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A educação no Brasil que deixa mais de 1 milhão de crianças para trás

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 Antônio Cruz / Agência Brasil Mais de um milhão de alunos do ensino fundamental tiveram desempenho insuficiente em leitura e matemática em 2016.

Antônio Cruz / Agência Brasil
Mais de um milhão de alunos do ensino fundamental tiveram desempenho insuficiente em leitura e matemática em 2016.

 

Maioria dos alunos do ensino básico leem de forma truncada e apenas frases simples, não foram alfabetizados adequadamente e não conseguem responder a itens de provas.

Publicado no HuffpostBrasil

Por Mônica Gardelli Franco*

Saber ler e escrever com fluência é um direito de todos. Dominar a leitura e a escrita é um passo importante, não apenas para acessar e construir novos conhecimentos nas mais diferentes áreas, como também para potencializar o exercício da cidadania. Contudo, neste 14 de novembro, Dia Nacional da Alfabetização, temos pouco a celebrar: o Brasil tem fracassado na tarefa de alfabetizar os estudantes ao longo da História.

Exemplo disso são os resultados da última Avaliação Nacional de Alfabetização. Em 2016, foram avaliados mais de dois milhões de alunos do 3º ano do ensino fundamental de praticamente todas as escolas públicas do País. Os dados demonstram que mais de um milhão tiveram desempenho insuficiente em leitura e matemática. Não é possível aceitar que estados como o Amapá tenham oito em cada dez estudantes do 3º ano com nível insuficiente em leitura.

Como a prova foi aplicada no final de 2016, provavelmente essas crianças estão concluindo agora o 4º ano do ensino fundamental. Esse dado nos desafia a tomar providências imediatas. Não podemos deixar que, no futuro, elas venham a fazer parte das estatísticas de adultos que, apesar de terem concluído o Ensino Médio, são considerados analfabetos funcionais.

Segundo o último Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), entre as pessoas que cursaram algum ano ou concluíram o Ensino Médio ,”apenas 9% não demonstram restrições para compreender e interpretar textos em situações usuais e resolvem problemas envolvendo múltiplas etapas, operações e informações”.

Frente a essa grave realidade, o Brasil tem dois grandes desafios que precisam ser enfrentados simultaneamente. O primeiro deles é garantir que as crianças que a cada ano ingressam na escola tenham um ensino de qualidade e, por consequência, uma trajetória escolar exitosa. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer os estudantes não alfabetizados que, felizmente, seguem matriculados nos ensinos fundamental e médio.

A vida não espera. Nossas crianças estão crescendo e quem vai pagar o preço é a sociedade brasileira, que terá um prejuízo incomensurável. Não atacar esses dois obstáculos é perpetuar uma realidade na qual uma parcela significativa da população brasileira seguirá enfrentando inúmeras dificuldades cotidianas, seja na inserção no mercado de trabalho, seja nas mais diversas esferas do mundo social.

Infelizmente, é preciso ter clareza de que os resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização não são novidade. Desde as primeiras edições do Sistema de Avaliação da Educação Básica, no início dos anos 1990, as avaliações já demonstravam que uma parcela significativa dos estudantes chegava ao final da antiga 4º série do ensino fundamental com baixa proficiência em leitura.

Em 2001, por exemplo, 59% dos alunos estavam nos níveis “muito crítico” ou “crítico”, menos de 5% nos estágios “adequado” e “avançado”, e 36,2% no “intermediário”. Isso significa que a maioria dos alunos não eram leitores competentes; liam de forma truncada e apenas frases simples ou não desenvolveram habilidades de leitura; não foram alfabetizados adequadamente; e não conseguiam responder aos itens da prova.

Mas por que, então, não avançamos? Como garantir que todas as crianças que ainda não estão alfabetizadas sejam leitoras e escritoras? Quais medidas corretivas e preventivas podem ser tomadas para superar esse cenário e, principalmente, para que ele não volte a se repetir?

Nos últimos 20 anos, muitos programas e ações foram criados por governos com o propósito de assegurar que as crianças sejam efetivamente alfabetizadas nos primeiros anos do ensino fundamental.

No âmbito federal, podemos citar alguns deles como o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, Pró-Letramento, Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, e agora o Mais Alfabetização, anunciado pelo Ministério da Educação no final de outubro.

Não é possível alcançar esses objetivos sem políticas de Estado sólidas e contínuas, que não sejam realizadas em caráter suplementar e efetivamente cheguem a todas as escolas do País, e não apenas em municípios e estados que têm capacidade técnica ou recursos para realizar essas ações. É preciso ainda assegurar condições materiais e físicas, além de formação continuada de qualidade para professores, coordenadores pedagógicos e formadores das redes.

É verdade que também tivemos avanços. Temos uma vasta literatura e muitos estudos que permitem compreender melhor como formar leitores e escritores proficientes. Todavia, há uma lacuna em como traduzir esse conhecimento para a sala de aula, em práticas pedagógicas intencionais e eficazes que respondam ao desafio da consolidação e desenvolvimento do processo de alfabetização. Sem isso, dificilmente conseguiremos garantir que todos os alunos possam ler, compreender e produzir textos com competência, de forma autônoma.

Precisamos apoiar os educadores, construir uma relação de confiança que possibilite que as escolas sejam efetivamente centros de pesquisas, com investigação, revisão e construção de práticas pedagógicas e de metodologias que possibilitem aos alunos avançarem em seus conhecimentos.

*Mônica Gardelli Franco é superintendente do Cenpec.

MEC cortará vagas no Pronatec e no Ciência sem Fronteiras

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Ministério priorizará o investimento em creches e no ensino básico

Número de vagas no Pronatec diminuirá (Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo)

Número de vagas no Pronatec diminuirá (Foto: Luiz Ackermann / Agência O Globo)

Raphael Kapa, em O Globo

Com cortes em seu orçamento por causa do ajuste fiscal, o Ministério da Educação (MEC) já definiu alguns programas que serão afetados, e entre eles estão o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Ciência sem Fronteiras (CsF), que terão o número de vagas reduzidos em relação a 2014.

“As ofertas ainda serão definidas, mas quantitativamente serão em número inferior ao do ano passado”, informou a assessoria do MEC, em nota.

Sem informar de quanto será a redução, o ministério disse apenas que o tamanho dos cortes “será divulgado em breve”. Segundo a pasta, o ensino básico deve ser preservado ao máximo, com os cortes atingindo mais programas de ensino técnico e superior.

O ministério afirma ainda que as verbas de custeio, responsáveis pelos investimentos nas universidades federais e pagamentos de funcionários terceirizados, estão garantidas.

Desde o ano passado, o corte na educação fez com que universidades entrassem em crise por falta de remuneração de seus funcionários terceirizados. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior federal do país, suspendeu suas atividades devido à falta de serviços de limpeza, segurança e portaria. Alunos chegaram a ocupar a reitoria da instituição requisitando regularização dos pagamentos.

“O Ministério também atua no sentido de garantir os recursos de custeio necessários para o funcionamento das universidades e dos institutos federais”, informou o MEC.

O Pronatec foi um dos principais programas citados pela presidente Dilma Rousseff na campanha presidencial. O governo prometeu, no entanto, poupar dos cortes outro programa que foi também uma das bandeiras do governo na eleição: a criação de creches. Dilma prometeu construir mais 4 mil unidades em seu segundo mandato.

GASTOS ACIMA DO MÍNIMO

Além disso, outros serviços ligados à educação básica, como a merenda e o transporte, também não terão impactos com o ajuste fiscal, segundo o MEC.

“Programas como Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), além de merenda e transporte escolar, não receberam cortes em relação à Lei Orçamentária Anual (LOA), e ainda apresentaram aumento em relação ao empenhado no ano de 2015”, diz o ministério na nota.

O MEC afirmou ainda que, apesar dos cortes nos programas, o ajuste fiscal “preserva os programas e ações estruturantes e essenciais” da pasta e “mantém os gastos do ministério acima do mínimo constitucional”.

ONG lança campanha para envolver pais na educação das crianças

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“Eles não vão garantir ensino de qualidade, mas podem colaborar criando ambiente favorável à aprendizagem”, diz idealizador do projeto
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Publicado em Veja

A ONG Todos pela Educação lançou nesta terça-feira a campanha Somos Todos Educadores, que pretende engajar a sociedade, especialmente os pais, na vida escolar de seus filhos. Baseado em cinco “atitudes” (leia mais ao lado), o movimento quer chamar a atenção para a influência da família no desempenho dos estudantes.

“Pais não vão garantir um ensino de qualidade, mas podem colaborar criando um ambiente favorável à aprendizagem. Incentivar os estudos é o melhor caminho de ajudar uma criança”, explica Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e um dos conselheiros do projeto.

A campanha se apoia em pesquisa com pais e estudantes nas cinco regiões do país que foram analisadas por especialistas de diversas áreas. Em seguinda, foram elaborados os cinco pontos da campanha.

“Pesquisas do Ibope de 2006 apontavam a educação como a sétima prioridade dos brasileiros. Em 2013, o tema passou para o segundo lugar, mostrando que as pessoas estão cada vez mais atentas a essa discussão e cobrando mais qualidade das escolas”, afirmou o publicitário e empresário Nizan Guanaes, fundador do Grupo ABC, e responsável pela comunicação da campanha.

Entre as ações sugeridas às famílias está o inventivo à leitura, a organização de um espaço de estudos em casa, e o acompanhamento das notas pelos pais. “Ir às reuniões na escola não significa participação efetiva, muito menos fazer o dever de casa para o filho. Abrir espaço para conversas sobre a escola e cobrar mais dedicação são atitudes que surtem mais efeitos positivos”, aponta Mozart.

A campanha será desenvolvida inicialmente em escolas públicas, que vão receber material de apoio para coordenadores pedagógicos, com sugestões de atividades que podem ajudar a melhorar a participação da família e com textos feitos pelos escritores Ana Maria Machado, Ricardo Azevedo e Walcyr Carrasco, entre outros.

Apenas um em cada 10 detentos estuda no Brasil

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Levantamento mostra que 40% das unidades penais do país não têm salas de aula, descumprindo lei de 2010
Estados como Rio e São Paulo estão abaixo da média nacional de presos que frequentam salas de aula
Lei da Remição Penal, que está completando 2 anos, esbarra na falta de infraestrutura das prisões brasileiras

Lição na cadeia. Detentos assistem a uma aula de português da 6ª série do ensino fundamental, dentro da prisão, em Bangu Pedro Kirilos / Pedro kirilos

Lição na cadeia. Detentos assistem a uma aula de português da 6ª série do ensino fundamental, dentro da prisão, em Bangu Pedro Kirilos / Pedro kirilos

Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – A professora pergunta qual a diferença entre os pronomes demonstrativos “esse”, “este” e “aquele” e, prontamente, ouve a resposta do aluno Anderson da Cunha Alves, que se antecipa à turma formada por 14 estudantes. Do corredor, olhares atentos observam a movimentação dentro da sala. Parece uma cena comum, rotineira em qualquer escola do país, mas esta lição acontece dentro de um presídio estadual.

Anderson foi preso por tráfico de drogas e é interno da Penitenciária Industrial Esmeraldino Bandeira, no complexo de Bangu, onde cursa a 6ª série do ensino fundamental desde o início do ano. Ele é um dos beneficiados pela Lei 12.433, que dá a presidiários o direito de reduzir sua pena frequentando aulas dentro da prisão. Desde que a lei foi promulgada, há dois anos, subiu de 8% para 10,2% a parcela de detentos no Brasil com acesso a atividades educacionais, algo que especialistas consideram essencial no processo de ressocialização.

A lei foi criada para incentivar a adesão dos detentos ao ensino básico, mas o objetivo esbarra na falta de infraestrutura. Um levantamento do Ministério da Justiça, feito após solicitação do GLOBO via Lei de Acesso à Informação, mostra que, das 1.410 prisões no país, 40% (565) não têm sequer sala de aula. Estão em desacordo com a Lei 12.245, de 2010, que obriga todas as unidades penais a oferecer educação básica e profissionalizante a seus internos.

O crescimento do número de estudantes nos últimos dois anos ainda é tímido diante da realidade da população carcerária. Dos 533.027 detentos no Brasil, 88% não têm ensino básico completo e 45,1% sequer terminaram o ensino fundamental. Mesmo assim, só 54 mil presos (um em cada dez) estão frequentando salas de aula em instituições penais. Destes, apenas 2,6 mil fazem algum tipo de curso técnico. Os dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) são de outubro de 2012, os mais atuais em poder do Ministério da Justiça

— Se realmente queremos reintegrar o detento à sociedade, a medida mais eficaz é a educação. Mas, se todos os presos pedirem para estudar, o sistema penitenciário nacional vai à falência. E aí o governo teria de fazer o quê? Transferir o cara para um presídio com sala de aula ou liberá-lo, porque a educação é um direito dele — avalia o professor Roberto da Silva, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), especialista em educação no sistema prisional e ele próprio um ex-detento.

Rio está abaixo da média nacional

Pela lei de remição penal, o detento pode abater um dia da pena a cada 12 horas de aula. As horas são válidas apenas se divididas em, no mínimo, três dias, para evitar longas jornadas de estudo. A norma engloba penitenciárias, cadeias públicas, hospitais de custódia, colônias agrícolas e outras instituições. E também dá direito à remição para quem trabalha (hoje, 22% dos internos trabalham na prisão).

— Com o aumento da demanda de presos por educação, o maior desafio é ampliar a oferta. A maioria dos estados tem dificuldades de abrir turmas por falta de espaço e recursos — pondera Mara Fregapani, coordenadora de Reintegração Social e Ensino do Depen.

Segundo ela, o Depen esperava ter, até o fim deste ano, 50 mil presos estudando, número que foi ultrapassado em meados de 2012. Para 2014, o órgão espera ter 60 mil estudantes em salas de aula dentro de instituições penais.

Pelos dados do Depen, alguns estados das regiões Norte e Nordeste têm as piores estatísticas. Em Tocantins, 3,4% dos 2.490 detentos estudam (são 85 alunos), e, no Rio Grande do Norte, os estudantes representam 1,8% dos 7.295 presos. Já em Pernambuco, 24,3% dos internos frequentam aulas. Mas estados como Rio de Janeiro e São Paulo estão abaixo da média nacional, com 7,9% e 7,2%, respectivamente.

Anderson é um dos 158 estudantes do Esmeraldino Bandeira. O aluno conta que já deu aulas sobre leituras bíblicas para colegas, mas diz que o ambiente não é dos melhores.

— Costumo ficar muito sozinho aqui. Tem gente que não está a fim de nada. As pessoas vivem esperando um amanhã que não buscam. Procuro as que possam me ensinar e com as quais eu possa aprender — diz.

Segundo o Ministério da Justiça, há no sistema 1.910 professores para 54.779 detentos — média de 28,6 alunos por professor, considerada ideal pelo Ministério da Educação. A gestora social Flora Daemon deu aulas no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, e elaborou uma tese de mestrado sobre relações de poder e educação em penitenciárias.

— Aqui fora, a escola é vista como um lugar de disciplina. No presídio, é de resgate da liberdade — comenta Flora, que conhece bem o preconceito da sociedade contra o presidiário. — Uma vez ouvi de um agente: “Meu filho lá fora sem escola e a senhora aqui, dando aula para vagabundo”

Menos da metade dos professores de escolas públicas leem no tempo livre

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Publicado Primeira Edição

Um cabo de vassoura que era capaz de falar e sentir era o protagonista do primeiro livro lido pela então adolescente Denise Pazito. Hoje, professora e pedagoga no Espírito Santo, ela fala da experiência em seu blog. ‘O livro foi indicado pela escola. Provavelmente, eu estava no 4° ou 5° ano. Ele se chamava Memórias de um Cabo de Vassoura e o seu autor era Orígenes Lessa. Professora inspirada a minha. Acertou na mosca. Uma história encantadora. Me encantou pelo mundo das letras.’

Mas assim como são capazes de encantar, os professores têm em suas mãos o poder de desencantar, não por intenção, às vezes por desconhecimento. Uma pesquisa feita pelo QEdu: Aprendizado em Foco, uma parceria entre a Meritt e a Fundação Lemann., organização sem fins lucrativos voltada para educação, mostra que menos da metade dos professores das escolas públicas brasileiras tem o hábito de ler no tempo livre.

Baseado nas respostas dadas aos questionários socioeconômicos da Prova Brasil 2011, aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e divulgados em agosto do ano passado, o levantamento do QEdu mostra que dos 225.348 professores que responderam à questão, 101.933 (45%) leem sempre ou quase sempre, 46.748 (21%) o fazem eventualmente e 76.667 (34%), nunca ou quase nunca.

No caso de Denise, a leitura levou essa prática para as salas de aula, no entanto, muitos brasileiros terminam o ensino básico sem ler um livro inteiro. Para além da falta do hábito de leitura, a questão pode estar ligada a infraestrutura.

‘O número de professores que não leem é chocante, mas isso pode estar ligado ao acesso. É preciso lembrar que faltam bibliotecas e que um livro é caro. Um professor de educação básica ganha em média 40% menos que um profissional de ensino superior. Acho que faltam políticas de incentivo. Não acredito que seja apenas desinteresse’, diz a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Um levantamento divulgado em janeiro pelo movimento mostra que o Brasil precisa construir 128 mil bibliotecas escolares em sete anos para cumprir uma lei federal que vigora desde 2010. Segundo a pesquisa, faltam 128 mil bibliotecas no país. Para sanar esse déficit até 2020, deveriam ser erguidos 39 espaços por dia, em unidades de ensino públicas e particulares. Atualmente, a deficiência é maior nas escolas públicas (113.269), o que obrigaria a construção de 34 unidades por dia até 2020.

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