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Posts tagged Escolas Ocupadas

Enem: locais de prova para alunos de escolas ocupadas saem na terça-feira

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Publicado no Paraná Portal

Serão divulgados na próxima terça (22) os locais de prova dos milhares de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio que não conseguiram fazer o teste nos dias 5 e 6 de novembro devido às ocupações de escolas.

No Paraná, são 43,6 mil pessoas nesta situação e o Estado é o segundo do país com mais candidatos afetados pelo adiamento. Ao todo, 77 dos 682 locais de prova paranaenses tiveram a data da avaliação alterada por causa do movimento dos estudantes secundaristas que protestava contra a reforma do Ensino Médio e contra a PEC que limita os gastos públicos.

As novas datas das provas são os dias 3 e 4 de dezembro e, a partir de terça, os estudantes vão poder consultar os locais de prova na internet.

Os dados estarão disponíveis no site do Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao Ministério da Educação, e também via aplicativo Enem 2016.

Em todo o país, mais de duzentas e setenta e uma mil pessoas vão fazer o teste em data alternativa, o que representa um gasto extra de R$ 63,19 por participante e de mais R$ 17,1 milhões no total. A parcela que cabe ao Paraná é de 2,7 milhões. Cada um desses inscritos já havia custado R$ 90,28 – montante inicial que não pôde ser restituído aos cofres públicos devido aos contratos firmados.

O argumento do movimento de ocupações é de que o gasto extra poderia ter sido evitado se se os locais de prova tivessem sido alterados quando as escolas estavam ocupadas, como foi feito no segundo turno das eleições.

Os locais de prova serão todos alterados. Segundo o Inep, os novos vão ter o padrão necessário para a aplicação dos testes e não correm o risco de ser ocupados até a realização do exame.

As questões serão diferentes das que foram aplicadas no início do mês, mas vão manter o mesmo nível de dificuldade, o que deve garantir a isonomia entre os candidatos. O resultado do Enem vai ser divulgado no dia 19 de janeiro.

Inspirados em SP, colégios estaduais do Rio vivem onda de ocupações

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Alunos da escola estadual ocupada na Ilha do Governador, no Rio. Mauro Pimentel

Alunos da escola estadual ocupada na Ilha do Governador, no Rio. Mauro Pimentel

 

No meio de uma greve de professores, alunos tomam pelo menos 12 escolas

Maria Martin, no El País

São filhos de cozinheiras, pedreiros, faxineiras, costureiras ou desempregados e uma escola particular é um luxo inalcançável no orçamento familiar. Eles já perderam aulas de geografia ou física durante um ano inteiro por falta de professor ou assistiram a aulas de olho na mesa do lado por falta de livros. Estão acostumados a passar diariamente por instalações em que não têm acesso, como o laboratório de química, e a se amontoar em salas com turmas de mais 50 alunos sem ar acondicionado. Têm entre 15 e 18 anos, moram nos subúrbios e favelas do Rio e, inspirados pelos movimentos estudantis de São Paulo e Goiás, deram o tiro de largada a uma onda de ocupação de escolas que, em menos de três semanas, chegou a 12 colégios estaduais e que soma-se a uma greve de professores que já se arrasta há mais de um mês.

Os alunos do colégio estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, passaram de sorrir para a foto na visita do governador Luiz Fernando Pezão, em abril de 2014, a escancarar, com a primeira das ocupações, as carências da educação pública do Estado. “Por causa do modelo de ensino no Estado, baseado no Currículo Mínimo, o aluno acaba ficando burro. É muito desestimulador. Até a nona série consegui estudar em escola particular e a diferença é enorme”, lamenta Julia Pereira, de 16 anos, filha de uma vendedora e um trabalhador de limpeza. “Eu não sou uma aluna modelo, já matei aula, parei de ligar para os estudos, perdi matérias, mas agora cansei de estar vindo para escola e não ter aulas por falta de professor. Eu quero recuperar o que perdi”, diz Chrystal Capela, de 16 anos.

Desde o dia 21 de março, algumas dezenas de alunos tomaram as instalações do colégio, montaram comissões para cuidar e proteger o acampamento e aguardam o cumprimento de suas exigências para negociar sua saída. É uma lista longa que inclui recontratar porteiros e inspetores que foram demitidos por corte de gastos, uma gestão mais democrática da escola, disponibilizar o laboratório de química, acabar com as goteiras, mas também o pagamento em dia dos salários dos seus professores e a reformulação do modelo de ensino. “Nossa luta individual como colégio fica pequena se comparada com a causa maior: um ensino melhor no Estado inteiro”, afirma Michel Policeno, de 17 anos, filho de um aposentado e uma faxineira.

Para os ocupantes, o sistema que segue o Estado de avaliação bimestral dos alunos para as escolas escalarem em rankings de qualidade, o chamado Saerjinho, é errado. “O nível das provas é muito baixo e os professores, que recebem bônus se a escola subir posições, acabam se focando só em preparar a prova para colocar a escola no ranking”, lamenta Policeno.

Centenas dessas provas, aliás, junto a outras centenas de livros lacrados foram encontradas no chão pelos alunos em salas trancadas e no segundo andar de um auditório que mal aproveitam porque, dizem eles, o diretor não os deixa entrar. “Em 2014, no meu primeiro ano na escola, só recebi os livros de Português, Filosofia e Arte, e no ano passado fiquei o curso inteiro sem livro de Matemática. Eu achei esses livros, que supostamente não tínhamos, jogados em salas da escola durante a ocupação”, relata Joana Correia, de 18 anos, filha de uma enfermeira e um motorista que, após a demissão do porteiro da escola, passou a perder aulas no turno de noite por “falta de segurança”. Os livros que os alunos encontram no chão são entregues à Secretaria Estadual pelo Ministério da Educação e cabe a ela e as escolas a distribuição ou devolução do material que não for usado.

Além da escola da Ilha do Governador, pelo menos, mais 11 escolas em todo o Estado se mobilizaram –os estudantes contabilizavam (mais…)

Ocupação estreita relação entre escola e usuários de droga na Cracolândia

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A relação horizontal e solidária que marcou o movimento dos estudantes de SP vai além dos muros da escola: ela se expande no convívio com a sociedade

Mc Caio singer bloc

Publicado em Painel Acadêmico

“O papo eu te mando, agora vou mandar
Estou rimando aqui na escola J.K.
Minha voz é ruim, mas é sem problema
Quero o melhor pra mim, rimo como um poema
Não quero sentar numa mesa e começar a escrever
Quero levantar, participar e fazer acontecer
Ninguém me pergunta o que eu quero estudar
É uma coisa imposta, sem poder me expressar
Estão querendo tirar a minha escola
Mas não tem nada disso, vou fazer uma nova história”

Responsável por abrir o cadeado para quem entra e quem sai da E.E (Escola Estadual) João Kopke, Caio (15), aluno do 1º ano colegial, se concentra na letra do seu primeiro rap e apresenta a música para os colegas que estão na ocupação na tarde da última quinta-feira (10/12). O poema termina rimando “robocop” com “black bloc”, em referência à resistência dos estudantes às ações do governo Alckmin (PSDB).

A escola ganhara novas cores nas paredes, os estudantes haviam recebido naquele dia um grupo da Zona Sul para uma oficina de grafite. Quem passa pela frente pode ver, além dos cartazes com os dizeres “João Kopke Ocupada” e “Não à reorganização”, um grande livro aberto escrito “geração de pensadores”. Há três semanas ocupada, a E.E João Kopker está na Alameda Cleveland, centro de São Paulo, mais especificamente na região chamada de Cracolândia. O mesmo centro que há algum tempo vem chamando a atenção da especulação imobiliária paulistana, apoiada pelas políticas de higienização do governo do Estado.

“A região só não é valorizada porque a gente tá aqui. O que as empresas na região querem é vender tudo, tomar conta de tudo. Pra eles é muito bom que fechem essa escola”, diz Sérgio*, que se abriga do sol embaixo da lona de sua carroça, a cerca de 10 metros da escola ocupada pelos secundaristas. “O que é isso que eles estão fazendo?”, pergunta um rapaz que também está ali, protegido pela carroça. A resposta vem de Maria*: “esses meninos estão dormindo aí porque querem fechar a escola deles. Tá certo, tem que ficar mesmo!”.

A relação entre os estudantes e os transeuntes da Cracolândia se estreitou depois ocupação, no melhor sentido possível. “Antes, a gente só cumprimentava eles, afinal a gente estava aqui todos os dias e eles também. Mas agora abrimos o diálogo, eles ajudam a fazer nossa segurança, nunca teve nenhum problema”, afirmou Taíres Pereira, 16 anos, há 5 aluna da escola J.K. “Se alguém tentar invadir a escola à noite, a gente não deixa. Ninguém mexe com os meninos aqui, não”, disse Sérgio, que assim como Maria – “a dona da rua”, segundo seus amigos – também apoia a luta dos estudantes.

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Alguns dias da semana a escola sofre com falta de água. Naquela tarde, dia seguinte ao ato que levou cerca de 15 mil pessoas às ruas de São Paulo em apoio aos estudantes – e que terminou com bombas de gás lançadas pela polícia em frente à Secretaria de Educação -, os pratos estavam acumulados na pia à espera da volta da água. O almoço, no entanto, foi garantido por uma professora da escola e parceira dos alunos na luta contra a medida de reorganização, que levou 30 marmitas para os meninos e meninas dividirem entre si. Foi ela também quem varreu a rua no início da tarde, no perímetro da escola. O restante da calçada foi varrido mais cedo por Ceará*, usuário de crack, motorista de caminhão, amigo de Sérgio e de Maria, cearense saudoso da família que vive na terra natal. “Não gosto de ver sujeira acumulada aqui na frente”, disse.

A calçada da Alameda Cleveland é agora o fio que compõe as missangas, como diria Mia Couto (autor do livro O fio das Missangas, da Companhia das Letras); o território-comum daqueles estudantes e das pessoas em situação de rua que têm naquele mesmo espaço o endereço de suas moradias imprevisíveis. De fala tranquila e um pouco envergonhada, mas muito firme ao falar das atividades na escola, Taíres comenta: “quando fazemos almoço ou janta, levamos pra eles. Depois eles voltam trazendo os pratos e os garfos. Eles nos respeitam e a gente respeita eles”. Ceará confirma: “os meninos nos dão água, também, que é muito difícil de conseguir aqui, principalmente quando vai ficando de noite. Nos bares nem adianta pedir que ninguém dá. Mas a gente não gosta de ficar indo lá toda hora, pra não incomodar muito eles, né?”

Os alunos se dividem em comissões: cozinha, limpeza, comunicação, calendário de atividades. Não há liderança e tudo é discutido em assembleias, que acontecem duas vezes por semana. As regras são estabelecidas coletivamente e estão escritas em cartolinas, grudadas na parede do salão principal da escola. Os responsáveis por cada “departamento”, como a portaria e as reuniões externas com o Comando das Escolas Ocupadas, também são transitórios e eleitos a cada conversa do coletivo. Sobre os rumos da ocupação, Taíres defende: “vamos ficar aqui até termos a certeza de que nossa escola não será fechada de jeito nenhum”. E Caio garante: “minha ceia de Natal esse ano vai ser aqui. Minha mãe já disse que vem pra cá, outras mães também, vão fazer comida e vamos festejar aqui dentro”.

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