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A mania de acumular livros não lidos tem um nome. Em japonês

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Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou

Hipótese de que a popularização de leitores digitais acabariam com o acúmulo de livros físicos não se concretizou – Foto: Giulia van Pelt/Creative Commons

 

‘Tsundoku’ foi o nome dado à prática de comprar livros e mantê-los intactos nas estantes de casa

Juliana Domingos de Lima, no Nexo

O hábito de comprar livros que nunca serão lidos e acumulá-los em pilhas é familiar para quem gosta de ler. E há uma única palavra, em japonês, para designar a prática: tsundoku.

Na verdade, o substantivo é um jogo de palavras. “Tsundoku” corresponde à forma oral do verbo “tsunde oku”, que quer dizer “empilhar e deixar de lado por um tempo”. Mas “doku”, palavra expressa por um ideograma, corresponde ao verbo ler. Assim, criou-se uma nova palavra, cujo sentido é a aquisição de materiais de leitura que acabam empilhados, sem nunca serem lidos.

A ilustradora Ella Frances Sanders chegou a criar uma imagem para o vocábulo japonês, em seu livro “Lost in Translation: An Illustrated Compendium of Untranslatable Words from Around the World”.

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas - Foto: Reprodução

Ella Frances Sanders ilustrou palavras intraduzíveis para outras línguas – Foto: Reprodução

 

A hipótese de que a popularização de leitores digitais (como Kindle e Kobo) acabariam com o acúmulo de livros físicos ainda não se concretizou – ao que tudo indica, pessoas gostam de juntar papel.

Segundo uma pesquisa do instituto Pew Research Center publicada em setembro de 2016, os livros de papel continuam a ser mais populares que o formato digital nos Estados Unidos.

2,71

bilhões de livros físicos foram vendidos nos EUA só em 2015, segundo o portal “Statista”, especializado em dados

255

milhões de livros físicos foram vendidos no mercado brasileiro em 2015 de acordo com a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro

Entre as razões que podem explicar por que algumas pessoas continuam comprando livros mesmo quando ainda há outros já empilhados para serem lidos há o status. Possuir muitos livros pode conferir aparência de conhecimento a alguém.

Há ainda outros motivos possíveis, citados pelo site “Ozy”. Às vezes, colecionadores os adquirem por nostalgia – lidos na infância ou adolescência, os livros podem passar a simbolizar um período da vida, diz Susan Benne, diretora executiva da Associação Americana de Livreiros de Antiquários.

Saudade, cafuné e outras palavras intraduzíveis viram livro ilustrado

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A história é simples e inspiradora.

Eduardo Rodrigues em O Globo

Ella Frances Sanders era estagiária na Maptia.com quando recebeu a missão de ilustrar 11 palavras intraduzíveis para o inglês — um trabalho bem mais divertido que boa parte das funções que sobram para os pobres estagiários. Ella fez as 11 ilustrações, publicou no blog da Maptia e aí veio a surpresa.

A lista acabou republicada no Huffington Post e chamou a atenção de um editor, que acreditava no potencial daquele material para se tornar um livro. O editor entrou em contato com Ella pelo Twitter (olha que moderno) e um ano depois o post de 11 itens se transformou num livro com mais de 50 palavras de vários idiomas.

Entre elas, não poderia faltar a nossa “saudade”, mas Ella ainda fez um carinho especial com o Brasil, incluindo também “cafuné”. Saudade, ela define como “Um desejo vago e constante por algo que não existe e provavelmente não pode existir, sentimento de nostalgia por algo ou alguém amado e depois perdido.”

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No Aurélio, a definição é a seguinte: “Lembrança nostáliga e, ao memso tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las” ou simplesmente “pesar pela ausência de alguém que nos é querido”.

“Muitas vezes essas palavras revelam detalhes das culturas de onde vieram, como a palavra em português do Brasil para “correr os dedos pelo cabelo da pessoa amada”, a em italiano para “cair em lágrimas por causa de uma história”, ou a sueca para um “terceiro copo de café”, descreve o release do livro.

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“Lost in translation” terá três edições diferentes, uma americana, uma britânica e uma francesa. Por enquanto apenas a americana está disponível. Mais informações no site oficial.

Veja mais algumas das palavras incluídas no livro.

Tretår, sueco, subtantivo: “Separado, ‘tår’ significa um copo de café e ‘patår’ é o refil desse café. Um ‘tretår’ é, portanto, um segundo refil, ou uma terceira dose.

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Ákihi, substantivo, havaiano: “Ouvir direções, então sair andando e imediatamente esquecendo o signficado das instruções e ficar aakihi'”

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Commuovere, italiano, verbo: Se sentir emocionado, normalmente em relação a uma história que te levou às lágrimas.

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Glas wen, galês, substantivo: “Significa literalmente ‘sorriso azul’, um que seja sarcástico ou irônico”

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Kilig, tagalog, substantivo: “A sensação de ter borboletas no estômago, normalmente quando acontece algo romântico”

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Komorebi, japonês, verbo: “A luz do sol filtrada pelas folhas das árvores”

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Luftmensch, íidiche, substantivo: “Se refere a uma pessoa sonhadora e significa literalmente ‘pessoa aérea'”

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Mangata, sueco, substantivo: “O reflexo da luz da luz na água que parece uma estrada”

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Tsundoko, japonês, substantivo: “Deixar um livro sem ler depois de comprá-lo, normalmente numa pilha de livros não lidos”

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Wabi-sabi, japonês, substantivo: “Encontrar beleza nas imperfeições, uma aceitação do ciclo de vida e morte”

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