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Pesquisa: maior parte dos estudantes não ingressa na universidade por falta de dinheiro

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Foto: Agência O Globo

Foto: Agência O Globo

 

Publicado no Extra

Pesquisa divulgada nesta terça-feira (25) revelou que 70% dos estudantes brasileiros que se formam no Ensino Médio não ingressam em uma faculdade por falta de dinheiro. O dado é da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), que entrevistou 1.200 pessoas nas cinco regiões do país, entre pais, alunos e ex-alunos do Ensino Médio.

De acordo com o levantamento, 23% dos entrevistados não continuaram os estudos porque não conseguiram passar em uma instituição pública. Destes, 62% desejavam ter ingressado em uma universidade logo após a conclusão do Ensino Médio.

No município do Rio, 54% dos estudantes entrevistados que já se formaram no Ensino Médio não pensavam em cursar uma faculdade. Para 42% deles o motivo principal para ter adiado o sonho foi o fato de não terem condições de pagar. Outros 31% indicam que pararam de estudar porque começaram a trabalhar; e 20% porque não conseguiriam passar em uma universidade pública. Apenas 7% declararam não ter interesse e 4% optaram por curso técnico.

Cerca de 62% dos cariocas que não deram continuidade aos estudos não pretendem retomá-lo. Entre os 38% que desejam voltar a estudar, 87% pretendem fazê-lo nos próximos dois anos. Em São Paulo, 54% não querem mais voltar para a faculdade.

A pesquisa mapeou ainda aqueles que pararam de estudar em algum momento durante o Ensino Médio. Em todo o Brasil essa porcentagem chega a 22%. No Rio, 85% dos que deixaram a escola afirmam ter abandonado porque conseguiram um emprego. Já em Salvador, o principal motivo apontado para deixar de estudar nessa etapa foi a existência de problemas de desempenho (89%).

EXPECTATIVA DOS PAIS

O estudo perguntou aos pais que importância atribuem ao Ensino Superior. Para 98% deles, o ingresso em uma universidade é importante. A maior parte dos entrevistados atribui o diploma universitário à possibilidade de obtenção de um bom emprego.

De acordo com a pesquisa, 78% dos pais entrevistados consideram o ensino superior o caminho natural a ser trilhado após o Ensino Médio. Entre os pais, 62% afirmam que postergariam os estudos dos filhos caso eles não conseguissem entrar em uma universidade pública, e 32% porque não teriam condições de pagar a mensalidade em uma instituição privada.

A educação como privilégio de classe

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Alunos realizam simulados para o Enem em uma escola pública da Bahia. Suami Dias GOVBA

Alunos realizam simulados para o Enem em uma escola pública da Bahia. Suami Dias GOVBA

 

O que o governo Temer pretende com a PEC 241 é dificultar ainda mais o acesso ao ensino superior

Luiz Ruffato, no El País

Em 2007, o escritor Raduan Nassar – autor da obra-prima Lavoura Arcaica – tentou doar sua fazenda Lagoa do Sino, situada em Buri, interior de São Paulo, para a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), com uma única condição: a de que as terras, transformadas em campus universitário, fossem utilizadas para propiciar acesso a jovens sem poder aquisitivo, incluindo filhos de trabalhadores rurais, negros e indígenas. A doação incluía mais de 3.500 m² de área construída, três pivôs centrais de irrigação, quatro silos armazenadores, dois secadores de grãos, sistema de secagem a gás, maquinaria (colheitadeira, tratores, pulverizadores), e muitos outros implementos. O estado São Paulo, à época governado por José Serra, rejeitou a oferta.

Três anos depois, Raduan Nassar conseguiu efetivar a doação para o governo federal, então sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva – hoje a fazenda pertence à Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e vem cumprindo seu objetivo de democratização do ingresso no ensino superior. No entanto, o campus corre agora o risco de ser privatizado ou fechado por conta do estrangulamento de recursos, caso seja aprovada, em definitivo, a PEC 241, em discussão no Senado após tramitar pela Câmara dos Deputados. Se isso ocorrer, o escritor deixou claro que abrirá litígio contra a União por ver frontalmente contrariado o objetivo da doação.

A rara atitude de Raduan Nassar, de desprendimento pessoal e visão de coletividade, se notabiliza ainda mais quando nos sabemos mergulhados em uma sociedade doentiamente egoísta e individualista, que enxerga no próximo alguém a ser explorado ou confrontado, nunca aquele com quem possamos partilhar algo. Mas, infelizmente, a ação contrária, que se desenha em um horizonte próximo, de manter a educação não como direito, mas como privilégio de classe, não é novidade para os que agora estão no poder. O presidente não eleito, Michel Temer, apenas sistematiza o pensamento corrente da elite paulista (não por coincidência também elite tucana), que, acima de partidos, defende interesses ideológicos.

O sistema de cotas em universidades estaduais para alunos provenientes de escolas públicas existe no estado do Rio de Janeiro desde 2000 – no ano seguinte, estabeleceu-se também o critério de cotas raciais para negros ou pardos, adotadas por outros estados ao longo da primeira década do século XXI, incluindo cotas para indígenas. A partir de 2003, as universidades federais também instituíram pouco a pouco os sistemas de cotas, atualmente vigentes em todas elas, além de abolir o vestibular na maioria das instituições, substituído pelo resultado da prova do Enem, submetidas as vagas ao Sistema de Seleção Unificada (SISU). Mas não o estado de São Paulo, comandado pelos tucanos desde 1995, há 21 anos, portanto.

São Paulo possui três sistemas públicos de ensino superior – e apenas a Unesp, com campus espalhados por 24 cidades e oferta de cerca de 7 mil vagas, possui cotas para alunos provenientes de escolas públicas (45% do total), sendo que, destas, 35% são reservadas para negros, pardos ou indígenas, processo iniciado em 2014. As outras duas universidades, USP e Unicamp, permanecem alheias aos sistemas de cotas. Somente a partir do ano passado, a USP passou a disponibilizar parte de suas 11 mil vagas ao ingresso por meio do SISU. Para o próximo ano, serão 2,3 mil vagas, sendo 1,1 mil vagas para alunos vindos de escolas públicas e 586 para autodeclarados negros, pardos ou indígenas.

No entanto, quando observamos de perto esses números – já bastante modestos, 21% do total – nos deparamos com a mentalidade classista do processo: das 2,3 vagas a serem preenchidas pelo resultado da prova do Enem, mais da metade (1,2 mil) são destinadas às Humanidades – só a área de Letras absorve 252 candidatos. E as vagas para quem se autodeclarar negro, pardo ou indígena concentram-se em cursos como Pedagogia, Letras, Ciências Sociais, Filosofia, História, Geografia e licenciaturas em Ciências da Natureza e Matemática (322 vagas, 55% do total). Ou seja, aquelas carreiras pelas quais nossa elite, de forma equivocada, possui verdadeiro desprezo, pois destinam-se à formação de professores.

Outros cursos, considerados mais “nobres”, mantêm-se redutos exclusivos. Por exemplo, as várias engenharias oferecem um total de 1892 vagas, das quais 175 pelo SISU (9%) e 5 (sim, cinco!) para quem se autodeclarar negro, pardo ou indígena – enquanto nos cursos de Medicina, de um total de 275 vagas, apenas 10 são oferecidas pelo SISU e nenhuma para negros, pardos ou indígenas. Já a Unicamp, que possui outras 3,3 mil vagas, não participa diretamente do SISU e nem possui sistema de cotas – oferece bônus para alunos oriundos de escolas públicas e para quem se autodeclara negro, pardo ou indígena.

As universidades públicas brasileiras sempre foram espaço reservado para formação da nossa elite econômica, que também o é intelectual e politicamente. O panorama mudou um pouco com os sistemas de inclusão social – cotas para alunos oriundos de escolas públicas (em geral pobres) e para negros, pardos e indígenas. Mudou um pouco, repito, porque a grande massa de jovens pobres – seja de que etnia for – ainda tem que pagar para estudar em escolas privadas, em geral de péssima qualidade. Mas o que o governo Temer pretende com a PEC 241 é dificultar ainda mais o acesso ao ensino superior, realizando o desejo da nossa sociedade, que, como afirmou o ex-secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, defende a manutenção da pobreza para que continuem existindo cozinheiras, faxineiras, lavadeiras – ou, em outras palavras, para que subsista um exército de mão de obra disponível para o usufruto da casa grande.

Me formei, e agora?

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Texto de Marina Bergamaschi

A passagem do Ensino Superior e o ingresso no mundo do trabalho costuma ser um momento delicado na vida de um profissional. Seja no meio da faculdade — nos estágios obrigatórios ou extracurriculares — seja após a formatura — ao se tentar vagas para o primeiro emprego efetivo ou para processos seletivos direcionados (como os Programas de Trainees), abandonar a condição exclusiva de estudante e iniciar-se como profissional inaugura uma grande transição de status e responsabilidade.

É um momento que revisita a passagem do Ensino Médio para o Ensino Superior e traz novamente à tona as escolhas do final da adolescência: Com que vou trabalhar? Devo continuar a estudar? Como ingressar no mercado? Que estilo de vida posso e quero levar? De que forma posso sustentar meus sonhos?

Porém, mais que reviver a primeira escolha vocacional, trata-se de um momento de construção da identidade ocupacional. Ao mesmo tempo em que o jovem profissional revive suas angústias escolares, defronta-se com novas angústias do mundo adulto e com uma cobrança social renovada para que se posicione de forma muito mais contundente, “adequada” à sua nova posição social: Como pagar as contas? Qual a melhor proposta de emprego? Trabalhar com o que gosto ou com o que paga mais? Como conciliar trabalho e vida pessoal?

Os privilégios que lhe eram concedidos na infância (e para uma parcela ainda mais privilegiada, até o final da faculdade ou além) não existem mais e surge uma comparação com seus pares e gestores, muitas vezes sentidos como competidores mais experientes e que o cobram por atitudes e decisões que ele ainda não se sente preparado para tomar.

A distância entre a formação acadêmica e a realidade cotidiana do trabalho desampara o jovem na entrada no mercado. Escolas e universidades os ensinam a refletir, questionar, criticar, enquanto o mercado ainda espera por boa adaptação às normas, aos valores vigentes, à cultura organizacional, ao job description… Inovação sim, claro, desde que não ponha em risco a fidelidade dos velhos e bons clientes, não questione a autoridade do especialista com tanto tempo de casa, não passe por cima da hierarquia estabelecida… (Salvo raras exceções.)

A busca desenfreada por novos talentos faz com que organizações desenvolvam programas cada vez mais complexos, que prometem mundos e fundos tanto para os candidatos quanto para os resultados do negócio. São oportunidades de Summer Job, Estágio, Trainee, Pós-Trainee, que oferecem ascensão rápida, salário competitivo, autonomia e autogestão, mas acabam por encontrar um gap imenso entre o esperado e o real em termos de maturidade, comprometimento e desempenho, levando a altos índices de rotatividade, seja por desligamento ou abandono. Situações que me lembram de um cartoon popular no final dos anos 90: Pink e Cérebro tinham ideias mirabolantes para dominar o mundo todas as noites, mas no final, eram só dois ratinhos de laboratório… ;-D

A primeira ilusão foi quebrada: não se estuda apenas o que se gosta na faculdade. Estatística na faculdade de Direito, Anatomia na faculdade de Esporte, Genética na faculdade de Psicologia, Antropologia na faculdade de Economia, Sociologia na faculdade de Medicina… Ok, você sobreviveu a isso.

A segunda ilusão está prestes a ser desmascarada também: não se aprende tudo na universidade. Na verdade, a faculdade mais parece um cardápio, onde você entende os principais ingredientes de cada prato (cada abordagem teórica, cada técnica, cada atuação profissional); prova de uma, talvez duas, quiçá três (em iniciações científicas, estágios obrigatórios, trabalhos extracurriculares); mas não se aprende a cozinhar de fato nenhuma refeição completa (para isso, é preciso especializações, é preciso a prática, a experiência, a vida de trabalho em si). Você vai desenvolver as ferramentas ao longo da sua vida laboral, as bases acadêmicas são uma iniciação, mas é um processo contínuo de aprendizagem (ainda bem!) que continuará te desafiando ao longo da sua trajetória de recém-formado. Você também vai sobreviver a isso.

Mas é a terceira ilusão o maior desafio: depois de conseguir passar naquela DP de estatística, estudar os principais pensadores da Economia, se especializar em Análise Macroeconômica, estagiar em Bancos e ONGs, você finalmente vai ganhar sua liberdade e trabalhar com alegria naquilo que mais ama na vida, certo? Não necessariamente. Essa é a idealização que nos acompanha durante boa parte da (se não por toda) vida. E é irreal porque aquela função escolhida, aquele ambiente definido, aquela missão proferida, aquele cotidiano estabelecido, não respondem conforme o seu desejo e, por isso, não serão sempre satisfatórios, estimulantes e agradáveis.

Para começar, não o serão porque nós mesmos não somos constantemente iguais todos os dias: acordamos mais elétricos ou mais preguiçosos (e isso nos faz mais assertivos ou mais impacientes com aquele cliente, aquela negociação, aquela equipe…), levantamos mais otimistas ou mais desanimados (e isso nos faz mais determinados ou menos resilientes com aquele problema, aquele colega competitivo, aquele desafio novo que assumimos…), vamos para o trabalho mais amorosos ou mais mal-humorados (e isso nos faz mais criativos ou menos generosos com aquela produção, aquele chefe, aquele departamento…).

Em segundo lugar, não o serão porque nós mudamos ao longo da vida. Aquele foco de interesse que temos ao chegar na faculdade se transforma ao longo dela, ao sair é outro, ao se ingressar numa função nova é outro e provavelmente vai se alterar mais algumas vezes no decorrer de nossas vidas. Estudos sugerem que todos nós mudamos nosso tema de interesse no trabalho ao menos quatro vezes ao longo da vida produtiva, ou seja, mesmo quem continua sempre trabalhando com Psicologia Clínica, muito provavelmente comece a vida mais focado em transtornos alimentares, por exemplo, passe a se interessar pelas questões do feminino, da maternidade e por fim acabe trabalhando com crianças. Isso em uma carreira razoavelmente estável, mas há uma boa parte que busca (ou é impelido a) transições ainda mais drásticas: de bancário a nutricionista, de engenheiro a psicólogo, de médico a músico, de editor de vídeo a ator, de advogado a decorador…

Em uma sociedade frenética e disruptiva como a nossa, é cada vez mais natural crescermos com multi-interesses, sermos multi-tarefas, desenvolvermos multi-talentos, já que é cada vez mais claro que muitos caminhos podem levar ao mesmo lugar (um psicólogo, um médico, um administrador e um filósofo podem, todos, resolver trabalhar como Coach) e que uma mesma trajetória inicial pode ter desfechos bem diferentes (um engenheiro pode ser projetista, gerente de obras, administrador público, atuar com segurança e saúde, com meio ambiente e até com coaching partindo praticamente de uma mesma formação-base).

Portanto, amigo Universitário, a resposta à sua pergunta “Me formei, e agora?” é: Agora continua a sua ‘formação’, a formação dos seus valores pessoais, do seu projeto de vida, que será (deve ser) sempre atualizado de acordo com as mudanças de fora e de dentro que você continuará vivendo.

Nem é um começo do zero, inédito (você já carrega uma boa bagagem na mala, então aquelas queixas novelescas “Ai, não tenho experiência nenhuma, não sei de nada, não sirvo para nada…” não procedem) e nem é um final definitivo (por isso chega do drama “Oh, minha juventude, lá se vai minha vida boa, é o fim de uma era…”). Esta é a fase da continuidade: keep walking and carry on! Siga, persista, desbrave e carregue junto as suas experiências vividas e que vão se acumulando e se transformando a cada novo elemento que você põe para dentro da mala.

Pare de vez em quando para olhar os mapas (suas metas, seus desejos, os direcionamentos que lhe foram dados) e recuperar sua energia (seu propósito, sua motivação, sua disposição). Pare de vez em quando para conferir a bagagem (seus conhecimentos, suas habilidades, suas atitudes) e reabastecer quando necessário (novos cursos, novas orientações, novos aprendizados). Pare de vez em quando para encontrar novos rumos (replanejar, recalcular, atualizar) e tomar novos ares (novas parcerias, novas inspirações, novas disposições).

Marina Bergamaschi é sócia-fundadora da TRID — Trabalho e Identidade, empresa especializada em Orientação Profissional e de Carreira. Estudou Psicologia, Licenciatura e Especialização em Orientação Profissional e de Carreira, todos na USP. Atuou em consultório particular, escola, hospitais, consultorias e empresas nacionais e internacionais. A vivência clínica em terapia Junguiana e Coaching e a experiência organizacional em Recursos Humanos, proporcionaram um olhar humanista que se uniu à paixão por escrever para criar este e outros textos.

Quando a tecnologia ajuda alunos de escola pública a entrarem na universidade

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publicado na Nova Escola

Olá, professor!

A decisão de o que e onde estudar no Ensino Superior é um divisor de águas na vida dos alunos. Muitos estudantes de escolas públicas sequer consideram ingressar em uma universidade, pois acreditam ter chances pequenas ou se sentem responsáveis por trabalhar para contribuir com a renda familiar.

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Em 2014, 85% dos estudantes de Ensino Médio do Estado de São Paulo estavam em escolas da rede pública, mas eles eram apenas 30% dos inscritos nos principais vestibulares públicos do país. A pesquisa foi realizada por professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e apresentada no simpósio Excellence in Higher Education. Mas esse cenário, felizmente, está em transformação. Este ano, 88% dos aprovados em Medicina na Unicamp estudava em escolas públicas!

Matheus Araújo Silva, de 18 anos, faz parte desse momento de mudança. Ele é de uma família de classe média baixa de Santo André, na Grande São Paulo, e sempre foi aluno de escola pública. Sua mãe, dona de casa, e seu pai, pintor, não fizeram curso superior. “Meu pai queria saber o que eu faria se não conseguisse ser aprovado no vestibular. Ele dizia que eu deveria esquecer os estudos e trabalhar”, contou Matheus.

Acontece que Matheus, ao contrário da maioria dos alunos, era apaixonado por Matemática no Ensino Médio. Sua professora, Mizu, o incentivou a perseguir seu plano: prestar vestibular para Matemática e, um dia, ser professor universitário. Este ano, graças à ajuda de Mizu, das tecnologias educacionais e de um horário de estudos rigoroso, ele entrou na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Sou o primeiro da família a chegar à universidade. Em casa, isso foi um acontecimento enorme”, disse Matheus. A conquista do estudante influenciou a família que, agora, já até torce para que o filho caçula também ingresse no Ensino Superior.

A aprendizagem personalizada como transformador na rede pública

A EE Jardim Riviera, onde Matheus estudou, fica na periferia de Santo André, na Grande São Paulo. Assim como todas as escolas da rede pública do estado de São Paulo, ela recebeu a plataforma de ensino adaptativo da Geekie no ano passado. O projeto, chamado Geekie+, foi oferecido a todos os alunos concluintes do Ensino Médio – e Matheus o considerou essencial para seu aprendizado. Mizu insistia para que seu aluno visitasse o site todos os dias e, apesar de ter aulas em período integral, ele acessava o conteúdo online em casa e nos intervalos. Usava até o trajeto entre uma sala e outra para tirar dúvidas com os professores nos corredores.

Matheus não é um caso isolado. Uma pesquisa da Fundação Lemann, divulgada em março de 2016, mostrou que no Brasil mais de 12 milhões de pessoas estudam com ferramentas digitais de Educação. São jogos, simulados, vídeos e atividades que podem ser acessados pela internet de qualquer lugar, muitas vezes até pelo celular. Também são recursos com linguagem mais jovem e interativa, que vai ao encontro do perfil conectado dos adolescentes.

Lays Reis, ex-aluna da mesma escola na Grande São Paulo e atualmente estudante de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), ressalta a importância dos ambientes de aprendizado online. Ela conta que, antes da chegada da Geekie em sua escola, estudava somente em sala de aula, por meio dos livros didáticos. “Vestibulando também precisa estudar sozinho e só os livros não preparam para prestar as provas. No período em que eu ficava em casa, usava a Geekie”, afirma. Segundo ela, que ainda no Ensino Fundamental pressionou os pais, uma cozinheira e um metalúrgico, para a trocarem de escola em busca de um ensino de qualidade, diz que ter uma plataforma de aprendizagem personalizada foi essencial para que chegasse à universidade.

Lembro também do estudante Henrique Cabral, que nos contou que sempre quis estudar Turismo. Para ele, a vantagem de estudar com a Geekie era a mobilidade: “Eu estudava em período integral e fazia pré-vestibular à noite. Raramente tinha tempo para revisar todas as matérias”. Com a plataforma, conseguia acessar o conteúdo pelo celular ou pelo computador rapidamente. “Eu assistia às videoaulas e logo em seguida fazia exercícios sobre aquele assunto, fixando melhor as matérias”, reflete.

Em 2016, Henrique começou o curso de Turismo na Universidade de São Paulo (USP) – passou na primeira chamada – e é o primeiro da família a entrar em uma universidade pública. Essas histórias representam uma nova geração de jovens brasileiros.

A novidade do ano

Os três relatos acima são especiais. Eles mostram a trajetória de jovens que superaram as próprias expectativas e conquistaram o que, há poucos anos, era algo inatingível para famílias de baixa renda e provenientes da rede pública. Mostram, também, a necessidade de a escola estar aberta para a inovação porque, assim, ela possibilita um acompanhamento personalizado, que respeita as necessidades de cada aluno.

Para a Geekie, essa é a busca constante: tecnologia de qualidade e acessível a todos. Por isso, ficamos animados ao anunciar uma novidade para este ano – e que deve impactar 2 milhões de alunos do 3º ano do Ensino Médio em escolas públicas de todo o país. Trata-se do programa Hora do ENEM, oferecido pelo SESI em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Ele inclui o acervo de aulas, avaliações online do Geekie Games e planos de estudo personalizados. O conteúdo está sendo disponibilizado gratuitamente para os alunos e, para que traga os melhores resultados possíveis, precisamos de mais professoras como Mizu, que incentivem seus alunos a aproveitá-lo. Contando com esse engajamento, espero em breve, ter mais histórias como as do Matheus, da Lays e do Henrique para contar.

Em 13 anos, dobra número de cidades com ensino superior, mostra IBGE

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Publicado em Folha de S.Paulo

Com a forte expansão das faculdades particulares, o número de municípios com unidades de ensino superior dobrou em pouco mais de uma década no país, divulgou o IBGE na manhã desta segunda (14).

Em 2001, 1.079 municípios brasileiros (19,6% dos 5.507 então existentes) tinham unidades de ensino superior em seu território. Em 2014, esse grupo tinha dobrado para 2.222 cidades (39,9% dos 5.570 totais).

Os dados são do suplemento cultural do Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros 2014, divulgados pelo IBGE. O trabalho se propõe a levantar informações da área desde espaços culturais a atividades de ensino e pesquisa.

De 2001 para cá, o setor privado de educação passou por um rápido ciclo de expansão e consolidação, o que gerou gigantes do ensino como Kroton, Estácio, Anima e Ser Educacional, por exemplo.

Esse crescimento foi incentivado, além do aumento de renda da população, por programas do governo federal, como o ProUni (Programa Universidade para Todos), que oferece bolsas a estudantes de famílias pobres, e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), que financia a graduação.

O indicativo de que foi o setor privado –e não o público– que fez dobrar o número de municípios com ensino superior vem de outra pesquisa, o Mapa do Ensino Superior, elaborado pelo Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior.

Segundo esse mapa, o número de instituições privadas de ensino superior saltaram de 1.391 em 2001 para 2.391 em 2013. Nesse período, a expansão na rede pública foi de 183 para 301 instituições.

Com a forte expansão das universidades no período, o número de estudantes de 18 a 24 anos no ensino superior cresceu de 32,9% em 2004 para 58,5% em 2014, segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.

O Perfil dos Estados e Municípios Brasileiros 2014 mostra ainda que os arquivos públicos e de documentação cresceu estavam presentes em 21,7% dos municípios em 2014. Em 2012, quando o dado passou a ser pesquisado, esse percentual era de 18%.

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