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Posts tagged ensino de qualidade

Apenas 16 escolas têm todos os professores formados na área em que lecionam

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Esse número representa 0,1% das escolas brasileiras participantes do Enem 2013

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Publicado na Revista Escola

Apenas 0,1% das escolas de ensino médio tem seu corpo docente inteiro formado por professores que atuam na área em que se graduaram. Esta porcentagem representa só 16 das mais de 14,7 mil escolas que participaram do Enem 2013. Em 99,9% das escolas, porém, há professores atuando fora da disciplina em que se especializaram, como um professor formado em física lecionando matemática, por exemplo. Só quatro destas 16 instituições são públicas e todas têm menos de 200 alunos.

Segundo um levantamento feito pelo movimento Todos Pela Educação, 52% dos professores não atuavam na área em que se formaram em 2013. Considerando só os anos finais do Ensino Fundamental, essa porcentagem sobe para 67,2%. O pior resultado é na disciplina de Artes, em que apenas 14,9% dos professores têm formação específica.

De acordo com a meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE), todos os professores da Educação Básica devem ter formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam. Além disto, o item prevê que, em até um ano de vigência do PNE, os governos garantam uma política nacional com esse objetivo.

Veja a lista de escolas brasileiras com todo o corpo docente formado na área em que atua:

Colégio Estadual Padre Rômulo Zanchi – Santa Maria (RS)
Colégio Universitário – Porto Alegre (RS)
Colégio Marco A. Pimenta – Maringá (PR)
Sesi – Centro Educacional – São Carlos (SP)
Colégio Ítaca – São Paulo (SP)
Instituto Metodista de Petrópolis – Petrópolis (RJ)
Colégio e Curso Gau – Rio de Janeiro (RJ)
Sistema Elite de Ensino – Niterói (RJ)
Sistema de Ensino Universus – Rio de Janeiro (RJ)
Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social – Juiz de Fora (MG)
Colégio La Salle – Brasília (DF)
Colégio Intelecto – Feira de Santana (BA)
Colégio Estadual Benedito B do Nascimento – Umbauba (SE)
Colégio Interativo – Maceió (AL)
Colégio Equipe – Macapá (AP)
Escola Estadual Marcantonio Vilaça – Manaus (AM)

Escolas em que mais docentes têm diploma certo vão melhor no Enem

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Ana Carolina Moreno, no G1

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Levantamento feito pelo G1 com dados da edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostra que as escolas de ensino médio que têm maior porcentagem de professores com a formação adequada também são as que atingiram médias mais altas nas provas do Enem. Considerando todas as 14.715 escolas, a porcentagem média de professores com o diploma adequado é de 59,4%. Já entre as escolas com as 100 maiores médias aritméticas das provas objetivas, segundo cálculo feito pelo G1, esse índice sobe para 71,56%.

Segundo Francisco Soares, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os professores do ensino médio precisam ser formados na licenciatura específica da disciplina que lecionam nas escolas. No ensino médio, isso quer dizer que um professor que dê aulas de física tenha diploma de licenciatura em física, por exemplo.

Os dados do Enem por escola foram divulgados pelo Inep na segunda-feira (22). Pela primeira vez, o Inep também divulgou o indicador de formação docente de cada escola.

Só apareceram na lista do Inep as escolas que tiveram pelo menos 50% de seus alunos matriculados no terceiro ano do ensino médio presentes na edição 2013 do Enem.

Professores com mais formação aumentam média

Os dados mostram que a taxa de formação docente não é necessariamente determinante para que uma escola tenha médias altas ou baixas no Enem, já que, na divisão das escolas segundo esse indicador, há exceções.

O Colégio Objetivo Integrado, por exemplo, teve a maior média aritmética das provas objetivas no Brasil (741,94), mas apenas 67% dos professores fizeram a licenciatura específica na área de conhecimento em que dão aulas.

Porém, considerando o desempenho médio das escolas segundo essa taxa de formação docente, é possível verificar que a nota média dos colégios vai aumentando conforme sobe também o índice de professores com o diploma adequado.

O grupo de escolas que têm pelo menos 90% de seus professores formados segundo a legislação reúne 275 instituições.

Nele, a nota média das escolas nas provas objetivas é de 535,00. Já considerando as 497 escolas em que até 25% de seus professores possuem a formação adequada, a média aritmética cai para 480,61, uma diferença de mais de 50 pontos.

Formação docente é meta do PNE
A meta 15 do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado neste ano pelo Congresso Nacional, prevê que os governos federal, estaduais e municipais promovam políticas públicas para que todos os professores da educação básica tenham a formação adequada.

Um levantamento feito pela ONG Todos pela Educação no primeiro semestre deste ano mostra que, apesar de 95,3% dos professores de ensino médio tenham curso de nível superior, apenas 48,3% deles são formados especificamente na área em que atuam. Só 19,2% dos professores que dão aulas de física, por exemplo, têm licenciatura em física.

Escolas do Enem 2013 na meta
Entre as 14.715 escolas que tiveram suas médias do Enem 2013 divulgadas pelo Inep, 10.805 têm pelo menos metade dos professores formados de acordo com a meta do PNE.

Mas apenas 16 já têm 100% de seus professores com a devida formação. Essa informação, segundo a assessoria de imprensa do Inep, vem dos dados do Censo da Educação Básica, informados pelas próprias escolas.

Três colégios dessa lista não informaram essa taxa, e 20 escolas afirmaram não ter nenhum dos professores dentro da exigência da legislação. Outras 487 instituições têm até um quarto de seus professores diplomados de acordo com a formação específica necessária.

Nível socioeconômico X formação docente
Além do efeito que a formação dos professores tem no resultado do Enem 2013, os dados divulgados pelo Inep mostram que a concentração de professores com a formação adequada é mais alta nas escolas onde o nível socioeconômico dos estudantes também é maior.

Na lista do Inep, 4.686 escolas têm nível socioeconômico alto ou muito alto. Nelas, a taxa média de formação docente é de 63,1%. Nesses colégios, a média aritmética das provas objetivas calculada pelo G1 ficou em 568,73 pontos, e a média da prova de redação foi de 606,89.

Já entre as 911 escolas brasileiras que figuram na lista de notas do Enem 2013 e têm nível socioeconômico baixo ou muito baixo, esse índice cai para 46,14%. Nelas, a média das provas objetivas foi de 449,12, e a da prova de redação ficou em 439,21.

Desafios da educação no segundo mandato de Dilma

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Publicado no O Globo

Melhorar a qualidade da educação não será o único desafio dos próximos anos.

Até 2016, o país terá que universalizar o atendimento das crianças de 4 e 5 anos e dos jovens de 15 a 17.

A exigência foi incluída na Constituição, tornando obrigatória a matrícula de quem está na faixa dos 4 aos 17 anos.

Ao contrário do que ocorre no ensino fundamental, em que 98,4% da população de 6 a 14 anos já frequenta a escola, esse índice não passava de 81,4%, entre as crianças de 4 e 5 anos, e 84,3%, na faixa dos 15 aos 17.

O novo Plano Nacional de Educação (PNE) aponta caminhos para o país avançar.

Um deles prevê a rediscussão dos currículos de ensino fundamental e médio pelos estados, municípios e pelo governo federal.

A proposta é estabelecer uma base comum nacional, com a definição de níveis mínimos de aprendizagem por série. Até o ano que vem, as três esferas de governo deverão ainda estabelecer uma política nacional de formação de professores.

Aumentar salários, garantir planos de carreira aos profissionais da educação e adotar o piso do magistério como referência são outros desafios.

Para dar conta das novas despesas, o PNE determina o aumento de gastos públicos com educação para 7% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país, num ano), a partir de 2019. Em 2024, deverá ser atingido o patamar de 10% do PIB.

A elevação da escolaridade dos brasileiros é considerada peça-chave para a redução da pobreza e o aumento da produtividade.

O analfabetismo absoluto de 8,5% da população de 15 anos ou mais deverá ser reduzido para 6,5% até 2019, conforme o PNE, que dá prazo de dez anos para a erradicação do problema.

As metas de melhoria da qualidade exigirão esforço redobrado, especialmente no ensino médio.

De 2005 a 2013, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio subiu apenas 0,3 ponto, de 3,4 para 3,7, na escala até 10.

Para 2019, a meta é chegar a 5, isto é, um aumento de 1,3 ponto. Nas séries finais do fundamental, será preciso passar de 4,2 para 5,2; nas séries iniciais, de 5,2 para 5,7.

Já no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o avanço estipulado no PNE é de 402 para 455 pontos, na pontuação média de matemática, leitura e ciências.

A hora e a vez do ensino fundamental

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José Goldemberg, Estadão

As universidades públicas do Estado de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp – passaram nos últimos meses por uma greve e uma crise que se pode chamar de “conjuntural”, mas não pode ser considerada um problema permanente ou “estrutural”. Apesar dos problemas, elas são universidades de Primeiro Mundo, por qualquer critério que se use para medir o seu desempenho: são comparáveis às universidades da Europa e da América do Norte e se encontram entre as 200 melhores universidades do mundo, onde existem 10 mil universidades.

No entretanto, elas custam ao Estado de São Paulo cerca de 10% dos impostos estaduais. O custo por aluno é próximo de R$ 50 mil por ano, que é o custo típico da anuidade dos estudantes nas universidades pagas no exterior. Os salários dos professores das universidades do Estado são também comparáveis aos de seus colegas em muitos países desenvolvidos.

Esses números são extraordinários para um país em desenvolvimento e um testemunho claro da mentalidade esclarecida do governo do nosso Estado desde 1934, quando foi criada a Universidade de São Paulo (USP). São poucos os países onde a elite dirigente decidiu conscientemente investir tão pesadamente no ensino superior.

Apesar desse esforço, só há lugar nas universidades públicas para cerca de 20% dos alunos que completam o ensino médio. Universidades privadas suprem as demais vagas, cobrando anuidades dos estudantes. Apesar de existirem mecanismos de financiamento governamental, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), para atenuar esse problema, há ainda muito a fazer. Na França, que é um país rico, os estudantes que concluem o curso secundário têm acesso automático a uma universidade pública.

Em contraste, no ensino fundamental em São Paulo gastam-se cerca de R$ 5 mil por ano por aluno, os salários dos professores são inferiores aos de várias profissões da mesma escolaridade e aproximadamente a metade dos salários correspondentes nas escolas europeias.

Não é de surpreender, portanto, que haja enormes carências em prédios escolares, bibliotecas e laboratórios. Simplesmente não há recursos para atender a todas as demandas, apesar de o Estado gastar cerca de 20% de todo seu orçamento no ensino fundamental e médio.

Existe uma falta de clareza sobre a verdadeira natureza dos problemas da educação no Brasil. A abundância de “reformas do ensino”, de leis e regulamentos baixados teve historicamente muito menos impacto do que o aumento gradativo dos recursos orçamentários aplicados na área – um exemplo foi a criação da Universidade de São Paulo em 1934.

O Brasil gasta hoje cerca de 5% do seu produto interno bruto (PIB) em educação, que é aproximadamente o mesmo nível de dispêndio da maioria dos países industrializados da Europa e também dos Estados Unidos. Uma das razões pelas quais o ensino fundamental é bom nesses países é que neles o produto bruto nacional é muito maior que o do Brasil, de modo que os mesmos 5% representam muito mais recursos. Só para dar um exemplo, enquanto o Brasil gasta cerca de R$ 5 mil por aluno por ano em educação fundamental, países da Europa gastam cerca de R$ 20 mil, isto é, quatro vezes mais.

Não é de surpreender, portanto, que tenhamos problemas sérios no País nessa área e, do ponto de vista financeiro, só existem duas soluções para eles: ou aumentar o produto bruto nacional ou a fração dedicada à educação acima de 5%. Para fazer isso seria necessário retirar recursos de outras áreas que são tão ou mais carentes do que a educação, como saúde e segurança pública.

É bem verdade, contudo, que não são apenas considerações econômicas que definem a qualidade do ensino. Tradições culturais arraigadas, como as que existem em certos países ou grupos sociais, levam a uma valorização da educação muito maior do que em outros. Este é o caso da Finlândia, onde os gastos com a educação não são muito elevados, mas o desempenho escolar é um dos melhores do mundo.

Já no nosso país, apesar de as escolas públicas serem gratuitas, muitos jovens precisam abandoná-las para trabalhar e ajudar sua família. No Brasil como um todo, a taxa de evasão do ensino fundamental é de 25%, isto é, um de cada quatro alunos que iniciam o ensino fundamental não chega ao fim desse ciclo.

É por essa razão que apenas cerca de 50% da população do País tem ensino médio completo. Na Alemanha, por exemplo, a taxa de evasão é baixa e 96% da população completa o ensino fundamental. A escolaridade média dos brasileiros é de aproximadamente 7,2 anos, quando idealmente seriam 15. O Chile e a Argentina têm mais de 9 anos de escolaridade.

É difícil imaginar a quantidade de talento e de esperanças que se perde todos os anos quando milhões de jovens abandonam a escola e nem chegam às portas da universidade, que lhes daria oportunidades para um futuro melhor. Essa evasão é muito mais perversa que os vestibulares das universidades públicas, que simplesmente selecionam os mais preparados que batem às suas portas dando a todos igual oportunidade.

A inexistência de cotas que garantam o acesso dos menos privilegiados economicamente à universidade não se compara com os milhões de estudantes que são eliminados antes disso por questões socioeconômicas. Não há sistema de cotas que possa corrigir a discriminação econômica que é a causa básica da evasão no ensino fundamental. O que as universidades estaduais de São Paulo têm feito é introduzir bônus para os candidatos mais carentes que concorrem aos vestibulares, tentando corrigir em parte esses problemas.

É por essa razão que esta seria uma boa hora para dedicar ao ensino fundamental a atenção que as elites dirigentes do Estado de São Paulo deram 80 anos atrás à criação das universidades públicas.

Promessa de Aécio e Dilma, educação integral não é garantia de ensino melhor

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Especialistas estimam ainda que investimento do governo federal no ciclo fundamental teria de crescer 50% para a ampliação do modelo

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Bianca Bibiano, Veja

A educação em tempo integral, modalidade em que o estudante fica ao menos sete horas na escola, é uma das bandeiras dos candidatos à Presidência na corrida eleitoral. O tema ganhou mais força na semana passada quando Marina Silva (PSB), terceira colocada no primeiro turno, apresentou uma lista de exigências para declarar apoio a Aécio Neves (PSDB). A proposta estava lá. Apresentada como estratégia central para o aprimoramento da educação básica no país, a educação integral merece mais reflexão do que permitem as respostas, réplicas e tréplicas dos debates de TV.

Para especialistas ouvidos por VEJA.com, a promessa de expansão da jornada escolar não leva em conta o aumento de investimentos necessário para que as escolas não se tornem meros depósitos de crianças em tempo integral. Isso teria impacto nas contas da União e também de governos locais. Hoje, o governo federal complementa o custeio da educação repassando a Estados e municípios recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), um bolo que este ano gira em torno de 2,05 bilhões de reais.

“As escolas que oferecem período integral recebem, do Fundeb, recursos entre 10% e 30% superiores às demais. Contudo, os valores repassados só são suficientes porque a maior parte das atividades do contraturno são realizadas em parceira com ONGs e voluntários, não com professores”, diz Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em financiamento da educação. “Para fazer a ampliação da jornada com qualidade, o repasse deveria ser 50% maior.”

O aumento de 50% nos repasses cobriria despesas com professores, alimentação, compra de material, água e luz. A construção de novos prédios, necessária para atender ao eventual aumento da demanda por ensino integral, não entra no levantamento. “Ainda que o governo aumente o repasse do Fundeb, a fonte continua sendo a mesma: os impostos. Para cumprir as promessas, portanto, será preciso criar novas fontes de recursos e convencer Estados e municípios a aumentar seus investimentos próprios”, afirma o pesquisador.

O economista Marcelo Neri, ministro-interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, aponta outra questão sensível sobre a ampliação da escola em tempo integral: a qualidade. Neri é autor de um dos principais estudos sobre ensino integral no Brasil, no qual relaciona o tempo em que os estudantes ficam na escola e as notas que eles obtêm no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que reúne aferições sobre a qualidade do ensino público no país, como a Prova Brasil.

Cruzando dados de questionários da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2006 e do Saeb de 2005, ele constatou que mais tempo na escola não é sinônimo de melhor aprendizado. Um exemplo: alunos do ensino médio que tinham entre quatro e seis horas de aula por dia obtiveram, em média, 34,67 pontos a mais no Saeb do que seus pares que estudavam no máximo quatro horas (o conceito mais alto obtido no país naquele ano foi 282,5). Contudo, aqueles que tinham mais de seis horas de aula por dia obtiveram apenas 3,25 pontos adicionais em relação às turmas de quatro horas. Ou seja, a melhoria é quase imperceptível quando se expande o ensino para além de seis horas, como propõem os candidatos — e também como prevê o Plano Nacional de Educação como objetivo para 2024.

“A expansão da jornada pode ser prejudicial quando não é pautada por uma política pública que zele pela qualidade do ensino. Apenas aumentar o tempo de aula sem previsão do que deverá ser ensinado pode prejudicar o desempenho do estudante”, diz Neri. “Além de mostrar que mais tempo na escola não necessariamente significa melhor desempenho, a pesquisa revelou que à medida que o estudante fica mais velho cresce sua resistência ao ensino integral, e suas notas caem.”

Segundo a proposta da candidata-presidente Dilma Rousseff (PT), 20% da rede pública de ensino deverá funcionar na modalidade integral até 2018. Atualmente, essa taxa é de 13,2% das matrículas, de acordo com Censo Escolar 2013. Para cumprir a meta, Dilma promete expandir o programa Mais Educação, tido pelo MEC como o principal responsável pelo crescimento de 45,2% das matrículas em tempo integral entre 2011 e 2013. O programa repassa verbas para 58.293 escolas de ensino fundamental estaduais e municipais, que oferecem cursos de artes, esportes e reforço escolar no contraturno. Quem dá os cursos, contudo, não são professores, mas sim monitores contratados em regime de voluntariado. Cada escola recebe entre 20.000 e 22.000 reais ao ano para pagar os custos da expansão da jornada, o que inclui alimentação, material, transporte e pagamento dos monitores.

Já a proposta de Aécio prevê a expansão do tempo integral de acordo com as metas definidas pelo Plano Nacional de Educação. De acordo com o projeto de governo do tucano, o tempo extra na escola seria usado para “atividades de áreas mais técnicas e científicas, ou ciências sociais e humanidades, ou ainda o aprendizado prático para as profissões em parceria com o setor produtivo”. Como governador de Minas Gerais (2003-2010), Aécio criou um programa estadual de educação integral em parceria com municípios. Em 2013, 10% dos alunos eram atendidos em jornada ampliada.

Para a educadora Isabel Cristina Santana, superintendente da Fundação Itaú Social, um dos desafios que o eleito(a) terá pela frente será adequar a infraestrutura das escolas. “A proposta de deixar crianças o dia inteiro na escola cai bem entre eleitores e famílias. Mas a maioria das escolas brasileiras oferece aulas em três turnos de aula. Para suprir a demanda por mais espaço, uma alternativa é utilizar espaços comunitários como clubes, museus e bibliotecas. Essa dinâmica está dando certo fora do Brasil e certamente reduziria os custos de implantação de um programa em escala federal.”

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