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Lucas Ferraz, na Folha de S.Paulo

A histórica edição do jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, a primeira após o atentado terrorista em sua redação no mês passado, está disponível na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, mas é vendida como uma publicação maldita: o jornal fica escondido e não pode ser folheado pelo cliente nem na fila do caixa.

No sábado (31), o “Charlie Hebdo” não estava exibido em nenhuma estante da livraria. Para os interessados, um vendedor tirava o exemplar de uma gaveta da revistaria da loja e dizia que o cliente deveria retirá-lo no caixa, após o pagamento.

A explicação do vendedor foi genérica: o jornal estava sendo vendido daquela forma para evitar “problemas”, sem especificar quais. Segundo ele, o dono da livraria, judeu, não queria comercializar o “Charlie Hebdo”, mas teria sido convencido pelo departamento comercial.

A edição começou a ser vendida no Brasil (por R$ 29,90) na última semana.

O empresário Pedro Herz, dono da Cultura, uma das principais redes de livrarias do país, afirmou à Folha que o jornal está sendo vendido dessa maneira por segurança, não por ideologia.

“O jornal parece um tabloide de distribuição gratuita, mas não é gratuito, por isso o cuidado. Aqui é um país de ladrões, o sujeito entra com má intenção e leva. Ou quer sentar num pufe e ler o jornal, sem comprá-lo. Não temos posição política, vendemos conteúdo”, disse Herz.

Além de satirizar Maomé, profeta do islã, o “Charlie Hebdo” já se envolveu em polêmicas por críticas religiosas contra católicos e judeus.

Anne Hommel, porta-voz do “Charlie Hebdo”, disse que a publicação precisa de tempo para lidar com “o luto, o cansaço e a superexposição”.

O jornalista Laurent Léger, que estava na sala quando os terroristas entraram atirando, informou em seu Twitter que a próxima edição sairá no dia 25 deste mês.

A primeira edição do “Charlie Hebdo” após o atentado (ocorrido no dia 7 de janeiro) saiu no último dia 14, com uma tiragem de cerca de 7 milhões de exemplares.

Antes, a média da publicação era de 60 mil exemplares.