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Lorrayne Isidoro Gonçalves: uma atleta do cérebro

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Lorrayne Isidoro (Foto: Marcia Foletto/Agência O Globo)

Lorrayne Isidoro (Foto: Marcia Foletto/Agência O Globo)

 

A vitória na Olimpíada de Neurociência de Lorrayne, de 17 anos, moradora da favela e estudante de escola pública, mostra o que as oportunidades podem fazer por nossos jovens

Flavia Yuri Oshima, na Época

A segunda-feira, 27 de junho, encerrou uma angústia para a família Isidoro Gonçalves que se arrastava havia mais de 45 dias. A 24 horas do momento do check-in no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, os passaportes da estudante carioca Lorrayne Isidoro Gonçalves, de 17 anos, e de sua mãe, Estela Meirelles Isidoro, de 38 anos, ficaram finalmente prontos, depois de um atraso agonizante. Perder o prazo de embarque não implicaria apenas a remarcação de hotel e passagens. A demora de a Polícia Federal entregar os documentos a Lorrayne e sua mãe poderia levar o país a perder a oportunidade de disputar uma medalha na Olimpíada Internacional de Neurociência, a Brain Bee, que ocorre nesta semana em Copenhague, na Dinamarca, com a participação de adolescentes de 52 países. Lorrayne ficou em primeiro lugar na versão brasileira da competição. Antes dela, outros dois garotos e uma menina, desde 2013, levaram o nome do Brasil para a competição internacional. Lorrayne é a primeira aluna vinda de uma escola pública a representar o Brasil. Lorrayne é também a primeira negra a ficar entre os primeiros colocados. E Lorrayne é, além disso, a primeira adolescente nascida numa favela a embarcar para a Dinamarca para enfrentar competidores de todo o mundo. Não obstante esses predicados, Lorrayne representa muito mais do que a escola em que estuda, a comunidade em que vive ou a cor de sua pele. Sua história representa, sobretudo, a força das oportunidades num país em que a grande maioria da população negra e pobre como Lorrayne sofre com a falta de perspectivas.

O conteúdo abordado no curso de dez horas e na prova de 100 questões que compõem as Olimpíadas de Neurociências não existe no currículo do ensino médio de nenhum país. Os alunos devem correr para estudar morfologia, farmacologia, linguística e pontos mais avançados de biologia e química. Para chegar à Dinamarca, Lorrayne se preparou ao longo de dois anos. Passou a participar do grupo de estudo de incentivo à pesquisa em ciências mantido pela Fiocruz, no Rio de Janeiro, e recebeu a ajuda de uma professora do Colégio Pedro II, onde estuda, para aprender conteúdos mais avançados de biologia. Em 2015, colou no calcanhar da vencedora e levou a medalha de segundo lugar na Olimpíada brasileira. Neste ano, disparou na frente. “Não posso revelar a pontuação, mas Lorrayne abriu uma vantagem enorme em relação ao segundo colocado”, diz Alfred Sholl Franco, neurocientista e coordenador nacional da competição, criada em 1999, nos Estados Unidos.

Além do drama com o atraso da passagem, Lorrayne também passou um bom tempo no suspense de como viabilizaria a viagem. A organização da Olimpíada criou uma página na internet para pedir contribuições para Lorrayne viajar. Em cinco dias, foram arrecadados R$ 54 mil. Por fim, a direção do Colégio Pedro II conseguiu recursos do Fundo de Assistência Estudantil, que bancou passagens e custos da viagem para Lorrayne, sua mãe e a professora que a ajudou nos estudos extras.

O foco nos últimos dois anos na área de ciências não comprometeu o desempenho de Lorrayne em outras áreas. Pelo segundo ano consecutivo, a estudante ganhou uma bolsa do colégio por seu desempenho no curso de escrita criativa. Ela recebe R$ 150 por mês. Nessa oficina, ajudou a montar o primeiro livro com produção dos alunos no ano passado. Lorrayne tem um conto seu entre os textos selecionados. Nele, descreve as agruras de um adolescente que mora com sua família num país em guerra e vive triste porque as escolas estão fechadas. Como Lorrayne dá conta de tanta coisa ao mesmo tempo e se sai bem nelas?

Meio sem jeito com a pergunta e muito tímida, a própria Lorrayne ensaia uma resposta, sentada no voo que a levará para a Dinamarca, enquanto o avião não decola: “Só faço isso, então…”. É a professora de língua portuguesa Liliane Machado quem arrisca uma resposta mais elaborada. “Ela é inteligente e dedicada e, acima de tudo, tem clareza de que a educação é o caminho para se sobressair e melhorar as condições de vida que tem hoje”, diz ela.

INCENTIVO PÚBLICO Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A escola designou uma professora para ajudar Lorrayne em estudos extras (Foto: Divulgação Pedro II)

INCENTIVO PÚBLICO
Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A escola designou uma professora para ajudar Lorrayne em estudos extras (Foto: Divulgação Pedro II)

 

Lorrayne é a filha mais velha entre quatro meninas. Ela e a família moram na favela Camarista, no Méier, desde que os pais passaram a viver juntos, há 20 anos. No mesmo bairro, o pai, Jorge Gonçalves, de 62 anos, mantém uma barraca próxima a uma agência do Banco do Brasil, onde revende pães, bolos e doces. Sai de casa às 9 horas da manhã e retorna por volta da meia-noite. “É quando encontro Lorrayne estudando”, diz ele, que cursou até o 2o ano do ensino médio. “Ela vai à tarde para a escola, mas usa a manhã para fazer outros cursos. Por isso tem de ficar à noite debruçada nas lições”, diz seu Jorge. Na casa de dois quartos em que Lorrayne mora há sempre alguém estudando. Além dela e das irmãs, que segundo o pai também são ótimas alunas, crianças e adolescentes da vizinhança ocupam a sala e a cozinha para receber as aulas de reforço da mãe de Lorrayne, Estela Isidoro. Com o dinheiro dessas aulas, ela complementa o que o marido ganha como camelô e consegue manter as filhas mais velhas longe da jornada de trabalho e do estudo noturno, comum na comunidade. Estela nunca frequentou pedagogia ou licenciatura. O que ela ensina aprendeu em seu tempo de escola e nos livros das filhas. Ninguém na família cursou uma faculdade, assim como ninguém tem um emprego formal, convênio médico ou qualquer tipo de seguro. Entre os dias 26 de junho e 11 de julho, não haverá nenhum tipo de entrada financeira na família. As aulas estão suspensas enquanto Estela acompanha Lorrayne na primeira experiência internacional de ambas. E a barraca de pães ficará fechada enquanto seu Jorge cuida das demais filhas. E o bolso, como fica? “Vale a pena ficar apertado por algo assim”, diz ele.

Adolescentes negros e pobres como Lorrayne e suas irmãs são o grupo com maior chance de abandonar a escola antes da conclusão do ensino médio. Entre estudantes da classe social de Lorrayne e os mais ricos, as diferenças são abissais. Apenas 32% dos adolescentes pobres concluem o ciclo de educação básica, em relação aos 83% dos mais ricos. Apenas 45% dos jovens negros que se matriculam no ensino médio concluem essa etapa, enquanto entre brancos esse percentual é de 66%. No mundo do trabalho, as diferenças permanecem. Segundo dados deste ano do IBGE, o negro ganha 59% do salário de um branco no mesmo tipo de função.

Lorrayne e suas irmãs têm ao lado delas pais saudáveis, com condições de ajudá-las a driblar essas estatísticas, como vêm fazendo até agora. Mas quantos adolescentes, filhos de casais comprometidos com a educação, como Jorge e Estela, não tiveram de trocar os livros pelo trabalho antes da hora? Imprevistos como uma doença na família ou a separação de casais podem romper o frágil equilíbrio de quem vive à margem do trabalho formal, sem nenhum colchão para amortecer quedas que deveriam ser temporárias. Lorrayne e sua família são a prova de que um país, ao garantir condições básicas de segurança, moradia e educação de qualidade a quem precisa, pode diminuir as diferenças entre ricos e pobres, brancos e negros. A família Isidoro Gonçalves só precisa, agora, deixar de ser exceção.

Aluna de escola pública representará o Brasil em Olimpíada de Neurociência

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Alfredo Mergulhão, no UOL

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne deseja fazer medicina

Lorrayne Isidoro Gonçalves, de 17 anos, está com viagem marcada rumo à Copenhague, na Dinamarca, para representar o Brasil na 16ª Olimpíada Internacional de Neurociência (2016 Brain Bee World Championship), que acontece de 30 de junho a 4 de julho.

Aluna de escola pública e moradora da Favela da Camarista, no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro, a jovem superou outros 13 concorrentes na final do torneio da 4ª Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bee). Para vencer a competição, Lorrayne teve de responder 100 questões em provas de neuroanatomia, neurohistologia, neurofisiologia e neurociências clínicas.

“Está uma correria agora. Tenho que me preocupar com passaporte, buscar mais livros para estudar e organizar meu tempo para me sair bem na olimpíada, sem esquecer da escola e do Enem. Mas eu estou muito feliz. Faço isso com dedicação e alegria”, conta Lorrayne, na barraca de camelô do pai, nas proximidades da estação de trem do Engenho Novo, na zona norte do Rio, pouco depois de sair do Colégio Pedro II, instituição de ensino federal em que estuda.

Durante o preparo para a olimpíada internacional, a garota que já fala inglês e francês também começou a estudar dinamarquês por conta própria. Ela diz que é para poder se comunicar melhor durante a competição.

“Fico feliz de ver a determinação dela. A coisa mais normal do mundo é eu chegar do trabalho, quase meia-noite, e encontrar a Lorrayne estudando. Ela está certa de buscar o objetivo”, conta o pai da jovem, Jorge Cabral Gonçalves, de 61 anos, que estudou até o 2º ano do ensino médio.
Por que neurociência?

O interesse em neurociência surgiu por acaso. Há algum tempo Lorrayne já pensava em fazer faculdade para se tornar pesquisadora, só que não sabia exatamente qual área escolher.

Ao ver um material de divulgação sobre a competição de neurociência no corredor da escola, decidiu arriscar. A primeira iniciativa foi procurar uma orientadora, requisito para participar da olimpíada. Camila Marra, professora de biologia no colégio, assumiu a missão.

Os estudos começaram com o empréstimo de livros de graduação para Lorrayne ler durante as férias. Quando as aulas voltaram, a estudante já tinha devorado os livros.

“Ela veio apenas para tirar dúvidas. Eu cheguei a preparar aulas expositivas, mas a gente praticamente não teve encontros para isso. Ela tinha compreendido praticamente tudo e usava o Facebook para fazer perguntas. Foi como uma orientação de uma monografia, mas sem a produção de um texto”, disse a professora.

Além disso, a adolescente participou de um curso de férias sobre neurociência oferecido pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e se tornou voluntária Museu Itinerante de Neurociência da mesma instituição.

Lorrayne diz que o segredo para aprender rápido foi saber administrar o tempo e usá-lo com disciplina. “Dá para fazer de tudo. Só que a hora de estudar tem que ser de dedicação. Quando começo a estudar não fico batendo papo no WhatsApp”, afirma.
Futura médica

No fim do ano, Lorrayne vai fazer prova do Enem e disputar uma vaga para o curso de medicina, na UFRJ. Caso ela passe, será a primeira pessoa na família a frequentar a faculdade.

Apesar da vaga garantida no evento internacional, Lorrayne só teve a tranquilidade para continuar estudando após a confirmação de que a escola vai pagar sua passagem e hospedagem, assim como de sua orientadora.

Sem a certeza de que o colégio bancaria as despesas, os próprios organizadores da Olimpíada Brasileira de Neurociências criaram uma vaquinha online para arrecadar dinheiro. Nos 5 dias de campanha, a estudante conseguiu mais de R$ 56 mil em doações, que vão permitir que ela participe em condição de igualdade com os concorrentes.

88,2% dos aprovados em Medicina na Unicamp são da escola pública

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Alunos fazem prova da 2ª fase do vestibular da Unicamp

Alunos fazem prova da 2ª fase do vestibular da Unicamp

Publicado no Quem Inova

Pela primeira vez, mais da metade alunos aprovados no vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) são oriundos de escola pública –1.714 dos 3.320 aprovados, um total de 51,9%. Além disso, dentre os estudantes de escola pública, 43% são autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

O fato mais surpreendente é do curso de medicina. O índice de aprovação chegou a 88,2%. A Unicamp não adota o sistema de cotas, mas sim de bonificação.

A primeira lista de aprovados foi divulgada nesta sexta-feira, dia 12. Os convocados deverão fazer a matrícula via internet entre as 8h deste sábado (13) e às 18h do domingo (14). Acesse aqui os aprovados.

A segunda chamada está prevista para o dia 16.

Unicamp tem mais da metade de aprovados vindos de escola pública

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Próxima meta é atingir 35% de estudantes negros e indígenas

Publicado no Guia do Estudante

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou nesta sexta-feira (12) a primeira chamada do vestibular 2016. Neste ano, foi registrado um aumento significativo de aprovados oriundos de escola pública: 1.714 de 3.320 aprovados, um total de 51,9%.

É o primeiro ano que a universidade registra a superação de estudantes de escola pública em relação ao de privadas, meta que havia sido colocada para o ano de 2017. Além disso, dentre os estudantes de escola pública, 43% são autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

A Unicamp não adota o sistema de cotas, mas concede bonificação nas notas da primeira e segunda fases. O salto de estudantes de escola pública do ano passado para este foi muito significativo: de 30,2% em 2015 para 51,9% em 2016. A bonificação foi mais sentida nos cursos mais concorridos:

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Primeira chamada

Os convocados em primeira chamada deverão fazer a matrícula online entre as 8h deste sábado (13) e as 18h do domingo (14). Acesse aqui os aprovados

A segunda chamada está prevista para o dia 16. A matrícula presencial será feita logo depois, no dia 18 de fevereiro, de 9h às 12h. Já a terceira chamada sai no mesmo dia, até as 23h59, com matrículas no dia 22.

Escolas privadas brasileiras também têm baixas taxas de aprendizado e altos percentuais de reprovação

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Antônio Gois, em O Globo

Imagine um sistema educacional em que dois terços dos alunos terminem o ensino médio sem aprendizado adequado em matemática; com mais de um terço dos professores do antigo segundo grau atuando sem formação adequada para a disciplina lecionada; que tenha taxas de reprovação muito superiores ao que é tolerado em nações desenvolvidas; e que, na comparação com países ricos e considerando alunos de mesmo perfil, fique sempre nas últimas posições em rankings internacionais de aprendizado. Parece que estamos falando da educação pública brasileira, mas esses dados são todos da rede privada, que atende a apenas 15% dos estudantes, especialmente os de famílias de maior renda.

É claro que, comparados com indicadores do sistema público, o setor privado no país ainda aparece melhor na fotografia. Essa vantagem, porém, é explicada, em primeiro lugar, pelo perfil de aluno atendido, variável que explica de 60% a 80% dos resultados de uma escola. Também é preciso considerar que há dentro da rede privada muita discrepância entre estabelecimentos que atendem alunos de maior ou menor renda. Reportagem de Fábio Vasconcellos no Globo mostrou na segunda-feira que este fator, além da formação do professor e das taxas de evasão, diferenciam escolas de maiores e menores médias no Enem.

Há alguns indicadores, porém, em que a vantagem da rede particular nem mais existe, quando se comparam as médias dos dois setores. É o caso do salário dos professores, que já são, em média, maiores na rede pública do que nas particulares, como mostram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE.

A análise dos indicadores da rede privada do país foi facilitada com a recente postura do Inep (instituto de pesquisa e avaliação do MEC) de disponibilizar novos dados do setor, com algumas informações disponíveis inclusive por escola. Os números permitem constatar, por exemplo, que 35% dos professores em colégios pagos dão aulas no ensino médio sem formação adequada para a disciplina que lecionam, percentual não muito diferente dos 39% registrados nas redes estaduais.

Outra contribuição do Inep está na divulgação das taxas de reprovação. No setor privado, a média é de 5,5% de alunos reprovados no ensino médio, taxa que sobe a 9,1% quando considerado apenas o primeiro ano do antigo segundo grau. Ainda que esses dados não sejam perfeitamente comparáveis com as taxas de repetência calculadas pela Unesco por país, é possível ter algum parâmetro internacional e constatar que esse percentual é inaceitável para padrões de países ricos. Na Europa, a proporção de repetentes no ensino médio é de 2,7%, e nos países com melhores resultados educacionais essa taxa costuma ser simplesmente zero.

A cultura da reprovação é uma praga que assola até mesmo colégios de elite com altas médias no Enem. No grupo dos 20 com melhores resultados no Rio, por exemplo, há escolas que reprovam em média 26% dos seus alunos no ensino médio.

Esse tema, raramente abordado, foi estudado em profundidade pela educadora Diana Mandelert na tese de doutorado na PUC-Rio “Repetência em Escolas de Prestígio”. Ao entrevistar pais, professores e diretores, ela identificou nesses atores uma cultura de aceitação da reprovação. Um dos motivos para isso é que a prática seria considerada uma maneira de separar aqueles que podem seguir adiante daqueles que não se esforçaram o suficiente e devem ficar para trás, valorizando assim o diploma dos que conseguem chegar ao final. “A escola deixa de ser um direito de todos e passa a ser algo para quem merece, apenas para quem tem mérito.” E os colégios de elite também se beneficiam dessa mentalidade pois podem, com isso, selecionar apenas os jovens de melhor desempenho, o que garantirá ao final uma boa média no ranking do Enem, ao custo da reprovação e expulsão de vários alunos.

Um modelo educacional excludente, baseado em altas taxas de repetência, pode dar a falsa sensação a alguns pais de que seus filhos estão protegidos da má qualidade do ensino por estarem matriculados em colégios de elite onde poucos se formam. A conta desse equívoco, porém, acaba chegando para todos. Basta ver os pífios resultados dos jovens mais ricos brasileiros quando comparados no Pisa (exame internacional da OCDE) com estudantes de mesmo nível socioeconômico em outras nações.

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