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Manter contato com o idioma mesmo após a aula é fundamental para manter o aprendizado

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Foto: Unsplash / Divulgação

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Dica vale tanto para quem estuda no Brasil quanto para quem viaja para um intercâmbio

Publicado no Zero Hora

Não importa se você quer aprender uma nova língua por meio de cursos ou dedicando-se por conta própria. Para todo idioma que se estude, há uma certeza: se a gramática, a fala e a compreensão não forem praticadas com frequência, a tendência é de que o conhecimento vá se diluindo no turbilhão de outras informações que temos de assimilar diariamente.

Manter contato rotineiro com a língua ajuda a desenvolver e manter as habilidades de comunicação. E isso vale tanto para quem estuda no próprio país quanto para os forasteiros que foram se aventurar fora da “pátria amada, idolatrada” – não são raros os exemplos de pessoas que estão em outras nações, mas não aproveitam a oportunidade para interagir com a cultura e os costumes do local que estão visitando.

– Ao usar a língua frequentemente, consegue-se manter a fluência e ampliá-la. O aluno que faz aulas costuma sair da sala e já falar português, por exemplo. O ideal é trazer o idioma que se está estudando para a vida – sugere a coordenadora do Centro de Idiomas da Feevale, Evanize Veiga Spitzer.

Para inserir um idioma estrangeiro no dia a dia, não há mistério, basta planejamento. Dicas simples como fazer a lista de mercado ou configurar as ações do celular em outra língua funcionam bem. Assistir a filmes ou seriados e dedicar um tempo para a leitura de revistas, livros e sites no idioma que se busca fixar também são boas opções.

Mesmo gente que está fora do Brasil deve se esforçar para não deixar a prática de lado. Não são incomuns casos de viajantes que preferem trocar figurinhas com conterrâneos e evitam o contato com nativos ou mesmo estrangeiros de outras nacionalidades.

– Para quem viaja para fora do Brasil com o objetivo de aprender, é importante imergir. É preciso se impor e tentar se informar sobre o lugar visitado – aconselha Evanize.
A professora universitária e pesquisadora Adriana Amaral, 40 anos, é experiente em vivências longe de casa em razão do trabalho acadêmico que desenvolve sobre cultura pop. Entre 2015 e 2016, ela morou temporariamente em Londres por seis meses. Em 2004 e 2005, também viveu um período em Boston, nos Estados Unidos. Por conta dessas experiências, ela reforça a importância de se explorar possibilidades em território gringo.

– A interação com o local se dá nas pequenas coisas: indo ao supermercado, dando uma volta no quarteirão, conversando com as pessoas, pegando metrô ou ônibus. Enfim, situações corriqueiras, para além de aulas, cursos etc. Quando estou no Brasil, procuro ler, ver programas de TV e, por conta do meu trabalho, também tenho muito contato com outros pesquisadores falando via Skype – exemplifica.

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Será o ensino de línguas a forma de fazer um sistema educativo melhor?

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Especialistas internacionais defendem que aprender idiomas estrangeiros faz dos alunos melhores e pode ser uma ferramenta potenciadora da equidade. Portugal ainda está longe dos lugares cimeiros nos rankings de proficiência linguística.

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Samuel Silva, em Público

“Quem aprende línguas estrangeiras, terá um cérebro preparado para aprender qualquer outra coisa”. A ideia é de Pasi Sahlberg, um dos protagonistas da política educativa que fez das escolas da Finlândia um exemplo internacional, que garante que o relevo dado ao ensino dos idiomas foi um dos motivos do sucesso do país nórdico. Tal como este especialista, outros investigadores internacionais estão a apontar no mesmo sentido: a aposta nas línguas pode fazer melhores alunos e ser uma ferramenta potenciadora da equidade.

Pasi Sahlberg era um dos conselheiros do Ministério da Educação finlandês, nos anos 1990, quando aquele país começou a traçar as reformas que o colocaram nas bocas do mundo. Para isso muito contribuíram os resultados dos primeiros testes do Programme for International Student Assessment (PISA), o mega-estudo sobre literacia dos alunos de 15 anos, feito de três em três anos pela OCDE, que foram divulgados a partir de 2001. A Finlândia era então líder em Matemática e Leitura e aparecia no 2.º lugar em Ciências. Nos anos seguintes, manteve-se nos lugares cimeiros dos rankings internacionais e tornou-se um foco de atenção permanente. “Até 2000, não existíamos”, comenta Sahlberg que, nos últimos anos, tem andado pelo mundo a explicar os motivos deste sucesso. Faz conferências e lançou livros, entre os quais “Finnish Lessons”, que lhe valeu o prémio de Educação Grawemeyer, atribuído pela Universidade de Louisville, dos EUA, em 2013.

“Aprender línguas estrangeiras é definitivamente parte do nosso sucesso”, explicou Sahlberg ao PÚBLICO, à margem do Fórum sobre Inovação em Ensino de Língua, organizado pela empresa de educação Education First, que decorreu em Boston, no mês passado. Para este especialista – que actualmente é professor convidado na Escola de Educação da Universidade de Harvard – há três lições que se podem retirar da experiência finlandesa. A primeira é base de todo o sucesso nórdico: um grande investimento na equidade e na igualdade de acesso; depois, há a valorização das carreiras profissionais dos professores. Por fim, o destaque que é dado ao ensino de línguas estrangeiras.

O sistema de ensino na Finlândia é bilingue – há oferta em finlandês e em sueco –, sendo o segundo idioma doméstico introduzido no sétimo ano. Antes disso, no terceiro ano de escolaridade, começam as aulas do primeiro idioma estrangeiro, sendo que a oferta pública no país tem cinco línguas diferentes (inglês, alemão, francês, russo e espanhol). “Acreditamos que é muito importante para conhecer o mundo e suas diferentes linguagens e culturas desde muito cedo”, justifica Sahlberg, para quem a prioridade na aprendizagem de línguas é também uma forma de desenvolver competências transversais e criar “melhores estudantes”.

Uma ideia semelhante foi também explorada no mesmo Fórum por Paola Ucelli, professora associada em Harvard, que coordena um grupo de investigação em Aprendizagem de Línguas naquela universidade. O seu trabalho mais recente centra-se nas diferenças individuais entre alunos no que diz respeito ao seu desenvolvimento em termos de linguagem escrita e oral e a sua associação à compreensão, comunicação e desempenho escolar. A investigadora concluiu que a “a proficiência linguística é um factor-chave de equidade num sistema educativo”, capaz de reduzir distâncias nos resultados entre alunos de contexto socio-económicos distintos.

Os relatórios internacionais têm recorrentemente chamado a atenção para o fraco desempenho do sistema de ensino português no que toca a esbater as assimetrias sociais. E, quando olhamos para o indicador de proficiência linguística dos estudantes portugueses em inglês – comummente usado como o idioma de referência a nível internacional – os resultados recentes não são os mais animadores. Ao contrário do que acontece com a Língua Materna, a Matemática ou as Ciências, a OCDE não testa e compara os conhecimentos dos estudantes a nível internacional em línguas estrangeiras. Mas há outras ferramentas.

A Education First publica há quatro anos o English Proficiency Index, o maior ranking de proficiência em inglês. Na última lista, divulgada no final do ano passado, Portugal surge na 21.ª posição entre 63 países avaliados – fruto de um total de 750 mil testes aplicados em todo o mundo. O resultado nacional significa uma descida de quatro lugares face ao ano anterior e, pela primeira vez, o desempenho nacional é pior do que o espanhol.

A Education First divide os países em cinco grupos. Portugal aparece colocado em proficiência moderada, o terceiro nível, e é um dos últimos países europeus – Eslováquia, Itália e França têm pior performance –, embora à frente de países como a Índia e Hong Kong, que têm o inglês como língua oficial, ou da Coreia do Sul, que tem um dos melhores sistemas de educação do mundo. Globalmente, o ranking é liderado pela Dinamarca. Os primeiros lugares são dominados pelos países escandinavos (Suécia, Finlândia e Noruega ocupam, respectivamente, o terceiro a quinto lugares). Pelo meio, surge a Holanda.

Em Portugal, o inglês é obrigatório durante cinco anos (do 5.º ao 9.º ano), mas será alargado para o primeiro ciclo (3.º e 4.º anos), a partir do próximo ano letivo. O Ministério da Educação e Ciência introduziu também os testes da Cambridge English Language Assessment no 9.º ano, o Key for Schools, no ano passado, e o Preliminary English Test, que corresponde a um nível mais elevado, cujas provas orais começam esta segunda-feira.

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