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Posts tagged escola

Escola dos EUA ameaça expulsar menina com cabelo crespo e armado

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Segundo família, escola de Orlando deu prazo de 1 semana para mudança.
Menina de 12 anos se negou a mudar mesmo com provocação de colegas.

Publicado por G1

Uma menina de 12 anos foi ameaçada de expulsão pela escola particular onde estuda na Flórida, nos Estados Unidos, caso não cortasse e mudasse o estilo de seu cabelo. Vanessa VanDyke tem os cabelos crespos e com volume, e segundo sua família, recebeu o prazo de uma semana para decidir se iria cortar os fios ou deixar a escola, de acordo com a emissora de TV “WKMG”.

O caso gerou muita repercussão nos EUA, e a escola Faith Christian Academy de Orlando disse nesta semana que não está exigindo que a menina corte os cabelos para continuar frequentando o estabelecimento – eles “apenas” querem que ela mude seu estilo.

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Vanessa VanDyke foi ameaçada de expulsão em escola de Orlando por causa de seu cabelo (Foto: Reprodução/YouTube/RippDemUp TV)

De acordo com a família de Vanessa Van Dyke, na última semana um conselheiro da escola advertiu a mãe da menina para que ela alisasse ou cortasse seu cabelo – ou a criança poderia ser expulsa.

A família não cogitou fazer as mudanças, pois o cabelo da menina faz parte de sua identidade. “Ele mostra que sou única. Eu gosto desta maneira. Eu sei que as pessoas vão me provocar porque ele não é liso, mas eu não ligo”, contou Vanessa.

A escola onde Vanessa estuda tem códigos de vestimentas e regras sobre como os alunos podem usar seus cabelos. “Os cabelos devem estar na cor natural e não devem ser uma distração”, dizem as regras, que citam como exemplos que não podem ser utilizados moicanos e raspados.

“Uma distração para uma pessoa não é distração para outra”, diz a mãe da menina, Sabrina Kent. “Você pode ter uma criança com espinhas no rosto. Você vai chamar isso de distração?”

Vanessa contou que usa seu cabelo longo e armado desde o início do ano, mas ele se tornou uma questão para a escola depois que sua família reclamou das provocações feitas pelas outras crianças.

“Houve pessoas que a provocaram por seu cabelo, e me parece que estão culpando-a por isso”, disse Sabrina. “Vou lutar pela minha filha. Se ela quer usar o cabelo assim, ela vai mantê-lo assim. Há pessoas que podem pensar que usar o cabelo natural não é apropriado. Mas ela é bonita assim.”

Responsáveis pela escola disseram em um comunicado que não estão pedindo que a menina use produtos ou corte seu cabelo, mas que ela o modele de acordo com as regras da escola.

Para incentivar jovem a ler, ajude-o a descobrir temas de que ele goste

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Marina Oliveira e Rita Trevisan no UOL

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Jovens que apreciam a leitura têm mais facilidade para aprender, comunicam-se melhor e acabam garantindo um desempenho superior em todas as outras matérias da escola, além do português. Muitos pais, sabendo disso, estimulam seus filhos a ler desde cedo. No entanto, nem sempre o empenho surte resultado. Uma criança que adora livros não necessariamente continuará sendo um leitor tão interessado na adolescência.

“As crianças adoram ouvir histórias, assim como se interessam bastante pela leitura logo após a alfabetização. O descobrimento das letras e a capacidade de adquirir conhecimento por meio dos textos é algo muito motivador para elas”, diz a pedadoga Irene Maluf, especialista em psicopedagogia pela PUC de São Paulo.

Porém, com o passar do tempo, não é incomum que as mesmas crianças que devoraram livros do Harry Potter não possam nem ouvir falar das leituras recomendadas pela escola. Segundo os especialistas, isso acontece, na maioria das vezes, porque o estímulo para ler, dentro de casa, pode não ter sido suficientemente forte.

A escola também pode pecar por tratar a leitura como uma obrigação, o que só serve para afastar os jovens desse bom hábito. “O adolescente lê o que a escola manda em vez de ler o que dialoga com seus interesses e com os desafios que enfrenta para conviver, estudar e se tornar, futuramente, um profissional”, afirma Simone André, coordenadora de educação do Instituto Ayrton Senna.

Por não se identificarem com muitos títulos com os quais têm contato, os jovens podem perder a vontade de ler. “A obrigatoriedade rouba dos alunos o interesse da descoberta. Escolher um livro para ler faz parte de um processo de encantamento com a obra”, diz Irene.

Recomeço

Para a doutora em letras Maria Afonsina Ferreira Matos, coordenadora do Centro de Estudos da Leitura da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), uma criança que teve uma boa iniciação na família ou nos primeiros anos escolares pode se afastar dos livros, mas retornará a eles desde que redescubra sentido na experiência.

“Colocar o jovem na posição de protagonista diante da leitura ajudará a encorajá-lo”, fala Simone, do Instituto Ayrton Senna.

De modo geral, é preciso respeitar as preferências juvenis e não censurar. “É a partir do reconhecimento do que dá prazer aos mais jovens que os pais poderão atuar para ampliar o repertório dos filhos”, diz Simone.

Assim, deixar que o adolescente leia o que lhe agrada é fundamental. “A influência da turma, nessa fase, é muito grande. É importante deixar o jovem escolher um autor ou assunto para chamar de seu, essa é uma necessidade existencial para o adolescente”, afirma.

Fixação por um tema

E mesmo se o jovem se interessar por um único assunto ou autor, e persistir no mesmo tipo de leitura por um período, os pais não devem se preocupar. “O jovem costuma ter essas fases. O melhor é deixá-lo elaborar isso e abandonar por si só. Permita que o próprio adolescente se mova em busca de novidades”, declara a pedagoga Irene Maluf.

Os pais podem, quando muito, apresentar assuntos similares ou autores que seguem a mesma linha dos que o filho aprendeu a gostar. “Seduzir para uma leitura diferente requer um trabalho de mediação cuidadoso. Um bom caminho é o diálogo. Pais que conversam com seus filhos são capazes de sugerir obras sem fugir muito do que eles gostam, trazendo, inclusive, novas conotações para as histórias que os filhos conhecem”, diz Maria Afonsina.

O exemplo vindo dos pais também é decisivo para reforçar os bons hábitos nos jovens. “Em uma casa de leitores, o livro tem status de alimento. Ele é motivo de diálogo na sala de visitas, serve como um pretexto para conversar. É lido em voz alta ou em silêncio, sempre como uma forma de lazer”, fala Maria Afonsina.

Assim, o mais importante é que os pais mostrem que valorizam a leitura, que eles promovam o contato dos filhos com os livros e com outros leitores e que, na medida do possível, conversem com o jovem sobre o que ele lê. No mais, a leitura tem de ser um ato prazeroso e de livre e espontânea escolha para o jovem, como ocorre com o videogame e as redes sociais.

“Independentemente de onde lê, seja nos livros da escola, nos que ele decide comprar, em jornais, revistas, na web, o jovem se atualiza e incorpora conhecimentos por meio da leitura. Se ler no computador é mais atraente do que no papel, sem problemas. O essencial é desenvolver nos adolescentes esse interesse”, afirma Irene Maluf.

dica do Chicco Sal

Coordenadora de escola se passa por Mulher de Algodão para que alunos se comportem

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O episódio teria ocorrido no início do ano, de acordo com relato de alunos. Desde então, estudantes têm medo de ir ao banheiro

Publicado na Gazeta Online

Reprodução / Google Maps

Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Heloísa Abreu Judice de Mattos, no bairro Bela Vista, em Vitória

A coordenadora de uma escola municipal de Vitória encontrou um meio no mínimo polêmico para evitar que os alunos pedissem para ir ao banheiro: com um algodão e “sangue” no nariz, ela se passou por Mulher de Algodão, para tentar evitar as saídas frequentes dos estudantes da sala de aula.

O episódio teria acontecido no início deste ano, de acordo com relato de alunos aos pais, na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Heloísa Abreu Judice de Mattos, no bairro Bela Vista, em Vitória. Desde então os alunos do terceiro ano estão com medo de ir ao banheiro. A coordenadora nega e diz que tudo não passa de boato.

A denúncia foi feita pela mãe de uma aluna que estuda no terceiro ano na escola. “Minha filha começou a ficar estranha. Por uma semana, ela só conseguia dormir se fosse comigo. Não ia ao banheiro, também. Quando perguntei o motivo, ela disse que a coordenadora colocou um algodão no nariz, com algo parecendo sangue, e disse para ninguém ficar pedindo para ir ao banheiro. Caso contrário, iria aparecer a mulher de algodão”, conta Fabiana Agostinho da Silva Lourenço, 34, mãe da estudante, que tem 9 anos.

Fabiana, que é professora, conta que, inicialmente, não deu muita importância ao método utilizado pela coordenadora. “No começo, pensei que era mais uma brincadeira de criança”. Entretanto, ao perceber a mudança de comportamento da filha e o medo que permanecia com o passar do tempo, ela foi à escola e reclamou com a coordenadora, que teria se desculpado e dito que corrigiria a falha. Mas a mãe também perguntou a outra criança o motivo da agressividade da filha em casa, e descobriu outro problema.

“A menina me contou que, depois da minha reclamação, a minha filha foi ameaçada. Ela e a minha sobrinha foram trancadas em uma sala. E foram avisadas que se elas contassem em casa o que acontecia na escola, ficariam sem recreio”.

Mãe de outra estudante, Fernanda Portilho também ficou revoltada ao ver a filha em pânico não conseguir explicar o que aconteceu durante o período escolar. A menina tem deficiência mental e chegou em casa chorando. Depois de ser acalmada, pela mãe, ela contou o que havia acontecido.

“Achei que ela havia apanhado de um coleguinha. Ela estava gaguejando, não falou o que aconteceu. Depois, explicou que a coordenadora ficou no banheiro fazendo medo nas crianças, se vestindo de mulher de algodão. No outro dia fui à escola para ‘quebrar o pau’. E ela me confirmou que fez isso, mas que foi boa intenção”, diz Fernanda.

A mãe reclama do tratamento dado aos alunos. “É um absurdo. Minha filha não dormiu por um bom tempo, tendo pesadelos. A coordenadora, como funcionária de uma escola e que se especializou para isso, fingir que é uma mulher de algodão é um absurdo”, questiona.

Crianças ficam sem recreio ou merenda como castigo

Outro aluno, da mesma turma, também chegou em casa com medo da Mulher de Algodão. A mãe dele, Eliana Benevitz, de 32 anos, informou que ficou assustada ao perguntar o motivo do medo do filho. “Nós sempre temos problemas com a escola. Meu filho chegou em casa com medo e disse que as crianças pediam muito para fazer xixi. Então uma coordenadora assustava os alunos com algodão no nariz. Só que isso gerou um medo grande e o assunto se espalhou. As mães reclamaram e a coordenadora ficou aborrecida”.

Eliana disse, ainda, que só não retira o filho da unidade de ensino pela dificuldade em conseguir vaga em outra escola. A mãe denuncia castigos constantes às crianças, que ficariam proibidas de participar do recreio. “Ninguém resolve nada lá. Às vezes eles deixam a criança sem merenda, ou sem recreio. Eles têm dado castigo de não participar de recreio e da Educação Física”.

“Eu acredito no meu filho. Isso aconteceu sim. Tanto que o meu filho começou a me pedir para sair da escola. E disse que assim que o problema ficou maior, a coordenadora pediu desculpa aos alunos e disse que não aconteceria novamente”, diz a mãe.

Pais fazem abaixo-assinado para mudar coordenação

Com os problemas enfrentados na escola, pais de alunos se reuniram e fazem um abaixo-assinado pela mudança na coordenação da escola Heloísa Abreu Judice de Mattos. Fabiana Agostinho diz que demorou a perceber a gravidade do problema. Mas que o problema ainda traz consequências.

“Quando vi o comportamento da minha filha mudando, percebi que era realmente era muito grave. Eu mesma não tinha ideia do tamanho do problema. E uma advogada me mostrou no Estatuto da Criança e do Adolescente que um episódio como esse interfere na vida da criança”.

Fabiana procurou o Conselho Tutelar em Vitória, e também pretende comunicar oficialmente a Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Educação, para informar sobre o problema. “Vou até o fim. Pois estou precisando obrigar minha filha a ir estudar, já que ela não tem vontade nenhuma de ir para a escola”.

Coordenadora e PMV negam acusações

A coordenadora da unidade de ensino, que preferiu não se identificar, negou que tenha colocado pedaços de algodão com líquido semelhante a sangue no nariz. Ao atender a ligação da reportagem, ela informou apenas que o assunto já foi superado e que houve um boato que partiu dos próprios alunos.

“Ocorreu uma situação sobre isso aqui na escola, mas foi no começo desse ano. E essa situação já foi resolvida. Foi uma conversa que surgiu entre os próprios alunos. Não teve nada de me vestir de mulher de algodão ou assustar as crianças”, resumiu.

A Secretaria Municipal de Educação de Vitória (Seme) informou, por meio de nota, que fez mediação junto à escola e não só a coordenadora de turno negou a ocorrência do episódio, como os colegas de trabalho também afirmaram que esse episódio não existiu.

Sobre uma possível conduta inadequada por parte da coordenadora com relação a restrições do horário do recreio e aulas de educação física condicionadas ao rendimento escolar, “a Seme já fez o contato com a servidora e orientou sobre as atribuições do cargo”, informa a nota.

Divulgação

Imagem do filme “Mulher de Algodão”

Por fim, a prefeitura informou que a orientação é que casos como esses não aconteçam, embora os colegas de trabalho da coordenadora confirmem que ela não adota os comportamentos descritos nas denúncias.

Mulher de algodão

A história da Mulher de Algodão é famosa desde a década de 70 e, segundo diz a lenda, o fantasma feminino assombra o banheiro de escolas. A aparição seria de uma mulher vestida de branco e com algodão na boca, no nariz e nos ouvidos, e suja de sangue.
Versão de lenda urbana de uma mulher que assombra os banheiros de escolas

A história da lenda chegou a ser abordada por um curta-metragem capixaba, dirigido por Mauricio Junior, em 2004. O filme fez sucesso e chegou a receber vários prêmios em uma mostra competitiva de cinema. 

Fonte: GAZETA ONLINE

dica da Rina Noronha

Filtro d’água com caroço de açaí ganha o prêmio Jovem Cientista na categoria Ensino Médio

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Aluno de escola pública de Moju (PA) vendeu coxinhas para arrecadar recursos para criar o projeto vencedor

Catarina Alencastro em O Globo

BRASÍLIA – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) divulgou nesta terça-feira os vencedores da 27ª edição do Prêmio Jovem Cientista, cujo tema este ano foi “Água: desafios da sociedade”. Aos 17 anos, Edivan Nascimento Pereira, da Escola Estadual Professora Ernestina Pereira Maia, venceu a primeira colocação do prêmio na categoria Ensino Médio. Morador de Moju (PA), o jovem pesquisador desenvolveu um filtro de purificação de água a partir de caroços de açaí.

– A pesquisa partiu de dois problemas comuns na minha cidade: o consumo de água sem tratamento e a destinação dos caroços de açaí depois de retirada a polpa. O caroço do açaí é rico em carbono e por isso pôde ser transformado em carvão ativado – explicou Edivan, que teve de vender coxinhas em frente ao clube de ciências da cidade para arrecadar dinheiro para finalizar suas análises.

Na categoria Ensino Superior quem ganhou foi o José Leôncio de Almeida Silva, da Universidade Federal Rural do Semiárido, com a invenção de uma mistura de água salgada que pode ser usada na irrigação de forragem para gado. Segundo Leôncio, a iniciativa gera uma economia de 85% de água, bastante escassa na região.

Já na categoria Mestre e Doutor, Gustavo Meirelles Lima foi o vencedor do prêmio por ter desenvolvido um sistema de microgeração de energia em redes de abastecimento de água. A ideia dele foi usar bombas para funcionar como turbinas e aproveitar a gravidade e a pressão da água para gerar eletricidade, o que, segundo o pesquisador, pode resultar numa economia de até 15% na conta de energia.

Também foram premiados o pesquisador Eugenio Foresti, na categoria Mérito Científico; a Universidade de São Paulo (USP), na categoria Mérito Institucional Ensino Superior, e a Escola Técnica Estadual Monte Mor, no interior de São Paulo, na categoria Mérito Institucional Ensino Médio.

O Prêmio Jovem Cientista contou este ano com 3.226 inscrições. Ao todo serão distribuídos mais de R$ 700 mil em prêmios. O vencedor do primeiro lugar na categoria Mestre e Doutor ganhará R$ 30 mil e o da categoria Ensino Médio, um laptop. Para o presidente do CNPQ, Glaucius Oliva, a premiação é um incentivo para a juventude, uma sinalização de que vale a pena seguir a carreira científica no Brasil.

– Você ser reconhecido pelo que faz é uma das coisas mais motivantes para o seu sucesso como pessoa. Com o Prêmio Jovem Cientista queremos sinalizar pros jovens que vale a pena ser cientista, vale a pena participar dessa grande aventura que é trilhar um conhecimento novo, andar por uma floresta que ninguém andou antes – afirmou.

A premiação será realizada em dezembro, em uma cerimônia do Palácio do Planalto, que deverá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Manifesto popular pede mudanças na educação brasileira

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Abaixo-assinado deve ser entregue ao ministro da Educação nesta terça, dia 19 de novembro

Publicado por Terra

Cadeiras enfileiradas em frente ao professor que fala por 50 minutos sem parar. O cenário comum às salas de aula brasileiras já não é mais tão bem aceito por alguns educadores, tampouco pelos alunos. A escola de hoje segue um modelo do século 19, diz Ely Paschoalick. Ela é uma das muitas pessoas insatisfeitas com a educação nacional que resolveram desenvolver o Terceiro Manifesto pela Educação – “Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País”. A iniciativa lista 19 indicativos de qualidade considerados necessários para se chegar a uma mudança escolar.

“É um manifesto que tem como proposta mudar os paradigmas da escola que está posta no Brasil”, diz Ely. Esta é a terceira tentativa de reformulação do sistema escolar através de um manifesto. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova está na gaveta há 81 anos; o segundo, de 1959, intitulado Manifesto dos Educadores, teve grande apoio de intelectuais, mas também não foi posto em prática. O atual projeto surge on-line, com uma petição no Avaaz (plataforma que possibilita a criação de abaixo-assinados pela internet), correndo com listas físicas para coleta de assinaturas.

O manifesto indica, por meio de estatísticas oficiais, que a situação da educação brasileira está aquém da desejada. Um relatório da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), de 2010, levantou que R$ 56 bilhões foram desperdiçados por más políticas públicas no setor. Entre os 100 países com melhor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo, o Brasil é o terceiro com maior taxa de abandono escolar: 3 milhões de jovens deixam os estudos anualmente e 47% dos universitários desistem no meio do curso.

“O sistema é ultrapassado e tenta perdurar. Não tem mais sentido científico nem legal”, afirma Ely. A divisão etária é um dos pontos considerados antiquados pela educadora. Segundo ela, a separação das crianças pela idade no momento de entrada na escola vem da década de 1930. A medida era necessária para limitar as vagas públicas, devido à grande procura e à pequena oferta. O Estatuto da Criança e do Adolescente tornou obrigatório o oferecimento dessas vagas a crianças e adolescentes e hoje raramente elas faltam, afirma Ely. “O corte etário não é científico. Qual a diferença da criança que nasceu em 30 de maio e 1º de junho? Isso era somente um instrumento para diminuir a quantidade de vagas, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um instrumento para diminuir a quantidade de vagas na universidade”.

Os períodos de 50 minutos nos quais as aulas são divididas remetem a um período ainda mais distante: são herança da divisão precisa de tempo imposta pela Revolução Industrial. Já do século 19, vem uma divisão cartesiana das disciplinas, que enfraquece o diálogo entre uma disciplina e outra. A consequência, aponta Ely, é a dificuldade no aprendizado. As aulas frontais, com o professor de frente para os alunos, falando ininterruptamente, desestimulam os jovens: apenas 30% da população tem condição de apreensão somente por estímulo oral, afirma.

Para superar este obstáculo, o manifesto ressalta a necessidade de se criar uma experiência sinestésica (que estimule outros sentidos) e um maior vínculo afetivo. “O aprendizado passa por um vínculo afetivo, que só acontece hoje se houver hora-extra com o aluno. O estudante não pode exercer a cidadania dentro da escola, não se relaciona com colegas e professores, não relaciona uma matéria com a outra. Nós propomos uma mudança efetiva nesse comportamento passivo”. Para isso, a grande aposta é a implantação de comunidades de aprendizagem, que pretendem “derrubar muros” e tirar o aluno de sala de aula, levando-o, com o professor, a um contato direto com a comunidade – o modelo é diferente do conceito formal de comunidades de aprendizagem criado pela Universidade de Barcelona e implementado pelo núcleo da Universidade Federal de São Carlos, que busca, além da interação com o entorno, resultados escolares comprovados cientificamente.

A realidade do século 21, com jovens ansiosos por saber de tudo com velocidade, parece não ter sido absorvida pelas políticas de educação. “O atual sistema é um bolo com massa e recheios podres e um lindo glacê branco por cima. Aí vem um sistema de governo e troca o glacê, vem o outro e põe um moranguinho. Nenhum mexeu na massa, como queremos”, acredita Ely.

Origem do manifesto
Desde 2008, um grupo chamado Românticos Conspiradores se reúne pela internet para discutir ideias para uma educação democrática. Há um ano, eles começaram a pensar o manifesto, mas, nos últimos cinco meses, a entrada de um grande número de educadores, pais e interessados pela educação em geral impulsionou a elaboração do projeto. O manifesto é público, ressalta Ely, foram quase 200 pessoas contribuindo na produção – entre elas educadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Brasília (UnB) e de outras instituições de Sul a Norte do País. Entre os redatores, está o português José Pacheco, criador da revolucionária Escola da Ponte, e uma das inspirações para o grupo.

Desta vez, diferentemente dos outros dois manifestos, a esperança de efetivação das mudanças reside na democracia. Enquanto o manifesto de 1932 foi redigido durante a Era Vargas, o de 1959 foi proposto em pleno Regime Militar. Outro fator que pode contribuir para a implantação das reformas defendidas é que as estratégias propostas estão dentro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), criada em 1961 e reformulada em 1996.

Nesta terça, dia 19 de novembro, em Brasília, durante a abertura da Conferência Nacional de Alternativas para uma Nova Educação, o manifesto deve ser entregue ao Ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Ao mesmo tempo, em diversas outras cidades, as Câmaras Municipais receberão cópias. A partir daí, o grupo pretende, em um ano, traduzir o manifesto em três idiomas e divulgá-lo mundialmente.

Manifestos engavetados
Com o apoio de 27 intelectuais como Cecília Meireles e Anísio Teixeira, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova propunha já em 1932 uma escola pública, obrigatória, laica e gratuita, para além dos limites da classe social. Além disso, enfatizava a necessidade de uma formação qualificada dos professores. Já o Manifesto dos Educadores: Mais uma Vez Convocados, escrito em 1959, contou com a assinatura de 161 nomes – entre eles Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Nelson Werneck Sodré e Fernando Henrique Cardoso. Nele, os princípios da educação nova foram ressaltados, e a bandeira da educação como bem público e dever do Estado voltou a ser levantada.

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