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Aluno da USP cria projeto para ajudar estudantes de baixa renda a entrar na universidade

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Lucas Gandolfi, do Semeando Educação (Foto: Estadão Conteúdo)

Lucas Gandolfi, do Semeando Educação (Foto: Estadão Conteúdo)

Lucas Gandolfi comanda o projeto Semeando Educação, que oferece palestras em escolas públicas para mostrar as possibilidades e oportunidades de fazer faculdade

Publicado no PEGN [via Estadão]

ara realizar o sonho de se formar em uma universidade, o estudante Lucas Gandolfi, de 25 anos, e sua família saíram de uma casa em Francisco Morato, na região metropolitana de São Paulo, para viver em uma favela da capital, a Canta Galo, na região de Pirituba, na zona norte.

Seus pais, uma empregada doméstica e um marceneiro, já trabalhavam na cidade e decidiram que a mudança poderia garantir um futuro melhor para os filhos – a irmã de Gandolfi havia sido aprovada na instituição um ano antes.

Hoje cursando o 4.º ano de Medicina, Gandolfi prestou seis vezes o vestibular – estudou por quatro anos no cursinho da Poli – até ser aprovado. “Por mais que houvesse algum tipo de bonificação para quem vem da escola pública, a defasagem era muito grande”, diz.

Por causa da baixa renda de sua família, o estudante poderia pedir uma vaga na moradia estudantil da Faculdade de Medicina da USP (Fmusp), mas preferiu levar os R$ 400 do auxílio oferecido pela universidade para ajudar em casa. Como o curso é em tempo integral, ele não consegue trabalhar. “Viemos para cá em uma condição muito deficitária.”

Foi com base nessa experiência de vida que o estudante criou, com ajuda de outros colegas de realidade semelhante, o projeto Semeando Educação, que oferece palestras em escolas públicas para mostrar as possibilidades e oportunidades de se cursar uma universidade gratuita. “Existem muitas pessoas que nem sequer conhecem o vestibular e as oportunidades que uma faculdade pode oferecer”, diz Gandolfi.

Quando fazem a peregrinação por escolas, os alunos contam como funciona a vida universitária, dão dicas de como passar no vestibular e apontam possibilidades para estimular quem ainda está no ensino médio. “Uma pessoa da periferia pode se destacar em uma área que ela gosta, adquirir técnica e depois voltar para a comunidade de onde veio para praticar esse conhecimento. Ninguém melhor do que ela para saber os problemas reais dessa comunidade”, diz o estudante.

Moradia subsidiada é um dos desafios
Uma das questões inerentes à chegada de alunos com menos condições é como alojá-los. No câmpus Butantã houve 3.832 inscritos para concorrer a uma bolsa de moradia neste ano, o dobro em relação a 2013. Mas o número de vagas na Cidade Universitária caiu: passou de 206, em 2013, para 165, em 2017.

Segundo Anuário Estatístico da USP, em 2016, 16,4% dos ingressantes tinham renda familiar mensal de até três salários mínimos. O governo estuda repasse extra de R$ 260 milhões para moradia e alimentação.

“Me sinto desvalorizado pelo Brasil”, diz professor premiado

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Wemerson está entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize

Wemerson está entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize

 

Eleito educador do ano em 2016, capixaba de 26 anos concorre agora a prêmio considerado “Nobel da Educação”. Em entrevista à DW, ele critica falta de investimentos nos professores e nas escolas públicas.

Publicado no DW

O professor de ciências Wemerson da Silva Nogueira conhece bem os desafios enfrentados nas escolas públicas e os impactos que projetos polêmicos discutidos ao longo de 2016 em Brasília, como a PEC do teto dos gastos e a reforma do ensino médio, podem trazer para dentro da sala de aula.

Formado em uma faculdade à distancia, Nogueira pagava a mensalidade de 190 reais (valor da época) com o dinheiro que ganhava vendendo picolés e colhendo café na roça da família, em Nova Venécia, no norte do Espírito Santo. Hoje, aos 26 anos, e com apenas cinco anos de formado, ele já ganhou dez prêmios nacionais — incluindo o de “Educador do ano 2016”.

As premiações mais recentes foram em reconhecimento ao projeto “Filtrando as lágrimas do Rio Doce”, desenvolvido em fevereiro de 2016 com 50 alunos do 8º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, em Boa Esperança, também no norte do Espírito Santo.

Nogueira transformou as águas do Rio Doce, afetadas pelo rompimento das barragens de Mariana, em Minas Gerais, em um verdadeiro laboratório de química. No início, a ideia era apenas identificar os poluentes presentes na água. Mas os alunos perceberam que a necessidade de ajudar a comunidade ribeirinha era muito maior que apenas aprender a tabela periódica. “As famílias não têm saneamento básico, e o rio era a única fonte de água daquela população”, diz Nogueira.

Após aprenderem a analisar os poluentes, os estudantes desenvolveram filtros de retenção de areia capazes de limpar a água poluída pelo maior desastre ambiental ocorrido no Brasil. Mais de 500 filtros já foram distribuídos de graça à população ribeirinha de Regência (ES). “O projeto continua até que todas as famílias afetadas ganhem um filtro.”

Nogueira ganhou visibilidade internacional. Ao lado do professor amazonense Valter Menezes, ele está entre os 50 finalistas do prêmio Global Teacher Prize, atualmente considerado o “Nobel da Educação” – uma das premiações mais importantes da área. Os dois brasileiros foram selecionados entre mais de 20 mil candidatos de 179 países.

Em entrevista à DW Brasil, Nogueira critica a falta de investimentos do governo nas escolas públicas e o baixo reconhecimento dos professores. “Me sinto desvalorizado pelo meu país”, diz. “Venho conquistando todos esses prêmios porque acredito na educação. E não porque meu país acredita nela.”

Wemerson Nogueira é professor de ciências na Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, no Espírito Santo

Wemerson Nogueira é professor de ciências na Escola Estadual Antonio dos Santos Neves, no Espírito Santo

DW Brasil: Você é um professor muito jovem e já bastante premiado. Qual é o segredo para fazer a diferença?

Wemerson Nogueira: Eu busco ser um aprendiz dentro da sala de aula. Tento falar a mesma linguagem dos meus alunos e proponho projetos práticos para ensinar conteúdos científicos, que muitas vezes são tidos como chatos e difíceis de aprender. Eu só ensino assim. Primeiro, exponho minhas ideias de projetos aos alunos, para cativá-los, para despertar o interesse deles no tema. Só depois vem a teoria. Os projetos envolvem de paródias de músicas sobre elementos da tabela periódica a atividades fora da escola.

Como é ser professor de escola pública no Brasil?

É algo muito desafiador. A maioria das escolas sofre com tanta falta de recursos e infraestrutura que o professor vai ficando desestimulado em dar aula. O aluno percebe e fica desanimado. Apesar de todas as dificuldades, nós, professores, tentamos encontrar formas de motivar os nossos alunos a quererem aprender mais, a fazer coisas novas. Mas isso tem ficado cada vez mais difícil diante da crise que estamos enfrentando no país, com o governo querendo congelar os investimentos em educação. Essa conjuntura gera um desinteresse geral na rede pública.

Como você avalia os impactos da PEC 55 na educação?

Não há dúvida de que é necessário reajustar as contas do nosso país, mas não concordo em mexer na educação. O governo deveria olhar para educação como a principal prioridade. É na educação que o país vai formar cidadãos capazes de contribuir com outras áreas importantes, como saúde e segurança. Daqui a 20 anos, teremos uma nova geração de alunos, e a demanda por uma educação mais moderna. Congelando investimentos na área, como vamos alcançar o desenvolvimento de duas décadas?

Alunos da escola onde Wemerson leciona analisam os poluentes presentes nas águas do Rio Doce

Alunos da escola onde Wemerson leciona analisam os poluentes presentes nas águas do Rio Doce

 

O Brasil teve desempenho fraco no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) em 2015 e dificuldades de alcançar as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A falta de investimentos é suficiente para explicar os resultados ruins?

É difícil generalizar. Tem um ou outro estado que está se destacando, como o Espírito Santo [que teve o melhor desempenho no Pisa], mas sei que a realidade da minha escola é muito diferente das do interior do sertão, que muitas vezes não oferecem nem uma folha de papel para os alunos escreverem a prova. Os baixos resultados do Brasil nos rankings são consequência direta da falta de investimentos na área. Até tem investimentos sendo feitos, mas a sensação é que eles são precários e não chegam a todas as escolas do país. E para funcionar direito, a escola precisa de 100% de investimentos. Menos que isso não dá conta.

Eu, por exemplo, recebi muito apoio da minha prefeitura e da secretaria de educação do ES para implementar meu projeto. Mas será que um professor lá no interior do sertão teria o apoio que eu tive? Eu me sinto valorizado pelo meu estado, pelo meu município e pela minha escola. Mas me sinto desvalorizado pelo meu país. Venho conquistando todos esses prêmios porque acredito na educação. E não porque meu país acredita nela. O Brasil tem hoje dois finalistas no maior prêmio de educação do mundo. Os dois de escola pública. Os governantes deveriam olhar para nós como exemplos, e investir mais, para que mais professores possam promover projetos diferenciados. Está acontecendo o inverso e isso me entristece.

Caso os investimentos em educação sejam, de fato, reduzidos pelos próximos anos, que iniciativas podem ser tomadas para melhorar a educação no país?

O governo poderia criar laboratórios de ciências e de informática nos estados e municípios que pudessem ser usados por várias escolas ao mesmo tempo, por agendamento de turmas. Acho que não sairia muito caro. Se eu vencer o prêmio mundial [o primeiro colocado receberá 1 milhão de dólares], vou construir na minha cidade um laboratório de informática e de ciências, para que os alunos carentes possam ter aula de experiências e fazer pesquisas na internet. Também pretendo abrir a minha própria fundação, com a oferta de bolsas de estudo para quem quiser seguir a carreira de professor e orientação de professores para trabalharem com projetos práticos. Se eu sozinho, com esse prêmio, poderia fazer isso, imagino que o governo tenha recursos para fazer muito mais.

Qual é a necessidade de aumentar a atratividade da profissão de professor entre os jovens?

Nós precisamos inovar em educação. Essa inovação não virá dos professores antigos, que estão perto de se aposentar. Com tudo o que tem sido discutido, muitos alunos perdem a vontade de seguir a carreira de professor. Na semana passada, dei uma palestra para 750 alunos do ensino médio. Perguntei quantos já tiveram vontade de ser professor. Quase metade do grupo levantou a mão. Quando perguntei quem toparia se tornar professor hoje, apenas cinco se manifestaram. Eles não estão errados. A realidade hoje no Brasil é muito difícil para professores e alunos da rede pública. No final da palestra, depois de falar da minha trajetória e conquistas, repeti a pergunta. E todos levantaram a mão. Foi emocionante. O Brasil precisa disso. Motivar os nossos alunos a serem professores.

Pesquisa aponta que autistas sofrem menos preconceito na rede pública

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Pesquisa da Unicamp mostra que preconceito é menor na rede pública (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp)

Pesquisa da Unicamp mostra que preconceito é menor na rede pública (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp)

Situação reflete implantação de políticas de inclusão, diz pesquisador.
Estudo foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

Roberta Steganha, no G1

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, em Campinas (SP), mostrou que os estudantes com autismo sofrem menos preconceito nas escolas públicas. Segundo o professor Robson Celestino Prychodco, responsável pelo estudo, essa situação reflete a implantação de políticas públicas de inclusão de alunos com deficiência.

“As políticas públicas são recentes, então, a gente começa a sentir os efeitos disso, a partir dos alunos que estão na educação infantil. […] Impulsionado pela norma, pela legislação, acaba produzindo efeitos melhores, então, o preconceito diminui e aceitação aumenta”, afirma.

Leis e normas
Segundo o professor, as escolas públicas e particulares são obrigadas a seguir as leis 12.764, de 2012 – que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) – e a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015.

A lei 12.764 reconhece o autismo como deficiência e prevê que, quando necessário, o estudante tenha direito a um acompanhante especializado. Para Prychodco, é nesse ponto que começa a exclusão, especialmente nas escolas particulares, que criam mecanismos para não ter que aceitar esses alunos, exigindo, por exemplo, que a família pague por esse tipo de assistência que a legislação garante.

“Os mecanismos de exclusão nas públicas são menos incisivos, porque elas são sujeitas às normas de uma maneira mais regulamentada e fiscalizada do que nas particulares [..] Na pública, a criança chegou, o diretor não pode simplesmente dizer que não vai matricular, se ele tem a vaga, ele é obrigado a matricular”, explica.

Inclusão
A pesquisa foi desenvolvida pelo pesquisador durante seu mestrado na universidade. Dentro das três maiores comunidades relacionadas ao autismo em uma rede social, ele selecionou cerca de 200 pais e responsáveis por crianças com esse tipo de transtorno para responder perguntas.

Com as informações passadas por eles, segundo o pesquisador, foi possível constatar que a inclusão, atualmente, é maior na educação infantil. “Temos um impacto das políticas públicas muito maior na educação infantil. Ela tem uma receptividade muito maior e tem estratégias de lidar com essas diferenças de uma maneira mais tranquila”, destaca.

Os números da pesquisa também mostraram que, para a maioria dos responsáveis, o preconceito “nunca” ou “raramente” acontece no ambiente escolar. “O preconceito acontece, mas não com tanta intensidade e na escola pública, ele acontece menos ainda”, afirma.

Retrocessos
No entanto, a pesquisa também mostrou que apesar das políticas públicas, os pais ainda têm dificuldades para conseguir matricular os filhos com autismo, especialmente, em escolas particulares. Dentre 53 participantes do estudo que solicitaram uma vaga, 21 alunos foram recusados, sendo que 8 tiveram que recorrer a outras instâncias para serem aceitos.

“A lógica da escola particular, ela foge um pouquinho do padrão, ela tem formas de funcionamento que muitas vezes criam mecanismos para excluir a criança com deficiência da escola com mais força”, explica.

Ainda de acordo com a pesquisa, 12 responsáveis responderam que a escola recusa o aluno porque o vê “como um problema”, ou “como um doente que não deveria estar naquele espaço”.

Crescimento
O estudo revelou também que na educação infantil, as escolas estão mais preparadas e embasadas para atender a diversidade, mas que as coisas mudam quando essas crianças alcançam as próximas etapas da escolarização devido às diferenças de aprendizado e o preconceito fica mais evidente.

“Conforme a criança vai crescendo, vai aumentando a complexidade, então, dependendo das limitações, do diagnóstico e tratamento que ela fez, ela tem condições de acompanhar as outras crianças, fazer vestibular, só que dependendo, se ela tem um grau severo de autismo, fica mais difícil. Então, essa percepção da diferença vai aumentando”, destaca.

Redes sociais
Prychodco destaca também que a pesquisa revelou a importância das redes sociais no processo de aceitação da deficiência e redução do preconceito.

“As redes são importantes porque as pessoas com deficiência passam por um processo de isolamento, porque a criança tem comportamentos que não são padrão, então muitos pais são julgados. […] A rede social quebra isso, já que ela tem o poder da similaridade. Essa interação tira as pessoas do isolamento e favorece a aceitação da deficiência, porque você percebe que não está sozinho”, pontua.

O resultado disso, segundo o pesquisador, é o “empoderamento das famílias”, que deixam de ter posturas passivas e passam a lutar de maneira mais ativa para que seus filhos não sejam excluídos.

Outra visão de inclusão
Após tentar incluir o filho Gabriel, de 11 anos, que têm autismo em escolas regulares, Juliana Borges de Andrade Girotto, de Sumaré (SP), conta que desistiu depois de perceber que ela não funcionava na prática. Atualmente, o menino estuda num colégio particular para crianças especiais em Paulínia (SP). O valor é custeado pelo governo, porque a mãe conseguiu uma vaga via Secretaria de Saúde.

“Eu tentei inclusão, mas não tive êxito. O Gabriel ficava isolado da sala, deitado o tempo todo dentro da sala, a professora tinha mais crianças. Aí, com relatório médico, coloquei o Gabriel nunca escola de educação especial. Hoje são cinco crianças na sala dele. Ele já está no segundo ano nessa escola e a diferença foi total no desenvolvimento”, afirma.

Juliana conta ainda que para enfrentar o processo de inclusão de Gabriel nas escolas regulares precisou até fazer terapia. “A tentativa da inclusão causa frustração, eu tive que ir para terapia. Eu era última a sair da reunião, sempre me deixavam para depois, eu não tinha nenhuma atividade realizada pelo meu filho. Na educação especial isso não acontece. Eu já tô conseguindo ver resultado”, revela.

A mãe afirma que na prática a inclusão é mais fácil nas escolas públicas do que nas particulares devido à legislação, mas que isso não significa ter as mesmas oportunidades. “Eu até concordo que você consegue incluir mais fácil na pública, porque eles não podem negar nossa matrícula, porém, você coloca a criança da porta para dentro. Que a criança é incluída realmente, eu vou dizer para você que ela não é”, finaliza.

Apenas 33% dos professores de inglês das escolas públicas têm proficiência

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Com 1350 entrevistas realizadas, estudo relata desafios e oportunidades para a melhoria do ensino da língua inglesa nas escolas públicas brasileiras

Publicado no Administradores

O Instituto Plano CDE, especializado em pesquisa com foco no universo das classes C, D e E, desenvolveu um estudo encomendado pelo British Council para analisar os principais desafios do ensino do inglês na educação básica da rede pública brasileira. Segundo o levantamento, a proporção de professores que não possuem proficiência é expressiva, apenas 33%. Os dados quantitativos e análises qualitativas relacionadas ao dia a dia do professor de inglês no Brasil sinalizam que a exigência sobre o nível de proficiência na língua ainda é muito baixa, pois, no País, os certificados não são necessários para o cotidiano do educador.

Para o estudo, que tem o objetivo de colaborar para a melhoria no ensino de inglês no Brasil, foram entrevistados 1350 professores de inglês de todas as regiões do País. Foi visto também que, apesar da estabilidade, os profissionais são mal remunerados. Neste sentido, a rede privada concorre (e ganha) da rede pública. Aproximadamente 38% dos professores dão mais do que 30 aulas por semana.

“O principal desafio mencionado pelos professores é o acesso escasso a recursos tecnológicos e livros didáticos para o ensino de inglês. O estudo mostrou que a aula de inglês tem alto potencial de ser lúdica, envolvente e tratar de assuntos da atualidade. Porém, para isso os professores precisam de equipamentos audiovisuais, que muitas vezes não estão disponíveis. O objetivo do estudo é contribuir com novos projetos e soluções que aprimorem o processo pedagógico no Brasil”, comenta o sócio-diretor do Plano CDE, Maurício de Almeida Prado.

Segundo Prado, um outro aspecto importante levantado é que este professor sente falta de outros profissionais para discutir o plano de aulas. “Em grande parte das escolas, os coordenadores pedagógicos não dominam o idioma e o professor fica sem ter com quem fazer uma discussão aprofundada de sua matéria”, finaliza.

43% das escolas públicas têm banda larga, contra 80% das privadas

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Nº de escolas públicas equipadas é menor que o das privadas em 2008.
Levantamento do Instituto Ayrton Senna comparou dados do Censo 2014.

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Publicado em G1

Em 2014, só metade das escolas de educação básica no Brasil tinham acesso à internet de banda larga, segundo um estudo feito pelo Instituto Ayrton Senna, ao qual o G1 teve acesso. De acordo com os dados, a porcentagem de escolas públicas nessa situação em 2014 era de 42,7%, taxa menor que a registrada seis anos antes pelas escolas particulares, de 48,8%.

No ano passado, na rede privada, 80,2% das escolas já tinham acesso à internet de alta velocidade. Os dados foram levantados a partir das últimas sete edições do Censo Escolar.

Segundo os números do Censo, o Brasil tinha um total de 149.098 escolas públicas e 39.575 escolas privadas de educação básica em 2014. Embora as escolas privadas representem 20,9% do total de escolas no país, elas respondem por 33,3% do total de escolas brasileiras com internet de banda larga.

É possível notar, a partir do levantamento, que o investimento público em banda larga privilegia os estudantes do ensino médio. Na divisão entre o ensino fundamental e o ensino médio, 79,4% das escolas públicas de ensino médio tinham banda larga em 2014, contra 90,8% das escolas particulares.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que considera que o número de alunos atendidos é o melhor indicador. “Ao contrário do que apresenta o estudo, o Brasil já atende 70% do total de alunos do ensino fundamental público, ou seja, mais de 16,8 milhões, e 84% dos estudantes do ensino médio público, o que representa 6,1 milhões de matrículas”, afirma o ministério.

“O governo federal trabalha para ampliar a quantidade de alunos e escolas atendidos pelo Programa Banda Larga nas Escolas, por meio do qual as operadoras de telecomunicações instalam uma conexão em alta velocidade e oferecem a ampliação periódica dessa velocidade para manter a qualidade e a atualidade do serviço durante a vigência da oferta, até 2025. O programa é resultado de uma parceria entre os ministérios da Educação e das Comunicações e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)”, informa o ministério.

Regiões
De acordo com o levantamento, em todos os estados do Brasil, a rede particular apresentou níveis de acesso à banda larga nas escolas mais alto do que as redes públicas. No caso das escolas públicas, em 16 dos 26 estados e do Distrito Federal a porcentagem de escolas públicas com banda larga representa menos da metade do total de escolas.

Já na rede particular, só no Amapá a porcentagem ficou abaixo de 50%. Nesse caso, só 25,4% das escolas privadas tinham banda larga em 2014, contra 6,3% das escolas públicas.

O Distrito Federal tinha, em 2014, a maior porcentagem de escolas públicas com acesso à internet de alta velocidade (88,9%), seguido de São Paulo, com 77%, e Mato Grosso do Sul, com 74,3%.

Investimento em internet móvel
O levantamento também pesquisou a porcentagem das escolas que contam com laboratório de informática para os estudantes. Nesse caso, o número é parecido entre as redes: na pública, 44,7% das escolas têm o equipamento. Na privada, a porcentagem foi de 45,3% em 2014, e caiu pela segunda vez consecutiva (a taxa mais alta de presença desse equipamento nas escolas particulares foi de 47,4%, registrada no Censo de 2012).

Mesmo assim, entre as escolas públicas que têm laboratórios de informática, cerca de um terço não conseguem realizar algumas atividades porque falta a internet de banda larga. De acordo com os dados, em 2014, 21.273 escolas das redes públicas brasileiras estavam nesta situação.

Para Mozart Neves Ramos, diretor de Articulação e Inovação do instituto, os números mostram que o investimento das escolas particulares está mais concentrado no campo dos smartphones e notebooks que podem ser usados dentro da sala de aula. “É um sinal de que a necessidade da banda larga é estratégica para desenvolver a aprendizagem no século 21, que não fica na aula tradicional do professor.” Segundo ele, o professor vai se transformar mais em tutor do que em um instrutor tradicional. “Será um indutor pela busca do conhecimento qualitativo.”

Na rede pública, em 2014 a porcentagem de escolas de ensino médio com laboratórios de informática (89,9% do total) já era maior que o de escolas particulares no mesmo nível de ensino (77,9% do total).

Para Ramos, nos próximos dois anos a rede pública deve ultrapassar a particular em número de laboratórios em todos os níveis. Porém, segundo ele, é fundamental investir no acesso à banda larga, pois em muitos locais a velocidade da internet é um limitante para o uso dos computadores.

“O laboratório ainda é importante, mas é necessário lembrar que a sala de aula mudou e a tendência do século 21 é um modelo híbrido de aprendizagem. A banda larga não é luxo, é a democratização do conhecimento. O notebook é o lápis do século 21”, disse Ramos.

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