Segundo Unesco, mais de 60 milhões de meninas estão fora da escola

Publicado no Bonde

Estimativa feita pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) presume que 65 milhões de meninas estejam fora da escola. Segundo o relatório Global Educação para Todos, em países da África e da Ásia, o caso é mais grave.

Desses números, 31 milhões de garotas deveriam frequentar o ensino primário (considerado nosso ensino fundamental) – 4 milhões a mais do que meninos em idade escolar. Entre elas, 17 milhões não devem voltar à sala de aula.

Nigéria (5,5 milhões), Paquistão (mais de 3 milhões) e Etiópia (mais de um milhão) têm estimativas de mais de um milhão de meninas fora das escolas.

“Garantir que as meninas permaneçam na escola é uma das formas mais eficazes de evitar o casamento infantil e a gravidez precoce”, afirma a Unesco. Na África Subsaariana, uma em cada oito meninas se casa com menos de 15 anos.

Ainda de acordo com o relatório, no ensino secundário (o ensino médio), outras 34 milhões de meninas estão fora da escola em todo o mundo. Além disso, dois terços dos 774 milhões de analfabetos no mundo são mulheres.

Em 10 países do mundo, menos da metade das meninas mais pobres já foram à escola. Na Somália, 95% das garotas pobres nunca estiveram em uma sala de aula. No Níger, esse número é 78%.

“Sem uma mudança radical por parte dos governos a fim de dar a estas crianças e jovens a educação de que precisam, elas terão negada a igualdade de oportunidades no trabalho e na vida para sempre”, segundo o relatório Global.

Para mudar essa realidade

A paquistanesa Gulalai Ismail, 16 anos, fundou ao lado da irmã, em 2002, a ONG Aware Girls. A organização oferece suporte à meninas e mulheres do Paquistão acesso igualitário à educação, ao trabalho, à saúde e a outros serviços públicos.

Na Índia, a Educate Girls tenta levar as meninas de volta à escola. “Nós dizemos ‘se ela tiver um filho e tiver que levá-lo ao hospital, ela vai precisar ler a receita médica’. Sendo escolarizada, vai poder cuidar melhor do seu filho”, explica.

A Camfed (Campaign for Female Education) auxilia no suporte à meninas que queiram estudar no Zimbábue, Zâmbia, Gana, Tanzânia e Malawi. A organização já ajudou mais de 1,2 milhão de crianças a frequentar as aulas.

Como auxílio, houve reforço da paquistanesa Malala Yousafzai, 17, a ganhadora do prêmio Nobel da Paz. Por defender a educação para meninas, Malala foi atingida na cabeça pelos talibãs em 2012.

“Os extremistas estavam e estão assustados com livros e lápis. O poder da educação os assusta. Eles estão com medo das mulheres. O poder da voz das mulheres os assusta”, disse Malala em 2013 ao discursar na ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. (Com informações UOL)