As crianças participantes do clube recebem os livros todos os meses em seu nome

As crianças participantes do clube recebem os livros todos os meses em seu nome

 

Marcia Rodrigues, no UOL

O engenheiro Guilherme Martins sempre quis empreender. Depois que a sua filha nasceu, ele resolveu que o negócio deveria ser voltado para crianças. Em maio de 2014, ele e os amigos, também engenheiros, Rodolfo Reis, 34, e Luiz Castilho, 34, criaram o Leiturinha, clube de assinatura de livros infantis.

Atualmente o clube tem 18 mil assinantes. Em 2015, a empresa faturou R$ 2,6 milhões. Para este ano, a meta é fechar com um faturamento na ordem de R$ 15 milhões e com o total de 30 mil assinantes. A empresa não revela o lucro do negócio.

Segundo o empresário, o motivo do otimismo é o crescimento da empresa:

2014 – 1.380 assinantes e R$ 350 mil de faturamento
2015 – 10 mil assinantes e R$ 2,6 milhões de faturamento
2016 – Previsão é de fechar o ano com 30 mil assinantes e R$ 15 milhões de faturamento.

O crescimento de assinantes e faturamento não é proporcional. De 2014 para 2015, isso ocorreu porque houve um novo produto, mais barato. “No primeiro ano, vendíamos apenas pacotes com dois livros. Em 2015, começamos a comercializar, também, o de um livro.” Com isso, o gasto médio dos clientes caiu de R$ 58 (2014) para R$ 48 (2015).

Neste ano, a estimativa de crescimento de assinantes é menor que a alta de faturamento porque também há novos produtos (coleções para não assinantes). Os valores variam de R$ 180 a R$ 200. “Também estamos fechando novas parcerias com outros canais de vendas, por isso estamos otimistas com o crescimento.”

O investimento inicial do negócio foi R$ 500 mil. No primeiro ano, os sócios mantiveram os empregos e tocaram a empresa paralelamente. Somente em outubro do ano passado é que os três começaram a se dedicar exclusivamente à empresa.

Assinatura custa a partir de R$ 34,90

O Leiturinha envia de um a dois livros por mês para crianças participantes do clube. O preço da assinatura mensal de um livro é R$ 44,90, e o de dois livros, R$ 69,90 mais frete de R$ 9. Se o assinante fizer um pacote semestral, os valores são R$ 34,90 e R$ 54,90, respectivamente.

Há, ainda, o kit presente com dois livros, que é enviado uma única vez e custa R$ 69,90. Também é possível assinar apenas a versão digital, que permite acesso a 700 livros e 300 vídeos pelo app. O preço é R$ 19,90 por mês.

Os livros são selecionados conforme a idade do leitor. A assinatura física atende crianças de zero a 10 anos e a digital de zero a 12 anos.

Os pais não podem escolher a obra. Curadores selecionam os livros. “Com os livros, enviamos uma carta pedagógica orientando os pais sobre o que é possível trabalhar com o filho em cima da obra.”

Entre os autores, estão Ruth Rocha, Lázaro Ramos, Juan Chavetta, Mariana Caltabianco e Adriana Calcanhotto.

Todo mês o clube envia um brinde diferente (semente de árvores, marcador de livro, régua no formato de girafa para medir o crescimento da criança).

Desafio é manter cliente em tempo de crise

Para Guto Ferreira, especialista em empreendedorismo, o modelo de clube de assinatura é atual e tem bastante mercado para crescer. “A empresa precisa, no entanto, trazer um bom número de títulos com autores renomados e populares da literatura infantil, para o negócio ficar atraente.”

Ferreira diz que o fato de os pais não poderem escolher os livros é um ponto ruim do negócio. “As pessoas compram um livro quando têm interesse por aquele tema, história ou autor.”

Ferreira afirma que a versão digital do clube pode ser mais interessante para atender à demanda atual. “As crianças estão cada vez mais interessadas em ver vídeos, games e outros conteúdos pela internet. Na versão digital é possível vender, por exemplo, o áudio de histórias para ninar.”