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Posts tagged Ensaio

Fotógrafo registra em livro os últimos anos do pai e o declínio de sua memória: “Dias com meu pai”

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Monique Almeida, no Literatortura

Tomado por extrema sensibilidade, do tipo que normalmente nos leva a recuperar a fé na humanidade, o fotógrafo Phillip Toledano realizou uma tocante experiência ao lado de seu pai.

Em 2006, com o falecimento de sua mãe, ele finalmente foi capaz de perceber o real estado mental de seu pai. Apesar de não ter Alzheimer, o senhor sofria de perda de memória recente e, após a ida ao funeral, Phillip era obrigado a relatar diversas e diversas vezes que a senhora havia morrido.

Visto que o homem já estava com 97 anos e nessas condições, o fotógrafo optou por contar que a mãe estava em Paris, cuidando de um irmão doente. Isso amenizava a dor de ambos e, por conta da questão da memória, decidiu também que registraria seus momentos com o pai.

As fotos são emocionantes, trazendo, na simplicidade do registro de detalhes do cotidiano, o visível amor e a devoção que Phillip tinha por seu progenitor. O livro “Days with my father”, com o ensaio que durou três anos, está disponível na amazon, assim como é possível acessar o website que oferece o projeto completo. (Aqui!)

Confira algumas das fotos abaixo:

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Eu amo momentos como esse.

Por um pequeno instante, quase tudo parece normal de novo. Minha mãe não está morta, e não estamos fingindo que ela foi pra Paris.

Ela saiu para a loja, mas vai voltar rapidamente.

Quão doce isso seria.

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Meu pai era muito engraçado.

Eu pus esses pequenos cookies em seu peito, e ele disse: “Olha minhas tetas”

Como você não pode rir?

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Então, meu pai faleceu ontem.

Eu fiquei a noite toda com ele, segurando sua mão, escutando sua respiração, me perguntando quando seria seu fim. Ele morreu em sua cama, em casa, com Carla e eu próximos a ele.

Nos últimos três anos, eu estive esperando. Com medo de que ele morresse enquanto eu estivesse fora. Eu não queria que ele fosse sozinho, ou cercado por estranhos, ou plugado a máquinas. Eu sei que soa estranho. Mas eu estou muito agradecido pela forma que aconteceu.

Eu me sinto um sortudo por ter passado os últimos três anos. Por não ter mais nada pra dizer. Por saber que nós amamos um ao outro, nus, sem constrangimento. Por ter sentido seu orgulho por minhas realizações. E ter descoberto o quanto engraçado ele era.

Que incrível, incrível presente.

Modelo colaborativo cria novo cenário no mercado literário

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Publicado por Observatório da Imprensa

Alguma coisa está muito fora do padrão quando a maior livraria online do mundo abraça uma causa que há mais de uma década cresce às margens do mercado e à revelia de alguns de seus autores mais vendidos. Isso aconteceu duas semanas atrás, quando a Amazon estreou a plataforma Kindle Words, pela qual fãs que gostam de criar histórias baseadas em best-sellers – a chamada fan fiction, que reaproveita cenários e personagens de outros escritores – podem não só fazer isso legalmente como vender suas criações.

Para criar a plataforma, a Amazon obteve licenças de séries como Gossip Girl, de Cecily Von Ziegesar, e Pretty Little Liars, de Sara Shepard. Com isso, tramas que chegavam a ser vistas como plágio agora podem render frutos ao fã, ao escritor que o inspirou e, é claro, à livraria. Nesse cenário, o autor da história original deixa de ganhar especificamente pela venda de livros e sua obra vira uma marca, licenciada e multiplicada pelas mãos de vários outros escritores.

Esse é o recorte de um momento que o editor americano Richard Nash retrata no provocativo ensaio “Qual o negócio da literatura?”, no mais recente número da Serrote, revista do Instituto Moreira Salles, que será lançado em São Paulo neste domingo. É um cenário em que autor e editor vão além dos livros para virar produtores de cultura. “A cultura do livro não é fetichismo com o texto impresso; é o movimento da ideia e do estilo na expressão de histórias”, escreve Nash.

O texto põe em cheque o direito autoral – justo o que hoje garante a sobrevivência do mercado. Defende que esse direito não foi criado para proteger o autor, mas “nasceu de um interesse meramente corporativo”. O editor explica à Folha: “Uma parcela mínima de escritores faz dinheiro. O direito autoral existe para facilitar ao editor o retorno sobre seu investimento e impedir cópias do seu produto.” Isso num mundo analógico. No digital, defende Nash, “a receita não virá de fazer cópias, virá de serviços, palestras, produtos associados. São formas de gerar receita que independem do faturamento com vendas de livros”.

Nesse contexto, entram iniciativas como a plataforma de fan fiction da Amazon, festivais literários como a Flip e romances colaborativos, como The Silent History, um aplicativo lançado há pouco no iTunes e que permite aos leitores expandir a história.

Nash, que ganhou em 2005 um prêmio de criatividade da Associação de Editores Americanos pela editora independente Soft Skull, criou em 2011 um site que explora essas alternativas no que diz respeito ao mercado.

Com 10 mil títulos à venda, o Small Demons é uma enciclopédia de referências literárias: você acha desde uma lista de livros que abordam Bob Dylan até todos os famosos citados em Infinite Jest, de David Foster Wallace.

Fora da curva

No que diz respeito ao autor, o engenheiro de software brasileiro Silvio Meira enxerga ainda mais possibilidades.

Autor de palestra que, no Congresso do Livro Digital, em junho, lhe rendeu uma emboscada de bibliotecários (insatisfeitos com seu questionamento sobre a importância de bibliotecas físicas no futuro), Meira diz que o escritor já vive cenário multifacetado. “Conheço dezenas de escritores, mas não conheço nenhum que viva dos livros que escreve. Alguns são colunistas, outros fazem roteiros, outros atuam em editoras”, diz. Apesar disso, no centro de tudo está o livro. “Se alguém pirateia meu livro e o lê inteiro, posso acreditar que estará interessado o suficiente para ir a alguma palestra que eu vá ministrar”, exemplifica.

Para ele, os direitos autorais serão vistos no futuro como um ponto fora da curva na história da literatura.

“O autor foi criado pela prensa. Antes de Gutenberg, não existia copyright. As histórias pertenciam às comunidades. Vemos agora uma volta ao coletivo, com mixagem, apropriação de textos. O conceito de autor fica difuso.”

É uma visão que editores de grandes casas ainda entendem como algo distante.

Confiança

“O livro digital ainda está na margem de 2% a 2,5% no faturamento de editoras no Brasil. Pode ser que aconteçam mudanças radicais envolvendo direitos autorais, mas só quando esse mercado for suficientemente grande”, diz Pascoal Soto, da LeYa.

Tomas Pereira, da Sextante, estranha a visão de que o direito autoral interesse mais às editoras que aos autores. “Nossa atividade nasce da confiança do autor. O que pagamos a ele representa nosso maior custo de produção.”

Ele concorda que quase nenhum autor vive da venda de livros, mas não vê nisso justificativa para o abandono do valor que o leitor se dispõe a pagar pelo livro. Saber por quanto tempo, no modelo que se impõe, haverá disposição para pagar por algo que se pode ter de graça, como lembra Nash, é o mistério.

Clássicos da literatura podem ensinar mais do que livros de autoajuda

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Publicado por UOL

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A Metamorfose, Franz Kafka (Companhia das Letras): trata da vida do caixeiro-viajante Gregor Samsa que, numa determinada manhã, acorda e se vê transformado num inseto indefinido, mas asqueroso. A partir daí, ele passa a ser desprezado pela família, é mandado embora do emprego e perde toda a importância social que tinha. “Trata-se de um livro interessante para basear uma discussão mais profunda sobre o sentido da exclusão e da opressão. É uma obra densa, que leva à reflexão sobre a condição humana na modernidade, em que as pessoas só têm valor enquanto produzem”, afirma Ana Lúcia Trevisan, professora de literatura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

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Ensaio sobre a cegueira, José Saramago (Companhia das Letras): uma epidemia de cegueira é o mote encontrado pelo autor para ir fundo na análise do caráter humano. Na trama, numa tentativa de conter o surto, o governo decide colocar todos os habitantes infectados em quarentena. Impotentes, abandonados e desprezados, eles passarão a mostrar suas características mais primitivas. “Esta obra leva a uma reflexão sobre a sociedade moderna, que vive apenas de rótulos, sem considerar a essência de cada um”, fundamenta Silvio Pereira da Silva, professor da Universidade Metodista de São Paulo.

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Dom Casmurro, Machado de Assis (Editora Lafonte): conta a história de Bentinho e Capitu, que se conhecem ainda crianças e se casam na idade adulta. O ciúme é o tema da narrativa. Quando nasce o filho do casal, o protagonista enxerga muitas semelhanças entre a criança e seu melhor amigo, o recém-falecido Escobar. Desconfiado da traição e sem provas, mas atormentado pelo ciúme, Bentinho destrói a família e o casamento. “A obra provoca um debate imenso entre os leitores sobre a culpa ou não de Capitu, mas o fato é que o ciúme conduziu o personagem à loucura e isto destruiu a vida dele e tudo o que ele tinha construído”, diz Roberto Juliano, professor de literatura do Cursinho da Poli.

Escritor Silviano Santiago é o vencedor do prêmio Machado de Assis, da ABL

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Publicado por Folha de S.Paulo

O romancista, contista e crítico literário mineiro Silviano Santiago foi o vencedor do Prêmio Machado de Assis.

O prêmio da ABL (Academia Brasileira de Letras) é dado a um autor pelo conjunto da obra desde 1941.

A cerimônia de premiação será no dia 18, quinta-feira, na sede da ABL. Além de Santiago, que receberá R$ 100 mil, serão entre entregues prêmios no valor de R$ 50 mil aos vencedores em outras categorias.

O escritor Silviano Santiago na Flip de 2012 - Adriano Vizoni/Folhapress

O escritor Silviano Santiago na Flip de 2012 – Adriano Vizoni/Folhapress

O premiado em poesia foi Antônio Cícero, com o livro “Porventura”; Lya Luft ganhou o prêmio na categoria ficção, romance, teatro e conto por “O Tigre na Sombra”; o prêmio para ensaio, crítica e história literária foi dividido entre Pedro Meira Monteiro (autor de “Correspondência entre Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda”) e Lúcia Bettencourt, por “O Banquete”; Luis Raul Machado venceu a categoria literatura infantojuvenil com “As 17 Cores do Branco”, e Caetano Waldrigues Galindo a de tradução, por “Ulysses”; em história e ciências sociais venceu Sidney Chalhoub, por “A Força da Escravidão”; com o roteiro do filme “Corações Sujos” David França Mendes ganhou a categoria cinema.

Cena do filme "Corações Sujos"; o escritor David França Mendes ganhou o prêmio da ABL na categoria cinema pelo roteiro do filme (Divulgação)

Cena do filme “Corações Sujos”; o escritor David França Mendes ganhou o prêmio da ABL na categoria cinema pelo roteiro do filme (Divulgação)

O prêmio Francisco Alves, dado a cada cinco anos ao autor da melhor monografia sobre o ensino fundamental no Brasil e sobre a língua portuguesa, foi para ” José Rogério Fontenele Bessa, autor de “Atlas Linguístico do Estado do Ceará.

Autor americano Dan Brown faz má literatura de boa qualidade em “Inferno”

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Luiz Bras, na Folha de S.Paulo

Thomas Malthus, no clássico “Ensaio sobre o Princípio da População”, de 1798, foi taxativo: a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, enquanto a população humana cresce em progressão geométrica.

Duzentos e tantos anos mais tarde, o geneticista Bertrand Zobrist, mais novo anjo exterminador criado por Dan Brown, também é taxativo: nossa espécie está à beira da extinção. A menos que haja um evento catastrófico que diminua drasticamente a superpopulação, nossa espécie não sobreviverá por mais cem anos.

Zobrist está empenhado em exterminar pelo menos metade da população mundial. Fará isso para semear a futura cultura pós-humana.

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de "Inferno", seu mais recente romance, em Madri (Juan Carlos Hidalgo/Efe)

O escritor americano Dan Brown durante o lançamento de “Inferno”, seu mais recente romance, em Madri (Juan Carlos Hidalgo/Efe)

Dan Brown, após passar pelos Illuminati, pela Opus Dei, pela maçonaria, pela Igreja Católica e por Leonardo da Vinci, chegou ao inferno.

Dante Alighieri é o novo fantasma que assombra o simbologista mais gente fina de todos os tempos, Robert Langdon (que também atenderá, se for chamado de Tom Hanks).

A primeira parte da trilogia “A Divina Comédia” é a mais cruel e sádica das três. Ótimo. Crueldade e sadismo é tudo o que queremos num romance de ação e investigação.

MISTUREBA

O “Inferno” de Dante e outros infernos aparentados, como os de Botticelli, Michelangelo e Gustave Doré, cercam Langdon no quarto romance da série de Dan Brown.

Ele acorda em Florença, amnésico, perseguido pela polícia e por uma sociedade secreta chamada Consórcio, é salvo por uma médica intelectualmente superdotada, corre contra o tempo, desvendando códigos e charadas.

“Inferno” , o romance, é uma deliciosa salada mista sobre o pós-humano, misturando arte, literatura, religião, alta tecnologia, engenharia genética e assassinato em massa. Em resumo: é má literatura de boa qualidade.

Para a crítica sisuda, as colagens esquizofrênicas que Dan Brown faz de obras-primas da arte e da literatura, de organizações secretas, de fatos científicos e históricos não passam disso: colagens esquizofrênicas.

É claro que “Anjos e Demônios”, “O Código Da Vinci”, “O Símbolo Perdido” e agora “Inferno” , se pudessem falar, se pudessem repetir o tom jocoso do Coringa, perguntariam para a crítica sisuda: “Why so serious?”.

Discutir seriamente best-sellers como esses, valendo-nos de rigorosos critérios da alta literatura, é perda de tempo. O único critério válido é o afetivo. Amamos certos livros porque amamos certos livros. Da mesma maneira que amamos certas pessoas. Ficar racionalizando sobre a origem ou a natureza desse amor é inútil.

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