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Eles publicaram os próprios livros e descobriram não precisar de editoras

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Autopublicação, que atrai até famosos como Paulo Coelho, ganha espaço com crise do mercado editorial. Autores mais lidos de plataformas como o Kindle chegam a ganhar 50.000 reais em um mês

Rodolfo Borges, no El País

John Kennedy Toole ganhou o prêmio Pulitzer de ficção de 1981 por A Confederacy of Dunces (Uma confraria de tolos), mas não pôde celebrar. Doze anos antes, o autor do livro que se tornaria uma referência de Nova Orleans tinha tirado a própria vida, sem conseguir lidar com a rejeição do editor Robert Gottlieb a sua obra. A trágica história de Toole, conhecida porque sua mãe persistiu anos depois no projeto de publicar o livro, soa distante numa época em que é possível publicar livros por conta própria sem qualquer custo — e quando fazê-lo pode ser até melhor (e mais rentável) do que aguardar por editoras que possivelmente não teriam tempo ou dinheiro para sequer avaliá-los.

A economista Eliana Cardoso, já com dois livros de ficção publicados pela Companhia das Letras, chegou a buscar uma editora para publicar o terceiro, Dama de paus. Diante da negativa, partiu para o Kindle Direct Publishing (KDP), plataforma de autopublicação da Amazon que chegou ao Brasil em 2012. Meses depois, a escritora recebeu a notícia de que tinha ganhado o concurso anual promovido pela gigante do varejo desde 2016 no Brasil. “É um luxo ter o livro revisto e editado por uma grande editora. Por outro lado, a autopublicação através do KDP é uma saída espetacular”, celebra Cardoso, que embolsou o prêmio de 30.000 reais e verá seu livro impresso pela editora Nova Fronteira. Ela conta que o aplicativo de edição disponibilizado pela Amazon é muito fácil de usar, que o processo não apresenta nenhum custo para o autor e que cabe a ele definir o valor a ser cobrando, do qual ele pode ficar com até 70% do preço de capa — as editoras costumam repassar cerca de 10% para seus autores por livros físicos e 25% pelos digitais.

O negócio é tão bom que até escritores de grande sucesso, como Paulo Coelho, publicam seus livros pela plataforma. Enquanto a Companhia das Letras distribui seus livros físicos no Brasil, os e-books são vendidos diretamente pela Amazon em todo o mundo (com exceção dos EUA), o que lhe permite ficar com 35% do valor de cada volume, já que a venda não é exclusiva da Amazon. Gerente para o KDP da Amazon no Brasil, Talita Taliberti destaca que outros sucessos literários, como Mário Sergio Cortella e Augusto Cury, também já publicaram pela ferramenta, e diz que da lista dos 100 livros mais vendidos pela empresa no Brasil, em torno de 30 costumam ser de autopublicação.

Entre eles dificilmente não estará um livro de Nana Pauvolih, uma professora que trocou as aulas de história pelo sucesso literário (e financeiro) em 2013. Em seu segundo mês de KDP, a autora de literatura erótica já ganhava mais do que nos seus dois empregos como professora, nas redes pública e privada do Rio de Janeiro. O sucesso de livros como A coleira e de séries como Redenção acabou chamando a atenção da agente literária Luciana Villas-Boas, que fez a ponte da autora com editoras como Rocco e Planeta, que hoje publicam suas obras. Sete anos depois de começar a publicar suas histórias em blogs, Pauvolih conta 29 livros, 25 deles autopublicados, e mais de 100.000 e-books vendidos — além disso, a mencionada série Redenção está para virar minissérie da Rede Globo.

Autores de sucesso como Nana Pauvolih podem ganhar até 20.000 reais mensais, com picos de 50.000 reais em um bom mês de lançamento, mas precisam se empenhar na divulgação das próprias obras, ressalva Janice Diniz, outra autora independente de sucesso. Ex-professora de português, a autora de livros sobre histórias com cowboys como Casamento sem amor calcula em cerca de 48 os seus títulos publicados. “Publico mês sim, mês não. Só no último ano [2018], quando tive de escrever para a Happer Collins, que eu fiquei três meses sem publicar”, conta.

Hoje, Diniz publica pelo selo Harlequin da editora, com quem tem contrato até 2020, mas diz que vive bem desde 2015 apenas com os rendimentos da autopublicação. “Peguei todas as fases do preconceitos. De autora independente, em relação à literatura erótica e ao livro digital”, lembra a autora, que começou sua carreira literária pagando para imprimir seus livros. “Era inviável. Não tinha lucros, só gastos. E eu ainda comecei com uma trilogia. Tinha de manter um estoque dos dois primeiros e ainda pagar pela impressão do terceiro”, conta. Ela estava quase desistindo de se tornar escritora quando surgiu a possibilidade de publicar em meio digital.

Hoje, Janice Diniz conta com o auxílio de três amigas para administrar os cerca de 100 grupos de Facebook utilizados para divulgar sua obra, que, para ela, está acomodada confortavelmente na plataforma de publicação da Amazon. A escritora diz que até tentou utilizar outra opção, a Kobo Writing Life, mas o fato de os valores das vendas serem repassados aos autores apenas duas vezes por ano a afastou — já o KDP repassa os valores mensalmente e ainda remunera os autores por página lida, a partir de um fundo global que hoje gira em torno de 88 milhões de reais. A eficiência da Amazon, cujo serviço de venda direta chegou ao Brasil neste ano, contrasta com a crise do mercado editorial brasileiro.

Mercado editorial

No ano passado, Saraiva e Livraria Cultura, duas da maiores redes de varejo de livros do país pediram recuperação judicial — a Cultura, aliás, é a representante da plataforma Kobo no Brasil. O mesmo ocorreu com a distribuidora BookPartners. Além disso, a rede de livrarias Laselva, que tinha pedido recuperação judicial em 2013, enfim decretou falência em 2018. A crise obviamente reverbera nas editoras, que não recebem os pagamentos devidos. Quando pediu recuperação judicial, a Saraiva informou à Justiça ter uma dívida de 675 milhões de reais.

Foi nesse contexto que a editora Cosac Naify fechou as portas melancolicamente em 2015. Um ano depois, em mais uma demonstração de força, a Amazon comprou parte do passivo, de 230.000 livros, e poupou a falida editora do fardo de estocá-los, mas não do desconforto de lidar com as notícias de que a outra parte do acervo teria de ser destruída e transformada em aparas.

Ao lamentar em seu blog os “dias mais difíceis” para os livros no Brasil, o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, escreveu em novembro do ano passado que “as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos” por conta da crise nas redes de livrarias. “Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos”, escreveu o editor, acrescentando linhas depois: “Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disse que não tinha como garantir”.

Numa situação dessas, não é de se espantar que um autor estreante como J. L. Amaral tenha buscado refúgio na autopublicação. Após trabalhar 20 anos como bancário, esse publicitário por formação resolveu parar tudo para tentar uma carreira literária. Em janeiro de 2017, enviou seu Entre pontos para cinco editoras. Em setembro daquele ano, como não tinha recebido nenhuma resposta, resolveu publicar o livro por conta própria, no KDP. Três meses depois, estava entre os finalistas do Prêmio Kindle daquele ano. “Enquanto o mercado não se estabilizar, vai ser difícil ter um espaço à sombra”, constata o autor, que publicou Borboletas azuis pela mesma plataforma no ano passado e, enquanto escreve o terceiro livro, tenta aprimorar sua formação como escritor e roteirista.

Em contraste com as redes físicas de livros, os ambientes virtuais têm celebrado crescimento. A Amazon não revela seus números, mas só no prêmio promovido neste ano foram 1.500 livros inscritos. O Clube de Leitores, que permite publicar livros digitais e físicos, diz lançar 40 obras por dia em sua plataforma e celebrou no ano passado um crescimento de 30%, como registra o portal Publishnews. A Bibliomundi, outra plataforma digital, publicou 931 livros no ano passado e diz que dobrou seus registros de autores independentes. São poucos, contudo, os que conseguem andar com as próprias pernas no mundo da literatura. Eliana Cardoso, que ganhou o último Prêmio Kindle, confessa expectativa quando à relação que pode vir a desenvolver com a Nova Fronteira após a publicação de Dama de paus, mas seu próximo projeto literário, um livro infantil, já tem destino certo: o Kindle Direct Publishing. “A Nova Fronteira não está trabalhando nesta área, e o KDP oferece um aplicativo só para livros infantis”.

Afinal, fazer um grupo de estudos no WhatsApp funciona?

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Grupos de estudos existem há muito tempo e sempre foram utilizados para compartilhar conhecimento e sanar dúvidas. Eles funcionam como ajuda mútua, onde um colega divide o conhecimento sobre a matéria que tem mais facilidade com os demais. Com a tecnologia, essa estratégia só melhorou: participar de um grupo de estudos no WhatsApp traz grandes vantagens para os estudantes.

Publicado no Universia Brasil

Como em qualquer outro grupo do aplicativo, é preciso estabelecer um administrador, ou mais de um, para dirigir o grupo, mediar as conversas, assim como divulgar e relembrar as regras sempre que necessário. O objetivo do grupo de estudos no WhatsApp é que os seus membros possam trocar mensagens de onde estiverem, sem necessidade do contato presencial, além de atingir o maior número de colegas, facilitar o acesso às informações e promover uma interação mais dinâmica.

Entre os vestibulandos, essa já é uma prática comum. É possível encontrar grupos formados por estudantes que fazem parte do mesmo colégio, cursinho, sala de aula e até de diferentes regiões do país que se unem para ensinar e aprender uns com os outros. Portanto, veja neste post como usar o grupo de estudos no Whatsapp a seu favor, sem perder o foco e tornando-o eficiente nos estudos para o vestibular.

Não perca o foco inicial do grupo

Estudar para o vestibular requer muitas horas de dedicação aos livros e ao conteúdo das provas. São diversas disciplinas, por isso, manter o foco é essencial para não perder tempo com a grande quantidade de estímulos à distração que estão à mão por meio dos alertas no celular.

Se a tecnologia contribui para a criação do grupo de estudos no WhatsApp, ela também pode atrapalhar porque, com o celular sempre acessível, fica mais tentador checar as redes sociais e e-mails. Portanto, durante o período de estudos, deixe o telefone no modo silencioso para não desviar a atenção a cada alerta e tenha bastante cuidado com o tempo que irá dedicar ao aparelho.

O ideal é criar uma rotina de estudos organizada, em que alguns minutos sejam dedicados a checar as mensagens do grupo e fazer anotações do conteúdo compartilhado, em seguida retornando aos estudos nos livros e deixando de lado o celular.

Defina e compartilhe as regras do grupo de estudos no WhatsApp

O funcionamento eficiente dos grupos no aplicativo só pode acontecer quando os membros estão dispostos a cumprir as regras. O administrador deve escrever as normas e compartilhá-las assim que adicionar todos os membros para que eles vejam e cumpram com os acordos.

As regras devem ser claras, bem explicadas e conter restrições quanto a conversas paralelas, quando somente duas ou três pessoas falam de um assunto que só interessa a elas, por exemplo, ou brincadeiras e piadas que não agregam nada ao objetivo do grupo, além de inserção de temas que não têm relação com as matérias exigidas para o vestibular.

Determinar que o não cumprimento dessas normas implicará na exclusão do participante é uma ação que deve ser incluída e praticada, a fim de deixar no grupo somente os membros que tenham interesse real e levem a sério os estudos.

Promova discussões de temas relacionados às matérias

Sabemos o quanto é tentador comemorar a vitória do time de futebol ou comentar sobre as intenções de alguns políticos, especialmente em um grupo onde as pessoas são consideradas como amigas por se falarem todos os dias. Mas, para um grupo de estudos no WhatsApp, é melhor deixar de lado esses assuntos, pois eles podem gerar diversas mensagens e acabar desviando o foco.

Procure estabelecer discussões mais produtivas, que podem aperfeiçoar o aprendizado em alguma matéria, como, por exemplo, propor a solução de um problema matemático ou comentar algum acontecimento histórico que tenha gerado dúvida sobre quando ou como aconteceu, para que todos os colegas possam contribuir com conhecimento e compartilhar as fontes de estudos que comprovem suas versões dos fatos.

Use áudios, vídeos e imagens para promover aprendizado

As facilidades tecnológicas são inúmeras e, especialmente para os jovens, é muito mais fácil assimilar informações em forma de áudios, vídeos ou imagens, por isso, é muito vantajoso receber conteúdo relacionado às matérias nesses formatos.

No entanto, o perigo está no excesso de utilização dessas ferramentas ou no seu uso indevido, como envio de imagens de “bom dia” e assuntos não relacionados ao tema do vestibular. Alguns participantes abusam de áudios e vídeos extensos e cansativos, que têm pouco valor ou novidade de conteúdo.

Além disso, são arquivos que pesam e ocupam bastante espaço no celular, sendo preciso considerar que os colegas podem não gostar de encher a memória do telefone com essas informações. Nesse caso, pode ser mais interessante compartilhar um link com o mesmo tipo de conteúdo e, assim, cada participante pode decidir se deseja abrir o link, segundo seu roteiro de estudo.

Não compartilhe notícias falsas

Os estudantes podem usar o grupo de estudos no WhatsApp para trocar informações sobre os vestibulares que estão acontecendo, quais as melhores Universidades, prazos para inscrições ou, ainda, opções de bolsas de estudos. No entanto, é preciso ter muita cautela com as informações que serão distribuídas.

Antes de enviar a mensagem, faça uma rápida pesquisa no Google para checar a fonte da sua informação, tendo o cuidado de analisar a data da notícia e se certificar de que é segura e confiável. Suspeite de mensagens que foram encaminhadas em diversos grupos e que não possuem data e nem de onde são os dados mencionados. Essa é uma boa prática para não poluir o grupo com falsas mensagens e nem confundir os colegas.

Estudar em grupo e dividir o conhecimento com outras pessoas sempre foi uma estratégia muito eficiente para alcançar bons resultados nos estudos, especialmente ao se tratar da conquista do vestibular.

A tecnologia a favor dessa conquista será cada vez mais utilizada pelos jovens da nova geração, por isso, participar de um grupo de estudos no WhatsApp seguindo essas dicas contribuirá para o sucesso no vestibular.

Se você quer mais dicas sobre grupo de estudos no WhatsApp e como obter bons resultados no vestibular, entre outros assuntos desse universo, siga nossas redes sociais! Estamos no Facebook, Instagram, Linkedin e no Twitter.

Divulgada data de publicação e capa de “Rainha do Ar e da Escuridão”

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Graziele Fontes, no Cabana do Leitor

A autora Cassandra Clare anunciou no último sábado, no Yallfest, a capa do 3º livro “Rainha do Ar e da Escuridão” (em tradução livre), da série Os Artifícios das Trevas e, além de enlouquecer os fãs da autora e, claro, da série, Cassie disse que o livro só será lançado em 04 de dezembro de 2018, mas a situação é ainda pior, pois não há data de lançamento aqui no Brasil ainda, mas estamos torcendo para que seja lançamento simultâneo.

CAPA

A capa é maravilhosa, não é? Os fãs estão torcendo para que a capa seja igual aqui no Brasil!

Cassie além de nos matar com essas informações, liberou um trecho do livro para matar seus fãs só mais um pouquinho. Confira:

Ele queria perguntar a Ty se ele estava bem, mas sabia que o outro garoto não iria querer. Ty estava olhando para o mercado, tenso com a curiosidade. Kit voltou-se para o phouka.
“Porteiro“, disse ele. “Solicitamos entrada no mercado das sombras.”
O olhar de Ty chamou a atenção. O phouka era alto, escuro e magro, com fios de bronze e ouro entrelaçados pelos longos cabelos. Ele usava calças roxas e sem sapatos. O poste que ele se apoiou estava entre duas barracas, bloqueando perfeitamente o caminho para o Mercado.
“Kit Rook“, disse o Phouka. “Que elogio é ser reconhecido por alguém que nos deixou para habitar entre os anjos.”
“Ele conhece você,” murmurou Ty.
“Todo mundo no Mercado das Sombras me conhece.” disse Kit, esperando que Ty estivesse impressionado.
O phouka apagou o cigarro. Ele soltou um cheiro fraco e doce de ervas carbonizadas. “Senha.” disse ele.
“Eu não vou dizer isso.” disse Kit. “Você acha que é engraçado tentar fazer as pessoas dizerem isso.”
“Dizer o que? Qual é a senha?“, Ty quis saber.
O phouka sorriu. “Espere aqui, Kit Rook,” disse ele, e se misturou de volta às sombras do mercado.
“Ele vai conseguir o Hale.” disse Kit, tentando ocultar os sinais de nervosismo.
“Eles podem nos ver?” Disse Ty. Ele estava olhando para o Mercado das Sombras, onde grupos de seres do submundo, bruxas e outros membros variados do submundo mágico se moviam entre o tumulto. “Lá fora?”
Era como ficar de fora de uma sala iluminada no escuro, pensou Kit. E, embora Ty possa não pudesse expressar dessa maneira, Kit suspeitou que ele sentiu o mesmo.
“Se puderem, eles nunca mostrariam isso.” disse ele.

Nada mais foi divulgado e agora só resta esperar. Caso não tenha lido os livros da série Os Intrumentos Mortais ainda, estão todos disponíveis nas livrarias do país, inclusive, há uma série baseada nos livros de Cassandra Clare, que está sendo transmitida na Netflix Brasil denominada de Shadowhunter, confira!

Motorista de ônibus muda trajeto e 15 estudantes chegam a tempo para o Enem

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Estudante posta agradecimento a motorista que 'salvou' candidatos do Enem em grupo do Facebook em São Carlos (Foto: Arquivo/ EPTV e Reprodução/ Facebook)

Estudante posta agradecimento a motorista que ‘salvou’ candidatos do Enem em grupo do Facebook em São Carlos (Foto: Arquivo/ EPTV e Reprodução/ Facebook)

Candidata de São Carlos (SP) postou agradecimento, e empresa considerou atitude ‘louvável’. ‘Pularam dentro do ônibus, ficaram contentes para caramba’, disse Geraldo.

Publicado no G1

A atitude de um motorista de ônibus ajudou pelo menos 15 estudantes a chegarem a tempo para fazer a prova do Enem no Unicep, em São Carlos (SP), no domingo (5). Ele mudou o trajeto habitual para deixar os candidatos na porta do local. Uma estudante postou um agradecimento no Facebook.

Na postagem, Ângela Silva disse que ela e outros candidatos esperavam o ônibus para ir ao local de prova. “Então passou um Arnon de Mello linha 41, o ônibus não iria até a Unicep, só até a Associação Desportiva da Polícia Militar (ADPM). Só que, para não chegarmos atrasados, o motorista esticou até lá. Eu queria muito agradecer esse motorista. O nome dele é Geraldo! Queria dizer que nesse mundo tão desumano, encontrar pessoas como ele, que fazem o bem pelo ser humano sem obrigação nenhuma, enche a gente de esperança. Muito obrigada de verdade!”, escreveu.

Estudantes chegaram a tempo para o primeiro dia do Enem em São Carlos (Foto: Raquel Baes/ G1)

Estudantes chegaram a tempo para o primeiro dia do Enem em São Carlos (Foto: Raquel Baes/ G1)

 

O motorista Geraldo Casalli, de 53 anos, conversou com o G1 e disse que ficou contente com o reconhecimento, mesmo sabendo que não poderia ter mudado o trajeto habitual.

Eu pensei: ‘vou levar eles lá’, porque eles já estavam atrasados. Eles pegaram comigo era 12h20, aqui na Carlos Botelho, perto da Santa Casa. Fui subindo a Miguel Petroni, foi entrando mais gente, aí chegamos lá em cima [ADPM] era 12h30, aí eu dei uma esticadinha até lá [Unicep]“, afirmou.

Geraldo disse que os estudantes comemoraram a chegada a tempo no local de prova. “Pularam dentro do ônibus, ficaram contentes para caramba, mas eu fiz isso escondido da empresa. Se eu não ganhar advertência por isso, está bom”, disse.

Suzantur

Em nota, a empresa Suzantur informou que considerou a atitude do motorista “louvável” e que a mudança não prejudicou o serviço. Ele está na empresa há 9 meses e é considerado um bom funcionário.

“Como no ônibus havia cerca de 15 pessoas que iriam fazer a prova do Enem na Unicep e sendo que os portões se fechariam às 13h, o motorista, em uma atitude altruísta, resolveu seguir por mais três quarteirões, deixando os estudante na rotatória do Unicep, sem prejudicar, de forma alguma, a rota de retorno”, afirmou a empresa.

Professor cego e cadeirante inspira alunos: ‘A superação está dentro de cada um’, diz

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Osvaldo Fernando Moreira leciona na rede municipal há 4 meses (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Osvaldo Fernando Moreira leciona na rede municipal há 4 meses (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Síndrome de Devic afetou visão e movimentos das pernas de Osvaldo Fernando Moreira aos 13 anos. Ele leciona em sala do 5º ano de escola municipal de Rio Claro, SP.

Fábio Rodrigues, no G1

Uma doença rara degenerativa tirou a visão e parte dos movimentos das pernas de Osvaldo Fernando Moreira, aos 13 anos, mas não o impediu de sonhar. Formado em pedagogia, o professor de 29 anos inspira alunos do 5º ano do ensino fundamental para quem dá aulas em Rio Claro (SP) desde junho deste ano. “A superação está dentro de cada um”, disse ao G1 neste domingo (15), Dia do Professor.

Moreira é concursado na Escola Municipal Jovelina Morateli, no bairro Mãe Preta, onde sente-se realizado pela profissão que diz ter se apaixonado logo nos primeiros meses da graduação. Para conseguir o que queria, foi preciso muita dedicação, característica que admira em si próprio.

Síndrome de Devic

Moreira nasceu saudável, mas na adolescência foi diagnosticado com a síndrome de Devic, uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central. Em uma semana, perdeu a visão e parte dos movimentos das pernas.

O tratamento começou em 2001 no Centro de Habilitação Princesa Victoria (CHI) onde se aproximou de pessoas com dificuldades semelhantes. Lá aprendeu a se comunicar em braile e logo passou a dar aulas para crianças com deficiência visual e múltiplas deficiências. Seis anos depois, prestou concurso e, em 2008, passou a trabalhar na unidade.

Ao concluir a graduação, Moreira prestou outro concurso para professor da rede municipal de ensino e, em maio deste ano, teve que se desligar do CHI. “Por ter toda uma história de ajuda e recuperação, foi muito difícil a minha saída”, contou.

Primeiro dia de aula foi marcante, disse professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Primeiro dia de aula foi marcante, disse professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Primeiro dia de aula

O professor lembrou que teve receio em relação ao primeiro dia de aula, pois não sabia o que iria encontrar. Ele não conhecia a escola, os professores, não sabia se o prédio era adaptado e não tinha noção de como seria recebido pelos pais e alunos. A experiência, entretanto, o surpreendeu.

“As crianças são curiosas, perguntaram por que tinha ficado doente, como uma pessoa cega enxerga, como eu fazia em casa. Contei a minha história e elas ficaram surpresas por eu conseguir fazer tantas coisas. Com isso, foi quebrando aquele gelo. No primeiro dia de aula saí muito feliz pela receptividade dos alunos e da escola”, disse.

Segundo Moreira, a Secretaria Municipal de Educação fez algumas melhorias no prédio da escola, como rampas e adaptações no banheiro. As portas largas e sala ampla facilitam a circulação entre os alunos. “Eles vêm, pegam minha cadeira e levam até o lugar deles. Leem a pergunta, a resposta e dou as orientações”, contou.

A professora Ana Cristina de Souza Cruz auxilia o trabalho. “Quando tem explicação na lousa, eu falo e ela escreve. Ela é como se fosse meus olhos e braços. Discutimos e planejamos o conteúdo aplicado, as crianças têm sorte por terem dois professores”, disse ele.

Independência

O professor morava com os pais e três irmãos, mas há quatro anos comprou um apartamento e desde então vive sozinho. No começou a mãe não gostou muito da ideia, mas acabou aceitando com a condição de que ela pudesse cozinhar e fazer outras tarefas.

O acordo durou pouco tempo, pois Moreira aprendeu a fazer feijão, carne de forno, torta, bolo e outras receitas que pega na internet. Ele disse que também limpa a casa e lava roupas.

Escola passou por adaptações para receber professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Escola passou por adaptações para receber professor (Foto: Prefeitura de Rio Claro/Divulgação)

Superação

Religioso, o professor disse acreditar que Deus tem um propósito para tudo. “Talvez se eu não ficasse doente, não iria conseguir mostrar para as pessoas que há possibilidade e que não é preciso só reclamar dos problemas. Com a minha história, acabo transformando a vida de algumas pessoas”, disse.

Para ele, superação é uma capacidade do ser humano, basta querer fazer e se esforçar. O professor disse que sempre lembra aos alunos que é preciso correr atrás dos objetivos independentemente da limitação que se tem.

“Aceito a minha condição de ter duas deficiências, mas eu não me conformo porque senão não vou conseguir viver em paz, ser feliz. A ciência está avançada, a gente não sabe o dia de amanhã. Do mesmo jeito que fiquei doente posso recuperar. Eu acho que lamentar e reclamar de um problema não vai fazer com que consiga resolvê-lo, As pessoas têm que tem ter mais ação e força de vontade para seguir frente”, ressaltou.

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