Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged escola

Ação de professores e alunos evitou escola demolida no RJ

0

Paula Lago na Folha de S.Paulo

Título original: “Nenhuma criança no mundo teve uma aula de política como nossos alunos”

A professora Aline Mora, 34, conta que, até o ano passado, não sabia muito bem como funcionava a Câmara Municipal. Hoje ela conhece os vereadores por nome e partido, defende as mobilizações populares, deu entrevistas para jornais estrangeiros e explica aos alunos a importância de participar da política da cidade.

A virada veio com sua atuação, juntamente com a de outros professores, pais e alunos, na campanha vitoriosa contra a derrubada da Escola Municipal Friedenreich, parte do complexo Maracanã, no Rio de Janeiro, onde ela dá aulas há dez anos. “Aprendi muito e peguei o gostinho de brigar pelo que acho justo”, afirma.

Toda a mobilização foi orientada e planejada pelo Meu Rio, dos finalistas do Prêmio Empreendedor Social de Futuro 2013 Miguel Lago e Alessandra Orofino, que, com uma plataforma digital interativa, conecta os cidadãos cariocas com seus representantes políticos e cria mobilizações de interesse público, abrindo espaço para a participação política além do voto.

Na Lata
Por meio da Meio Rio, Aline Mora aprendeu como funciona o trabalho da Câmara Municipal
Por meio da Meio Rio, Aline Mora aprendeu como funciona o trabalho da Câmara Municipal

 

Leia seu depoimento:

“Em 2009, veio a primeira ameaça de derrubar a escola, que atende 300 alunos de 5 a 10 anos. Os pais se mobilizaram, e a prefeitura voltou atrás. Em 2012, jornais publicaram que a escola seria demolida juntamente com os outros aparelhos [do complexo Maracanã] para a construção de um estacionamento ou uma quadra de aquecimento para a Copa do Mundo.

Não houve comunicado oficial. Não aceitamos, mas também não sabíamos o que fazer. Muita criança chorou. Uma mãe entrou em contato com o Meu Rio e foi lançada a campanha para evitar a demolição. O apoio deles foi essencial, mostraram o que devia ser feito.

Conseguimos 20 mil assinaturas numa petição. Depois, em outubro, foi marcada uma audiência pública. O Meu Rio explicou como funcionava, levamos 200 pessoas para participar, mas fomos ignorados.

Passamos a ir todas as terças e quintas à Câmara, com um aluno do lado, para falar com cada vereador, pedindo a aprovação do projeto de tombamento da escola. Nunca tínhamos entrado lá. A primeira votação passou, foi uma choradeira geral, mas uma emenda tirou o tema de pauta, e a Câmara entrou em recesso. Tivemos de aguardar.

Fizemos passeatas, foi uma mobilização muito grande. A prefeitura se assustou e recuou. Fomos vitoriosos, mas a campanha não acabou, queremos o tombamento federal.

Aprendemos muito com o Meu Rio, e a parceria continua. Vimos que podemos brigar pelo que queremos -e vamos brigar sempre. Nenhuma criança no mundo teve uma aula de política tão prática como a dos nossos alunos. Eles falam com políticos e dão entrevistas. É uma experiência que nunca vão esquecer.”

Registro de punições escolares de John Lennon vai a leilão

0

Publicado na BBC Brasil

Estima-se que as folhas alcancem até R$ 11,1 mil no leilão

Duas folhas de registro escolar descrevendo as infrações cometidas na escola por John Lennon quando adolescente serão vendidas em um leilão.

Os professores da escola Quarry Bank High School for Boys, em Liverpool, escreveram nos registros que Lennon, aos 15 anos, foi punido por “brigar em sala de aula” e por “sabotagem”.

As duas folhas, de 1955, foram resgatadas nos anos 1970 por um professor encarregado de destruir os registros antigos guardados em um depósito na escola.

Estima-se que as duas folhas alcancem até 3 mil libras (cerca de R$ 11,1 mil) no leilão.

Os documentos revelam que por duas vezes o ex-Beatle chegou a receber três castigos em um só dia.

Outras razões dadas pelos professores para as punições incluem “perturbação”, “empurrar” e “não mostrar nenhum interesse”.

Folhas arrancadas

 

Folhas de registro cobrem dois períodos distintos entre 1955 e 1956

Folhas de registro cobrem dois períodos distintos entre 1955 e 1956

As duas folhas cobrem os períodos de 19 de maio a 23 de junho de 1955, quando ele estava na classe 3B, e de 25 de fevereiro de 1955 a 13 de fevereiro de 1956, quando estava na classe 4C.

Lennon conheceu Paul McCartney em 1957 e juntos eles formariam mais tarde os Beatles, que estouraram em 1962 com a música Love Me Do.

O professor que descobriu os registros de punições, no fim dos anos 1970, havia sido instruído pela escola a queimar os documentos encontrados em um depósito na escola previsto para ser ocupado por um novo professor contratado.

Mas ao ver o nome “Lennon” escrito acima de uma das páginas ele percebeu que elas se referiam ao estudante famoso e arrancou as folhas do livro para guardar como lembrança.

Algumas outras páginas que ele havia tirado do livro para guardar foram depois destruídas em um acidente envolvendo substâncias químicas.

Outras páginas foram dadas por ele a outras pessoas. As duas que serão leiloadas são parte das poucas que sobraram.

A autenticidade das páginas foi comprovada por Pete Shotton, amigo próximo de Lennon na escola, que escreveu o livro In My Life, sobre sua convivência com o futuro músico.

“Essa lista é típica de John Lennon, ele era um garoto extremamente abusado”, comentou Peter Beech, que era professor de ciências na época.

“Mas ele tinha limites. Dentro da classe, se você conseguisse acalmar John, você normalmente acalmava a classe inteira”, disse.

John Lennon foi assassinado em 8 de dezembro de 1980, aos 40 anos, em frente ao seu apartamento em Nova York.

O leilão online das folhas de registro escolares, feito pelo site TracksAuction.com, começará no dia 22 de novembro.

Dez escolas da ficção onde você adoraria estudar

0

De Hogwarts ao Múltipla Escolha, relembre colégios inesquecíveis

Publicado em O Globo

O ano letivo nem acabou, mas já é hora de pensar na matrícula para 2014. Fizemos uma lista com dez colégios de filmes, séries e novelas nos quais certamente você sonhou em estudar. Se pudesse escolher, para onde você iria?

1 – Escola Rydell
Esta é para quem quer embarcar num ano letivo retrô e cheio de ritmo. A escola faz parte do filme “Grease: Nos tempos da brilhantina”, de 1978. Quem se matricular na instituição poderá estudar ao lado de um rebolativo John Travolta, que arrancou suspiros de meninas de todo o mundo na pele do bad boy Danny.

Divulgação

Divulgação

2 – Colégio William McKinley
Se música é o seu negócio e você não quer voltar no tempo, como na escola anterior, o colégio do seriado “Glee” é o lugar ideal. Mas é preciso ter talento e disposição. Afinal, você terá que encarar uma bateria de musicais cheios de coreografias.

Divulgação

Divulgação

3 – Escola Horace Green
Fechando o grupo de escolas musicais, o respeitado colégio do filme “Escola de rock” desperta o imaginário de muita gente desde que o longa foi lançado, em 2003. Não é para menos: Ter como professor um Jack Black aspirante a rockstar que coloca todo mundo para cantar deve ser demais!

Divulgação

Divulgação

4 – Múltipla Escolha
Esta foi uma das escolas mais desejadas pelos adolescentes brasileiros. Durante anos, as histórias da novela “Malhação”, da Rede Globo, se passaram no colégio. Na foto, Bia (Fernanda Nobre) chega à escola ao lado da sua mãe Linda (Giselle Tigre), na temporada de 2001.

Divulgação

Divulgação

5 – Escola Mateus Rosée
Esta escola fez muito sucesso na década de 1990, tendo entre os alunos ninguém menos que a apresentadora Angélica e o roqueiro Supla. De quebra, ainda tinha o apresentador Gugu Liberato como professor. Sem contar com a participação dos Trapalhões. Afinal, o colégio abrigou a trama do filme “Uma escola atrapalhada”, uma das diversas produções lideradas pelos integrantes do humorístico.

Reprodução

Reprodução

6 – Hogwarts
Certamente uma das escolas mais cobiçadas do mundo. Quem não gostaria de estudar com o bruxinho Harry Potter e sua turma numa escola onde se aprende trato das criaturas mágicas, herbologia e poções? Isso sem contar com os emocionantes campeonatos de quadribol.

Divulgação

Divulgação

7 – Escola Mundial
Se você foi criança na década de 1990, certamente quis estudar na escola da novela infantil mexicana “Carrossel”. A doce professora Helena e seus inesquecíveis alunos, como Cirilo, Maria Joaquina e Valéria, formavam a turma dos sonhos. Recentemente, a novela ganhou um remake do SBT, que voltou a encantar crianças das gerações mais novas.

Divulgação

Divulgação

8 – Colégio Elite Way
Já que o assunto é novela mexicana, este outro sucesso não poderia ficar de fora. Também exibida pelo SBT, a escola da novela “Rebeldes” fez muita gente querer uma vaga ao lado de seus personagens.

Divulgação

Divulgação

9 – Escola Constance Billard
Se você é muito rico e adora intrigas esta é a escola mais indicada. Seja bem-vindo ao mundo do seriado “Gossip Girl”. Só é preciso cuidado para não cruzar o caminho de Serena van der Woodsen e Blair Waldorf.

Divulgação

Divulgação

10 – Escola Primária de Springfield
Para os amantes de animação, esta escola é um prato cheio. Desde 1989 a série americana “Os Simpsons” reúne uma legião de fãs que dariam tudo para escrever algo repetidamente no quadro negro do colégio, como o personagem Bart Simpson faz na abertura do programa.

Divulgação

Divulgação

Colaboração entre professores leva escola de MT a ganhar prêmio nacional

0

Incentivo à leitura e monitoria de alunos também foram importantes

Publicado no Midia News

A diretora Sibele Lopes passou 15 dias nos Estados Unidos e voltou a MT com prêmio

Investimento na qualificação dos professores, projetos criativos voltados para o bem da comunidade e incentivo à leitura. Ações como essas levaram a Escola Estadual “Luiza Nunes Bezerra”, de Juara (709 km ao norte de Cuiabá), ao título de escola com melhor gestão do Brasil em 2013.

O trabalho de aprimoramento do ensino-aprendizagem é feito pela instituição desde 1990, de modo contínuo, e vem sendo reconhecido por meio de prêmios e bons índices de desenvolvimento da educação. A escola – que não aderiu à greve este ano – tem índice zero de evasão e metas ousadas para a redução do índice de alunos que necessitam de aulas de reforço.

Confira a entrevista com a diretora da escola, Sibele Lopes, que voltou de Brasília nesta sexta-feira (1º) com o troféu da 14ª edição do Prêmio Gestão Escolar.

Quais foram os critérios avaliados no prêmio gestão escolar?

Foram avaliados quatro aspectos: pedagógico, administrativo, gestão de pessoas e gestão de alunos. São quatro aspectos importantes que regem diariamente as nossas ações dentro da escola. Para participar desse prêmio é feito um diagnóstico de perguntas e respostas avaliando a instituição em todos os seus aspectos. Escrevemos um projeto com base nas respostas e mandamos para a assessoria pedagógica, a assessoria pedagógica analisa e manda para a Secretaria de Estado de Educação que manda o projeto para o Ministério da Educação.

Em que a escola mais se destacou?

Foram um conjunto de aspectos positivos como evasão escolar zero, participação da comunidade diariamente nos projetos que a escola desenvolve e, principalmente, o projeto ‘Sala do Educador’ que acontece semanalmente na escola desde 1990.

Como funciona o projeto Sala de Estudos?

Os professores se reúnem semanalmente para discutirem desafios que são elencados no início do ano. É realizada uma coletânea com todos os aspectos necessários, com tudo o que é preciso estudar, e os métodos para enfrentar cada problema durante o ano. Discutimos por quatro horas toda semana para que os professores consigam adequar a proposta pedagógica a realidade dos alunos.

Quais as vantagens deste projeto?

Ele é nosso carro chefe, a menina dos nossos olhos, porque é nele que temos a possibilidade de discutir as nossas dificuldade e traçar as metas que devemos atingir. Não é à toa que nosso Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) vem dando ótimos resultados. No último índice tivemos 6.7 no quinto ano e 6.3 no nono ano – ultrapassando a meta brasileira que era de 4.6 (1º ao 5º ano) e 3.9 (6º ao 9º ano).

Quais os outros projetos da sua escola que merecem destaque?

Temos três projetos importantíssimos. O primeiro é o de educação ambiental “Nossas Mãos Podem Salvar o Planeta – LIXO transformado em arte”. A iniciativa ganhou um prêmio nacional do Instituto Akatu, organização não-governamental que trabalha pela conscientização para o Consumo Consciente. O projeto é realizado por uma professora que pega resíduos plásticos, como embalagens de xampus e amaciantes, corta em pedacinhos e os alunos trabalham com mosaico. Eles estudam determinadas temáticas e transformam esse conhecimento em uma imagem do que eles estudaram.

Dentro deste projeto é realizada a coleta dos plásticos. Uma comunidade carente de Juara recolhe, prensa e vende para transformar em renda. É também um projeto de cunho social e solidário. A escola também funciona como ponto de coleta para resíduo de óleo que seria jogado na natureza. As mães cadastradas passam, recolhem, fazem sabão, vendem e transformam em verba para ajudar no sustento da família.

O segundo projeto é a “Sala de Leitura”. Nele as crianças vão todos os dias para determinada sala para fazer leitura livre e trocar ideias sobre os livros, com o apoio de um auxiliar. Os alunos fazem um resumo que precisam apresentar. Às vezes eles fazem paródias, teatro e jograis, depende do que os professores decidirem na semana pedagógica. Tem dado bons resultados. Os nossos alunos, que antes não tinham o gosto pela leitura, adoram. Hoje temos uma biblioteca muito bem montada e os alunos gostam de estar lá. Quando a biblioteca está fechada todos reclamam e pedem para abrir.

Outro projeto importante e que tem sido um marco em nossa escola é “O estudante solidário”. Neste os alunos que estudam no período oposto vêm ajudar no contraturno. Tomar leitura dos menores, ajudar na quadra com as atividades esportivas e na horta pedagógica. É uma monitoria que ajuda muito a escola.

Como vocês alcançaram o índice zero de evasão escolar?

É um trabalho formiguinha. Como viemos nos destacando, o compromisso dos profissionais dessa escola é muito grande, sem falar dos nossos bons índices no Ideb. Por isso temos muita procura por vagas, temos até lista de espera. Então os pais têm muito cuidado para que seus filhos não percam a vaga. Quando têm faltas sempre ligamos para os pais e perguntamos o que está acontecendo. Esclarecemos que se ele ficar faltando muito vai perder a vaga. Ligamos, mandamos mensagem, ligamos para o conselho tutelar. Mas a base é a qualidade na educação. Esse ano muitos queriam tirar filhos das escolas particulares para colocar em nossa escola.

Quais os outros prêmios que a escola vem conquistando?

Ficar em primeiro lugar no estado já foi uma grande vitória para a gente. A reforma que há muito tempo esperávamos foi um dos prêmios; uma viagem do prêmio sobre o meio ambiente do Instituto Akatu, além de alguns prêmios locais pela participação em algumas ações de empresas. E agora esses R$ 30 mil que ganhamos por temos sido escolhidos a escola pública com a melhor gestão no Brasil.

O sindicato madeireiro de Juara fez um concurso para premiar os melhores desenhos de natureza e nossa escola participou com o maior número de trabalhos. Ganhamos o data show e o aluno ganhou uma câmera digital. Em todas as oportunidades estimulamos os nossos alunos a mostrarem o que sabem fazer para a sociedade.

Desde quando realizam ações para melhorar a educação?

Essa escola tem um histórico de longa data. Eu assumi a escola em março deste ano, mas já acompanhava o trabalho realizado. A instituição sempre buscou melhorar o ensino e a aprendizagem. Esse é o nosso foco. Quando atuamos na formação continuada, quando atuamos diretamente com aluno, quando nos preocupamos com a merenda escolar, o foco é sempre a melhoria do ensino. Esse prêmio não foi conquistado de uma hora para outra. Esse investimento na formação acontece desde 1990 e começou a ser reconhecido a partir de 2005 quando os índices do Ideb mostraram bons resultados. A escola iniciou as atividades em 1983 e desde 1990 tem tido um trabalho mais intenso de formação continuada, traçando metas.

Para os próximos anos quais são as metas?

No início deste ano foi traçada meta para reduzir os índices de “Progressão com Plano de Apoio Pedagógico” – PPAP. No Estado não temos mais a nota e sim a Progressão Simples – PS, quando o aluno consegue se desenvolver; e o PPAP, quando o aluno precisa de reforço. Quando o aluno está com PPAP ele precisa do apoio do professor e de um articulador. Queremos que estes alunos consigam melhorar seus índices. Em 2011 estávamos com um índice de 13% de PPAP, ano passado caiu para 6,5%, e nossa meta é reduzir para abaixo de 4% até o final de 2014.

Qual o apoio do governo de Mato Grosso para a escola?

A secretaria de educação é sempre um apoio. Ali dentro temos contato com todos os profissionais. Não temos privilégio em relação às outras escolas, mas devido ao prêmio conseguimos agilizar o nosso processo de reforma e ampliação da escola. Tudo o que pedimos somos muito bem atendidos.

Quais os planos para o prêmio de R$ 30 mil?
Temos em vista alguns projetos como investir um pouco mais na musicalidade, comprar instrumentos musicais. Temos uma sala de projetos que precisa ser mobiliada. Acho até que esse dinheiro não vai dar para tantos projetos!

Como foi a viagem para aos EUA com os representantes de outras escolas do Brasil?

Os 27 gestores de cada estado que se destacaram no prêmio Gestão Escolar ganharam uma viagem para os Estados Unidos. Visitamos por 15 dias a cidade de Waxhaw, na Carolina do Norte. Nestas duas semanas tivemos dias intensos de muito trabalho. Íamos a entre três e quatro escolas por dia, acompanhando as aulas, olhando o trabalho da equipe, o espaço físico. Também visitamos escolas de educação especial. Foram muitas coisas que vimos. A estrutura física é muito boa. Os alunos não sujam, a sala é acarpetada, eles têm muitos livros e muita organização. Também participamos de reuniões que definiam a legislação para a educação. Lá vi todos juntos, comunidade e professores, brigando pela causa.

O que a escola mais absorveu?

Gostei muito de ver o chamamento da família para a escola e a participação da comunidade. Vi também a questão do comprometimento dos profissionais com a educação. E questões como organização da sala de aula, quantidade de material. Certamente vou tentar fazer algumas adequações parecidas.

O ministro da Educação anunciou uma bolsa de mobilidade para oferecer aos gestores escolares que forem destaques. Como você avaliou essa iniciativa?

Nós vamos nos informar mais sobre este assunto, mas espero que venha a somar. Porque toda experiência que temos fora abre os horizontes e serve para aprender coisas incríveis que podem ser adequada à realidade da sua escola, na medida da sua realidade, sempre para melhorar.

 

Professora de Itanhaém ensina braille e libras para alunos de 6 e 7 anos

1
A funcionária Daniele Cristina de Ponte é deficiente auditiva e conversa com os alunos por linguagem de sinais. As crianças pedem para ir ao banheiro e tomar água apenas usando os sinais que aprenderam no projeto "Leitura por todos os sentidos", que tem o objetivo de ensinar braile e libras para os alunos da Escola Municipal Professora Silvia Regina Schiavon Marasca, em Itanhaém (a 114 km de São Paulo) Katia Doenz/Prefeitura Municipal de Itanhaém/Divulgação

A funcionária Daniele Cristina de Ponte é deficiente auditiva e conversa com os alunos por linguagem de sinais. As crianças pedem para ir ao banheiro e tomar água apenas usando os sinais que aprenderam no projeto “Leitura por todos os sentidos”, que tem o objetivo de ensinar braile e libras para os alunos da Escola Municipal Professora Silvia Regina Schiavon Marasca, em Itanhaém (a 114 km de São Paulo) Katia Doenz/Prefeitura Municipal de Itanhaém/Divulgação

Gabriela Lousada, no UOL

Para melhorar a comunicação entre entre crianças e deficientes visuais e auditivos, a professora Sara Rufino Mazzei criou o projeto de educação inclusiva “Leitura por todos os sentidos”. O objetivo do projeto é ensinar braille e libras (Língua Brasileira de Sinais) para alunos do ensino fundamental da Escola Municipal Professora Silvia Regina Schiavon Marasca, em Itanhaém (a 114 km de São Paulo).

Atualmente, a professora trabalha com uma sala de 1º ano, com cerca de 30 crianças de 6 e 7 anos. Segundo a professora, o trabalho é realizado anualmente, desde 2010, durante os meses em que o calendário escolar está em vigor (fevereiro a novembro) e não se limita aos alunos do 1º ano.

“Já dei aula para o 4º ano com a inserção de libras e braille. Temos um dia na semana estabelecido para tal realização e nele trabalhamos a comunicação dentro da sistematização da leitura, escrita, reflexão sobre as línguas”, explica.

A professora conta que utiliza as aulas de língua portuguesa, matemática, geografia, história, ciências e artes para adequar os conteúdos inclusos. “Eles [estudantes] aprendem a ler, escrever e refletir utilizando também o recurso das sensações para isso”, explica.

Resultados dentro e fora da escola
Os resultados das atividades são percebidos na unidade de ensino e em casa, quando os alunos deixam a classe e as aulas não são uma obrigação.

“Além de estudantes [com deficiência física] em outras classes, nós temos uma funcionária que é deficiente auditiva e os meus alunos conversam com ela. Pedem para ir ao banheiro e tomar água apenas usando os sinais que aprenderam”, afirma Sara.

“Um pai fez um relato sobre as atitudes do filho depois que ele começou a participar do projeto. A criança tinha medo de conversar com um deficiente visual porque não sabia como lidar, agora ele até ajuda”, conta a professora.

Silvia de Lima Vasques, 27, percebeu mudanças no filho Kauê, 6, aluno do projeto. “Ele me ensinou músicas que aprendeu durante as aulas. É uma troca de experiência, uma vivência impossível de ser relatada. Estou constantemente em fase de aprendizado com o meu filho”, diz emocionada.

Para Silvia, a educação inclusiva ajuda no crescimento do filho: “Esses dias ele me disse na língua de sinais ‘mamãe te amo’. Eu sei que com esse conhecimento ele vai ser um adulto consciente, que sabe lidar com qualquer situação”.

Lúcia Santos Pinto, 49, também percebeu diferenças no cotidiano do filho de 7 anos, Conrado Vinícius. “Meu filho tem um amigo de 22 anos que é cego. Eles se dão super bem, mas, antes desse projeto, o Conrado não sabia o que era um deficiente visual. No começo, ele mostrava o caderno da escola ao amigo deficiente, ele não tinha noção de que o amigo não estava enxergando”.

As atividades ajudaram a aprimorar a comunicação entre os amigos. “Agora ele entende o que é um deficiente e até sabe como agir. Isso é muito bom. Percebi que mesmo muito novo ele já começa a se sensibilizar, já comenta sobre o braille em casa e tudo o que aprendeu na escola”, diz a mãe.

Prêmio
O projeto venceu, na semana passada, o Proler (Programa Nacional de Incentivo à Leitura) da Baixada Santista, na categoria Professor.

Sara acredita que a premiação é um reconhecimento do trabalho realizado em sala de aula. “Isso significa que estamos no caminho certo e as atividades promovidas com os alunos são importantes para o futuro deles”.

Alunos de Itanhaém (SP) aprendem braile e libras na sala de aula

Go to Top