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Livro não é presente de Natal

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Cláudia de Villar, no Homo Literatus

Quais são as pessoas que compram um livro para presentear a sua mãe, sua namorada, um cunhado ou um amigo-secreto ou oculto de sua firma? E, para colocar mais lenha na fogueira, quem, realmente, gostaria de ganhar um livro de presente nesse Natal? Quem ficaria feliz? Ou quem ficaria decepcionado?

Eis aí o X da questão. Livro é sinônimo de felicidade? A maioria das pessoas, ao se dirigirem às compras, pensa em adquirir algo que proporcione alegria à pessoa a qual será presenteada, mas o impasse ocorre na possibilidade de contentamento, do prazer de causar impacto e satisfação. Quem presenteia quer causar boa impressão (eis que falo aqui de presente e não de uma lembrancinha), quer que o agraciado demonstre surpresa, que exiba o presente ganho na data festiva para os seus colegas com orgulho, que faça o seu semelhante sentir inveja, dessa forma, muitos travam ante a possibilidade em comprar um livro. Muitos nem cogitam essa hipótese, descartando, sumariamente, a palavra livro de seu dicionário natalino. Livro não é algo que cause inveja. Livro não é presente de Natal.

Por outro lado, temos a criatura que está aguardando o seu presente de Natal. Será que ela tem o desejo de ganhar um livro? Será que naquela listinha de amigo oculto da firma ela escreve, entre as possibilidades de presente, a opção livro?

Quantos pedidos de livro o Papai Noel recebe das crianças? Dos jovens e dos adultos? Quem, entre os terráqueos comuns (não os já acometidos pelo vírus da leitura) almeja ganhar um belo exemplar de uma obra literária? Será que o Senhor Noel não se surpreenderia com um pedido de um livro nessa Era Digital?

Por fim, eis que o Natal se aproxima, deixando para segundo plano a união familiar, o pensamento em Cristo e a importância de seu nascimento, colocando num pedestal a corrida desenfreada às compras do prazer, da luxúria, do amor negado durante todo o ano ao próximo e coloca os mortais na obrigação de comprar o seu perdão, juntamente com a possibilidade de garantir a absolvição de seus pecados através do presente de Natal.

E você, o que quer ganhar de Natal? Que tal um livro?

Maior biblioteca pública da Europa tem 10 andares, jardim suspenso e wi-fi

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Publicado no UOL

http://imguol.com/c/entretenimento/2013/09/18/fachada-da-maior-biblioteca-publica-da-europa-em-birmingham-com-wi-fi-gratuito-em-seus-10-andares-e-jardins-suspensos-o-predio-faz-parte-do-plano-de-renovacao-da-segunda-maior-cidade-1379473483953_956x500.jpg

Esqueça a imagem de livros de páginas amareladas, acumulados em prateleiras poeirentas. Combinando arquitetura, inovações e raridades shakespearianas, a maior biblioteca pública da Europa em número de visitantes redefine o conceito de local de conhecimento.

Localizada a cerca de 2 horas de Londres, a nova biblioteca de Birmingham deve atrair 3,5 milhões de frequentadores por ano, de acordo com as expectativas da organização. Com wi-fi gratuito em seus 10 andares e jardins suspensos, o prédio faz parte do plano de renovação da segunda maior cidade inglesa, mas já serve como referência a outras grandes bibliotecas no velho continente.

O UOL visitou o local, inaugurado no dia 3 de setembro pela jovem paquistanesa Malala Yousafzai. A ativista, que foi levada para Birmingham para receber tratamento após ser baleada pelo Talibã por defender a educação de meninas em seu país, mora atualmente na cidade.

Em um momento em que o governo britânico tem fechado bibliotecas públicas pelo país, abatidas pela recessão, os números estimados para o espaço impressionam.

O prédio de 31 mil metros quadrados foi projeto por arquitetos holandeses para abrigar um milhão de volumes impressos – o maior acervo público no Reino Unido. Desses, 400 mil estão disponíveis para o público.

Conforme o diretor, Brian Gambles, o projeto totalizou £ 188,8 milhões (cerca de R$ 680,95 milhões) – £ 4,2 milhões (R$ 15,15 milhões) a menos do que o orçado.

“É sobretudo um local de transformação: sobre como temos transformado a vida das pessoas, com educação, e sobre como tornar uma biblioteca para a era digital”, ressalta.

Após passar cinco anos trabalhando no projeto, a arquiteta Francine Houben, do escritório holandês Mecanoo, conta que tentou refletir no prédio uma cidade de população jovem e multicultural. Sua obra foi criada para desenvolver os sentidos.

“É uma ode ao círculo”, explica Francine, em referência às formas circulares de diferentes elementos do edifício, como a rotunda de livros, que compreende três andares e conta com luz natural.

Não é apenas a leitura que deve atrair cerca de 10 mil visitantes por dia: o local inclui dois jardins suspensos, anfiteatro ao ar livre, área musical, biblioteca infantil e espaços para estudos com diferentes configurações, entre outros.

“Cada biblioteca é diferente. O que é único na de Birmingham é seu acervo e seu patrimônio”, ressalta a arquiteta, que deve ir a São Paulo no final de outubro para uma palestra.

Área dedicada a Shakespeare tem 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709

Shakespeare no topo

A biblioteca de Birmingham conta com uma das maiores coleções de William Shakespeare no mundo. O dramaturgo inglês – nascido em Stratford-Upon-Avon, cidade na mesma região inglesa – é homenageado em um espaço histórico, remontado no topo do moderno edifício.

A sala fazia parte originalmente da segunda biblioteca da cidade, inaugurada em 1882 (após um incêndio ter destruído o primeiro prédio). Em estilo vitoriano, com painéis de madeira e gabinetes de vidro, ela foi removida inteiramente e restaurada.

Apesar de a coleção shakespeariana ter se tornado maior do que a capacidade da sala já no início do século 20, ela ainda está abrigada no prédio. São 43 mil livros, incluindo as quatro primeiras coleções publicadas das peças teatrais do autor (conhecidos como “Folios”) e edições raras de obras individuais impressas antes de 1709.

As prateleiras do espaço também dispõem de outros importantes acervos, que passam por digitalização para ser disponibilizado ao público. Alguns podem ser conferidos em mesas com touch screen, desenvolvidas especialmente para a biblioteca.

Uma das preciosidades é o arquivo da empresa Boulton & Watt, o mais importante da Revolução Industrial, com cerca de 29 mil desenhos industriais da época.  No catálogo online, há menção da venda de uma máquina a vapor para a cunhagem de moedas para o Brasil, em 1811.

Entre as mais de 8,2 mil publicações datadas antes de 1701, estão três livros impressos em 1479 pelo primeiro gráfico inglês, William Caxton, em perfeito estado. A edição do “Birds of America” (“Aves da América”), publicado pelo naturalista John James Audubon na primeira metade do século 19, figura entre os mais caros do mundo devido sua raridade e é um dos destaques.

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Além disso, a biblioteca pública de Birmingham é a única no Reino Unido a ter uma das coleções nacionais de fotografias, com mais de 3,5 milhões de imagens.

Em outubro, o espaço deverá receber escritores renomados como Lionel Shriver (autora de “Precisamos Falar sobre Kevin” e “O Mundo Pós-Aniversário”) e Carol Ann Duffy (escritora e poetisa escocesa, primeira mulher a ser indicada como “Poeta Laureado” do Reino Unido) durante o festival de literatura de Birmingham.

A expectativa é que a biblioteca se torne um novo destino turístico na região central da Inglaterra.

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