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Livro do menino do Acre: quais os ensinamentos de Bruno Borges em ‘TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento’?

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Imagem de Bruno Borges (Foto: Arquivo Pessoal)

Imagem de Bruno Borges (Foto: Arquivo Pessoal)

Jovem desapareceu em março e deixou manuscritos que começaram a ser publicados. Obra chegou ao ranking das mais vendidas do Brasil; G1 lista 10 ‘lições’ do 1º volume.

Cauê Muraro, G1

Ele tem aversão a sexo, gula e crase. Faz zero questão de parecer modesto (cita a si mesmo, inclusive). Gosta de usar termos associados a quem escreve difícil (“não obstante”, “antemão”, “entrementes”, “outrossim”, “amiúde”), mas não liga se a frase sai do nada e chega a lugar nenhum. Fiel ao “espírito do tempo”, arrisca até uma mesóclise eventual. Humor? Só do tipo involuntário, e vamos encerrar a discussão a esse respeito citando o trecho em que ele define o verbete “ciência” – começa assim: “De acordo com a Wikipédia…”.

Assinado por Bruno “o menino do Acre” Borges, o livro “TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento” (Arte e Vida) tem 191 páginas nas quais o autor (desaparecido desde março) faz grande esforço para explicar sua criação. A obra, que saiu no final de junho, acaba de entrar no ranking das mais vendidas do país.

Faz quatro meses que Borges está desaparecido. Antes de sair da casa onde morava, em Rio Branco, o rapaz deixou 14 livros escritos à mão e criptografados (ou seja, usando um código com símbolos no lugar de letras, para cifrar a mensagem). Parte do material estava registrada nas paredes, no teto e no chão do quarto. A polícia trabalha com a hipótese de que o sumiço é, na verdade, marketing para promover a obra.

Pelo que se vê neste volume inicial, houve alguma dificuldade na hora de “traduzir” o texto para a língua portuguesa. Exemplos: “tão pouco” no lugar de “tampouco”; “a” no lugar de “há”; e “atoa” no lugar de “à toa”.

Capa do livro 'TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento', de Bruno Borges, o 'menino do Acre' (Foto: Divulgação)

Capa do livro ‘TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento’, de Bruno Borges, o ‘menino do Acre’ (Foto: Divulgação)

Mas a ambição do autor está mais no conteúdo do que na forma. Quer compartilhar conosco suas técnicas – ele chama de “porta para a inteligência” e “totalmente original”. Como o conceito de conhecimento é mesmo bastante vasto, vale recorrer a Platão, Aristóteles e Augusto Cury, todos mencionados pelo nome.

Já no começo, Borges avisa não estar “com a tentativa de fazer ciência, até porque nem cientista eu sou”. “Eu apenas quero mostrar, (…) essa é uma teoria pela qual eu coloquei em prática durante anos suas funcionalidades e pude perceber que dava certo, uma vez que foi dela que saiu tantas ideias totalmente originais partidas de mim mesmo”.

A abordagem pode até soar mais “científica” e “filosófica” do que religiosa, mas o escritor garante nada ter contra a religião e reconhece sua importância para a TAC. Reconhece que, aos 20 anos, teve “um arrebatamento e uma experiência profundamente mística”. Faz sentido: o livro é catalogado como 1. Filosofia e Teoria da Religião 2. Religião 3. Relações Humanas.

Após 4 horas de leitura, os 10 ‘conhecimentos’ que o G1 absorveu de ‘TAC’:

1. Mire-se no exemplo dos ‘sábios’ (cadê ‘aquelas mulheres’?)

Bruno Borges não gosta de deixar dúvidas: escreve que o título de “TAC” é formado pelas iniciais de “Teoria da Absorção do Conhecimento” – só para o caso de algum leitor menos perspicaz não ter notado, nunca se sabe. Mas o que ele propõe, afinal?

Em síntese, temos de absorver e acumular conhecimento. E que façamos isso a partir de pessoas (só homens, nada de mulheres na lista) que ele chama de “sábios”.

E que, com esse conhecimento, criemos algo novo. E que deixemos esse algo novo para as gerações futuras. Há até uma fórmula, ela é assim: AB1 + CAB = ABT. Traduzindo: AB1 significa Absorção de Conhecimento Novo; CAB significa Conjunto de Conhecimento Absorvido; e ABT significa Absorção Total.

2. Sexo? Não, obrigado

O que têm em comum Leonardo da Vinci, Jesus Cristo, Platão, Waldo Vieira, Chico Xavier, Heráclito de Éfeso, Isaac Newton, Nikola Tesla e Michael Jackson? Para Bruno Borges, o fato de serem “sábios assexuados”. A qualificação é do próprio autor e é usada em sentido positivo.

O lance é que fazer sexo toma tempo – e um tempo precioso, que poderia ser aplicado precisamente na busca pelo conhecimento. Escreve ele: “Embora muitos não saibam, o tempo que perdemos pelas nossas impulsividades sexuais, impedindo-nos de absorver conhecimentos úteis a fim de criar coisas novas, é imenso. Ora, mas uma relação íntima por vezes não dura 30 minutos? Certo, mas aí é que entra o fator comportamento, em outras palavras, o fim justifica o meio”.

E tem ainda um efeito colateral evidente: o bebê que resulta da reprodução – outra coisa que consome horas.

O negócio é o seguinte: quem faz sexo tem três preocupações – sobreviver, reproduzir e absorver conhecimentos; quem não faz sexo tem só duas preocupações – sobreviver e absorver conhecimento, segundo a teoria de Bruno Borges.

“Ele não necessitará dispor de uma quantia exorbitante do seu tempo para cuidar dos seus filhos, pois nem mesmo filhos terá.” Sagaz.

3. Não cometerás o pecado da gula (nem da carne)

Michael Jackson, Leonardo da Vinci, Albert Einstein, Abraham Lincoln, Aristóteles, Darwin, Isaac Newton, Pitágoras, Platão, Sócrates, Thomas Edison, Voltaire, Gandhi, Buda, Van Gogh e Nikola Tesla… Todos “sábios vegetarianos/veganos/crudívoros” na definição do autor de “TAC”. Ah, mas e daí?

Daí que essa gente toda “evitaria de comer coisas que são fonte de prazer para muitos, e que é o maior responsável pelo vício, pela gula na comida: o apreço pela carne e seus derivados temperados, fazendo com que os assexuados veganos aumentem ainda sua taxa de absorção de conhecimento”.

Também chama de “idiotice” a teoria de que “a carne ou comida queimada foi à [crase do texto original] geradora de uma inteligência mais protuberante do homem”.

Sim, o próprio Bruno Borges assegura que tem “uma alimentação e dieta totalmente frugívera”. E acha certo fazer longos períodos de jejum absoluto, pois isso ajudaria na tarefa de ficar pensando melhor.

4. Sem anabolizantes nem ‘santa erva’

Bruno Borges é contra o uso de anabolizantes, maconha (que ele chama de “santa erva”, naquele que talvez seja o único exemplo de ironia de toda a obra), remédios para déficit de atenção e cirurgias estéticas.

E ele consegue esclarecer isso num único parágrafo do livro, utilizando-se de um fluxo de pensamento e livre associação que são típicos de seu método.

A coisa é realmente inflamada, veja você mesmo: “(…) fumar a santa erva diariamente, impossibilitando de estudar ou trabalhar com rigor, pela dispersão do foco, o ajuda, em algures verão o absurdo de alguns obesos não conseguirem emagrecer, alegando que é predisposição ou problemas na tireóide, mas na verdade só não conseguem refrear a gula, e por isso pagam para um doutor pegar uma faca e cortar sua banha (…)”.

5. Seja rebelde, mas com disciplina e durma pouco

Bruno Borges não só defende que adeptos da TAC sejam radicais como orgulha-se da invenção de um neologismo: “Nós, radicalistas e adeptos do radicalismo, determinamos que só se pode ser um membro da radicalidade (sim, este termo também criamos)”.

O autor recomenda fortemente o “sono polifásico” (modalidade em que o sujeito não dorme as 8 horas regulamentares, mas sim tira cochilos breves), que seria praticado por vários de seus “sábios do coração”, como Jesus e Napoleão.

E chegamos, então, a um outro conceito: disciplina, que sem ela ninguém alcança nada.

Rola até uma ameaça, num raro confronto menos educado com o leitor: “caso sinta-se distraído ou ache uma tarefa enfadonha estudá-las, o que obviamente não passa de 2 laudas, seria útil pedir-lhe somente mais um favor: cerre este livro de uma vez e senta-te sobre o gramado, escancare a tua boca cheia de dentes e espere a morte chegar. Talvez consigas, de praxe, observar um disco voador sobre o céu, se tiveres sorte, caso não, apenas permaneça como está”.

Disciplina e determinação. E o primeiro exemplo de quem sabia o que queria é Kurt Cobain, o líder do Nirvana. Depois vêm Martin Luther King, Freud e… Hitler.

7. Isole-se

Para a Polícia Civil do Acre, que investigou o desaparecimento de Bruno Borges, o sumiço do autor foi parte de um plano para garantir a divulgação da obra. A questão ainda não está fechada, mas “TAC” dá uma pista:

Ao longo da obra, há recorrentes lembranças de que “sábios” gostavam de praticar o isolamento. De novo, a turma aparece: Da Vinci, Tesla, Jesus, Newton, Einstein, Buda e… Michael Jordan (porque ele treinava sozinho). E Raul Seixas.

No final de maio, conversas encontradas no celular de dois amigos de Bruno Borges mostraram a intenção deles de ficarem ricos com a divulgação dos livros criptografados, informou o delegado responsável pela investigação. “O desaparecimento em si vem coroar a parte da publicidade”, afirmou Alcino Júnior.

Dias depois, o delegado disse que a polícia não tinha “mais responsabilidade sobre o caso”.

8. Hitler, o ‘calamitoso’

Outro que se isolava, lembra Bruno Borges, era o Adolf Hitler. O líder nazista alemão aparece em duas passagens de “TAC”, sendo chamado de “calamitoso” em ambas. O primeiro comentário é este: “E o calamitoso Hitler, conseguiria ele colocar em prática todos os seus sonhos incluídos em seu livro ‘Minha luta’, escrito quando preso, em isolamento, se ele não tivesse feito uso de praticamente todos os itens aqui neste estudo, pelo qual não coloquei seu nome em nenhuma categoria para não inflamar o ódio sobre leitores que não aceitariam que ele fosse visto como sábio”.

Borges cita uma passagem de “O carisma de Adolf Hitler”, de Laurence Rees, na qual “seus companheiros achavam estranho que ele nunca quisesse tomar uns tragos (veganismo, gula) ou fazer sexo com uma prostituta (assexuado), passando o tempo livre lendo ou desenhando (absorvendo conhecimento), ou eventualmente discursando para quem estivesse por perto sobre algum assunto de que gostasse, estranho que parecesse não ter amigos ou familiares e, consequentemente, fosse um homem decidido a ser só (isolamento)”.

9. Usar a TAC pode ser perigoso

Alerta: a TAC não é só alegria, não. De acordo com o autor, “a história tem se encarregado de demonstrar que a grande maioria destes sofriam mais que qualquer outro ser humano na terra”, não deixando de assegurar que “o sofrimento psíquico é muito pior do que o sofrimento físico”. Ele pede “cuidado, muito cuidado” a quem tiver uma “ideia absurda” e quiser divulgar por aí.

Na hora de exemplificar com “praticantes da TAC” que se deram mal, recorre a casos de gravidade muitíssimo variada: tem Jesus (“crucificado”), Giordano Bruno (“queimado vivo”) e o coitado do Thomas Edison (“expulso do primário porque o professor disse que ele era muito burro e tinha a cabeça oca”).

10. ‘Penso, logo crio’

“O ser humano é uma espécie curiosa”, avisa Bruno Borges. Mas por quê? Porque, ao contrário dos outros animais, “se transvia da natureza animalesca” – muito embora muitas vezes não se dê “conta de que também é um animal nu e cru como os demais”.

O fato é que o homem consegue efetivamente criar (teorias, livros etc.), que é “o real propósito da inteligência humana”.

“Eu digo, diferentemente de Descartes ‘penso, logo crio’”, ousa Borges, dando cara nova ao famoso “penso, logo existo”.

Mas o autor é meio radical aqui de novo: “preferiria eu ser qualquer outro primata a um ignorante humano”, conclui, depois de citar que os primatas sabem “exatamente o que tem que fazer no mundo”.

5 frases inspiradoras do livro “Pai Rico, Pai Pobre”

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publicado na Exame

O livro “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kiyosaki, foi lançado em 1997, mas continua fazendo sucesso entre quem busca educação financeira. Ele está em sua 85ª edição e já registra mais de 9 milhões de cópias vendidas no mundo.

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Com linguagem simples, o empresário e investidor mostra os ensinamentos que recebeu de seu pai rico, um empresário que tinha apenas o segundo grau completo. Esses conselhos, segundo o autor, foram o principal impulso para que ele próprio acumulasse sua riqueza.

Além de contestar pensamentos frequentes, como “busque um emprego seguro”, “estude bastante” e “sua casa é o seu maior patrimônio”, Kiyosaki explica como a inteligência financeira é um grande passo no caminho para construir um patrimônio sólido.

 

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O trabalho de auto-conhecimento através dos contos de fadas

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O conto de fada numa abordagem Junguiana

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Marilene Tavares de Almeida, na Biblioteca Virtual da Antroposofia

“Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”. Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.”

A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

dica da Dy Luz

O que os heróis da literatura infanto-juvenil podem ensinar para a sua carreira

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Livros para crianças e adolescentes estão recheados de ensinamentos válidos também para a vida profissional

Isabella Carrera, na Época

Uma pesquisa divulgada recentemente na publicação científica Journal of Applied Social Psychology constatou que leitores da série juvenil Harry Potter melhoraram, por meio dos livros, suas percepções sobre grupos estigmatizados. O estudo abordou crianças e adolescentes antes e depois da leitura da obra. Os resultados indicaram que aqueles que compreendiam a representação de fanatismo e preconceito nos textos de J. K. Rowling adquiriram uma visão mais tolerante em relação a imigrantes e refugiados, enquanto quem se identificou emocionalmente com Harry demonstrou uma percepção positiva sobre integrantes do grupo LGBT.

A pesquisa foi feita mostrando o efeito do herói juvenil sobre crianças e adolescentes, mas as lições aprendidas com essas histórias não servem só aos menores. Mensagens sobre amor, respeito e inspiração são aplicáveis a qualquer faixa etária. Inspirados pelo estudo sobre Harry Potter, elaboramos uma lista com outros personagens infanto-juvenis e o que eles têm a nos ensinar para a vida profissional.

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PARA QUEM BUSCA MUDANÇAS NA CARREIRA (OU DE CARREIRA)

1O Hobbit

Saia da zona de conforto e siga uma aventura

Bilbo Bolseiro é um hobbit – criatura que, por definição, é acomodada, adora hábitos e odeia sair de casa. Quando o mago Gandalf bate à sua porta um dia e convida-o para uma missão arriscada, ao lado de desconhecidos e passando por territórios perigosos, Bilbo entra em contato com um lado seu que não conhecia: a coragem de mergulhar em uma aventura inesperada e fazer de tudo para ajudar seus amigos.

PARA QUEM ANDA ESTRESSADO

1O incrível Hulk

Controle o lado emocional em momentos de estresse

As HQs de O Incrível Hulk contam a transformação do cientista Dr. Robert Bruce Banner. Depois de ser submetido a radiação enquanto salvava um adolescente em um teste de uma bomba militar, acaba ganhando uma “segunda personalidade”: o Hulk. Obscura e agressiva, ela só emerge em situações de fúria. Para seguir com uma vida normal, Banner precisa aprender a se manter calmo e controlar suas emoções.

PARA QUEM PRECISA PÔR OS PÉS NO CHÃO

1Peter Pan

Amadureça sem perder a inocência e doçura

Um dos heróis infantis mais famosos, Peter Pan é um menino que nunca cresce. Ele vive na ilha mágica da Terra do Nunca com um grupo de amigos, chamados Garotos Perdidos. Lá, eles não têm responsabilidades e passam o dia com sereias, piratas e fadas. Mas quando Peter Pan conhece os três irmãos Wendy, John e Michael, ele começa a refletir sobre o que é ser adulto.

PARA QUEM ANDA POUCO CRIATIVO

1Calvin e Haroldo

Relaxe, solte sua imaginação e divirta-se

O protagonista dessa clássica tirinha é um garoto loiro, de cabelo espetado e muito atrevido. Adora fazer perguntas aos pais e aprontar pela cidade ao lado do seu tigre de pelúcia Haroldo – quem, com a ajuda da imaginação, vira um melhor amigo e fiel escudeiro. Andar de trenó, deitar nas folhas secas, fazer guerra de bolas de neve … Calvin tem a infância despreocupada e junto à natureza que todos nós queríamos ter. Por isso, a cada quadrinho, o leitor se lembra de parar, esquecer os problemas e curtir mais o dia.

PARA QUEM ESTÁ SE SENTINDO BOICOTADO

1As vantagens de ser invisível

Todos passam por problemas e o apoio dos colegas é fundamental

O protagonista Charlie, um garoto sensível de quinze anos, está no primeiro ano do colegial. Ele tenta superar dois eventos traumáticos – o suicídio de seu irmão Michael e a morte de sua tia Helen. Enquanto busca sentido nas duas tragédias, Charlie conhece Mary Elizabeth, Sam e Patrick. Cada um dos três colegas também passa por problemas pessoais e, juntos, eles se sentem felizes e confortáveis para mostrar sua verdadeira identidade, ser quem quiserem ser.

PARA QUEM ANDA TRABALHANDO DEMAIS

1Onde vivem os monstros

Não se esqueça de sua vida pessoal

Com um enredo lúdico, Onde vivem os monstros conta a história de Max, um menino arteiro que, ao se irritar por levar uma bronca de mãe, foge de casa em um barquinho e chega sem querer em uma ilha. Nela, moram criaturas mágicas, que o coroam rei e conversam com ele sobre saudades, ter um lar e amar a família.

PARA QUEM ESTÁ QUASE DESISTINDO DE LUTAR

1Jogos vorazes

Tenha senso crítico e lute pelo que você acredita

Em um dos mais recentes fenômenos teens, Katnis Everdeen e Peeta Mellark vivem em uma comunidade que há anos se encontra sob a ditadura d’ O Capital. Esse governo promove os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show em que crianças devem lutar entre si, matando seus oponentes para conseguir sobreviver. Katnis e Peeta reconhecem o abuso de poder por parte do presidente Snow e têm coragem de se posicionar contra ele, mesmo sabendo o risco que eles correm ao fazê-lo.

PARA QUEM É MUITO RACIONAL

1O maravilhoso feiticeiro de Oz

Siga o seu coração

A obra de L. Frank Baum, eternizada pela versão cinematográfica com Judy Garland, mostra a garotinha Dorothy sendo levada por uma ventania sua fazenda no Kansas para o mundo mágico de Oz. Procurando o que é preciso para voltar para casa, ela descobre que, na verdade, sempre teve em si mesma o potencial para alcançar o que quisesse.

PARA QUEMESTÁ PRECISANDO ENGAJAR A EQUIPE

1Mary Poppins

Obrigações não precisam ser chatas

Mary Poppins é a governanta mais simpática da literatura. Ela é exigente, mas gentil. Ordena às crianças a arrumação da cama e o horário do banho, mas transforma cada tarefa em uma festa. Cobrar e organizar a equipe não significa ser um carrasco!

PARA QUEM PRECISA TRABALHAR EM EQUIPE

1Desventuras em série

Para superar crises, é preciso se unir

A saga literária começa quando os irmãos Klaus, Sunny e Violet Baudelaire perdem os pais em um incêndio e são obrigados a viver com o terrível Conde Olaf, homem interessado apenas em herdar a fortuna da família. Unidos, os três órfãos fazem de tudo para escapar das más intenções do novo tutor e lidar com a perda de seus parentes.

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