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Como as mídias sociais melhoraram a escrita

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Imagem: Google

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Simon Kuper, na Folha de S.Paulo

Eis um pequeno diálogo que travei com um colega por e-mail outro dia:

Colega: “Achei mesmo que fosse fácil demais. Vou falar com eles e verificar os próximos horários.Obrigado Simon”.

Eu: “Desculpe por isso. Basta me copiar e eu cuido do planejamento e facilito sua vida”.

Colega: “Não me incomodo. Vamos ver o que ela tem a dizer, mas se a situação ficar complicada, eu me afasto”.

Trata-se de um fenômeno bastante moderno: uma comunicação escrita que leva jeito de conversa. Dia a dia, a prosa, felizmente, está ficando mais próxima da fala. As mídias sociais, os blogs e o e-mail melhoraram muito a forma pela qual escrevemos.

Antes da internet, apenas escritores profissionais escreviam. Lembro do semestre em que aprendemos a escrever ensaios, na escola. A maioria dos meus colegas mal suportava as aulas. Jamais haviam escrito seus pensamentos de maneira ordenada no passado, e estavam confiantes em que não precisariam fazê-lo no futuro.

Uma mulher que conheço diz que foi só depois que surgiu a internet que ela percebeu que sua mãe era semianalfabeta. Antes, elas sempre conversavam por telefone, mas com a internet sua mãe passou a enviar mensagens repletas de “!!!!!!!!!!!!!!!!” e “……..”.

O e-mail estimulou uma expansão sem precedentes no uso da escrita. Vivemos hoje a era mais literata da história. Lembro-me de perguntar a alguém o que era um blog, em 2003; em 2006, a NM Incite, uma empresa de análise, havia identificado 36 milhões de blogs no planeta; cinco anos mais tarde, o número havia subido a 173 milhões.

O uso de mídias sociais cresce a cada mês. De fato, a escrita superou a fala como forma mais comum de interação. A Ofcom, a agência que regulamenta as comunicações britânicas, afirma que os britânicos hoje preferem enviar mensagens de texto a amigos e parentes distantes do que ligar para eles ou conversar em pessoa.

Os pessimistas gostam de definir o processo como morte da civilização –a visão deles é de hordas de jovens mudos trocando mensagens semianalfabetas e solipsistas. John Humphrys, apresentador de TV e rádio da BBC, chegou a descartar os “garotos do SMS” como “vândalos que estão tentando fazer com a linguagem o que Genghis Khan fez com as nações vizinhas”.

Ele está errado. Como aponta John McWhorter, linguista da Universidade Columbia, de Nova York, os pedantes vêm lamentando o declínio da linguagem desde pelo menos o ano 63 d.C. Clare Wood, psicóloga do desenvolvimento na Universidade de Coventry, diz que existem poucas pesquisas que ofereçam sustentação a alegações como a feita por Humphrys. Os estudos dela com alunos de ensino básico sugerem que as mensagens de texto resultam em melhor capacidade de leitura. As mensagens, afinal, representam uma prática constante de leitura e ortografia. As crianças tendem a não pontuar suas mensagens de texto, isso é fato. Mas a maioria delas percebe que existem diferenças entre esse gênero de comunicação e as provas escolares, por exemplo. É uma distinção que nós, adultos, estamos lentamente aprendendo. Mal começamos a eliminar as vírgulas em nossas mensagens de texto.

Mas textos, blogs, e-mails, e posts no Facebook infectam outras formas de escrita, e os resultados são positivos no geral. Isso vem tornando o jornalismo, os livros e as comunicações profissionais mais coloquiais.

VANTAGEM

As mídias sociais oferecem um bom modelo sobre como escrever. Primeiro, as mensagens em geral são curtas. As pessoas que usam o Twitter muitas vezes omitem pronomes e artigos. O vocabulário tende ao casual; os blogueiros preferem “mas” a “no entanto”. Não alegam uma falsa onisciência, e preferem proclamar sua subjetividade. E a escrita em geral é bem crua, não muito editada. Isso é uma grande vantagem.

Em “Major Memory for Microblogs”, um recente artigo em “Memory & Cognition”, uma publicação científica, os pesquisadores apontavam que as pessoas têm mais facilidade para se lembrar da escrita casual de posts no Facebook ou comentários em fóruns de discussão do que de trechos de livros ou artigos jornalísticos. Um possível motivo é que “a produção espontânea e não muito filtrada da mente de uma pessoa é exatamente o tipo de coisa que a mente alheia armazena com facilidade”. É provavelmente por isso que o Twitter, o Facebook e os reality shows de TV se tornaram sucessos.

A produção não filtrada das mentes humanas é muitas vezes estúpida. Mas não necessariamente. Acadêmicos laureados com o Prêmio Nobel também usam o Twitter. Pode-se dizer coisas brilhantes em estilo casual e coloquial (a não ser, talvez, que você seja um astrofísico).A prosa coloquial aumenta as chances de que aquilo que você tem a dizer seja lido e compreendido. É verdade que outros estilos também são válidos. Jane Austen escrevia formalmente. Mas para um escritor médio, sem talentos especiais, o estilo coloquial parecer ser o melhor. (A outra dica para quem quer ser entendido é contar uma história humana, um conselho que sempre me sinto tentado a oferecer a palestrantes que palestram com ajuda de diagramas.)

É claro que a má escrita continua a ser abundante. A revista satírica “Onion” adora parodiar a prosa jornalística, como nessa falsa reportagem que aponta o líder norte-coreano Kim Jong-eun como o homem mais sexy do mundo: “Com seu rosto redondo e devastadoramente belo, seu charme juvenil, e sua estrutura robusta e forte, esse gostosão barbado de Pyongyang é o sonho de toda mulher”. E a escrita ao modo antigo também sobrevive, como em uma recente coluna sobre insônia: “As horas liminares entre a noite e a aurora continuam a assombrar minha práxis agora que o ninho se esvaziou”.

Mas no geral as mídias sociais ajudaram muito a escrita. George Orwell, em 1944, lamentava a distância entre a verbosidade e formalismo do inglês escrito e o ritmo muito mais animado da fala: “O inglês escrito está repleto de gírias”, ele escreveu, “é abreviado sempre que possível, e pessoas de todas as classes sociais tratam sua gramática e sintaxe com descuido”. O ideal dele era uma escrita que se parecesse com a fala. Por fim estamos chegando lá.

Tradução de PAULO MIGLIACCI.

dica de Will Cjc

Amigas lançam livro e aplicativo com realidade aumentada para crianças a partir de 8 meses

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Com a tecnologia, criança pode interagir com os personagens

Publicado por Estadão

Érica e Marina são amigas há mais de 20 anos e lançaram projeto juntas (Divulgação)

Érica e Marina são amigas há mais de 20 anos e lançaram projeto juntas (Divulgação)

A dificuldade de encontrar ferramentas para educar e entreter sua filha motivou a educadora física Érica Quiroga a empreender. Com a ajuda da sua amiga, a administradora Marina Ghetler, elas foram em busca de alternativas aos DVD´s e livros infantis. A solução encontrada pela empresa Nana Pocket foi aliar a tecnologia de um aplicativo com a tradição de um livro.

O primeiro produto foi um aplicativo chamado Bebê Céu, para entreter crianças a partir de seis meses de idade com imagens e música e estimular a familiarização com as palavras. “A princípio o aplicativo era apenas para entreter o bebê, mas ele também tem seu lado educacional”, destaca Marina. O próximo passo é acrescentar novas palavras ao aplicativo.

O segundo projeto envolve um livro-brinquedo, que conta a história do cachorrinho Cacau e seus cinco amigos, o siri Tom, o pinguim Felipe, o sapo João, a borboleta Ana e a arara Rosinha. A empresa investiu R$ 1,5 milhão em tecnologia, embalagem, livro, arte e música para concretizar o projeto voltado para bebês a partir de 8 meses.

Quem baixar o aplicativo gratuito na Apple Store ou Google Play consegue tirar fotos com os personagens, ouvir músicas e acessar uma ferramenta para “soprar uma vela do bolo de aniversário”. Como o aplicativo Nana Pocket 3D funciona com a tecnologia de realidade aumentada, ao posicionar o celular na frente do site da empresa é acionada uma animação com os personagens. A brincadeira fica ainda mais completa com o livro – as imagens nas páginas ativam mais sete interações, como animações e coreografias.

A criança pode tocar na tela do celular para ativar os movimentos dos personagens, que podem jogar beijos e soltar flores, por exemplo. O aplicativo também permite a visualização dos personagens em um cenário real captado pela lente da câmera. O kit é composto por um livro grande, com os cenários e os personagens.

As amigas também pensaram em uma versão menor, do tamanho de um celular, para as mamães levaram na bolsa. “Pensamos na versão menor para que o livro não seja mais uma coisa para levar na bolsa”, conta Marina. O primeiro livro “O Cacau vai fazer aniversário” foi lançado nas versões português, inglês e espanhol. O plano da Nana Pocket é lançar sete livros.

Oficialmente, o produto foi lançado durante o GSMA Mobile World Congress, em fevereiro, em Barcelona. No Brasil, a dupla planeja ações em livrarias e lojas de brinquedos nos meses de abril e maio. Por enquanto, é possível comprar os livros apenas no site da empresa por R$ 62.

Planos. A expectativa da Nana Pocket é alcançar um faturamento anual de R$ 5 milhões em 2015 com a venda de livros e licenciamento de produtos, desde artigos de vestuário, calçados a brinquedos e material escolar. Outra alternativa é explorar a publicidade no aplicativo e recursos de interatividade. Só no primeiro mês, a empresa registrou 6 mil downloads do aplicativo. Com o lançamento nacional, as sócias esperam registrar uma média mensal de 4 mil downloads.

Alunos da USP ficam pelados em trote para hostilizar feministas em São Carlos

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William Maia, no UOL

Um trote organizado por veteranos da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos terminou em baixaria na tarde da última terça-feira (26). Alguns alunos chegaram a ficar pelados e fizeram gestos obscenos para hostilizar um grupo de feministas que protestava contra o “Miss Bixete”, espécie de concurso de beleza a que as calouras são submetidas.

As estudantes, membros da Frente Feminista de São Carlos, reclamam da forma como as novatas são tratadas. Segundo elas, os veteranos obrigam as calouras a desfilar e mostrar os seios. Haveria também uma prova em que as estudantes competem para ver quem chupa primeiro um picolé, simulando sexo oral.

“É uma exposição absurda das meninas. Por mais que elas não sejam obrigadas fisicamente a participar, há uma grande pressão dos veteranos, e das veteranas também, para que elas façam aquelas coisas”, afirmou a estudante Loiane Vilefort, integrante do movimento, que tentou convencer as calouras a não participar do trote.
Apesar de ocorrer dentro da sede do Caaso (Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira), o evento é organizado por um grupo autônomo de alunos que se autodenomina GAP (Grupo de Apoio à Putaria), que realiza festas e outros eventos estudantis.

O estudante Rafael Serres, presidente do Caaso, disse ao UOL que a direção do centro acadêmico não apoia o “Miss Bixete” por considera-lo um ato de “machismo e preconceito”. “Inclusive, desde o ano passado nós organizamos um trote paralelo, pacífico, justamente para que as pessoas não participem do Miss Bixete”, disse.

Por meio de nota, a direção da USP São Carlos afirmou que é “veementemente contra qualquer ação que cause constrangimento” e que abrirá procedimento administrativo para identificar os envolvidos.

“As atividades em questão não fazem parte da programação da Semana de Recepção dos Calouros, promovida pelas unidades do campus da USP em São Carlos, cujo objetivo é promover a integração dos novos alunos ao ambiente universitário”, diz a nota da USP São Carlos, que disponibiliza um disque trote para coibir atividades abusivas.

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Estas imagens de Calvin e Haroldo no mundo real me deixam muito feliz

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Casey Chan, no Gizmodo

Eis algo que vai animá-lo para o fim de semana: Calvin e Haroldo colados em fotos de vida real. Eu não sei quantas vezes desejei que esses caras existissem de verdade quando era mais novo. Na verdade ainda acho que existem.

Este projeto, feito pelo fotógrafo Michael S. Den Beste, mistura os personagens de Calvin e Haroldo em fotografias que parecem com o mundo dos quadrinhos. É divertidíssimo. Eu leria novamente todas as histórias se elas fossem colocadas no mundo real. Veja um pouco do trabalho na galeria.

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Calvin e Haroldo tiveram sua primeira publicação em 18 de novembro de 1985.

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Bill Watterson é o cartunista criador da tira.

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As tiras de Calvin e Haroldo são usadas em mais de 2.400 jornais ao redor do mundo.

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Existem 18 livros de Calvin e Haroldo, aproximadamente 45 milhões de cópias já foram vendidas.

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Calvin é um garoto de seis anos de idade com uma mente precoce e filosófica.

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Haroldo é um tigre que na visão de Calvin é inteligente e independente.

Templo do livro, modelo em xeque

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Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

A atual fase da era digital, marcada pela expansão do mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas tradicionais – e o seu incontornável impacto na formação de leitores

Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: “As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo”. A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.

Márcio Fernandes/AE Frequentadores da Biblioteca de São Paulo leem no papel e na tela de um e-reader

Márcio Fernandes/AE
Frequentadores da Biblioteca de São Paulo leem no papel e na tela de um e-reader

Aqui, a briga é para zerar o déficit de bibliotecas. De acordo com o Censo Nacional de Bibliotecas Municipais, de 2010, 20% das cidades não contam sequer com uma sala de leitura. O dado é ainda mais preocupante nas escolas públicas. O Censo Escolar mostrou que 72,5% ficam devendo esse espaço para seus alunos – existe uma lei que determina que até 2020 essa questão seja resolvida. Outro desafio é a conquista de novos leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 75% dos brasileiros jamais pisaram numa biblioteca. O mesmo levantamento mostrou que 20% dos entrevistados frequentariam uma, se houvesse livros novos. Mas nada convenceria 33% a fazer isso.

“A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil”, comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.

Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais – algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.

Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.

Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.

O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.

De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos – caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras. (mais…)

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