabetismo, a oferta de educação em tempo integral em no mínimo 50% das escolas públicas e a elevação do número de matrículas na pós-graduação de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Os recursos da exploração do pré-sal vêm sendo anunciados pelo governo como um “passaporte’’ para o futuro, mas o grosso do dinheiro só deverá chegar, de fato, a partir de 2019, observa Daniel Cara. Para Ramos, é preciso fazer com essa receita não seja desperdiçada em questões não estratégicas. “É óbvio que o País precisa de mais recursos, mas é preciso que sejam bem geridos’’, ressalta.

Na avaliação do professor Célio da Cunha, especialista em educação da Universidade de Brasília (UnB), as distorções regionais devem fazer as autoridades lançarem um olhar específico para cada região. “Esses diferentes Brasis têm feições, arcabouços distintos’’, afirma. Ele destaca a importância de uma política específica para a educação no campo, onde os indicadores são piores. “O Brasil tem condições de chegar no segundo centenário de Independência, em 2022, numa situação bem mais cômoda do que hoje’’, diz. A conferir.

Repasse ao Fundeb triplica, mas desempenho de escolas não melhora

0

Entre 2007 e 2013, verba federal foi repassada a dez Estados do Norte e Nordeste, que sequer atingem média nacional no Ideb

escola-publica-size-598
Publicado na Veja

O repasse da União ao principal fundo de financiamento da educação básica do país, o Fundeb, mais do que triplicou entre 2007, data da sua regulamentação, e 2013. Nesses seis anos, a verba federal foi repassada a dez Estados do Norte e Nordeste que não alcançaram o valor mínimo de investimento por aluno. Apesar da alta nos repasses, a maioria desses Estados nem sequer atingiu a média nacional da rede pública no Índice de Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb) de 2013, que mede a qualidade das escolas públicas do país.

A maior parte dos Estados atendidos pelas verbas federais ainda ocupa a lanterna do Ideb, tomando como base tanto a rede pública (que inclui as esferas federal, estadual e municipal) quanto apenas a rede estadual. Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco e Piauí recebem aportes desde 2007. Já Amazonas entrou para a lista em 2008 e Rio Grande do Norte em 2011, segundo dados da Controladoria-Geral da União (CGU).

A transferência de recursos federais para os Estados passou de 2,9 bilhões de reais em 2007 para 9,3 bilhões em 2013, em valores já corrigidos pela inflação (IGP-DI). Trata-se de uma alta real de 221%, 12 vezes o crescimento da economia no período, segundo estudo da Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia da PUC-RS, em parceria com o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescon-RS).

Além da verba da União, destinada a socorrer entes federativos que não alcançam o investimento mínimo (em 2013, foi de 2.022,51 reais por aluno), o fundo tem ainda recursos estaduais e municipais, que financiam toda a rede pública.

No total, as verbas do Fundeb passaram de cerca de 67 bilhões de reais para 116 bilhões no mesmo período, também descontada a inflação. O dinheiro foi destinado ao pagamento dos salários de professores, compra de equipamentos e manutenção de atividades como merenda e transporte escolar.

Apesar da alta dos investimentos, a nota dos Estados que precisaram de ajuda financeira pouco avançou no Ideb. A situação mais crítica ocorreu no ensino médio. Nessa etapa, as redes estaduais de Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte não tiveram nenhum tipo de melhora em seis anos. Em dois Estados, o resultado foi pior: Pará teve queda de 2,8 para 2,7 e o Piauí, de 3,1 para 3. Sete dos dez Estados não atingiram as metas para 2013 nesse ciclo — e os objetivos traçados pelo Ministério da Educação, segundo educadores, são pouco ambiciosos.

O Ministério da Educação informou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) responderia sobre o Fundeb, mas o órgão não se manifestou.

Go to Top