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Manoel de Barros corrigiu 300 livros a mão, após achar erros, diz amigo

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Essa e outras passagens revelam traços da personalidade do escritor.
Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, em Campo Grande.

Trecho de livro de Manoel de Barros que foi corrigido por ele, após descobrir os erros de digitação (Foto: Anderson Viegas/Do Agrodebate)

Trecho de livro de Manoel de Barros que foi corrigido por ele, após descobrir os erros de digitação
(Foto: Anderson Viegas/Do Agrodebate)

Anderson Viegas, no G1

Com mais de 32 anos de amizade com o poeta Manoel de Barros, que morreu na manhã desta quinta-feira (13), em Campo Grande, o técnico agrícola e jornalista, Pedro Spíndola, guarda com carinho algumas passagens reveladas pelo próprio amigo e outras vivenciadas por ele no período de convivência que revelam traços marcantes da personalidade do escritor.

A amizade resultou na publicação em 2006 do livro “Celebração das Coisas” que faz um “apanhado” sobre a figura de Manoel de Barros.

Em entrevista do G1, Spíndola contou algumas dessas histórias. “O Manoel era muito tímido. Com os amigos e a família era alegre e brincalhão, mas com os outros era muito tímido. Ele me disse que logo depois de se formar em Direito, no Rio de Janeiro, foi trabalhar em um sindicato, se não me engano dos portuários. A entidade estava fazendo uma mobilização e mandaram que ele fosse dar uma entrevista na rádio. Na hora, em que ele foi entrar no ar, acabou vomitando no microfone, de nervoso e foi embora, sem dar a entrevista”, conta.

O jornalista diz que outra passagem que reforça o lado tímido de Manoel de Barros foi quando ele foi procurar o também xará, Manoel Bandeira, no Rio de Janeiro. “Ele era fã do Manoel Bandeira e naquele tempo os prédios não tinham como hoje, portaria, então as pessoas entravam direto. Ele foi até onde o Bandeira morava, subiu até o andar do apartamento dele, bateu na porta e não conseguiu esperar, virou as costas e foi embora”.

Essa timidez, conforme o amigo, fez com que o poeta não gostasse de dar entrevistas. “Ele tinha uma imensa preocupação de ser pego de surpresa, por isso, até uns 20 anos atrás ele falava que quem quisesse conhecê-lo deveria ler seus livros. Mas quando tinha de dar entrevistas, ele gostava de fazer por escrito, porque ai ele tinha tempo de pensar na pergunta e elaborar as respostas. Ele tem coisas maravilhosas ditas nessas entrevistas que respondia por escrito”, recorda.

Outra passagem da convivência com o amigo recordada por Spíndola é a que envolve o “Livro das Ignorãças”, de 1993. “O bibliófilo José Mindlin veio junto com a filha para Mato Grosso do Sul especialmente para conhecer o Manoel. Dessa passagem e com poemas escolhidos pelos dois nasceu o livro, que teve apenas 300 exemplares impressos. Um dia, o Mindlin mandou todos os exemplares para que o Manoel numerasse e assinasse cada um deles, mas acontece que ele achou nos livros dois erros nos seus poemas. A moça que digitou trocou duas palavras e aí ele não hesitou, rabiscou a caneta as palavras erradas e corrigiu escrevendo em cima”.

Um dos erros foi no poema “Uma Didática da Invenção”, onde logo na primeira linha a digitadora trocou a palavra “mundo” do original de Manoel de Barros, por “corpo”. A frase publicada no livro foi: “Para apalpar as intimidades do corpo é preciso saber:”, enquanto que a correta, com a correção do autor era: “Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:”.

O amigo se emociona ao recordar as passagens com o poeta e lembra da luta que trava para preservar a história de Manoel de Barros. Ele mostra, inclusive, uma pasta com diversos projetos sobre o poeta e sua obra que nunca conseguiu viabilizar.

Pedro Spíndola mostra pasta com projetos sobre Manoel de Barros que, por falta de apoio, não saíram do papel (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Pedro Spíndola mostra pasta com projetos sobre Manoel de Barros que, por falta de apoio, não saíram do papel (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Entre as iniciativas estão desde um encontro nacional sobre o trabalho de Manoel de Barros, passando por livros, como um de fotografias, em que profissionais tentariam retratar com imagens as poesias de Manoel, até um jornal sobre a obra dele, que chegou a ter das edições. “Falta apoio. Tentei viabilizar todos esses projetos [mostra a pasta] mas não consegui”, lamentou.

Com a morte de Manoel de Barros, Spíndola diz que o Brasil e o mundo perdem um poeta único. “Não tem o que falar da obra dele. Não tem como discuti-la. Não tem nada parecido e nenhum parâmetro para discuti-la”, concluiu.

 

25 imagens que resumem a sua relação com os professores

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Quando ele te faz uma pergunta porque pensa que você tá desatento e você acerta.

Rafael Capanema, no BuzzFeed

1. Quando ele te faz uma pergunta e você erra.

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Via Twitter: @momentoselena

2. Quando ele faz pergunta pros melhores alunos.

Via Twitter: @victorac

Via Twitter: @victorac

3. Quando ele te faz uma pergunta porque pensa que você tá desatento e você acerta.

Via Twitter: @tiago_costa9

Via Twitter: @tiago_costa9

4. Quando ele te faz uma pergunta porque pensa que você tá desatento e você acerta. (2)

Via Twitter: @raafaelacvieira

Via Twitter: @raafaelacvieira

5. Quando ele te faz uma pergunta porque pensa que você tá desatento e você acerta. (3)

Via Twitter: @BatataReal

Via Twitter: @BatataReal

6. Quando ele manda sublinhar.

Via Twitter: @SamuelBeuran

Via Twitter: @SamuelBeuran

7. Quando ele passa filme na aula.

Via Twitter: @realjoaoverde

Via Twitter: @realjoaoverde

8. Quando ele falta…

Via Twitter: @gomeznoiada

Via Twitter: @gomeznoiada

9. …mas tem professor substituto.

Via Twitter: @opaparazzii

Via Twitter: @opaparazzii

10. Quando ele coloca conteúdo a mais na prova.

Via Twitter: @ejuniorls

Via Twitter: @ejuniorls

(mais…)

 

Por que as pessoas escrevem tão mal?

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anciedadeSteven Pinker, no The Wall Street Journal [via Observatório da Imprensa]

Por que tanta gente escreve tão mal? Por que é tão difícil entender uma decisão de governo, ou um artigo acadêmico, ou as instruções para configurar uma rede sem fio em casa?

A explicação mais popular é que a prosa opaca é uma escolha deliberada. Burocratas insistem em fazer uso de jargões para cobrir sua anatomia. Escritores de tecnologia de visual hispter se vingam dos atletas que chutaram areia em seus rostos e das meninas que se recusaram a namorá-los. Pseudointelectuais cheios de biquinhos usam de um palavreado obscuro para esconder o fato de não terem nada a dizer, na esperança de enganar seu público com jargões pretensiosos.

Mas esta teoria enganosa torna muito fácil demonizar as pessoas, deixando-nos fora do gancho. Ao explicar qualquer falha humana, a primeira ferramenta a qual recorro é a Navalha de Hanlon: nunca atribua à malícia o que é adequadamente explicado pela estupidez. O tipo de estupidez que tenho em mente não tem nada a ver com a ignorância ou o baixo QI; na verdade, muitas vezes são os mais brilhantes e mais bem informados que mais sofrem disso.

Frustrações diárias

Certa vez fui a uma palestra sobre biologia dirigida ao grande público em uma conferência sobre tecnologia, entretenimento e design. A palestra também estava sendo filmada para transmissão pela internet a milhões de outros leigos. O orador era um biólogo ilustre que havia sido convidado para explicar seu recente avanço nos estudos da estrutura do DNA. Ele fez uma apresentação técnica repleta de jargões, adequada a seus colegas biólogos moleculares, e logo ficou evidente para todos na sala que ninguém entendia patavinas e ele estava perdendo o seu tempo. Evidente para todos, isto é, exceto para o biólogo. Quando o anfitrião interrompeu e pediu-lhe para explicar o trabalho de forma mais clara, ele pareceu genuinamente surpreso e nem um pouco irritado. É desse tipo de estupidez que estou falando.

É a chamada Maldição do Conhecimento: a dificuldade de imaginar como é para alguém não saber algo que você sabe. O termo foi cunhado por economistas para ajudar a explicar por que as pessoas não são tão astutas na negociação quanto poderiam ser, sendo que muitas vezes possuem informações que o seu adversário não tem. Os psicólogos às vezes chamam isso de cegueira mental. Em um experimento didático para comprová-la, uma criança vem ao laboratório, abre uma caixa de confeitos de chocolate M&Ms e fica surpresa ao encontrar lápis ali. Não só a criança pensa que outra criança que entrar no laboratório de alguma forma saberá que a caixa está cheia de lápis, como vai dizer que ela mesma sabia que havia lápis ali o tempo todo!

A Maldição do Conhecimento é a melhor explicação do porquê as pessoas boas escrevem numa prosa ruim. Simplesmente não ocorre a elas que seus leitores não sabem o que elas sabem – que não dominam o jargão de seu meio, que não conseguem adivinhar os passos perdidos que parecem demasiadamente óbvios para serem mencionados, que não têm como visualizar uma cena que para elas é tão clara como o dia. E assim, o escritor não se preocupa em explicar o jargão, ou em explicitar a lógica, ou em fornecer os detalhes necessários.

Qualquer um que deseje acabar com a Maldição do Conhecimento primeiro deve avaliar o quão diabólica é esta maldição. Tal como um bêbado que está ébrio demais para perceber que não tem condições de dirigir, nós não notamos a maldição porque ela mesma nos impede de perceber. Trinta estudantes me mandaram arquivos de seus trabalhos com o nome “trabalho.doc psicologia”. Se entro em um site de seguros de viagens, devo decidir se clico em GOES, Nexus, GlobalEntry, Sentri, Flux ou FAST, termos burocráticos que nada significam para mim. Meu apartamento está cheio de gadgets dos quais nunca consigo me lembrar como utilizar por causa de botões inescrutáveis que devem ser pressionados por um, dois ou quatro segundos, às vezes dois de cada vez, e que muitas vezes fazem coisas diferentes, dependendo de “modos” invisíveis acionados por outros botões. Tenho certeza de que tudo estava perfeitamente claro para os engenheiros que os projetaram.

Multiplique essas frustrações diárias por alguns bilhões de vezes, e você começará a ver que a maldição do conhecimento é uma chatice generalizada sobre os esforços da humanidade, a par com a corrupção, doenças e entropia. Quadros de profissionais caríssimos – advogados, contabilistas, gurus de computador, atendentes de suporte de empresas – drenam enormes quantias de dinheiro da economia para esclarecer textos mal redigidos.

Olhar para o outro

Há um velho ditado que diz: “Por falta de um prego a batalha foi perdida”, e o mesmo vale para a falta de um adjetivo: a Carga da Brigada Ligeira durante a Guerra da Crimeia é apenas o exemplo mais famoso de um desastre militar causado por ordens vagas. O acidente nuclear de Three Mile Island, em 1979, foi atribuído à má redação (operadores interpretaram erroneamente o selo de uma luz de alerta), assim como muitos acidentes aéreos fatais. O visual confuso da “cédula em borboleta” entregue aos eleitores de Palm Beach na eleição presidencial de 2000 levou muitos adeptos de Al Gore a votarem no candidato errado, o que pode ter favorecido George W. Bush, mudando o curso da história.

Mas como podemos acabar com a Maldição do Conhecimento? O tradicional conselho “sempre lembre-se do leitor sobre seu ombro” não é tão eficaz quanto se poderia pensar. Nenhum de nós tem o poder de enxergar todos os pensamentos alheios, de modo que se esforçar ao máximo para se colocar no lugar de outra pessoa não faz de você muito mais preciso para descobrir o que a pessoa sabe. Mas é um começo. Então é isso: “Ei, estou falando com você. Seus leitores sabem muito menos sobre o assunto do que você pensa, e a não ser que você rastreie o que você sabe e eles não, certamente irá confundi-los”.

A melhor maneira de exorcizar a Maldição do Conhecimento é fechando o ciclo, como os engenheiros dizem, e obter um retorno do universo dos leitores, isto é, mostrar um projeto para pessoas semelhantes ao seu público-alvo e descobrir se elas são capazes de acompanhá-lo. Os psicólogos sociais descobriram que somos confiantes demais, às vezes ao ponto da ilusão, a respeito de nossa capacidade de inferir o que as outras pessoas pensam, até mesmo as pessoas mais próximas de nós. Somente quando consultamos as pessoas é que descobrimos que o que é óbvio para nós não é óbvio para elas.

O outro jeito de escapar da Maldição do Conhecimento é mostrando o projeto para si, de preferência depois de ter se passado tempo suficiente para o texto deixar de ser familiar. Se você é como eu, vai se flagrar pensando: “O que eu quero dizer com isso?”, ou “Para onde isso vai?”, ou muitas vezes “Quem escreveu esta porcaria?”. A forma pela qual os pensamentos ocorrem a um escritor raramente é a mesma com que são absorvidos por um leitor. Conselhos sobre a escrita não são exatamente conselhos sobre como escrever, e sim como revisar.

Muitos dos conselhos aos escritores têm o tom de um conselho moral, de como ser um bom escritor vai fazer de você uma pessoa melhor. Infelizmente, para a justiça cósmica, muitos escritores talentosos são canalhas, e muitos ineptos são o sal da terra. Mas o imperativo de superar a Maldição do Conhecimento pode ser o pequeno conselho profissional que mais se aproxima do conselho moral: sempre tente sair de sua mentalidade provinciana e descubra como as outras pessoas pensam e sentem. Pode não fazer de você uma pessoa melhor em todas as esferas da vida, mas vai ser uma fonte de contínua bondade para com os seus leitores.

[Steven Pinker é Professor de Psicologia na Universidade de Harvard e presidente do Usage Panel of the American Heritage Dictionary. Este artigo foi adaptado de seu livro “The Sense of Style: The Thinking Person’s Guide to Writing in the 21st Century”.]

Tradução e edição: Fernanda Lizardo.

 

O currículo de 2014

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Para 46% dos gestores, dois erros de digitação já podem eliminar candidato

BOA_CURRICULO

Maíra Amorim, em O Globo

Em seu livro “Socialnomics”, de 2012, o consultor americano Erik Qualman prevê que, por volta de 2022, o currículo de papel estará morto. Mas, enquanto isso não acontece, o documento continua sendo a principal ferramenta utilizada para se conseguir um novo emprego, embora cada vez mais complementado por informações de redes sociais, especialmente as incluídas no LinkedIn.

E, por mais que alguns profissionais apostem na renovação do formato, elaborando currículos criativos e cheios de design, a grande maioria usa mesmo o bom e velho Word. O que não representa qualquer problema, dizem especialistas, desde que alguns aspectos sejam observados.

— O currículo é a primeira apresentação e tem que ter conteúdos básicos, que permitam ao recrutador saber se o candidato atende aos requisitos da vaga — afirma Jacqueline Resch, sócia e diretora da Resch RH, para quem erros de gramática e ortografia são imperdoáveis em um currículo.

Segundo pesquisa feita recentemente nos EUA pela consultoria Robert Half, entretanto, a tolerância dos gestores e recrutadores americanos em relação à quantidade de erros de digitação nos currículos varia. Para 46% dos entrevistados, dois erros bastam para que o candidato seja desconsiderado com base no currículo, enquanto 27% toleram até três erros e 17% só relevam um.

O curioso é que o resultado mostra que os gestores estão mais tolerantes que há cinco anos. Levantamento de 2009 revelava que um erro era o bastante para que um currículo fosse desconsiderado por 40% dos entrevistados. Outros 36% apontaram dois erros e 14%, três. Para Sócrates Melo, diretor de operações da Robert Half, no Brasil, a exigência costuma ser maior.

— Acredito que somos menos tolerantes, mas a necessidade, de fato, gera tolerância. Erros podem existir, sim. Se for grave ou se o volume for grande, eles ganham relevância. Mas se for algo que ocorreu por falta de atenção, por exemplo, eu realmente não vejo tanto problema.

Veja o que destacar e o que não precisa ser incluído no documento:

EDUCAÇÃO:

SIM: É importante destacar os cursos de graduação, pós, mestrado ou doutorado que tenham sido realizados, mas sempre de forma objetiva, indicando o ano de conclusão e, apenas se for relevante, algumas disciplinas cursadas.

NÃO: Não é necessário listar todo o histórico educacional, desde o ensino fundamental. Também não é recomendado incluir cursos que não tenham sido concluídos ou aqueles que foram feitos há muito tempo.

EXPERIÊNCIA:

SIM: Essa parte conta muitos pontos, mas o profissional deve saber resumir bem suas atividades, para o recrutador entendê-las de cara. O currículo ideal não deve ter mais de duas páginas, então longas experiências correm risco de nem serem lidas.

NÃO: Listar todas as experiências profissionais só é pertinente para um recém-formado ou universitário. Se o candidato está em um nível mais sênior no mercado, não faz diferença se ele trabalhou em loja ou deu aula particular no início da carreira.

IDIOMAS:

SIM: A fluência em língua estrangeira deve ser destacada, pois é bastante valorizada. Mas, se o inglês está enferrujado, vale a pena ser honesto e colocar, por exemplo, o ano de conclusão do curso, para indicar possível necessidade de atualização, o que nem sempre será um problema.

NÃO: Indicar que tem “espanhol básico” ou “inglês intermediário” é um dos erros mais cometidos por candidatos. Se a fluência for realmente necessária para a vaga, isso será testado, e a informação do currículo, desmentida.

OBJETIVOS:

SIM: Quem opta por incluir o campo “Objetivos profissionais” no currículo precisa ser sucinto e específico: o candidato deve listar a área de atuação pretendida e explicitar os conhecimentos em poucas linhas e com clareza.

NÃO: “Profissional pró-ativo com objetivo de atuar na área de administração e colaborar com a empresa”. Para colocar um objetivo vago e genérico, que não diz muita coisa, é melhor suprimir essa parte do currículo.

NÃO ESQUECER: Nos contatos, e-mail e celular devem estar sempre visíveis. Não é necessário incluir dados como identidade e CPF. Hoje em dia, recomenda-se também colocar no currículo links para os perfis nas redes sociais ou para blogs ou sites pessoais. Mas isso só vale para o que estiver atualizado. Se o recrutador clicar e vir que o último tweet do candidato é de 2011, poderá desconsiderá-lo. O mesmo vale para o LinkedIn, que, além de atualizado, deve ter uma foto que indique profissionalismo.

 

Sinal vermelho para os vícios de linguagem

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Projeto em Maringá busca mostrar a grafia correta das palavras. Para isso, faixas com pequenas lições estão sendo levadas para semáforos e outros locais públicos

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Marcus Ayres, Gazeta Maringá

 

Apesar de incorretas, expressões como “de menor” e palavras como “mindingo” e “seje” são comumente faladas e escritas por muitas pessoas. Buscando evitar a propagação destes vícios de linguagem, um advogado de Maringá iniciou uma campanha para mostrar a grafia correta e esclarecer significados dos termos.

Algumas das lições repassadas pelo projeto
Não existe a palvra “menas”, somente menos

O plural é troféus e não “troféis”

O correto é faz 10 anos e não “fazem 10 anos”

O correto é casa geminada e não “germinada”

O plural é cidadãos e não cidadões

Não se fala “di menor”, mas sim, menor de idade

O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio

É duzentos gramas e não duzentas gramas

Não é “perca” de tempo, mas perda de tempo

O certo é mortadela e não mortandela”

O correto é cadarço e não “cardaço”

Trata-se do projeto Sinal do Saber. Desde julho, faixas feitas com material reciclável são levadas para locais públicos, principalmente semáforos. Basta o sinal ficar vermelho para que painéis entrem em cena chamando a atenção dos motoristas e pedestres para erros comuns. As mensagens são curtas e diretas como: “O certo é meio-dia e meia e não meio-dia e meio” e “Não é perca de tempo mas perda de tempo”.

“Pensei numa maneira de melhorar o nível cultural de nossa cidade. Sabemos que o desenvolvimento cultural é essencial para uma comunidade ir bem”, explicou o idealizador do projeto, Lutero de Paiva Pereira. O projeto é custeado por empresas e profissionais liberais que se tornaram apoiadores culturais e tem seus nomes divulgados nos painéis.

Atualmente, oito faixas estão em circulação pela cidade, sendo colocadas principalmente em cruzamentos onde existe um fluxo maior de tráfego. A escolha dos pontos é feita a cada fim de semana, levando em consideração a realização de eventos que possam atrair um grande número de pessoas. As mensagens também são fixadas em praças e parques e divulgadas pela internet, na página que o projeto mantém no Facebook www.facebook.com.br/sinal.dosaber.

Ampliação

A receptividade da ação foi tão boa que o projeto já está sendo levado para dentro das empresas. É o caso da Catamarã Engenharia, que está orientando os funcionários a corrigirem certos vícios de linguagem. A proposta também deve ganhar outras cidades, como Cuiabá (MT). “Um empresário de uma rede hoteleira achou a ideia boa e pediu autorização para implementá-la em sua cidade”, revelou Pereira.

Já a Secretaria de Cultura de Maringá autorizou a divulgação das faixas durante o desfile da Independência no próximo dia 7. Com o sucesso do projeto, o idealizador já prepara uma ampliação. Além de evitar erros gramaticais, as faixas devem, em breve, veicular informações sobre o Município e o país, além de outros temas como história mundial.

“Queremos colaborar de alguma forma para termos uma sociedade cada vez mais aculturada, o que implica num trabalho de longo prazo e esforço de muitos. De qualquer forma, se o projeto durar apenas poucos meses, espero que nesse tempo ele tenha se prestado ao fim que motivou sua criação e tenha servido para muitas pessoas.”

Falta de conhecimento

Para a professora de Língua Portuguesa do Centro Universitário de Maringá (Unicesumar), Débora Azevedo Malentachi, o uso incorreto da língua acaba ocorrendo por causa da simplicidade das pessoas e da falta de conhecimento.

“Muitos desses vícios de linguagem são passados pela família e pelos amigos. A pessoa acaba usando determinadas palavras até para não ser excluída socialmente. Por isso, projetos como o do Sinal do Saber são importantes. Se a pessoa compreende o uso da língua, passa a falar corretamente.”

Débora lembra que mesmo as pessoas que conhecem mais a língua acabam usando palavras gramaticalmente inadequadas. “A língua portuguesa é muito rica. Para se comunicar com maior clareza, é importante conhecê-la”, explicou a professora, que é mestre em Letras.

dica do Jarbas Aragão

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