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Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

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Ana Moioli, 18, tirou nota máxima na redação do Enem em 2016
Marcus Leoni – 10.mar.16/Folhapress

Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência e amplia nossos horizontes

Otávio Pinheiro, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, aponta que apenas 22% dos brasileiros que chegaram à universidade têm plena condição de compreender e se expressar.

Na prática, esses jovens adultos estão no chamado nível proficiente –o mais avançado estágio de alfabetismo. São leitores capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Mais ainda, compreendem e elaboraram textos de diferentes modalidades (email, descrição e argumentação) e estão aptos a opinar sobre um posicionamento ou estilo de autores de textos.

Em contrapartida, a pesquisa de 2016 aponta que 4% dos universitários estão no grupo de analfabetos funcionais.

Os dados de leitura, escrita e interpretação do Brasil ajudam a entender algumas das origens desse baixo índice de letramento como, por exemplo, os resultados de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014, que mostra que 537 mil alunos zeraram a redação da prova –ou seja, quase 10% do total de 6 milhões de participantes que entregaram a prova. Em 2017, por sua vez, 309 mil alunos zeraram a redação, e apenas 53 tiraram a nota máxima.

Na análise do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a distância do Brasil em relação a outros países é imensa. Os dados de 2016 colocam luz sobre um dos problemas cruciais da educação brasileira, visto que indicam que entre os 70 países avaliados, o Brasil fica na posição 59 em termos de leitura e interpretação.

Com todas as evidências e dados, é hora de colocar a escrita, a leitura e a interpretação como bandeira em todos os níveis da sociedade. A capacidade de comunicação e a linguística são habilidades complexas do ser humano e, para exercitar, precisamos de estímulos, referências e políticas de Estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais.

A leitura nos leva a aprender, a sonhar e a ter experiências de lógica, além de vivências criativas que mudam vidas. A vida é construída com falas, recepção, risos, sarcasmos, fábulas. Também é construída a partir do entendimento daquilo que é diferente, entendimento do outro.

Quando converso com professores, empresários, pais e mães –ou seja, com várias matrizes da sociedade–, todos falam que um número expressivo de pessoas tem dificuldades de escrita, leitura e interpretação. Em muitos casos, o mundo fica difícil de ser interpretado.

Espinhoso e polêmico, o problema da educação no Brasil não será resolvido com uma bala de prata, uma única iniciativa. Deve-se pensar em soluções integradas como a Olimpíada Brasileira de Redação, que estimula a mobilização de todos os estudantes do país.

É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.

Como educador, tenho acompanhado com perplexidade que nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal na história da humanidade. Como empreendedor da Redação Online –primeira edutech acelerada na Estação Hack, iniciativa do Facebook em parceria com a Artemisia– defendo que o empreendedorismo de impacto social é uma importante ferramenta para vencer esse desafio de melhorar o letramento dos brasileiros.

A Redação Online é uma solução que viabiliza correções de redações preparatórias para Enem, vestibulares e concursos, com qualidade e em escala nacional. São 32 mil estudantes atendidos, sendo 35% oriundos de escolas públicas.

Em 2018, tivemos a alegria de ter, entre os alunos, 120 aprovados em medicina, a maioria deles vindos de escolas públicas. Em locais como Ilha de Marajó, com acesso de internet difícil, a solução comprova o impacto social. Com um upload rápido, o aluno pode baixar o conteúdo em uma área com wayfi, por exemplo. É diferente da aula online que requer um serviço de internet melhor.

A cada dez alunos do Redação Online, oito aumentaram as próprias notas em até 400 pontos. Hoje, temos uma rede de 600 revisores em todo o Brasil que, além da correção ortográfica, traçam comentários sobre como melhorar, dicas de livros e links de conteúdo.

Defendo que saber ler e interpretar é questão de sobrevivência. O prazer de ler, escrever e interpretar amplia nossos horizontes, amplifica a nossa imaginação e nos liberta de preconceitos, extremismos e opiniões fundamentalistas.

Como literatura e arte podem surgir na prova de português do Enem?

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Leonardo Martins, no UOL

Compostas em sua maioria por interpretação de texto, as questões do caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) são, em geral, as menos temidas pelos vestibulandos.

Mas é importante ressaltar que, além da interpretação, grandes livros e obras da cultura brasileira também podem estar presentes no exame, como forma de contextualizar os exercícios da prova. É o que diz Cristiane Siniscalchi, coordenadora de Linguagens e professora de literatura da escola Móbile.

“Com certeza não será cobrado nenhum conhecimento de enredo, ou seja, ninguém cobrará saber a história do livro ou da arte. Mas como esses assuntos aparecem contextualizando a questão, conhecer o teor e linguagem dos livros ou obras do autor pode facilitar um pouco a resolução do exercício”, explica Siniscalchi.

Vale lembrar também que, caso o aluno já seja um bom leitor e tenha prestado atenção nas aulas de arte, esse conhecimento pode ajudá-lo a ter maior repertório na hora de elaborar o texto da redação.

Confira abaixo dois exemplos de questões, preparados pela professora Cristiane Siniscalchi, que abordam literatura e arte.

Arte

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Literatura

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Cansado dos exercícios do Enem? Veja 7 filmes que podem te ajudar na prova

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Getty Images/iStockphoto

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Leonardo Martins, no UOL

Faltam menos de dois meses para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e é consenso entre os professores quais são os dois principais requisitos para dominar as matérias cobradas na prova: reflexão e debate.

É nesse sentido que os filmes ajudam muito o aluno a desenvolver seu senso crítico sobre os temas abordados no exame, auxiliando na interpretação dos textos da parte de língua portuguesa e, principalmente, na hora da redação.

Mas não pode confundir: o filme não substitui o estudo. É o que adverte Luis Otávio Targa, orientador educacional do Colégio Vértice. Segundo ele, o filme serve para relembrar alguns conceitos anteriormente estudados pelo aluno, fazendo com que ele possa aplicá-los em diferentes situações e contextos.

“Os filmes auxiliam o aluno a relembrar conceitos que ele possa aplicar àquela situação do filme e, depois, essa reflexão deve ser levada para uma discussão com um professor. O filme é um complemento que vai ajudar muito, sobretudo, a aumentar ainda mais a coletânea do aluno para a redação”, explica Targa.

Então, confira a lista de 7 filmes preparada por Targa que podem te ajudar na prova do Enem:

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A 13ª emenda

Com a direção de Ava DuVernay, “A 13ª emenda” é um documentário em que estudiosos e personalidades políticas analisam a relação entre a criminalização da população negra nos EUA e o crescente aumento do sistema prisional. O racismo e a regulamentação das drogas são os principais temas abordados na obra

 

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Clash

Mohamed Diab foi quem dirigiu essa obra que abrange, de forma atual, a questão da Primavera Árabe no Egito e seu reflexo nas questões do Oriente Médio, como a formação dos grupos terroristas e as disputas políticas da região

 

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Nunca me sonharam

Com a produção de Cacau Rhoden, o documentário brasileiro “Nunca me sonharam” mostra a realidade no ensino médio público do Brasil pelo ponto de vista dos estudantes. Nele, há reflexões sobre o sistema educacional com depoimentos de professores, alunos e especialistas

 

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Fome de Poder

A obra “Fome de Poder” retrata a ascensão do que hoje é a maior rede de fast-food do mundo: o McDonald’s. Nele, o aluno consegue correlacionar e compreender os conceitos do sistema capitalista, do fordismo e da produção em série, o que pode ser uma ótima referência atual para a redação
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Okja

Dirigido por Bong Joon-ho, o filme é uma sátira que questiona e nos faz refletir sobre a produção dos alimentos no século 21. A obra remete a discussão dos alimentos transgênicos, assunto sempre presente na parte de biologia do Enem

 

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O Círculo

O filme “O Círculo” retrata a relação dos jovens atuais com as redes sociais e a internet, o que pode vir a ser cobrado e relacionado no Enem com conceitos de sociologia e filosofia

 

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O Planeta dos Macacos

A trilogia “Planeta dos Macacos”, obra de ficção norte-americana em que os macacos e os seres humanos entram em conflito, pode auxiliar o aluno com a parte de biologia, uma vez que o filme promove uma reflexão a cerca da teoria da evolução humana e o que nos diferencia dos nossos ancestrais

Plágio também vale? Decorar frases prontas vira estratégia para redação do Enem

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Marlene Bergamo/Folhapress

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Ana Carla Bermúdez, no UOL

O formato previsível e a importância que a redação tem para a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) estão fazendo candidatos recorrerem a fórmulas prontas e até decorarem trechos de textos de professores para usar em suas redações. Mas essa prática abre um debate: existe limite entre inspiração e plágio?

O modelo de redação cobrado pelo Enem ao longo dos anos costuma ser sempre o mesmo: um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, com introdução, desenvolvimento e conclusão, que deve propor uma solução ao problema apresentado.

Saber lidar bem com esse formato e garantir uma boa nota na redação pode ser algo decisivo para o aluno na hora de obter uma boa colocação no Enem — o exame que avalia os estudantes que estão concluindo o ensino médio e pode garantir vagas nas principais universidades do país.

Uma das redações que tirou nota mil (a nota máxima) na última edição do Enem, por exemplo, tinha partes praticamente idênticas a outros dois textos: uma redação nota mil do Enem 2015 e um texto feito para o Enem de 2014 pelo professor Rafael Cunha, do curso de educação à distância Descomplica.

“É absolutamente normal que alguém se inspire em algo que já deu certo”, diz Cunha. O professor afirma, no entanto, que existe um limite para isso: “ele me parece ser ultrapassado quando são utilizadas exatamente as mesmas palavras que o autor original. Mas, ao mesmo tempo, as regras permitem que isso aconteça, então não vejo maiores problemas”, diz.

“É claro que, em um mundo utópico, o ideal seria o aluno fazer um texto autoral, tendo plena autonomia para exercitar aquilo ali que é pedido. Mas, na realidade, não é o que acontece”, afirma Gabriela Carvalho, coordenadora de redação do curso Poliedro.

“Quando vou tentar convencer meus alunos a não copiarem, eu pergunto: como vocês vão decorar e lembrar dessa frase? E como vão ter certeza de que ela vai caber no tema que cair?”, afirma Gabriela.

Ela conta que a cópia é uma tática recorrente entre os alunos, que têm o hábito de fazer redações ao estilo “Frankenstein”: ou seja, pegando trechos de um ou mais textos diferentes. “Eles estudam a redação acima da média como fórmula e realmente decoram as frases”, afirma.

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Modelo “mecânico”

Para o professor Cunha, é preciso questionar o modelo de redação proposto no Enem, que é “quase uma receita de bolo a ser seguida”. Segundo ele, isso faz com que os alunos acabem refletindo menos, o que levaria a um preparo mais “mecânico”.

Eduardo Calbucci, professor do curso Anglo, afirma que “o texto não pode ser uma colagem de partes feitas por outras pessoas”, mas defende: “o aluno inevitavelmente vai (fazer o exame) com uma estrutura mais ou menos pensada, porque senão seria impossível fazer a redação em quarenta minutos, uma hora. Não é receita de bolo, é apenas um ponto de partida”.

Para Gabriela, o problema vem de uma estrutura ainda maior. “Você tem corretores que estão fazendo uma correção mecânica porque precisam de dinheiro e, ao mesmo tempo, um aluno que está em uma sociedade com poucas vagas universitárias e quer se livrar dessa desgraça que é prestar vestibular”, afirma.

A professora diz que o aluno acaba repetindo a maneira com que estuda as outras matérias, como química ou matemática, por exemplo, nas quais a forma mais comum de se ensinar seria copiando e resolvendo exercícios. “Ele (aluno) está muito habituado à ideia de fórmula pronta e cópia. Então, ele acaba não percebendo nenhum problema moral ou educacional”, afirma.

Cópia da cópia da cópia

O plágio, segundo os professores ouvidos pelo UOL, acontece há muito tempo e em muitos vestibulares. “Eu aposto que existem centenas, talvez milhares de redações feitas no Brasil feitas por professores que vão conter trechos que vão ser copiados por alunos”, afirma Cunha.

Mas, para Gabriela, a origem do problema é social. “As pessoas ficam chocadas, mas elas não percebem que nos próprios comentários que fazem no dia a dia elas são incapazes de produzir pensamentos e argumentos próprios”, afirma.

O plágio nos vestibulares, segundo ela, tende a não ser notado, pois é bastante difícil que o corretor consiga conferir se há cópia em um texto desse tipo.

Mas Calbucci afirma: “se isso escapa às vezes no Enem, é sinal de que os corretores são muito pressionados a corrigir muitas redações em pouco tempo”.

“Isso vai dar problemas mais para a frente, quando a pessoa já estiver na faculdade, por exemplo. Ela vai ter que escrever muito e aí vai perceber a importância desse processo de fazer um texto”, afirma Gabriela.

Ela ressalta: “se a gente tem a possibilidade de ajudar o aluno, só sendo muito honesto com ele. É dizer: você faz parte do problema, mas também da solução”.

Aprovada em medicina pelo Sisu deixou emprego para estudar em casa

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Mariana Silva criou rotina para estudar sozinha e nunca fez cursinho.
Estudante resolveu provas antigas do Enem e conquistou vaga na UFPE.

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Publicado em G1

Enquanto muitos estudantes recorrem aos cursos pré-vestibulares para reforçarem os estudos para as provas, Mariana Silva, de 28 anos, preferiu ir no sentido contrário: trocar a sala de aula pela a da sua casa e estudar no próprio ritmo.

“Gosto de ficar em casa porque tem menos estresse. Eu já me cobro bastante, não preciso de cobrança de cursinho”.

A estratégia deu certo e Mariana foi selecionada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para cursar medicina na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A lista da chamada regular do Sisu foi divulgada pelo Ministério da Educação nesta segunda-feira (18).

Formada em administração pública, Mariana se interessou por medicina quando trabalhou como atendente no SUS (Sistema Único de Saúde). “Gostava muito do meu trabalho lá. Me aproximei da área da saúde e percebi que estava gostando”, lembra.

Logo ela começou a prestar vestibulares para mudar de carreira. Trocou de emprego por um menos cansativo, mas que exigia que ela viajasse sempre. “Um dos motivos do porquê eu não conseguia me vincular a nenhum curso [pré-vestibular]”, conta a estudante. Foi quando resolveu estudar por conta própria.

Além dos livros, Mariana também recorreu a videoaulas, estudou através de plataformas online e fez provas antigas e simulados. Mesmo se empenhando, a estudante não conseguiu entrar em nenhuma universidade. Ela então decidiu dar uma pausa nos estudos até junho do ano passado. “[Quando] prestei um vestibular sem estudar e fui bem, aí pensei ‘acho que se eu estudar mais um pouco dá certo’”.

Mariana decidiu ficar um tempo sem trabalhar para se dedicar totalmente aos livros. Ela desenvolveu uma rigorosa rotina de estudos e focou no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para conquistar a vaga em medicina.

“Fiz planilhas com as quatro provas do Enem, coloquei o ano da prova, número da questão, assunto, se acertei ou errei e quanto tempo eu gastava em cada questão”, explica. Dessa maneira, Mariana conseguiu identificar suas afinidades e dificuldades em cada matéria e guiou seus estudos a partir do seu desempenho.

Em média, Mariana estudava 8 horas por dia. “Mas sempre estava pensando no vestibular. Fazia coisas relacionadas, como ler o jornal e assistir filmes”. Para a estudante, cada pessoa deve conhecer seu ritmo de estudo e, para aquelas que querem se aventurar sozinhas, aconselha: “Tem que conhecer bem a prova que você quer prestar, ter uma noção do que cai e saber o quanto você tem que se aprofundar. E, a partir disso, criar um plano de estudos”.

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