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Ex-professora de história faz sucesso com livros eróticos

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Ex-professora atrai editora com romances eróticos escritos com ajuda de filmes pornôs e Google

Publicado em O Globo

Nana em seu quarto, onde escreve tramas com ajuda de muitas pesquisas no Google (Foto: Agência O Globo)

Nana em seu quarto, onde escreve tramas com ajuda de muitas pesquisas no Google (Foto: Agência O Globo)

A casa de dois quartos fica escondida atrás de um muro bem alto, numa rua aparentemente tranquila de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Quem abre o portão é Janaína, cabelos pretos na altura dos ombros, unhas pintadas de cor vinho, vestido preto comportadíssimo e sapatilhas nos pés. João Inácio, o filho de 4 anos, é apresentado e, minutos depois, estrategicamente retirado da sala, onde a ex-professora se acomoda no confortável sofá bege para mostrar seus livros. Divulgados na internet sob a alcunha de Nana Pauvolih, os textos de Janaína são carregados de erotismo (para alguns, pornografia mesmo) e ganharam leitores (mulheres, em sua maioria esmagadora) por todo Brasil. Só no Wattpad, popular rede social literária, uma única publicação — o terceiro volume da trilogia “Redenção”, que está sendo lançado na boa e velha versão em papel pelo selo de entretenimento Fábrica231, da editora Rocco — teve quase um milhão de visualizações.

— Com 11 anos achei um livro erótico na prateleira da minha irmã mais velha. Ela descobriu, disse que aquilo não era pra minha idade, mas não adiantou. A bronca só aumentou a minha curiosidade. Eu lia escondido — conta Nana, 40 anos, 1,59 metro de altura, 62 quilos e lentes azuis para disfarçar os 10 graus de miopia que tem em cada olho.

Durante a adolescência, ela gostava de ler poesia, mas também de publicações como “Sabrina”, “Júlia” e “Bianca”, série de romances açucarados que vendiam horrores nas bancas de jornais até o início da década de 1980. Inspirada pelos personagens mais variados, Nana (como era chamada em casa, pelo pai bombeiro e pela mãe costureira) começou a escrever em cadernos de capa dura que não mostrava para ninguém.

— Sempre tive curiosidade de saber qual era a relação das pessoas com o sexo. Mas isso foi bem antes de perder a virgindade, sabia? — conta, enquanto passa um batom vermelho nos lábios antes de posar para a foto ao lado.

Com pencas de textos já empoeirados em casa, uma amiga encorajou Nana a publicá-los na internet, em 2012. “A coleira” foi o primeiro deles e conta a história de Lorenza, de 17 anos, que se envolve com um homem rico para tentar salvar a empresa da família da falência. Em vez de uma aliança, Lorenza usa no pescoço o acessório que dá nome ao livro como símbolo da ligação entre os dois.

O enredo, permeado por muitas cenas de sexo descritas sem qualquer censura e com muitos detalhes, acabou chamando a atenção entre tantos outros que surgiram um ano depois do fenômeno “Cinquenta tons de cinza”, da inglesa E. L. James.

Foi aí que a nilopolitana começou a escrever compulsivamente. Virava noites no computador e fazia questão de responder cada mensagem nova que recebia. Nas duas escolas onde dava aulas de História, ela ainda era apenas a professora Janaína.

— Comecei a ficar com muito medo de que algum aluno descobrisse que eu era a Nana Pauvolih da literatura erótica — lembra a escritora, que deixou para trás 18 anos de magistério quando começou a receber (bem) por seu trabalho ainda escuso. — Comecei ganhando quatro vezes mais do que o meu salário de professora. No ano passado, num único mês recebi R$ 22 mil da Amazon por meus livros em versão digital. Foi uma surpresa.

O trabalho começou a aparecer, e Nana teve que revelar o que fazia durante a madrugada para os parentes mais próximos. O marido, gerente de uma empresa de uniformes com quem ela teve também Miguel, de 15 anos, nunca mostrou interesse em ler o que a mulher escrevia. Até começar a folhear “A coleira”.

— Ele disse que estava chocado e que não acreditava que eu pudesse ter coragem de escrever tudo aquilo — lembra a autora, separada desde agosto. — Eu respondi: “Olha, história erótica não pode começar e terminar só com beijinho, não.”

Com um currículo resumido a um casamento e um único namorado, ela diz que assiste a filmes pornôs e faz muitas pesquisas no Google, que geralmente começam no computador que fica numa mesinha no seu quarto, em frente à sua cama. O tema dos dois títulos da série “Quando vi você”, por exemplo, foi sadomasoquismo. O auxílio luxuoso veio de um dominador com quem ela trocou mensagens, mas garante nunca ter conhecido pessoalmente.

As leitoras, que se autodenominam “nanetes”, entram em polvorosa com os galãs da ficção de Nana, para quem dão presentes e pedem dicas para apimentar seus relacionamentos.

— Rimos, choramos, amamos e sofremos com os personagens — afirma a fã portuguesa Maria Cachucha, de 41 anos, que participa de um grupo secreto no Facebook que reúne mais de 4.300 fãs de Nana.

Casada há 23 anos, mãe de dois filhos, a funcionária pública Ana Lúcia Aragão é outra “nanete”.

— Ela aborda temas em suas histórias que nos tocam, que mexem com a gente. Ao mesmo tempo, traz cenas de sexo explícito, que despertam excitação com uma descrição primorosa e realista — elogia Ana, de 48 anos.

Ainda que a escritora não revele muito de suas experiências sexuais, algumas tramas mostram semelhança com sua vida, como é o caso de “Redenção de um cafajeste”. A protagonista, Maiana, tem o mesmo apelido que ela, é fã de samba e da Beija-Flor, mora na Baixada e estuda História na Uerj.

— As personagens de Nana são a sua leitora. Não é nem o pobre idealizado pelo escritor da Zona Sul, violento, miserável sob a opressão capitalista mais cruel; nem aquele pastiche de best seller americano — analisa a agente literária Luciana Villas-Boas, que representa as obras de nomes como Lúcio Cardoso, Alberto Mussa, Silviano Santiago e, desde o ano passado, as de Nana também.

Enquanto a conta bancária engorda, a autora de Nilópolis aproveita para ampliar os investimentos. Em 2014, bancou do próprio bolso a impressão de 300 livros e um espaço na Bienal do Livro e, mais recentemente, fez clareamento nos dentes, matrícula numa academia e agora sonha comprar um apartamento no Recreio:

— Moro longe de tudo e não aguento mais ir de ônibus para os eventos e lançamentos. É sacrificante demais.

Mangá erótico infantil sobrevive no Japão e gera polêmica

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As revistas em quadrinhos do Japão, conhecidas como mangás e animes, formam uma enorme parte da indústria cultural do país e são famosas no mundo todo.

Personagens de mangás eróticas apresentam traços característicos como olhos grandes

Personagens de mangás eróticas apresentam traços característicos como olhos grandes

James Fletcher, na BBC

Mas, algumas delas apresentam materiais como crianças e adolescentes em cenários explicitamente sexuais. E a questão que surge é: por que o Japão decidiu não proibir esse tipo de material?

Em uma tarde de domingo em Tóquio, a Sunshine Creation está lotada. Milhares de fãs de mangás, a maioria homens, estão no centro de exibições, analisando as revistas à venda nas várias salas do local.

Cartazes mostram as heroínas: tipicamente desenhadas com olhos grandes, muitas delas com roupas curtas e justas, além de corpos com proporções impossíveis.

“Esta área lida, principalmente, com criações sexuais”, explicou Hide, um dos organizadores do evento.
Paramos em uma mesa, onde as as capas têm duas garotas exibindo os seios. Para meus olhos elas parecem estar no começo da adolescência, ou até um pouco antes. As histórias mostram as garotas em atos sexuais.

Vários outros estandes vendem material parecido. Certamente isso seria considerado polêmico e possivelmente ilegal em países como Grã-Bretanha, Austrália ou Canadá, mas no Japão não parece ser um problema.

“Todos sabem que abuso de crianças não é algo bom. Mas ter aquele tipo de emoção é algo liberado, imaginar algum tipo de situação sexual com uma criança não é proibido”, disse Hide.

A franqueza de Hide é surpreendente. Ele então me apresenta a palavra “Lolicon”, gíria para “complexo de Lolita”, o nome dado a mangás que mostram garotas em cenários sexualmente explícitos.

E isto pode envolver situações como incesto, estupro e outros tabus. Mas Hide afirma que o gosto dele está mais voltado para romances colegiais.

“Gosto de criações sexuais com garotas jovens, Lolicon é apenas um entre meus hobbies”, disse.

Pergunto o que a mulher dele acha deste “hobby”.

“Ela provavelmente não vê problema. Pois ela também adora meninos interagindo sexualmente”, responde Hide.

Este tipo de material é apenas uma minúscula parte da enorme indústria de mangás do Japão, que gera cerca de US$ 3,6 bilhões (mais de R$ 9,7 bilhões) em vendas por ano. Mas atrai muita atenção e polêmica.

Em junho de 2014, o Parlamento do Japão aprovou a proibição da posse de imagens reais de abuso sexual infantil. A produção e distribuição dessas imagens eram ilegais desde 1999, mas o Japão foi o último país membro da OCDE a banir a posse delas imagens.

Naquele momento também ocorreram pedidos para proibir as imagens sexuais “virtuais”, em mangás, animes e games, de personagens que parecem ter menos de 18 anos. Mas, depois de muito debate, o Parlamento do Japão decidiu não proibir essas imagens.

Fãs de mangás afirmam que, enquanto tudo permanecer no mundo da fantasia, não há problema (Foto: BBC)

Fãs de mangás afirmam que, enquanto tudo permanecer no mundo da fantasia, não há problema (Foto: BBC)

A decisão gerou críticas duras de ativistas do setor de proteção de crianças e ONGs, principalmente fora do Japão.

Comportamento

Uma pista para entender esse comportamento está no fato de que Hide estava discutindo alegremente seu “hobby” apenas minutos depois de me conhecer. Apesar dos mangás envolvendo crianças muito jovens atraírem algum tipo de preconceito social, material sexual envolvendo adolescentes parece ser um interesse comum.

Legisladores japoneses estavam aparentemente relutantes em colocar um grande número de fãs de mangás, possivelmente milhões, do lado errado da lei.

Os fãs como Hide afirmam que estão apenas se divertindo com uma fantasia inofensiva. Nenhum modelo ou ator se envolveu na produção, afirma Hide, portanto, para ele, “não há abuso infantil na criação de mangás com assuntos sexuais”.

Limites

Imagens de personagens vendidas em Tóquio

Imagens de personagens vendidas em Tóquio

Mas o limite entre fantasia e realidade é sempre claro?

O bairro de Akihabara, em Tóquio, é o lar espiritual do mundo dos mangás, um lugar onde os luminosos de neon e música pop tocada em alto volume sobrecarregam olhos e ouvidos. Livrarias de vários andares tomam as ruas, vendendo mangás com todos os assuntos possíveis.

Na sessão para adultos, restrita para pessoas com mais de 18 anos, não é difícil encontrar revistas com títulos como “Estupro Junior” ou “Suíte Japonesa Pré-adolescente”.

“As pessoas ficam excitadas sexualmente por algo, então acabam se acostumando. Então elas estão sempre procurando algo novo, e ficam excitadas com mulheres jovens e imaturas”, afirma Tomo, que trabalha no caixa de uma das lojas que vendem mangás para adultos.

E isto é o que preocupa os críticos: há o temor de que, mesmo que ninguém tenha sofrido abuso na criação de mangás explícitos, eles possam normalizar, facilitar ou levar ao aumento do risco de abuso sexual.

Ninguém sabe se isso pode acontecer mesmo, as pesquisas foram inconclusivas. Mas muitos no Japão, principalmente as mulheres, também têm essas preocupações. Elas vêem as imagens como um sintoma de uma sociedade que ignora a pornografia extrema, que frequentemente humilha as mulheres, e a sexualização de jovens.

Grupos pop

Não é preciso procurar muito no Japão para encontrar essa fascinação com a juventude. Grupos de música pop com garotas muito jovens se apresentam para multidões de homens adultos.

E, em cartazes e propagandas voltados para os mangás, as imagens de jovens estudantes de uniforme escolar estão em todos os lugares.

LiLy, uma escritora popular de livros para mulheres jovens, “‘Sex and the City’ ao estilo de Tóquio”, segundo ela, contou um pouco sobre seu tempo de estudante, quando homens se aproximavam dela e das amigas e ofereciam dinheiro para comprar suas meias ou calcinhas.

Para a autora LiLy, este tipo de mangá deveria ser proibido (Foto: Divulgação)

Para a autora LiLy, este tipo de mangá deveria ser proibido (Foto: Divulgação)

“Acho nojento, é muito pervertido”, afirmou. O fascínio com a sexualidade adolescente tem a ver com “o poder que homens querem ter, homens que estão cansados de mulheres fortes e independentes”, diz.

O modelo de família dos pais de LiLy ainda é forte no Japão: o pai que ganha o dinheiro e a mãe que fica em casa, uma dona-de-casa. Mas a fraqueza na economia do país torna esta situação difícil para os homens.

“Há pessoas no setor de negócios que não são bem-sucedidas, talvez eles estejam apelando para a fantasia com os mangás Lolicon. Eu odeio, odeio muito. Quero que o Japão expulse essa perversão, deixe as crianças fora dessa perversão, mesmo que seja apenas fantasia”, afirmou a escritora.

Mas outros são mais céticos em relação à intervenção do governo no assunto, principalmente para determinar o que é “bom” ou “apropriado” no setor das fantasias das pessoas.

“Existem todas as razões para criticar, tudo bem. Mas quando você dá às pessoas a autoridade de policiar as outras, baseado no que eles podem fazer ou pensar, isto é policiamento do pensamento”, afirmou o tradutor de mangás e defensor da liberdade de expressão Dan Kanemitsu.

Quando questionado se era a favor dos direitos dos autores de criarem mangás com crianças e tabus como estupro e incesto, ele permanece firme.

“Não me sinto à vontade com isso, mas não tenho direito de dizer às pessoas como elas devem pensar, o que elas querem dividir. Enquanto elas não desrespeitarem os direitos humanos de outras pessoas, o que há de errado em ter uma vida de fantasia?”

DVDs

Em meio às lojas de Akihabara, a ativista Kazuna Kanajiri, que trabalha com proteção de crianças, me leva para ver algo que, segundo ela, é um problema muito maior do que os desenhos e revistas. Subimos as escadas de uma loja e acabamos em uma sala cheia de DVDs.

Dan Kanemitsu afirma que não se pode dar autoridade para policiar os pensamentos e fantasias alheios

Dan Kanemitsu afirma que não se pode dar autoridade para policiar os pensamentos e fantasias alheios

Kazuna tira um da prateleira e ele mostra imagens reais de uma garota que, segundo ela, tem cinco anos. Ela usa um traje de banho minúsculo e posa em posições sexualmente sugestivas, que imitam a pornografia adulta. Todos os outros DVDs na loja também mostram crianças reais.

Este DVDs são chamados “Junior Idol” e se popularizaram depois que a produção de pornografia infantil foi proibida em 1999. Eles driblam a lei cobrindo os genitais das crianças, mas Kanajiri afirma que a lei ficou mais severa em junho.

“Pessoas que exploram crianças devem ser punidas. É completamente ilegal (…), mas a polícia não enfrentou (o problema).”

O conteúdo de mangás e animes, mostrando menores em situações sexuais, pode ser chocante e chamar a atenção. Kanajiri e outros ativistas afirmam que, por enquanto, eles se concentram em lutas mais importantes para proteger crianças reais.

No entanto, a ativista afirma que ainda não desistiu da questão dos mangás.

“Quero que desapareça. Até 2020, quando as Olimpíadas ocorrerem no Japão, temos que transformar o Japão em um país que as pessoas não chamem de cultura pervertida”, afirmou.

Esta é uma descrição que os fãs de mangá rejeitam. Mas, com a aproximação das Olimpíadas, os olhos do mundo se voltarão para o Japão, pressionando toda a cultura de mangá e anime a fazer parte do que as pessoas vêem como o “Japão legal” e não o “Japão esquisito”.

Obras literárias pernambucanas apostam em erotismo, dramas pessoais e biografias

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Vem por aí lançamentos de Camila Wander, Stéphane Chao e Raimundo Carrero, Antônio Campos e Ana Maria de Araújo Freire

Da esquerda para a direita: Clarice Freire, Camila Wander e Raimundo Carrero lançam livros neste ano. Crédito: Colagem/Diario de Pernambuco

Da esquerda para a direita: Clarice Freire, Camila Wander e Raimundo Carrero lançam livros neste ano. Crédito: Colagem/Diario de Pernambuco

Fellipe Torres, no Diário de Pernambuco

A protagonista é impotente, meio burra. O par romântico tem poderes de sedução quase paranormais. Ao se encontrarem, sexo, sexo, sexo… e chega ao fim Cinquenta tons de cinza. Apesar da crítica antecipada disparada contra o enredo, a pedagoga Camila Wander, 26, estará na estreia do filme, daqui a um mês. Vai observar a “concorrência”.

Há dois anos, a recifense leu e reprovou o best-seller de E.L. James (100 milhões de cópias vendidas). Achou falso, americanizado. Na internet, disponibilizou de graça a própria história erótica, com personagens bem brasileiros, “normais, inteligentes”. Quatro milhões de leituras depois, a autora diz ter sido disputada por oito editoras. Em março, lança nacionalmente O safado do 105, com tiragem entre três e cinco mil cópias.

Se o caso da pernambucana soar inverossímil, basta lembrar a trajetória da escritora britânica. Até 2010, não havia publicado absolutamente nada, e em pouco tempo fez sucesso na web com versão erótica do drama Crepúsculo. Feitos os ajustes necessários, surgiu a trilogia. Segundo a Forbes, E.L. James lucrou US$ 95 milhões em 2013 e US$ 10 milhões no ano passado. “Depois do boom de Cinquenta tons, o gênero se consolidou. Abriu espaço para muita gente. Publicar uma autora com esse perfil, ainda mais do Nordeste, é um ótimo sinal para o mercado”, diz a editora de ficção da Planeta, Márcia Pereira.

Outro estreante na literatura produzida no estado, Wander Shirukaya fez o caminho contrário. Principal vencedor do 2º Prêmio Pernambuco de Literatura, o morador de Itambé, na Mata Norte, foi primeiro consagrado pela crítica especializada. Em janeiro, o livro Ascensão e queda chega ao público, em edição da Cepe. Hoje professor de inglês, ele rememorou os anos de guitarrista de banda de rock para engendrar o romance, que acompanha a decadência de um grupo após o suicídio do líder.

Embora seja permeada de referências à cultura pop, a narrativa se concentra nas maneiras de lidar com a morte de um ente próximo. Revela, ainda, a relação entre o desejo da fama e as frustrações naturais da carreira. “Atuar como músico me fez encarar diferente o glamour vendido pela mídia, lidar com a demora ou com a falta de reconhecimento, seja no rock ou na literatura”. O prêmio do Governo do Estado também vai editar livros de Helder Herik, Tadeu de Melo e Rômulo César Lapenda.

+Vem por aí

Romances

O ensejo de Valentina, de Adriano Portela. Segundo romance do escritor é protagonizado por mulher que confunde devaneios com vida real. A narrativa distópica desvela os problemas sociais de um império. Entre os personagens, Jorge Luiz Borges e Gilberto Freyre. A fábula de Dualina e Mar de sangue, de Arnaud Matoso. O escritor publica pela Chiado Editora duas ficções. Uma narra o resgate de um surfista por uma sereia. A outra, ambientada em 2016, imagina ataques de tubarão na orla do Recife.

A editora de livros artesanais Mariposa Cartonera anunciou coleção com dez obras de escritores brasileiros contemporâneos. Até agora, o único anunciado foi o pernambucano Marcelino Freire. A publicação será possível a partir de financiamento coletivo pela plataforma www.kickante.com.br.

Não ficção

Boa Vista – Berço das artes plásticas pernambucanas, de Jacques Ribemboim e Wilton de Souza. A obra mostra como o bairro no centro do Recife foi o epicentro do furacão cultural que tomou conta da cidade entre os anos de 1930 e 1980.

Nordestes, de Stéphane Chao e Raimundo Carrero. Em coautoria com o agente literário, o escritor pernambucano revela a literatura nordestina muito além do regionalismo e mostra os caminhos tomados pela produção de grandes autores.

Paulo Freire – Uma história de vida, de Ana Maria de Araújo Freire. O selo Paz & Terra reedita a biografia do educador pernambucano reconhecido internacionalmente, escrita pela viúva de Paulo Freire.

O escritor e advogado Antônio Campos prepara biografia do avô, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar. A trajetória pessoal e política será contada em três volumes ilustrados, pela Editora Carpe Diem.

Adolescentes recriam histórias consagradas e publicam na web

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Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic ‘After’ tem apelo erótico e um protagonista ‘mulherengo e bêbado’

Roberta Salomone em O Globo

RIO – Quando encontra um nome perfeito para um personagem ou consegue imaginar um desfecho surpreendente para um novo enredo, Caroline Figueiredo corre para fazer anotações em seu caderno. Depois, a estudante, fã de comédias e filmes como “Jogos vorazes” e “Os Vingadores”, passa tudo para o computador e disponibiliza a produção na internet. Já são mais de 60 histórias acompanhadas e comentadas por leitores de várias partes do Brasil e do mundo. Todas baseadas em “The 39 clues” (“As 39 pistas’’), série de livros que Caroline nem se lembra mais de quantas vezes leu.

— O que faço é fanfiction. Me inspiro para criar novas histórias a partir de outras que gosto — explica a menina de 16 anos sobre o gênero literário nascido na web e definido como “ficção de fã”.

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos - ANTONIO SCORZA

Caroline Figueiredo, de 16 anos, costuma escrever suas histórias em cadernos – ANTONIO SCORZA

Textos sobre os mais diferentes temas que usam celebridades como personagens e repetem tramas já conhecidas viraram febre entre os adolescentes, que seguem autores novatos como Caroline em sites que abrigam milhares de histórias. Harry Potter é, disparado, o mais citado. Entre as séries de TV, “Glee” e “Doctor Who” saem na frente, já no meio musical, só dá o One Direction. Escrita por uma americana de 25 anos, a fanfic “After” tem grande apelo erótico e um protagonista “mulherengo e bêbado” batizado com o mesmo nome e sobrenome de um dos integrantes da boyband. A trama teve mais de um bilhão de visualizações e deve seguir o sucesso de “Cinquenta tons de cinza”, também originária na internet e inspirada em outra obra: “Crepúsculo.’’ Por questões legais, a versão impressa de “After” teve nomes trocados antes de chegar às livrarias e, em breve, vai virar filme.

— Fanfic não é só sacanagem não — avisa Babi Dewet, de 28 anos, autora da trilogia “Sábado à noite’’, que vendeu mais de dez mil cópias e fala sobre a banda britânica pop McFly.

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros - ANTONIO SCORZA

Babi Dewet ganhou fama na internet com suas “fanfics”, que viraram livros – ANTONIO SCORZA

O primeiro livro de Babi foi bancado pela mãe. Hoje, ela está entre as escritoras mais populares do gênero por aqui. É formada em Cinema, coleciona seguidores no Twitter e no Instagram e com seus longos cabelos com pontas azuladas, dificilmente passa despercebida. Nos braços carrega nove tatuagens, entre elas um Yoda de “Star Wars”, os símbolos das relíquias da morte de “Harry Potter”, e uma estrela igual à do líder do grupo preferido.

Ainda que não tão estilosas como Babi, muitas outras meninas (sim, elas são maioria esmagadora no mundo das fanfctions) sonham em trilhar o mesmo caminho e não medem esforços para isso. Sabem que fórmula pronta não existe, mas reconhecem que há algumas maneiras de fisgar novos leitores na web. Escrever ou pelo menos pensar num título em inglês, por exemplo, pode despertar uma maior curiosidade e resultar num maior número de visualizações.

Enquanto uns acham que usar enredos já conhecidos ou nome de famosos não passa de plágio, há quem veja a produção como uma homenagem.

— Ninguém é verdadeiramente famoso hoje em dia se não tiver sua obra recriada por dezenas, centenas e milhares de fãs — afirma Cristiane Costa, autora de “Sujeito oculto”, livro escrito a partir de uma colagem de diferentes títulos. — O mercado passou a olhar este tipo de literatura com outros olhos. O que chama atenção é o número de visualizações e seguidores. É um tipo de autor que já vem com seu próprio público a tiracolo.

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores - ANTONIO SCORZA

Marcela Moreira (à direita) e Leticia Black fazem parte do Clube das Autoras, site que tem 30 mil leitores – ANTONIO SCORZA

Foi exatamente o que aconteceu com Letícia Black, também conhecida como ” Leka Judd. No currículo da escritora de 24 anos há 90 fanfics espalhadas pela internet e o recém-lançado “Garota de domingo”, que fala sobre o conturbado romance entre Pam e Davi. O livro de Letícia está nas estantes de grandes livrarias dividindo espaço com séries best sellers internacionais como “Diário de um banana”.

Marcella Moreira tem 19 anos e é autora de 18 fanfics (“Eu escrevo muito e muito devagar”, confessa). Como Letícia, Cell é uma das participantes do Clube das Autoras, site que existe há dois anos, tem 30 mil leitores e cerca de 200 textos disponíveis.

— Os homens têm preconceito com o nosso trabalho. Acham que só escrevemos sobre bandas com garotos bonitinhos. Mas não sou dessas que ficam apaixonadas por qualquer um. Meu coração bate mais forte é pelo Fluminense — conta Marcella, que não tem namorado e é autora de alguns contos indicados apenas para maiores de idade por relatarem triângulos amorosos, traições e vinganças.

Beatriz Sosinho, de 16 anos, também fala e escreve sobre esses e outros assuntos, em tese “proibidos” para menores como ela. Prefere usar títulos em inglês e sempre cita bandas e cantores em seus textos. A ideia de “The fox and the snake” veio de “Hey you”, do Pink Floyd, e a história medieval “Stairway to heaven” foi batizada como a música do Led Zeppelin.

— Conheci o Sex Pistols lendo fanfics, sabia? — comenta Beatriz, a BJ Stewart.

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias - ANTONIO SCORZA

Da esquerda para a direita, Beatriz Sosinho, Giovana Rita e Giovanna Lobo passam noites em claro lendo e escrevendo suas histórias – ANTONIO SCORZA

Enquanto alguns carregam o laptop para a cama para acompanhar as aventuras de seus personagens favoritos, outros leitores chegam a imprimir páginas e mais páginas de textos como uma forma de driblar o controle dos pais.

— Já fiz isso, mas hoje prefiro ler no celular mesmo. Aí sei que ninguém vai implicar comigo. Se pudesse, passava noites em claro lendo, mas tenho que acordar cedo para ir para a escola — reclama Giovana Rita, de 17 anos, fã de mitologia grega e autora de cinco fanfics.

Um dos segredos do sucesso das “ficções de fãs” é a possibilidade de dar ao leitor a chance de “customizar” o que vai ler. Antes do acesso ao texto, muitas delas permitem que se escolha o nome, cor dos olhos e cabelos do protagonista, além do nome do melhor amigo ou pretendente. É uma maneira de ser inserido no cenário e fazer parte do universo que tanto gosta.

Nos Estados Unidos, só o site Fan Fiction tem cinco milhões de textos em 30 idiomas, e um dos principais no Brasil, o Fanfic Obsession, disponibiliza mais de oito mil histórias de diferentes gêneros, tem 18 mil acessos todos os dias de 25 países e 97% dos leitores do sexo feminino, entre 14 e 21 anos. Vislumbrando um mercado dos mais lucrativos, a Amazon permite desde o ano passado que fanfics sejam vendidas através do Kindle Worlds. Lá, a regra é clara: os lucros com as vendas devem ser divididos com os autores das obras originais.

— Acho o máximo participar de tudo isso e não ligo para quem diz que o que a gente faz é plágio. Esta é uma forma de incentivar a leitura e fazer novos amigos — acredita Giovanna Lobo, de 16 anos, que tem 36 textos publicados e um deles, “Anjo imperfeito”, com partes inteiras copiadas em outra fanfic na semana passada. — Não tem jeito. Até a gente corre esse risco.

Concurso Cultural Literário (17)

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Considerado um dos melhores álbuns de quadrinhos já produzidos, Os Companheiros do Crepúsculo se passa na Idade Média durante a Guerra dos Cem Anos. A história é centrada nos personagens do Cavaleiro, Mariotte e Anicet, em sua busca por redenção ou pela simples sobrevivência. Misturando fantasia e lutas sangrentas, cenas cotidianas e um tom de erotismo, um dos destaques desta obra-prima das HQs é o belo e detalhado traço do autor, que transporta os leitores para os cenários e o clima da época. Imperdível para quem gosta de grandes histórias e para os amantes da arte dos quadrinhos!

Vamos sortear 2 exemplares da HQ “Os Companheiros do Crepúsculo“.

Para participar,  basta responder quais os 2 países europeus protagonizaram a Guerra dos Cem Anos?

Envie sua resposta para o e-mail [email protected].

Atenção: Respostas na área de comentários serão apagadas.

O resultado será divulgado dia 8/10 às 17h30 neste post e no perfil do Twitter @livrosepessoas.

Boa sorte! 🙂

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Parabéns aos ganhadores: Filipe ChamyDeborah Evelyn.

Por gentileza enviar seus dados completos p/ [email protected] em até 48 horas.

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