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EI domina salas de aula e passa a doutrinar alunos em Al Yarmouk

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Publicado no Terra

s escolas independentes desapareceram do campo de refugiados palestinos de Al Yarmouk, no sul de Damasco, onde o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) impôs o próprio sistema de doutrinamento, baseado em uma visão extremista do islã.

Um dos colégios que foram obrigados a fechar as portas em Al Yarmouk é a Escola Damascena Alternativa, que para dar continuidade às atividades se transferiu para o distrito vizinho de Yalda, como fizeram outras instituições de ensino.

Exilado na França, o diretor desse colégio, Khalil Abu Salma, contou à Agência Efe que “quando o EI chegou a Al Yarmouk, em abril de 2015, não houve problemas no início porque estava no fim do ano letivo e nada interferiu”.

Em uma primeira etapa, os radicais permitiram que as escolas trabalhassem de forma independente, mas tudo mudou quando houve uma “mudança de emir” no EI, que decidiu impor o próprio programa educativo e os colégios do acampamento se negaram, o que levou ao fechamento das instituições.

“É a primeira vez na história de Al Yarmouk que não há colégios, o Estado Islâmico tem seu próprio sistema educacional relacionado com a religião e a jihad, mas o ensino de verdade não existe”, lamentou Abu Salma, que mora na França há um ano e meio e onde dirige o colégio em sua nova localização em Yalda.

Professor de língua árabe, Abu Salma explicou que a disciplina principal no sistema de doutrinamento dos extremistas é o “Tauhid” (monoteísmo), que na prática representa o estudo da religião, que o EI “foca em assuntos como a jihad”, ou guerra santa.

Também são ensinados o idioma árabe “baseado na língua do Corão” e outras disciplinas como ginástica, “mas de forma muito leve”, detalhou.

“Há matérias que consideram heréticas, como a filosofia, as ciências sociais e a história, que não são ensinadas”, disse o professor.

A Efe teve acesso a uma dezena de livros didáticos do grupo jihadista, nos quais as referências religiosas são onipresentes. Na introdução da maioria dos materiais, o EI afirma que uma nova era começou com “a colocação da primeira pedra no muro do ensino islâmico fundamentado no Corão e os ‘hadices’ (ditos do profeta), como entendem os primeiros muçulmanos”.

Os radicais desenvolveram novas disciplinas como Política Religiosa, na qual doutrinam as crianças com os supostos fundamentos de seu credo, passados pela supervisão do EI, que, por exemplo, afirma que os muçulmanos são obrigados a criar um califado islâmico.

Em outras matérias mais tradicionais, como educação física, o grupo também aplica o tom jihadista aos livros, com ilustrações de exercícios de aquecimento que mostram um homem com um uniforme negro de tipo afegão, como se vestem alguns combatentes do EI.

O manual inclui uma lição sobre o fuzil kalashnikov, que após explicar sua história e uso, detalha como montá-lo e desmontá-lo, limpá-lo e regulá-lo em caso de falha, além das medidas de segurança para evitar disparos não propositais.

Embora o EI seja o grupo mais conhecido na Síria por impor seu próprio sistema educacional, outras organizações envolvidas no conflito também querem ensinar para os menores, disse Abu Salma, que sofreu as pressões da Frente al Nusra, braço sírio da Al Qaeda que controlou o campo de Al Yarmouk antes do EI.

“Para mim, a Frente al Nusra não é diferente do EI, o que aconteceu é que naquela época tínhamos um programa de apoio psicológico às crianças porque o campo sofria um cerco muito estreito. De fato, cerca de 180 pessoas morreram de fome. A Frente al Nusra considerou o programa indecente porque incluía dança e teatro. Sempre me pressionaram para tirar, mas rejeitei as ordens”, relembrou Abu Salma, que decidiu fugir após a morte do irmão, que era ativista, e após receber ameaças.

Apesar de todas as dificuldades, a Escola Damascena Alternativa continua aberta em Yalda, onde crianças de Al Yarmouk comparecem para receber aulas. No entanto, também houve problemas nesta região, dominada pelo Exército Livre Sírio (ELS) e outras facções.

“Esse é o preço de querer aplicar um ensino independente, longe do político e militar”, lamentou Abu Salma.

Na Flip, poeta sírio detona intelectuais e ativistas de direitos humanos: ‘Doentes que fazem jogo sujo’

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Publicado no Brasil Post

As declarações de um poeta sírio, que se recusou a falar da realidade de seu país e do Estado Islâmico, revoltaram o público que acompanhava a mesa “Síria mon amour” na Flip (Feira Literária Internacional de Paraty) neste domingo (3).

Abud Said, autor do livro O cara mais esperto do Facebook (Editora 34), engrossou depois de ser questionado pelo mediador Daniel Benevides sobre o ISIS. O escritor acabou sem revelar sua opinião sobre os fundamentalistas, mas atacou ativistas de direitos humanos, jornalistas e intelectuais, conforme registra o G1:

O jornalismo, as organizações de direitos humanos, o conselho da ONU, os escritores, todos eles estão fazendo um jogo sujo. Eu não gostaria de participar desse jogo. O Estado Islâmico é um assunto muito importante, não quero agora falar (…) Não tenho medo, mas não quero participar desse jogo sujo. Todo mundo parece que está participando sob bandeiras de mídia livre, de direitos humanos, não existe mídia livre, tem gente ganhando dinheiro com isso.

Said foi vaiado e xingado de “babaca” por parte dos participantes da Flip, informa a Folha de S.Paulo.

Sou egoísta, não quero ser a voz da Síria. Juro por Deus que não há sociedade mais doente que a culta e intelectual e os que trabalham com direitos humanos. Quero viver minha vida“, disparou.

Apesar de muitas pessoas terem abandonado a mesa nesse momento, Said foi aplaudido por aqueles que endossaram sua opinião.

A mesa “Síria mon amour” também teve a participação da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, que já escreveu diversas reportagens sobre Síria, Iraque e Turquia.

Neste momento, ela prepara o livro Lua de mel em Kobani (Companhia das Letras) sobre a vida de um casal sírio e a realidade dos refugiados do país.

Como é estudar na ‘escola mais perigosa do mundo’?

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Aulas ocorrem entre os ruídos de balas e bombas

Aulas ocorrem entre os ruídos de balas e bombas

 

Publicado no UOL via BBC

Em uma das vizinhanças mais pobres de Benghazi, no front da batalha na Líbia contra o grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI), uma corajosa professora mantém sua escola aberta.

Fauzia Mukhtar Abeid continua a dar aulas apesar da ameaça das explosões de bombas e disparos feitos por franco-atiradores, determinada a fazer com que isso não seja um obstáculo para a educação de suas alunas.

“Tenho medo, muito medo. Temo que uma bomba caia em nós, porque a mesquita ao lado de nossa escola foi atacada faz pouco tempo”, diz a professora.

“Dispararam quando alguns estudantes iam receber lições sobre o Alcorão. A primeira bomba caiu próxima a um menino, e outro correu para ajudá-lo. Então, outra bomba veio, fazendo com uma das pernas do segundo garoto saísse voando. O primeiro também perdeu uma perna. Foi absolutamente horroroso.”

Ela tem todo o direito de ter medo, pois trabalha em uma escola no distrito de Sulmani, em Benghazi, um bairro da classe trabalhadora que, nos últimos anos, tem estado em meio ao conflito armado em curso no país.

A menos de 1km do pátio da escola, escondidos entre as ruínas de um conjunto de apartamentos, estão combatentes do EI e outros militantes islamistas.

Reconstrução

Fauzia Abeid quer dar um senso de normalidade à cidade e às estudantes

Fauzia Abeid quer dar um senso de normalidade à cidade e às estudantes

 

A escola foi fechada em maio de 2014, quando esta região se viu tomada por combatentes após o lançamento da Operação Dignidade, uma ofensiva militar para despejar as milícias islamistas alojadas em Benghazi.

As famílias com melhores condições abandonaram o local rapidamente ou enviaram seus filhos para colégios privados, longe do alcance da violência.

As crianças mais pobres não tiveram outra opção a não ser ficarem em casa. Depois de um ano e fartos de verem suas perspectivas educacionais sumirem, alguns estudantes e seus pais começaram a perguntar à professora Fauzia se ela reabriria a escola.

O prédio havia sido bombardeado e saqueado. Por isso, os pais criaram um fundo para pagar pelos consertos necessários.

Um vão aberto na parede de trás da escola dá um acesso mais seguro às alunas

Um vão aberto na parede de trás da escola dá um acesso mais seguro às alunas

 

“Algumas famílias contribuíram com 50 dinares (R$ 148), outras com 20 ou 5”, diz Hassan Omar, membro do conselho local. “Ao final, arrecadamos cerca de 1 mil dinares das famílias e recebemos outros 3 mil dinares do comitê de crise do governo.”

Enquanto trocavam vidros quebrados, trabalhadores também abriram um vão na parede de trás da escola para que a alunas pudessem entrar por uma rua mais protegida dos disparos.

“Há franco-atiradores a uns 3km de distância”, explica Omar. “Esta entrada nos ajuda a para evitar problemas.”

‘Queremos aprender’

As aulas voltaram a ocorre em dezembro de 2015. A eletricidade é intermitente. Uma água escura se acumulou em frente à entrada. E alguns professores se recusaram a voltar a trabalhar em um edifício que está sob o alcance de militantes.

Mas as crianças estão decididas a continuar com sua educação. “Não, não temos medo”, diz uma adolescente de 15 anos. “Queremos aprender.”

Walid al Furjani, pai de três alunos da escola, concorda: “Meus filhos ficaram sentados em casa sem fazer nada. Claro que me preocupo com eles, mas é importante que estudem”.

Muitos na Líbia pensaram que, depois da deposição do coronel e ditador Muammar Gaddafi, em 2011, gozariam outra vez das liberdades políticas básicas e teriam melhores perspectivas para seus filhos. Em vez disso, viram seu país rachar em dezenas de facções que agora travam um combate entre si.

Segundo o site Libya Body Count, que contabiliza os mortos do conflito com base em notícias da imprensa, mais de 4 mil pessoas perderam suas vidas nos últimos anos.

Alguns estimam que, atualmente, haja 2 mil milícias operando no território líbio. Em meio ao caos, comerciantes de armas, jihadistas, guerreiros tribais e traficantes de pessoas têm prosperado.

Armamentos e munições saqueados do arsenal de Gaddafi têm sido comercializados no deserto para impulsionar as insurgências islamistas no Sahel, a região subsaariana da África.

Na direção contrária, centenas de milhares de imigrantes e refugiados fugiram desesperadamente para a Europa, assim como jihadistas africanos decididos a unirem-se ao EI precisamente quando o grupo começou a se assentar na Líbia.

Por um futuro melhor

Militantes do Estado Islâmico se encondem nas ruínas de prédios vizinhos

Militantes do Estado Islâmico se encondem nas ruínas de prédios vizinhos

 

A ONU estima que, atualmente, haja cerca de 3 mil combatentes do EI no país. Um dos distritos onde estabeleceram uma presença é Sabri, que pode ser visto desde a escola de Fauzia.

Ela não tinha motivo para voltar ao trabalho. Seus filhos estão crescidos, e falta pouco para ela aposentar-se. Mas, quando os pais lhe pediram que reabrisse a escola, não pôde recusar.

“Não podia dizer não a eles e a seus filhos. Senti que era um dever nacional. Minha consciência exigia isso de mim, mesmo em condições perigosas. Espero que meu país possa encontrar um caminho mais adiante”, diz ela.

“Ao abrir a escola, tentamos reestabelecer um pouco da normalidade aqui. Apesar desta guerra, apesar de toda a destruição, seguimos adiante. Precisamos viver. Precisamos de um futuro para nosso país, de paz e segurança. Basta, não precisamos de mais guerra. Em nome do futuro de nossos filhos, já basta.”

Livros ajudam a entender o Estado Islâmico

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Livros ajudam na compreensão do surgimento e funcionamento do Estado Islâmico | Foto: Reprodução / CP

Livros ajudam na compreensão do surgimento e funcionamento do Estado Islâmico | Foto: Reprodução / CP

 

Publicado no Correio do Povo

Jihadistas, Wahhabismo, Salafismo, ISIS, Daesh, Sharia, Al Qaeda, Al-Nosra, Califado. O contexto ao redor do terrorismo traz uma variedade de nomes e siglas que soam estranhos aos ouvidos dos leigos no assunto.

Entender a complexidade dos grupos extremistas, entre os quais o Estado Islâmico, que assumiu a autoria dos atentados que deixaram 129 pessoas mortas em Paris na última sexta-feira, não é uma tarefa fácil.
Com o auxílio do editor de Cultura do Correio do Povo, Luiz Gonzaga Lopes, e da cientista política Ana Simão, listamos abaixo um filtro com livros e filmes que podem auxiliar a compreender o grupo que tem disseminado terror pelo Síria e colocou a Europa em alerta.

Começando pela tela, o doc da VICE News, “O Estado Islâmico”, traz uma visão “de dentro” do grupo liderado por Abu Bakr al-Baghdadi. Com acesso inédito e exclusivo, o cineasta Medyan Dairieh foi o primeiro e único jornalista a ter acesso ao funcionamento interno do autoproclamado Califado. Ele passou três semanas filmando, sozinho, os avanços dos jihadistas no Iraque.

Já o longa documental “Iraque após a ocupação”, da Al Jazeera, é fruto da série “Fault Lines”, que mostra os problemas causados pelas guerras no Oriente Médio. O filme transporta os telespectadores às principais cidades do Iraque, evidenciando os danos da invasão norte-americana no país. Diversas famílias são entrevistadas – de acordo com a produção, uma em cada 10 mulheres ficaram viúvas após a ocupação. Nesse cenário, as forças insurgentes do Estado Islâmico começam a ganhar força.

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