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Aluno ganha bolsa em universidade internacional graças aos bolos da mãe e aos vídeos no YouTube

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Jovem do Rio vai estudar no exterior depois de fazer vídeos da mãe decorando bolos

Jovem do Rio vai estudar no exterior depois de fazer vídeos da mãe decorando bolos

Universidade Minerva tem sede nos EUA e campi em outros seis países; inscrições para seleção da nova turma estão abertas.

Vanessa Fajardo e Lívia Torres, no G1

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, vai deixar o Rio de Janeiro para morar em sete países diferentes nos próximos quatro anos. Ele foi aprovado na Universidade Minerva, sediada nos Estados Unidos, mas que tem a proposta de fazer com que os alunos estudem cada semestre em um país diferente. Outros 11 brasileiros estão na turma que começa em setembro.

Após o primeiro ano letivo comum a todos os alunos, em São Francisco, eles seguem para Seul, Taipei (Taiwan), Hyderabad (Índia), Berlim, Londres e Buenos Aires. Os estudantes precisam optar por uma das seis áreas de ensino: artes e humanidades; ciências sociais; computação; ciências naturais e negócios.

Gabriel viaja em 22 de agosto, e vai estudar negócios. Não foi só o inglês fluente e as boas notas do currículo escolar que o fizeram ser aceito e ganhar 90% de bolsa na Minerva. Para quem não tem nenhum desconto, o custo é de cerca de R$ 90 mil por ano, incluindo despesa de alojamento e refeições. As universidades americanas valorizam muito as atividades extracurriculares dos candidatos. Gabriel se destacou ao aliar o feeling para os negócios e a herança empreendedora da família, e criar um curso on-line de decoração de bolos ministrado pela mãe.

“Meu avó era dono de padaria, a família teve negócios pequenos, sempre quis ter algo. Em 2015, minha mãe decorava bolos por encomenda. Meu pai achava que ela tinha muito jeito para ensinar. Eu adoro gravar, adoro tecnologia, e queria empreender, era uma forma de botar em prática. Começamos a vender cursos”, diz Gabriel.

Ele grava as aulas, edita e bota os vídeos no ar. Os cursos já foram vendidos para mais de 250 pessoas. Os vídeos no YouTube e Facebook têm mais de 19 milhões de visualizações.

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, é um dos brasileiros aprovado na Minerva; universidade tem sede nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

Gabriel Ferreira Dias, de 19 anos, é um dos brasileiros aprovado na Minerva; universidade tem sede nos Estados Unidos (Foto: Arquivo pessoal)

 

O carioca acredita que a veia empreendedora tenha sido o diferencial da sua candidatura. “Você não precisar ser o cara que ganhou uma medalha de ouro na Olimpíada de Física para entrar. Eu nunca ganhei uma medalha de olimpíada científica. Eu gosto de empreendedorismo. Eu me envolvi de alma. O que é sua paixão e o que faz para desenvolvê-la?”

‘Fazer diferença no mundo’

Gabriel fez o ensino médio no Sistema Elite, no Rio, como bolsista. Ao concluir a educação básica, além de ser aceito pela Minerva, passou no curso de administração na PUC-Rio e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas desistiu das vagas porque queria ir para o exterior. “Há cinco anos eu tenho vontade de estudar fora, a Minerva era a faculdade que eu mais queria pelo fato de ser diferente, de passar por sete países. Esse é um diferencial, vai ser bom se adaptar a outras culturas e aprender como é o mundo de verdade. Quem quer fazer diferença no mundo tem de conhecer o mundo.”

Inscrições abertas

As inscrições para a seleção da nova turma da Minerva estão abertas desde o dia 1º de agosto e vão até 16 de março de 2018, pelo site https://www.minerva.kgi.edu/application/start. O processo seletivo inclui entrevista, produção de texto e testes de lógica, matemática e inglês, feitos pelos candidatos no seu próprio computador, com a webcam conectada aos selecionadores, que observam o comportamento e o raciocínio dos estudantes.

Além do histórico escolar, é necessário comprovações de atividades extracurriculares, como participação em trabalho voluntário ou olimpíadas do conhecimento. A instituição avalia o perfil de liderança e empreendedorismo dos potenciais alunos.

A Minerva possui atualmente 500 estudantes de 55 países, sendo que o Brasil está em terceiro lugar no número de matriculados, atrás apenas de EUA e China.

Quando estudar em Harvard não é o melhor para você

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Flâmulas da Universidade de Harvard (Foto: Getty Images/Arquivo)

Flâmulas da Universidade de Harvard (Foto: Getty Images/Arquivo)

 

Enquanto há estudantes que de fato tirarão o máximo de proveito de um ambiente como de uma universidade de ponta, é possível se desenvolver de outras maneiras em escolas menos prestigiadas

Publicado na Época Negócios

Diferente do que o senso comum pode indicar, estudar em Harvard (ou em universidades de elite em geral, líderes nos rankings internacionais) não é um indicativo de sucesso. E nem de realização. Isto porque, enquanto há estudantes que de fato tirarão o máximo de proveito de um ambiente como de uma universidade de ponta, é possível se desenvolver de outras maneiras em escolas menos prestigiadas.

Um estudo conhecido, publicado em 1999, apontou que estudantes que se candidataram às Ivy League e acabaram optando por outra escola de menos renome tiveram o mesmo nível de rendimento futuro que os colegas que frequentaram as de mais prestígio. A conclusão do estudo é que estudantes que se candidatam a estas universidades em geral possuem certas características – como determinação e disciplina – que serão benéficas para o seu futuro, independentemente de qual escola emitiu seu diploma. Em outras palavras, os pesquisadores Krueger e Dale concluíram que “o estudante, não a escola, era responsável pelo seu sucesso”.

Naturalmente, o prestígio destas instituições não existe à toa. Para algumas áreas (como mercado financeiro ou economia), o networking de uma Ivy League pode ser relevante; para outras, o contato com determinado grupo de pesquisa pode ser essencial para quem deseja seguir carreira acadêmica. Mas, dependendo do seu objetivo, outras escolas tão boas quanto Harvard (embora menos famosas) poderão oferecer uma experiência melhor para o estudante.

Artur Ávila – “Sorte” de não ter ido para as mais renomadas
É o caso do matemático Artur Ávila, brasileiro ganhador da Medalha Fields, que afirmou em um evento da Fundação Estudar, em 2016, que sua sorte foi não ter ido para Harvard ou Princeton. Ele, que optou por estudar no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro, acredita que teve, assim, mais tempo para desenvolver confiança e adquirir conhecimento. “No IMPA, eu sentia medo, claro, mas não estava em um ambiente que podia me esmagar. Tinha pouco conhecimento, mas fazia uma coisa de cada vez.”

Ter estudado em uma instituição de menor renome internacional, portanto, não apenas não prejudicou a carreira do matemático como também colaborou para o seu amadurecimento. Assim, quando para o seu pós-doutorado ele optou por estudar na França, já estava mais adaptado para enfrentar “aquele mundo”: “Cheguei mais confiante, trabalhando nas linhas que já havia começado, indo sem desespero e com consciência de que eu sabia, de fato, muito pouco” afirmou.

Como avaliar se universidades de elite são a melhor opção para você
Em geral, candidatos tentem a considerar apenas se eles são inteligentes o suficiente para serem aprovados em uma universidade de elite. Raramente se considera se estas instituições são as melhores para eles em outros aspectos da vida universitária.

Para isso, autoconhecimento é a chave. O estudante não pode deixar de considerar qual é o seu estilo de estudos; como ele lida com situações de pressão e quais são suas expectativas para os quatro anos de faculdade. De acordo com avaliações enviadas pelos próprios estudantes no portal Unigo, o candidato deve sempre considerar os seguintes fatores:

Carga de Trabalho

Universidades de elite exigem muito trabalho. Além de uma carga grande de leitura, mesmo os estudantes mais preguiçosos não conseguem se livrar de escrever ao menos um essay por semana – e geralmente bem mais que isso.

Estilo de Ensino e Avaliação

Algumas universidades favorecem o debate oral – é o caso, por exemplo, da maior parte das instituições da Ivy League, que têm aulas em formato de seminário e discussão de cases. Assim, estudantes brilhantes, mas que tenham melhor desempenho escrito podem ser ofuscados pelos mais desenvoltos na oratória.

Estilo de Envolvimento Acadêmico

Muitas universidades de elite assumem que boa parte do seu aprendizado se dará através de atividades extracurriculares – seja através de envolvimento com esportes, clubes, trabalho voluntário ou projetos particulares. Claro, você também encontrará espaço se a sua melhor opção de lazer (ou de estudo) for uma biblioteca silenciosa – mas definitivamente não estará explorando o máximo que estas instituições oferecem.

Estilo dos estudantes (elas não são “cool”!)

Universidades de elite são, sim, um espaço para diversidade e jovens engajados nas mais diversas causas. Um espaço onde se podem encontrar jovens confiantes, carismáticos, divertidos e sagazes, críticos e questionadores. Porém, em geral não são o lugar para estudantes “descolados” – no estilo mais tradicional da palavra, de Jack Kerouac, caracterizada por desprezo às carreiras mais tradicionais e “engessadas”. De fato, muitos dos estudantes estão nestas universidades justamente para se tornar este profissional tradicional.

A pressão

Estudantes que não conseguem lidar com a pressão de estarem constantemente cercados de conquistas e sucessos passarão tempos difíceis em escolas de elite. Estas instituições não são o lugar para você se você pensa que tem que ser o melhor em tudo – porque invariavelmente você não será. Gustavo Torres, que está em seu terceiro ano em Stanford, afirmou que um dos seus maiores aprendizados por lá foi “Não dá pra ser o melhor em tudo”. “O negócio é também tentar ser o melhor em algo, aprender com as outras pessoas e tentar construir algo com elas”, afirma.

A liberdade

Instituições como estas geralmente assumem que os estudantes são automotivados e que correrão atrás dos seus objetivos de forma independente. Ninguém – nem professores, nem advisors, sem seus colegas – vão lhe dizer o que fazer (embora lhe ofereçam todos os meios para ajuda-lo se você já souber o que quer). Da mesma forma, se você parar de comparecer às aulas ou não entregar trabalhos, ninguém vai lhe cobrar, até que seja tarde demais.

Estes questionamentos são polêmicos e muitas vezes exigem que o candidato quebre preconceitos e reveja sua própria autoimagem. Mais do que questionar a nossa capacidade de ser aceito por uma destas instituições, devemos nos perguntar: será que tenho a disposição/a humildade/a resiliência/a energia para ter um bom desempenho em uma universidade de elite? Será que serei feliz lá?

No fim, é melhor fazer estes questionamentos com calma e antecedência do que seguir o nome famoso da instituição e passar os quatro anos que deveriam ser os melhores da sua vida se perguntando se não havia outro lugar melhor para você.

Prefeitura de Ribeirão Preto planeja criar ‘Uber do Professor’

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Professor seria acionado por meio de aplicativo(Foto: ThinkStock)

Professor seria acionado por meio de aplicativo(Foto: ThinkStock)

Proposta, ainda em fase de elaboração, é chamar substituto por aplicativo quando docente faltar; categoria é contrária

Publicado na PEGN

Um projeto da prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, quer criar um sistema de trabalho que foi apelidado pelos servidores de “Uber da Educação” ou “Professor Delivery”. A ideia é pagar por aulas avulsas a docentes, sem ligação com o município, sempre que faltarem profissionais na rede municipal de ensino.

O professor não teria vínculo empregatício com a prefeitura e o acionamento se daria por aplicativos, mensagens de celular ou redes sociais. Após receber a chamada, o professor teria apenas 30 minutos para responder se aceita a tarefa e uma hora para chegar à escola –caso contrário, outro seria acionado no seu lugar.

Mesmo sem chegar oficialmente à Câmara da cidade, o projeto já foi parar no Legislativo neste mês. Um grupo de professores distribuiu aos vereadores cópia da proposta preliminar e reivindicou que a ideia seja barrada. Um dos argumentos é de que o projeto seria inconstitucional.

Suelly Villela, secretária municipal de Educação da gestão Duarte Nogueira (PSDB), defende a importância do projeto para a rede local de ensino. O objetivo, de acordo com ela, é “solucionar a grave situação de ausências de professores em sala de aula, motivadas por faltas ou licença-saúde, em período inferior a 30 dias”.

De acordo com Suelly, que atuou como reitora da Universidade de São Paulo (USP) entre 2005 e 2009, a falta de professores traz prejuízo à formação dos alunos, que “são dispensados das aulas com frequência”, principalmente nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.

O projeto, explicou ela, foi submetido à consulta da comunidade escolar e está em fase de análise das sugestões enviadas à secretaria.

Críticas. O Conselho Municipal de Educação (CNE) fez parecer contrário à proposta do Executivo. Segundo a análise do órgão, a alternativa terá lacunas do ponto de vista qualitativo e criará regime laboral precário. O órgão recomenda estudos mais aprofundados antes do envio da matéria à Câmara.

Na opinião do professor Sandro Cunha, que leciona História na rede municipal, o projeto fere o princípio da isonomia, por tratar de forma desigual os funcionários a serviço da prefeitura. Já na avaliação da advogada trabalhista Danielle Dias Moreira, a contratação de professores substitutos não é ilegal, mas pode trazer questionamentos futuros nos tribunais. “O professor chamado várias vezes poderá ir à Justiça e pedir o reconhecimento do vínculo empregatício”, argumenta.

A rede municipal de Ribeirão Preto tem 109 escolas da rede direta e outras 24 conveniadas. O sistema tem 3.159 professores, sendo 400 emergenciais, de acordo com dados da própria secretaria. São cerca de 48 mil estudantes matriculados.

Contagem Regressiva ENEM 2017: 9 dicas para turbinar o seu cérebro e se preparar

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Quer ficar pronto para o Enem 2017? Veja o que fazer para turbinar o seu cérebro e se preparar

Publicado no Universia Brasil

Quando o assunto é Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) , escutamos muito que é preciso estudar, revisar e treinar. Mas, além de se dedicar aos estudos, algumas mudanças no dia a dia e dicas simples podem ajudar o seu cérebro e turbinar o seu aprendizado para o Enem 2017.

DICAS PARA A HORA DE ESTUDAR

Existem estratégias que podem te ajudar – e muito! – na hora de estudar. São elas:

1. ORDEM ALFABÉTICA

Um problema comum quando temos muitas anotações é encontrar uma determinada informação em meio às páginas. É comum que os estudantes façam as notas conforme as matérias forem passadas em aula, mas essa prática pode prejudicar a eficiência dos estudos. Ao invés de usar a ordem cronológica, procure empregar a ordem alfabética.

2. ANOTAÇÕES

Muitas vezes o professor faz um comentário ou passa determinada informação que não está nos livros ou textos de apoio. As anotações são importantes por conta disso. Além de que, com elas, você consegue entender os dados com suas próprias palavras e interpretação.

3. CÓDIGOS

Na correria para anotar todas as informações importantes é comum que os alunos recorram a códigos e abreviações. O importante é não se esquecer delas para que mesmo meses depois você consiga interpretar corretamente essas notas. Se necessário, faça um glossário no fim do caderno.

4. MURAL DE NOTAS

Além de fazer as tradicionais anotações em seu caderno, você também pode criar um mural em seu quarto ou ambiente de estudos com as informações mais importantes de cada matéria, que não podem ser ignoradas ou esquecidas. Esse tipo de mural ajuda a criar uma memória visual que é fácil de ser acessada durante as provas, além de auxiliar você a estabelecer conexões entre os tópicos de estudo.

5. CORES PARA ORGANIZAR

Essa dica é frequente, mas vale a pena repetir. Usar cores para organizar seu material de estudo pode facilitar muito a rotina diária. Você pode distribuir as cores por ordem de importância, por assunto ou por urgência, de acordo com sua necessidade de critérios para organização.

6. CARTÕES OU FICHEIROS

Além das costumeiras anotações no caderno, você também pode fazer anotações em cartões separados para os conceitos que apresentam maior dificuldade ou mais relevantes. Por exemplo, para as aulas de gramática, você pode criar um cartão para cada figura de linguagem. Para as aulas de física, para as fórmulas e suas aplicações.

E COMO AJUDAR A SUA MENTE?

Você com certeza já escutou alguém falando sobre o poder da mente. Na hora de se prepara para uma prova como o Enem 2017, a força do pensamento é mais do que aliada. Por isso, é importante dar atenção também a esse aspecto na hora de estudar.

7. A ARTE DE NÃO PENSAR

Procure separar algum tempo para não pensar em nada, especialmente quando a prova estiver se aproximando. Sim, essa é uma daquelas coisas que são mais fáceis na teoria que na prática. Nossos cérebros estão programados para pensar constantemente, e simplesmente parar pode ser uma experiência difícil e estranha. Mas vale a pena o esforço.

As técnicas de meditação vêm mostrando resultados há séculos, como grandes recursos para aliviar estresse, aumentar a concentração, melhorar o funcionamento do cérebro, a qualidade do sono e vários outros benefícios. Existem vários métodos de meditação (não necessariamente envolvendo quartos escuros e pernas cruzadas), procure o que mais se encaixa com você!

8. PAUSAS ESTRATÉGICAS

As revisões são um período de estudo estressante, mas principalmente nessa etapa do ano, a última coisa que você quer é manter o seu cérebro preocupado. Por isso, faça pausas entre seus estudos. Um estudo recente de Harvard mostrou que quando alguém trabalha intensamente por mais de 90 minutos, o corpo humano automaticamente entra em estado de “lutar ou fugir”.

Para impedir que isso aconteça, tire sonecas durante o dia. Acomode no seu horário, entre cada 90 minutos de estudo, ao menos 15 minutos de sono. A técnica, também conhecida como power nap, no curto prazo aumenta o poder de concentração do cérebro, e no longo prazo reduz o estresse.

9. CONVERSE COM ALGUÉM

Muitos estudantes podem acidentalmente se isolar de amigos e familiares nessa época do ano. Não deixe que isso aconteça com você. Mesmo para quem estuda em grupo, conversar com alguém que não está diretamente envolvido com a prova é ótimo para que você tenha uma visão mais ampla da sua vida. Passar todo o seu tempo estudando pode dar a impressão de que a prova é mais importante do que ela é, e manter conexões saudáveis mostra que na verdade o vestibular é só mais uma parte da sua vida.

Pais interferem em escolas que abordam questão de gênero nos livros e vetam conteúdo

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Educadores criticam interferência nas decisões dos colégios sobre os temas

Renata Mariz e Eduardo Baretto, em O Globo

BRASÍLIA- Tema de ações no Supremo Tribunal Federal (STF) e de projetos no Congresso Nacional, a chamada “ideologia de gênero” vem sendo apontada nas escolas por pais incomodados com o material didático trabalhado em sala de aula. As reclamações se multiplicam pelo país e resultam muitas vezes na substituição de livros, dividindo a comunidade escolar. No centro do debate, a linha tênue entre o direito da família de acompanhar de perto a educação dos filhos e a ingerência preconceituosa no processo coletivo de aprendizagem.

Um caso recente no Colégio Ipê, escola da rede privada que atende alunos da educação infantil até o 9º ano em Brasília, expõe a complexidade da situação. Após queixas em relação ao livro “Lá vem história: contos do folclore mundial”, uma turma do 2º ano do ensino fundamental ficou dividida. Pouco mais da metade dos pais (18 em relação às 32 crianças da classe) trocou a obra que havia sido indicada pela escola como material de apoio às aulas de literatura para o segundo semestre deste ano. Alguns contos do capítulo “Para sentir uma pontinha de medo” foram considerados pesados demais para os alunos, mas a história que de fato causou discórdia se chama “Maria Gomes e os cavalinhos mágicos”.

Gizeli Nicoski com os filhos Nicholas e Nicole: articulação com outras mães da escola para adequar os temas discutidos à faixa etária das crianças - Jorge William / Agência O Globo

Gizeli Nicoski com os filhos Nicholas e Nicole: articulação com outras mães da escola para adequar os temas discutidos à faixa etária das crianças – Jorge William / Agência O Globo

 

No conto, a protagonista é abandonada pelo pai viúvo sem condições financeiras de sustentar a filha. Disfarçada de homem por ordem de uma voz que passou a ajudá-la, Maria Gomes consegue emprego no jardim de um palácio. Até que “mesmo pensando que Maria fosse um jovem, o filho do rei se apaixonou por ela. Preocupado, o príncipe dizia à mãe: Minha mãe do coração, os olhos de Gomes matam. São de mulher, sim. Não são de homem, não”. Por fim, ele descobre que Maria é mulher, declara seu amor e vivem felizes para sempre.

Para Gizeli Nicoski, de 38 anos, que articulou com outras mães a reclamação formal à escola, o conteúdo é inadequado para crianças como sua filha Nicole, de 7 anos. Ela afirma que não se trata de intolerância ou censura a determinados conteúdos, mas de adequá-los à faixa etária dos alunos. E diz não se incomodar com a “imagem de chata” que acredita ter diante de funcionários e outros pais do Colégio Ipê:

—Não é que sejamos contrários a temas sobre sexualidade, mas tudo no seu tempo. Uma história que fala de criança abandonada, depois homem com homem, não pode ser algo adequado para alunos do 2º ano — defende Gizeli, que também é mãe de Natalie e Nicholas, de três e quatro anos, respectivamente.

Diante da resistência de pais que não quiseram abrir mão do livro, escrito por Heloisa Prieto e há 10 anos no mercado, restou à escola deixar a critério de cada um fazer a substituição, após negociar a troca de títulos com a editora. Gilberto Fernandes Costa, um dos diretores do Colégio Ipê, diz que a saída foi possível por se tratar de um material de suporte às aulas de literatura, o que permite que os professores trabalhem livros diferentes dentro de uma mesma classe. Sobre a ingerência dos pais, Costa prefere não polemizar:

— Se é possível trocar sem prejuízos pedagógicos, a gente troca. As famílias têm todo o direito de questionar e cabe à escola mostrar aos pais as razões da abordagem dos assuntos.

RETIRADA DE LIVRO DA GRADE ESCOLAR

Na rede privada a pressão dos pais conta muito e a escola acaba cedendo aos apelos, com medo também da repercussão negativa nas redes sociais. No Colégio Marista de Brasília, de ensino infantil e fundamental, vinculado à Igreja Católica, o livro “A família de Sara” foi vetado no segundo semestre de 2015, após críticas de um pai.

A história conta as agruras de Sara, filha adotiva de uma mãe que não era casada, por não ter quem levar às festividades da escola no Dia dos Pais. Em determinado trecho, a mãe tenta consolar a menina: “É possível ter duas mães ou dois pais, ou ter mãe e padrasto e pai e madrasta, e gostar igualmente de todos. O importante, Sara, não é como sua família é, mas como ela te trata”.

Flaviane Leite, mãe de Rafael, aluno do Colégio Marista, critica a intervenção indevida dos pais - Arquivo Pessoal

Flaviane Leite, mãe de Rafael, aluno do Colégio Marista, critica a intervenção indevida dos pais – Arquivo Pessoal

 

Para Flaviane Leite, mãe de Rafael, à época aluno do terceiro ano do ensino fundamental do Marista, a retirada do livro foi uma interferência indevida dos pais na escola.

— Eu li o livro com meu filho. No fim, de maneira bem leve, ele citava que era possível ter outras formas de família. Nada demais. A própria autora do livro contou a história dela: a família era ela e a filha adotada, que era negra — afirma Flaviane.

Autora do livro, que escreveu 61 títulos para a coleção Sara e sua Turma, com adaptações em andamento para a TV Escola, Gisele Gama, de 50 anos, confirma que se inspirou nas dificuldades da própria filha. Ela acredita que a perseguição infundada por conta da obra, que já vendeu mais de um milhão de exemplares, vem do preconceito:

— Esse pai colocava na internet meu livro com um carimbo “ideologia de gênero”. É tremendamente lamentável, mas mostra o preconceito que existe. O pior é a escola retirar o livro. Nenhuma criança pode ser menos por causa da família que tem. E o livro só conta a história real da minha família.

Sem explicar os motivos de ter deixado de usar a obra, o Colégio Marista de Brasília afirmou, em nota, que o material de apoio é atualizado todos os anos. “Para 2016, essa obra não está na lista de livros paradidáticos, o que não significa que escola, família, educadores e estudantes não dialogarão sobre o tema”. E acrescentou que o Papa defendeu recentemente que a Igreja discuta abertamente “mudanças vividas pela família contemporânea, como é o caso dos novos arranjos familiares”.

Miguel Nagib, porta-voz do Escola sem Partido, movimento contrário à doutrinação política e ideológica na educação com forte cunho religioso, que pressiona pela aprovação de projetos de lei com regras e sanções a educadores, diz que a preocupação está nos conteúdos passados de forma dogmática.

— Não pode haver na sala de aula uma revelação divina, uma verdade dogmática. Se os pais dizem para o filho o que é o certo, a escola não pode dizer o contrário. Os pais são os responsáveis.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fernando Penna afirma que esse fenômeno é influenciado por um contexto político, mas também pelo poder das redes sociais. Para explicar o movimento visto hoje nas escolas, o educador retorna a 2011, quando o governo Dilma Rousseff se preparava para distribuir um material de combate à homofobia que acabou vetado após a má repercussão.

Penna afirma que o material foi apelidado de “kit gay” por parlamentares ditos conservadores, que criaram essa bandeira para se promover. O episódio foi, segundo o especialista, um marco importante na origem do que hoje é chamado de combate à dita ideologia de gênero:

— A ideologia de gênero é um termo cunhado para desqualificar o debate sobre as desigualdades, sobre os papeis sociais, e pregar que o objetivo real é a erotização infantil, a transformação de jovens em gays e lésbicas ou o combate à família tradicional — explica. — Aliado a isso, há circulação de notícias falsas em redes sociais que causam um pânico moral muito grande. E as famílias, numa atitude compreensível, ficam apavoradas.

COLÉGIO CONTRARIA CRÍTICAS E MANTÉM TEMA

Ao contrário do que aconteceu nas escolas Ipê e Marista, o Colégio Positivo de Curitiba não sucumbiu ao protesto de alguns pais em relação ao conteúdo abordado nos livros de Sociologia do 2º ano do ensino médio. No material didático, os autores afirmam, por exemplo, que “não existe um modelo pré-definido de comportamento ideal de mulheres e homens” e destacam que esses valores foram socialmente construídos.

A divulgação do conteúdo do livro por um blog local e pela página “Escola Sem Partido PR” no Facebook também gerou críticas nas redes sociais. Mas, mesmo com a reação negativa de algumas pessoas, a editora Positivo manterá o tema no livros. Segundo Joseph Razouk Júnior, diretor editorial da empresa, a abordagem atende às diretrizes nacionais de educação e promove a cidadania. Atualmente, dois milhões de jovens em escolas públicas e particulares, no Brasil e no Japão, usam os livros da rede.

— A discussão sobre gênero, seja nas escolas, seja na sociedade como um todo, não pode ser lida como uma ideologia, e sim como um campo de pesquisa científico e acadêmico de reconhecimento internacional — afirma Júnior. — A cidadania é entendida como base do Estado de Direito e orientada pelos princípios jurídicos da liberdade, da igualdade e do respeito às diferenças.

Professor de História e Filosofia do Positivo de Curitiba, Daniel Medeiros, critica o conservadorismo:

— A visão de alguns pais conservadores é ditada pelo discurso da religião, que limita o diálogo. O que está acontecendo é uma falsa questão. Aparecem pessoas que não têm formação e querem intervir no trabalho de escolas sérias.

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