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Larissa Maranhão, a alagoana que quer construir um país de letrados

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Larissa Maranhão, 18 anos: “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal”Larissa Maranhão, 18 anos: “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal” (Reprodução)

Uma das vencedoras do Prêmio Jovens Inspiradores, ela usa a internet para corrigir redações de estudantes e, assim, ajudá-los a avançar nos estudos

Nathalia Goulart, na Veja on-line

O estado de Alagoas ostenta alguns dos piores índices do país quando o assunto é leitura. Segundo dados da Prova Brasil, avaliação que mede a qualidade da educação pública no ciclo básico, apenas 13% dos estudantes dominam os conhecimentos esperados de língua portuguesa ao final do 5º ano do ensino fundamental. No 9º ano, a situação é ainda mais dramática: só 8% aprendem o que deveriam. Isso significa que quase todos os alunos alagoanos completam nove anos de instrução acadêmica sem capacidade para compreender o conteúdo de um texto simples. É triste para cada um deles, e um desastre para o Brasil.

Larissa Maranhão (assista ao vídeo), de 18 anos, nasceu e cresceu em Alagoas. Ao contrário da esmagadora maioria dos jovens de seu estado, contudo, tem intimidade com as letras – e paixão por elas –, fruto da educação recebida em uma boa instituição de ensino privada e do apreço de sua família pelo conhecimento. Um exemplo: Larissa passou a infância em meio aos 10.000 livros acumulados pelo avô em uma biblioteca particular e, ainda pequena, recitava versos do poeta Gonçalves Dias. O apreço pelo conhecimento adquirido pela leitura trouxe consigo a preocupação com aqueles que não dominam as letras. “Sociedade que escreve bem, funciona bem. E o Brasil está longe de atingir esse ideal”, dizia Larissa no vídeo em que apresentou sua inscrição no Prêmio Jovens Inspiradores – primeira etapa da jornada que consagrou a alagoana uma das vencedoras do concurso.

O vídeo revelou uma combatente. E o inimigo que ela elegeu combater foi descoberto por acaso. Ao concluir o ensino médio, Larissa atingiu uma meta perseguida por milhões de jovens brasileiros: a nota 1.000, máxima pontuação possível, na temida prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A dissertação exemplar virou notícia e, além de congratulações, Larissa passou a receber pedidos de ajuda via internet e redes sociais. “Se esse feito foi visto com destaque em âmbito nacional, imagine em um estado pequeno com o mais alto índice de analfabetismo do Brasil”, diz Larissa. “Muita gente me adicionou no Facebook em pouco tempo.” Eram jovens como ela, ansiosos por aprovação no vestibular ou simplesmente por conhecimento. Larissa poderia ter se deitado sobre os louros. Preferiu sentar-se à escrivaninha e, computador em mãos, responder uma a uma as mensagens enviadas. Comentava as redações recebidas, oferecia análises personalizadas, apontava os pontos fracos, ressaltava as qualidades.

Os pedidos de ajuda ganharam tal volume que Larissa migrou para um blog, batizado Enem RED, onde compartilha informações com mais gente. O modelo segue ativo. A cada 15 dias, apresenta um tema para dissertação, além de textos de apoio, no formato dos grandes vestibulares. Todas as redações enviadas são corrigidas e ninguém fica sem resposta – garante Larissa. Adicionalmente, a cada quinze dias, um professor convidado dá orientações complementares.

Em breve, o Enem RED se converterá em um portal, oferecendo também subsídio àqueles que buscam ajuda em matemática. Larissa já firmou parcerias com escolas públicas de Alagoas para oferecer aulas de reforço e palestras de orientação profissional e empreendedorismo. Duas escolas já são atendidas e uma cartilha está sendo preparada para dar escala ao modelo de ensino. “O RED não tem data para acabar. Quero tocar esse projeto indefinidamente porque em educação não existe um ponto ótimo”, disse Larissa diante dos jurados do Prêmio Jovens Inspiradores na etapa final do desafio, quando os dez concorrentes apresentaram suas estratégias de ação para vencer desafios em áreas previamente definidas.

Com suas aulas de redação, Larissa quer alterar o cenário da educação de seu estado – quiçá, do país. “É graças à palavra escrita que podemos receber notícias dos jornais todas as manhãs, repassar de geração em geração teorias importantes desenvolvidas há centenas de anos ou até mesmo transmitir ideias com o potencial de mudar o mundo em que vivemos”, diz.

Estudante do primeiro ano do curso de ciências econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a alagoana se preparava, no início deste ano, para enfrentar os processos de admissão das universidades americanas. Sonhava alçar voos mais altos ao ser aceita por uma instituição renomada. Agora, como uma das vencedoras do Prêmio Jovens Inspiradores, tem garantida uma bolsa de estudos no exterior e um ano de orientação (mentoring) oferecida por profissionais de destaque do meio empresarial e político, além de um iPad.

A “aventura” tem tudo a ver com a menina que, aos 14 anos, buscando conhecimento, se enveredou pelo interior da Inglaterra e chegou a viver com uma família egípcia e que, neste ano, trabalhou como voluntária na Índia junto a crianças em idade de alfabetização. “As pessoas me dizem que sou nova demais. Mas cada pessoa se diverte de um jeito. O meu jeito foi buscando essas experiências diferentes em todas as partes”, diz.

Moradora da Rocinha vira escritora e volta a estudar

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A moradora da Rocinha Lindacy da Silva: volta à escola
A moradora da Rocinha Lindacy da Silva: volta à escola Foto: Fernanda Dias / EXTRA

Bruno Rohde, no Extra

Quando Lindacy Fidélis da Silva Menezes, de 55 anos, coloca a ponta do lápis no papel sua vida se transforma de alguma maneira. A vontade dela de preencher com histórias as folhas em branco de seu caderno está mudando, aos poucos, a trajetória desta doméstica e hoje escritora. Lindacy é uma das autoras do livro “Pensa Flupp”, lançado este mês na Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora. A obra reúne textos de escritores moradores de comunidades do Rio.

E foi esse desejo de se tornar autora que levou Lindacy de volta para a sala de aula este ano. Moradora da Rocinha, ela cursa o 6º ano do ensino fundamental, na Escola Municipal Rinaldo de Lamare, em São Conrado.

Na última sexta-feira, Lindacy apresentou o conto “Último cliente” para os colegas numa feira de ciências da escola. No texto, que integra o livro recém-lançado, ela relata parte da infância, no Recife, em Pernambuco. O título da história faz referência ao local de trabalho de sua mãe adotiva: um bordel.

— Nunca conheci meus pais. Fui adotada por uma prostituta. Apesar de toda a pobreza, eu era amada por ela. O problema é que ela começou a beber e foi perdendo tudo. Eu tinha 6 ou 7 anos quando ela morreu — diz.

Entre idas e vindas de Recife para o Rio, Lindacy casou e teve três filhos. O estudo ficou de lado. Ainda sim, vez ou outra ela “conversava com os cadernos”, como Lindacy mesmo define. Ao saber que a Flupp procurava novos autores, ela se ofereceu:

— Pedi para minha filha me inscrever. Fiz um texto sobre o Rio e me chamaram.

Gerações diferentes

Além de Lindacy, outras quarenta e duas pessoas colaboraram com textos para o livro. Elas passaram por uma seleção que envolveu 102 candidatos e durou quatro meses. Colega de Lindacy, Francisca Paula de Araújo, de 44 anos, também estuda na Rinaldo de Lamare. Ela não ficou surpresa quando soube que a colega participaria da publicação:

— Já conheço a Lindacy há anos. Achei muito legal. Ela é a prova que nunca é tarde.

A unidade em que as duas estudam atende basicamente ao ensino infantil e ao Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). Entre os 245 alunos do Peja, adolescentes e adultos dividem as salas de aula de olho num futuro melhor. Se a diferença de gerações às vezes gera conflito, também acrescenta. Jacqueline Nogueira Rodrigues, de 49 anos, e Diego Vinícius da Silva, de 17, são prova disso. O compromisso da aluna mais velha vem auxiliando o estudante mais novo a manter o foco.

— É uma troca. Um ajuda o outro — diz Jacqueline.

O estudante agradece:

— Ela ganhou um “filho”.

O preço da ignorância

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Editorial publicado na Folha de S.Paulo

“Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância.” Frequentemente atribuída a Derek Bok, ex-reitor da Universidade Harvard, a frase resume com precisão a ideia de que dinheiro aplicado em escolas não é despesa, mas investimento.

Não é preciso ter dirigido uma das melhores universidades do mundo para dar a importância devida à educação. Em São Paulo, cresce de modo significativo o número de pais com disposição e recursos para matricular seus filhos em escolas particulares.

Levantamento desta Folha com base em 962 escolas da capital mostra que, de 2001 a 2012, as matrículas na rede pública caíram 14%; no mesmo período, aumentou em 147% a quantidade de crianças em instituições com mensalidades de até R$ 500 (nas mais caras, 15%).

A expansão de escolas mais baratas (47% delas foram abertas nos últimos dez anos) parece corresponder à ampliação da classe média. Segundo pesquisa Datafolha de janeiro, ela passou de 57% da população, em 2001, para 63% em 2011. O crescimento mais notável se deu na classe média intermediária (com renda familiar de até R$ 3.000), que foi de 17% para 26%.

Pais que decidem apertar o orçamento para matricular seus filhos em escolas privadas o fazem na esperança de dar aos descendentes uma vida melhor do que a que eles próprios tiveram.

É uma iniciativa louvável. O Datafolha detectou que a escolaridade, mais que a posse de bens, tem correlação predominante com a posição de classe. No estrato mais alto, 77% têm ensino superior e só 44% frequentaram escolas públicas. Mesmo na classe média alta, a diferença se evidencia: 75% têm ensino médio e 75% cursaram instituições públicas.

A educação exerce também um efeito em cascata. O nível de escolaridade dos pais pesa muito no desempenho escolar dos filhos. As gerações futuras tendem a se beneficiar do esforço da presente.

Para que esse raciocínio adquira validade, porém, é preciso que as escolas de até R$ 500 sejam bem melhores do que as públicas –algo que ainda não foi demonstrado.

A procura por essas escolas, mesmo que de qualidade duvidosa, é mais um sintoma da falência do ensino público no Brasil. Como ocorreu na saúde, com planos privados, e no trânsito, com transporte individual, também na educação o cidadão que paga pesados impostos se vê obrigado a buscar alternativas à indigência dos serviços oferecidos pelo Estado.

Parte da população já se deu conta de que educação é investimento, mas não tem força nem representação política para dar consequência social à noção de que a ignorância custa caro ao país.

imagem via Internet

Literatura na pele

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Um tumblr bem bacana para quem é fã de literatura e tatuagens é o The Word Made Flesh (em tradução livre, “Carne feita de palavras”). Ele traz uma coleção de tattoos com temáticas literárias, como trechos de livros e referências a autores.

 

Esta é de As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain. Ela diz:

NOTICE: Persons attempting to find a motive in this narrative will be prosecuted; persons attempting to find a moral in it will be banished; persons attempting to find a plot in will be shot.

By Order of the Author, per G.G., Chief of Ordnance

 

Já esta é de On the road, de Jack Kerouac. Ela diz:

the was nowhere to go
but everywhere

"I hope you care to be recalled to life?"
And the old answer:
"I can't say."
A Tale of Two Cities by Charles Dickens
Done by Steve at Providence Tattoo, Providence, RI
"I hope you care to be recalled to life?" 
And the old answer: 
"I can't say."
A Tale of Two Cities by Charles Dickens
“It was a bright cold day in April, and the clocks were striking thirteen.” -George Orwell (1984)This book changed my view of the world. 

“It was a bright cold day in April, and the clocks were striking thirteen.” -George Orwell (1984)

This book changed my view of the world.

Confira mais tattoos no tumblr tattoolit.com.

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