Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged escola

Para melhorar educação em comunidade, garoto ergue biblioteca

0
Jefferson está agora, com cerca de 2 mil livros aptos para a biblioteca

Jefferson está agora, com cerca de 2 mil livros aptos para a biblioteca – Marcus Mesquita/MidiaNews

 

O estudante Jefferson Gabriel da Silva Melo, de 13 anos, já recebeu milhares de doações

Yuri Ramires, no Midia News

As deficiências da educação na comunidade de Bonsucesso, a 10 quilômetros do Centro de Várzea Grande, levaram o estudante Jefferson Gabriel da Silva Melo a encarar a maior empreitada de seus 13 anos de vida: a construção de uma biblioteca.

O menino mora com a mãe, os avós e os tios, em casas ladeadas, sem muros, na comunidade que é rota turística na cidade.

Na porta da casa, ao lado de uma árvore grande, que em dias de sol faz uma sombra fresca, e um banco de madeira improvisado, ele tenta erguer sua biblioteca, que vem sendo idealizada há um ano.

“Eu nasci e sou criado aqui. Estudei até a metade do ano aqui, na escola estadual, onde fui alfabetizado. Aprendi a ler com seis anos”, contou Jefferson ao MidiaNews.

Desde o meio do ano, o menino vem para Cuiabá diariamente para estudar em uma escola salesiana, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Apesar disso, não deixou de lado o sonho de construir a biblioteca em sua comunidade.

“A nossa escola aqui em Bonsucesso não tinha biblioteca. Foi aí que surgiu a ideia de fazer uma”, contou.

Desde que fixou a ideia, começou a arrecadar livros de todos os estilos, desde os didáticos até os de literatura estrangeira. Até meados do ano, mais de seis mil tinham sido arrecadados.

“Hoje, estamos com 2 mil livros, mais ou menos. Os livros passaram por uma triagem junto com uma bibliotecária do Governo do Estado. E só ficaram por aqui aqueles que estão aptos para serem colocados na biblioteca”.

Os livros selecionados já estão encaixotados no fundo da casa da família. “Na triagem, os que não estão em condições são levados para a reciclagem. A nossa biblioteca vai ter capacidade para 2.500 livros”, disse.

100 livros em 2016

Jefferson conta que só em 2016 leu 100 livros, o que ele considerou pouco. “Foram poucos. Eu fiquei muito corrido por causa da escola. Então, não deu tempo de ler mais. Gosto muito de ler”, contou.

Segundo ele, seu gênero preferido são as HQs, ou seja, histórias em quadrinhos. “Mas gosto de literatura brasileira também. Gosto de qualquer tipo, na verdade”.

Seu autor favorito? Maurício de Souza, o criador da Turma da Mônica. Gibis também foram arrecadados, alimentando ainda mais sua fixação pelo autor.

Para a avó, Valdivina Ferreira da Silva, de 60 anos, o neto está trazendo um diferencial para a comunidade, onde vai deixar um legado.

“Eu fico muito feliz. Ele, com essa idade, pensando numa coisa tão grandiosa. E todo mundo ajudando, dando a apoio. Fico muito feliz. Tem que ser assim, ajudar a ir para frente”, disse.

A ligação entre avó e neto vai além. Jefferson conta que a biblioteca levará o nome deu seu bisavô, pai de Valdivina. “Vai se chamar Biblioteca Comunitária Boaventura Ferreira Campos, em homenagem a ele”, disse.

O menino não teve a oportunidade de conhecer o bisavô, mas sempre ouviu a avó contando muitas histórias, fazendo com que ele se tornasse uma figura importante nesse processo.

Já para dona Valdivina, a homenagem é motivo de honra. “Eu fico emocionada. Meu pai foi nascido e criado aqui, assim como eu. Então é uma lembrança muito boa, um legado que fica marcado”.

Estrutura está sendo construída com a ajuda de reeducandos das cadeias públicas de Mato Grosso - Marcus Mesquita/MidiaNews

Estrutura está sendo construída com a ajuda de reeducandos das cadeias públicas de Mato Grosso – Marcus Mesquita/MidiaNews

Quase pronta

A obra está quase pronta. A estrutura já está em pé. Alguns acabamentos estão sendo realizados e ainda falta colocar o telhado. “A obra está sendo tocada, foi paralisada por conta das festas de fim de ano, mas será retomada em janeiro”, contou Jefferson.

A obra vem sendo tocada pelo Núcleo de Ações Voluntária de Mato Grosso (NAV-MT), em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh-MT).

“A construção está sendo feita por reeducandos. Eles são supervisionados e são bacanas. Estão ajudando na construção do meu sonho”, lembrou Jefferson.

Ainda na busca pela concretização da biblioteca, no ano passado, ele teve a surpresa de conhecer a apresentadora Xuxa Meneghel. “Eu fui até Várzea Grande para buscar um projeto da biblioteca, mas, quando cheguei lá, me falaram que uma pessoa queria ajudar. Quando eu vi, era a Xuxa”, contou.

A apresentadora contribuiu com um cheque de R$ 5 mil. O dinheiro foi usado na compra dos materiais para a obra, que, até então, estava no início.

Sobre a sombra da árvore, aquela que fica na porta da casa do menino, a ideia é fazer um tablado de madeira, como um píer, para que as crianças e frequentadores possam desfrutar da leitura, ali, debaixo da árvore.

Jefferson espera, agora, que nos primeiros meses de 2017 a obra seja inaugurada. “Agora é só esperar, estamos na reta final”.

Doações ainda estão sendo aceitas. Quem tiver o interesse de ajudar, é só chegar no Distrito de Bonsucesso e perguntar para qualquer morador onde mora o Jefferson, o menino que está construindo uma biblioteca. O garoto é o orgulho do local.

Índia abre primeira escola para transgêneros

0

_93186309_2d7be88a-67e4-4123-add2-acecaf160b0a

Publicado na BBC

A Índia inaugurou o primeiro colégio interno para transgêneros do país na cidade de Kochi, para ajudar adultos que desistiram da escola antes de terminar o ciclo educacional.

Alguns dados mostram que as transgêneros sofrem hostilidade e preconceito na Índia, e, por isso, cerca de metade não consegue terminar a educação formal.

A escola Sahaj International é a primeira do estilo no país e vai receber 10 alunos, entre 25 e 50 anos. O objetivo é preparar os estudantes para as provas de conclusão de curso que normalmente são feitas por alunos da rede pública e privada quando eles têm cerca entre 15 e 18 anos.

O currículo também vai incluir alguns exames vocacionais.

“A escola tem como objetivo ajudar os transgêneros a terem currículo e habilidades para conquistar boas vagas de emprego e viverem dignamente”, disse a ativista transgenêro Vijayraja Mallika, que dirige a instituição.

“De 14 inscritos, nós já matriculamos seis candidatas até agora, todas mulheres transgêneros. Reservamos uma vaga para um homem transgênero e uma para deficientes”, afirmou.

Professores transgêneros

_93183703_transgender

A escola fica no Estado de Kerala, o primeiro na Índia a adotar uma política contra a discriminação de transgêneros ao promover educação inclusiva e oferecer a cirurgia de mudança de sexos em hospitais públicos.

O organizador do centro educacional afirma que todos os estudantes terão uma espécie de patrocinador, que vai pagar pela comida, acomodação e pelos estudos.

Os professores também serão da comunidade transgênero para garantir proteção e estimular e encorajar os alunos.

A decisão de abrir a instituição foi tomada após a renúncia da primeira diretora transgênero de uma escola indiana, Manabi Bandopadhyay, que pediu demissão do cargo afirmando ter sido vítima de preconceito por parte dos estudantes e professores.

A Índia tem cerca de 2 milhões de pessoas transgêneros, e somente em 2014 a Suprema Corte do país determinou que todos teriam direitos iguais perante a lei.

Isso quer dizer que, além do direito ao casamento e à herança, eles também são elegíveis para cotas em locais de trabalho e instituições de ensino.

Apesar do avanço na legislação, os abusos e a exploração ainda são comuns no país. Muitas pessoas transgêneros são expulsas de casa pela família, não conseguem vagas de emprego e são forçadas à prostituição ou a virar moradores de rua.

700 negações

_93186308_b83c3288-4aa4-47be-a002-ed7762142469-1

O preconceito é tão grande no país que até encontrar um imóvel para a escola foi uma tarefa difícil: ninguém queria alugar um local para abrigar as instalações.

“Nós visitamos cerca de 700 pessoas e 51 locais e em todos tivemos resposta negativa. Parece que eles achavam que nós estávamos procurando um local para prostituição”, disse Mallika.

Todos os estudantes da escola são do Estado de Kerala, mas a expectativa dos diretores é que mais pessoas de fora da região se interessem.

“Esse será um centro modelo. Uma vez que ele tenha sucesso, vamos expandir essas instalações e contratar mais gente”, disse Mallika.

Ela afirmou ainda que “Kerala tem mais de 25 mil transgêneros e 57% foram forçados a abandonar as escolas por causa do estigma. Todos devem ter acomodação decente, que está prevista em lei”.

A escola foi aberta pela ativista Kalki Subramaniam, que também é uma mulher trangênero.

“Esse dia é histórico para mim”, afirmou.

Reportagem de Ashraf Padanna em Trivandrum, Kerala, Índia

Escola deveria incorporar ‘conversa de boteco’, diz educadora

0

_93203093_volta_as_aulas_curitiba_011

Publicado na BBC Brasil

Em vez de replicar bons sistemas de ensino de outros países, o Brasil deveria se inspirar neles e criar um modelo aproveitando traços da cultura nacional, como o gosto pela música e pela conversa, diz Cláudia Costin, ex-diretora do Banco Mundial para Educação e professora visitante na Universidade Havard (EUA).

“A dinâmica das aulas deveria lembrar mais nossas rodas de conversa do que uma palestra. Nada é mais contrário à nossa cultura fora dos muros da escola do que a forma como damos aula hoje”, afirma.

Em entrevista à BBC Brasil, Costin diz ainda que as centenas de escolas brasileiras ocupadas por estudantes ao longo do ano jamais serão como antes, já que os alunos não aceitarão mais assistir às aulas passivamente.

Formada em administração pública na FGV-SP, Costin passou os dois últimos anos no Banco Mundial, após chefiar entre 2009 e 2014 a secretaria de Educação do Rio de Janeiro na gestão Eduardo Paes (PMDB). Antes, foi secretária de Cultura do Estado de São Paulo (2003-2005) e ministra da Administração e Reforma do Estado do governo FHC (1995-2002).

Ela deixou o banco neste ano para lecionar em Harvard, trabalho que conciliará com a direção do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe). Instalado na FGV-Rio há pouco mais de um mês, o órgão terá entre seus objetivos melhorar a formação de professores. Confira os principais trechos da entrevista.

_93203098_10636865_10152582429038285_4243580437715318283_o

BBC Brasil – No Brasil, em que medida o sucesso profissional de alguém se deve à qualidade de sua formação escolar, e em que medida se deve a fatores como círculo social, gênero e raça?
Claudia Costin – Há uma pesquisa mostrando que 68% do sucesso escolar de um aluno depende dos anos de escolaridade dos pais. A criança da escola pública na média já sai perdendo por aí, e depois na vida profissional a desigualdade continua se agravando, porque as que vêm de um meio mais favorecido têm pais com bons contatos e colegas que vão se colocar bem no mercado.

Existe uma promessa na sociedade de igualdade de oportunidade que não está sendo cumprida. Para que seja, a escola pública tem que ser muito melhor.


BBC Brasil – Há estudos que relacionam sistemas de ensino bem sucedidos, como o finlandês e o sul-coreano, a traços culturais dos países que os adotaram. Que características culturais brasileiras poderiam embasar um sistema de ensino que explore todo o nosso potencial?

Costin – Se fosse pensar num traço cultural que pudesse orientar a nossa maneira de dar aula e repensar o ensino é a conversa de boteco. É curioso: somos um povo que gosta muito de conversar, mas a conversa é reprimida na escola, é vista como algo errado.

A conversa deveria ser coletiva na escola: em grupos e, depois, de maneira centralizada. A dinâmica da aulas deveria lembrar mais nossas rodas de conversa do que uma palestra. Nada é mais contrário à nossa cultura fora dos muros da escola do que a forma como damos aula hoje.

BBC Brasil – Há outros elementos que poderiam ser melhor aproveitados?
Costin – Na nossa cultura, a música também tem um papel extremanente importante. No Rio, criamos escolas vocacionais (focadas em temas específicos). Uma delas fica ao lado do bloco carnavelesco Cacique de Ramos.

Os alunos têm um currículo normal com sete horas de aula por dia, mas todos os textos em português e em matemática são relacionados à musica e ao samba. Eles passam três horas por dia aprendendo a ler partitura, a tocar instrumentos, a compor samba enredo.

Essa escola é hoje uma das melhores do Rio – um exemplo de como podemos usar a música para dar uma formação integral e com a nossa cara.

BBC Brasil – Algo mudou no debate sobre a educação no Brasil desde que você deixou o país, em 2014?
Costin – Ampliou-se a percepção de que as crianças não estão aprendendo. O Brasil viveu um momento de celebração em 2012 pelo fato de termos sido o país que mais avançou em matemática no Pisa (principal teste internacional que mede a qualidade do ensino) entre 2003 e 2012.

Por certo tempo podíamos pensar que, como fomos um dos últimos países a universalizar o ensino primário, a qualidade da educação estava ruim, mas ia melhorar. Mas hoje estamos estagnados num patamar muito baixo.

BBC Brasil – Por que o resultado deixou de melhorar?
Costin – Porque as transformações mais importantes demandam uma alteração na forma como formamos professores.
Devemos tornar a formação mais profissionalizante, assim como medicina e engenharia fazem.

A universidade no Brasil forma professores nos cursos de licenciatura e pedagogia focando demasiadamente nos fundamentos da educação, como filosofia da educação, sociologia da educação, e quase nada na prática do professor nas aulas.

Além disso, dada a baixa atratividade da carreira, hoje os 25% piores alunos do ensino médio se tornam professores. Na Finlândia e Coreia do Sul é o oposto: os 25% melhores viram professores.

BBC Brasil – Como mudar a formação do professor? É algo que deve ser feito pelo governo ou pela universidade?
Costin – As duas coisas. Tem muita gente fazendo mestrado e doutorado em educação no exterior. Minha esperança é que voltem para as universidades brasileiras para transformá-las por dentro.

Por outro lado, o Estado de São Paulo passou a repassar recursos adicionais para universidades formarem professores com base num determinado currículo. Na gestão do Fernando Haddad no Ministério de Educação, havia a discussão de criar uma prova nacional de certificação, que daria ao indivíduo o direito de ser professor. É algo que existe no mundo todo e, dependendo de como fizerem a prova, há como influenciar a universidade.

Outra coisa que pode ser feita é exigir uma prova prática nos concursos para seleção de professores. Que eu saiba, só Rio de Janeiro e Curitiba fazem isso hoje.

BBC Brasil – Como gastar melhor o dinheiro com o treinamento de professores?
Costin – Fazendo com que trabalhem de forma colaborativa dentro da escola e estimulando que professores tenham mentores e tutores quando entram na carreira. Grande parte do que se gasta hoje com formação de professores é desperdiçada.

Há pesquisas mostrando que não há nenhuma relação entre o desempenho do aluno e o fato de o professor ter feito mestrado ou doutorado, por exemplo. No Rio, fizemos uma avaliação externa e descobrimos que a professora primária da melhor turma da rede não tinha nem feito faculdade.

BBC Brasil – Qual era o segredo dela?
Costin – Era uma professora mais velha, que entrou na rede numa época em que não se exigia faculdade, e que dava aula numa região muito violenta. Ela começava a aula acalmando as crianças, num processo de catarse em que cada uma contava o que tinha acontecido na noite anterior. Instintivamente e sem ser psicóloga, ela trouxe serenidade para o grupo, e aí o conteúdo podia ser trabalhado.

Parecia que ela tinha estudado como desenvolver competências socioemocionais: persistência, resiliência, autocontrole. Esse é o grande debate da educação hoje: como, além das competências cognitivas, trabalhar competências para viver em sociedade, como empatia e respeito ao outro – coisas de que nós, adultos, estamos precisando muito nesses tempos de ódio.

BBC Brasil – Como acompanhou o movimento de ocupação de escolas pelo Brasil neste ano?
Costin – Senti que ele começou de um jeito e virou uma coisa bem diferente. Em alguns casos, tenho a impressão de que, movidos por interesses corporativistas, professores falaram de suas frustrações para os alunos e os encorajaram a ir à luta. Mas, quando se libera um movimento social, ele não fica sob o controle de quem o iniciou.

Acho que os alunos aprenderam muito com esse processo e agora ningém mais vai conseguir ter uma escola igual a antes, com o professor no comando escrevendo no quadro e o aluno anotando. Guardadas as proporções, vai se assemelhar ao que aconteceu em 1968 em alguns países europeus. As escolas vão mudar, e isso vai ser positivo porque
vai ser centrado no protagonismo do aluno.
O aluno tem que ser protagonista da sua vida escolar. Na Finlândia, quando um aluno do ensino médio tem problemas de disciplina, a escola não chama os pais, ela discute com ele mesmo. No Brasil, muitas vezes famílias e escolas infantilizam o aluno de ensino médio.

BBC Brasil – Qual sua posição sobre o movimento Escola sem Partido (proposta de lei que, segundo os autores, busca coibir a doutrinação ideológica nas escolas e proteger a educação moral que os alunos recebem em casa)?
Costin – Sou contra a proposta, não concordo com censura em educação. Mas, ao mesmo tempo, quando acontece uma coisa dessas, é bom parar para pensar por que estão falando disso.
Há muito professor que, seja de direita ou esquerda, relata sua visão de mundo para o aluno como se fosse a verdade, em vez de ensiná-lo a pensar. Isso é preocupante. Então acho que a proposta da lei estava errada, mas temos de ter um mecanismo para que as pessoas nem pensem nessa possibilidade.

BBC Brasil – Alguns analistas dizem que, embora tenha havido uma forte expansão do ensino superior no Brasil na última década, não se deu a mesma atenção ao desenvolvimento de centros de excelência voltados à formação de uma elite. A cítica faz sentido?
Costin – Acho que o Brasil fez exatamente o oposto. Só 18% da população entre 24 e 34 anos terminou a universidade. É uma elite. Países com o mesmo grau de desenvolvimento que o nosso têm índices maiores.
O número de vagas aumentou, mas acho que a universidade está ressentida, ela não queria ser ampliada. Há segmentos que desejam que houvesse menos médicos, menos engenheiros, para ter uma reserva de mercado.

BBC Brasil – Que achou da proposta de reforma do ensino médio e da forma como foi submetida ao Congresso, por meio de medida provisória?
Costin – O conteúdo não foi feito pelo governo Temer, ele foi feito pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação e respaldado por sucessivos ministros da Educação.
O que está no conteúdo vai dar um trabalho louco, mas está correto. O erro foi tentar fazer por medida provisória. Não se transforma a educação sem muita discussão.

BBC Brasil – Como melhorar a educação após a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que congela por até 20 anos os gastos federais no setor?
Costin – Não concordei com inclusão de educação na PEC e acho que deveríamos brigar para rever essa questão. Quando há uma crise fiscal, é natural que se queira cortar gastos. Mas mesmo os países com atuação fiscal importante tratam a educação como prioridade.
Com o congelamento, estamos condenados a ter a profissão de professor com baixos salários e, portanto, pouco atraente por muitos e muitos anos. Isso prejudica a educação. Nenhum sistema é melhor que a qualidade de seus professores.

BBC Brasil – As críticas que você recebe desde que chefiou a secretaria de Educação no Rio, que a associam à defesa do ensino privado e a uma postura autoritária na negociação com sindicatos, a incomodam?
Costin – Dediquei a vida inteira à escola pública e acho que não se constrói equidade sem focar escola pública. O que esse grupo criticava é termos feito parcerias com instituições de formação de professores que eram privadas.
Isso não me perturba. Eles acham que não deveríamos contratar ninguém para formar professores, ou que só deveria haver universidades públicas ou a própria rede formando professores.
Mas, se não temos determinado conhecimento, é importante que alguém prepare o professor. Se forem fundações sem fins lucrativos, não tem problema. É isso o que o mundo faz.

Filho de diarista e de vendedor é aprovado na Universidade Yale

0
André apresentou pesquisa em Yale sobre aquecimento global. (Foto: Arquivo pessoal)

André apresentou pesquisa em Yale sobre aquecimento global. (Foto: Arquivo pessoal)

Luiza Tenente, no G1

André Garcia, de 18 anos, de Embu das Artes (SP), foi aprovado na Universidade Yale, nos Estados Unidos, e ainda aguarda o resultado de outros processos seletivos em instituições no exterior. Filho de diarista e de vendedor de produtos de limpeza, o jovem estudou em escola pública até o nono ano. No ensino médio, conseguiu uma bolsa em um colégio particular – e precisou se esforçar para acompanhar o novo ritmo de aulas.

O menino foi beneficiado pelo Ismart, programa que possibilita a alunos de baixa renda e desempenho de destaque estudarem em colégios particulares. Depois de enfrentar o processo seletivo e ser aprovado para entrar no Colégio Lourenço Castanho, em São Paulo, passou a sonhar em conseguir também uma chance fora do país. “Sempre quis ter educação de excelência. Comecei a pesquisar mais sobre essas oportunidades e fiquei inspirado”, conta.

A principal dificuldade para conquistar seu sonho era o domínio da língua inglesa. “Eu tinha uma defasagem muito grande em relação aos meus novos colegas. Só sabia os cumprimentos, enquanto o pessoal fazia viagens e cursos de idiomas”, diz. “Então estudei muito sozinho, mandei e-mail para editoras e algumas me enviaram livros didáticos.”

Morador de Embu das Artes, André demorava 2h30 para chegar à escola. (Foto: Arquivo pessoal)

Morador de Embu das Artes, André demorava 2h30 para chegar à escola. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Todos os dias, ele levava 2 horas e meia para sair de Embu das Artes e chegar ao colégio, na zona sul de São Paulo. Mas afirma que o cansaço do deslocamento se justificava. “Mudar de escola foi um salto. Eu era bom na escola pública, mas descobri que isso não era suficiente para ser aprovado na particular”, diz. “Passei a ter ajuda dos meus amigos, aulas boas, laboratórios, Datashow na sala – coisa que não existia no ensino público”, completa.

André aproveitou para desenvolver atividades optativas no colégio. Dentre elas, escolheu fazer uma pesquisa sobre como o aquecimento global poderia interferir na incidência da dengue em Embu das Artes, sua cidade. “Com o apoio da minha professora de biologia, dei uma palestra em Embu sobre meu estudo. E fui para Yale falar a 500 pessoas sobre o assunto”, conta.

Sua visita a Yale fez parte do Programa Young Yale Global Scholars, realizado no meio de 2016. André pôde conhecer outros pesquisadores e explorar a universidade. “Me apaixonei, porque além de tudo, incentivam as artes. Eu toco violino, aprendi sozinho, e canto na igreja. Gostei muito de ver que a universidade tem espaços para música, teatro e museus lá dentro. Se encaixa ao meu perfil”, diz.

André brinca e diz que Yale parece 'escola do Harry Potter'. (Foto: Arquivo pessoal)

André brinca e diz que Yale parece ‘escola do Harry Potter’. (Foto: Arquivo pessoal)

Saber que foi aprovado justamente em Yale para fazer a graduação foi motivo de alegria para André. Ele ainda terá tempo para escolher a carreira que quer seguir, já que a universidade americana oferece primeiramente matérias básicas de todos os assuntos.

“Estou me preparando há três anos e faço parte de uma família de baixa renda, que vive em uma comunidade de cidade pequena”, afirma. “Pessoal fica receoso de me deixar ir sozinho para fora do país, mas minha mãe sempre me apoiou. Vai ser uma mistura de chororô e alegria”, diz.

Autor de ‘A Longa Jornada’, britânico Richard Adams morre aos 96 anos

0

Publicado na Folha de S.Paulo

O escritor britânico Richard Adams, autor de “A Longa Jornada”, que vendeu milhões de cópias e cativou uma geração de crianças, morreu aos 96 anos, disse a família dele.

A história dos corajosos coelhos em busca de segurança quando a colônia deles é ameaçada foi inicialmente rejeitada por importantes editoras, mas a aventura acabaria se tornando um best-seller, e o livro é hoje considerado um clássico.

Ele também foi adaptado para um filme animado de grande sucesso e ganhou a Carnegie Medal.

Autor britânico Richard Adams em foto de agosto de 2016

Autor britânico Richard Adams em foto de agosto de 2016

 

Adams, que se dizia um amante da vida no campo, era um funcionário público que deixou o governo depois de se dar conta que a cidade não era para ele.

“A Longa Jornada” foi criado, disse ele numa entrevista a um jornal britânico em 2014, de um desejo de ser uma constante presença paternal, contando às filhas as histórias dos coelhos no caminho para a escola.

“Eu tenho uma coisa com isso. Pais devem passar um monte de tempo na companhia dos seus filhos. Um monte deles não passa”, disse ele.

Ele escreveu vários outros livros sobre a sua infância e juventude e também sobre o período em que serviu no Exército em tempos de guerra.

Go to Top