Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged escrita

5 livros escritos em período de exílio

0

Conheça as obras memoráveis que foram censuradas ao longo da História, juntamente com seus escritores

Publicado na Aventuras na História

1. O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (1942)

A obra foi escrita por Jorge Amado enquanto ele estave exilado em Buenos Aires e foi publicada originalmente na Argentina, em 1942, até que foi proibida e queimada por ordem do governo de Juan Domingo Perón.

O cavaleiro da esperança chegou no Brasil apenas em 1945, mas durante a ditadura militar voltou a ser censurado. A obra narra a trajetória de Luís Carlos Prestes.

2. Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões (1572)

Camões escreveu o clássico Os Lusíadas enquanto esteve excluso no Oriente, por conta de uma série de adversidades. Nesse período foi preso várias vezes e serviu ao lado das forças portuguesas. Na obra, o escritor enaltece a coragem dos portugueses ao explorarem o oceano Atlântico, em busca de encontrar uma nova rota para as Índias. Em Os Lusíadas, os navegadores enfrentam também deuses mitológicos, como Baco e Netuno.

3. Educação como prática da liberdade, de Paulo Freire (1967)

A obra foi escrita enquanto o autor esteve exilado no Chile, entre 1964 a 1969. O pensador aborda diversos temas como: liberdade, democracia e justiça. Para ele essas três palavras expressam um grande poder libertador e são um instrumento de transformação global do ser humano diante à sociedade. Além disso, estabelece ideais de coletivo e nacional de desenvolvimento para ativar a democracia.

4. Dentro da Noite Veloz, de Ferreira Gullar (1975)

Este volume de poemas apresenta uma grande carga política. A obra foi escrita enquanto o escritor esteve exilado por conta do regime militar no Brasil. O autor denuncia a desigualdade social eminente no país. Seus poemas apresentam aventura, perigo e mistério.

5. Convívio, de Dante Alighieri (1304 – 1307)

A obra foi escrita entre 1304 e 1307, enquanto o autor esteve exilado. O Convívio é composto por uma série de poemas sobre amor e filosofia, que podem ser interpretados como explicações filosóficas, literárias, morais e políticas desta época. O autor escolheu a língua italiana para que todos tivessem acesso ao conhecimento, não somente os letrados em latim.

Editora Arqueiro lançará distopia escrita por Nora Roberts

0

Victor Tadeu, no Desencaixados

Nora Roberts é uma escritora consagrada com mais de 500 milhões de exemplares vendidos pelo mundo, no Brasil seus romances são publicados pela Editora Arqueiro e recentemente a casa editorial anunciou o lançamento de mais uma obra da autora, porém, desta vez uma distopia que promete causar em 2019.

Ano Um é o primeiro livro da trilogia Crônicas da Escolhida, a série literária de três livros da autora, a história gira em torno do mundo entrando em colapso após uma doença de alastrar rapidamente, justamente na virada do ano, colocando muitos em desespero.

Neste título acompanhamos a jornada de Lana Bingham e seu amante, Max, lidando com toda a situação.

Tudo começa na noite de Ano-Novo. A doença se alastra rapidamente. Em questão de semanas, a rede elétrica para de funcionar, as leis e o sistema de governo entram em colapso e mais da metade da população mundial é dizimada.

Onde existia ordem, agora só há caos. E conforme o poder da ciência e da tecnologia diminuíam, a magia crescia e tomava o seu lugar. Uma parte dessa magia é boa, como a feitiçaria praticada por Lana Bingham no apartamento que divide com o amante, Max. Outra parte dela, no entanto, é inimaginavelmente maligna, e pode se esconder em qualquer canto, numa esquina, nos fétidos túneis sob o rio ou dentro daqueles que você mais ama e conhece…

Espalham-se rumores de que nem os imunes nem os dotados estão a salvo das autoridades que patrulham as ruas devastadas, então Lana e Max resolvem deixar Nova York. Outros viajantes também seguem esperançosos para o oeste: Chuck, um gênio da tecnologia que mantém o bom humor em um mundo off-line; Arlys, uma jornalista que insiste em buscar e registrar a verdade; Fredinha, uma jovem com um otimismo que parece fora do lugar nessa paisagem desoladora; Rachel e Jonah, médica e paramédico, determinados a proteger uma jovem mãe e seus três bebês recém-nascidos.

Em um mundo em que cada estranho no caminho pode representar a morte ou a salvação, nenhum deles sabe o que encontrarão. Porém, um novo horizonte os aguarda, a concretização de uma profecia ancestral que transformará a vida de todos os sobreviventes.

O fim chegou. O início é o que vem agora.

A obra foi comparada com o clássico de Stephen King, A Dança da Morte, inclusive o próprio escritor elogiou a autora e a história. Este é um gênero literário que Nora está apostando, fugindo um pouco da zona de conforto.

Conheça Luana Génot, a ativista que luta pela igualdade racial por meio da escrita

0

Em seu livro de estreia “Sim à Igualdade Racial – Raça e Mercado de Trabalho” ela faz um raio x da influência da cor da pele na trajetória profissional e aponta caminhos para a mudança

Leonne Gabriel, na Vogue

Há quem diga que escrever um livro é como gerar um filho. Se pensarmos assim, Luana Génot teve gêmeos. Porque foi durante a gravidez da pequena Alice, hoje com 1 ano, que a publicitária carioca encarou a tarefa de concluir Sim à Igualdade Racial – Raça e Mercado de Trabalho (Pallas Editora, R$ 54,90), recém-chegado às livrarias.

Foram nove meses intensos, se revezando entre finalizar sua primeira obra, os preparativos para a maternidade e sua saída da equipe do ID_BR (Instituto Identidades do Brasil), órgão criado e dirigido por ela, cujo objetivo é produzir oportunidades a partir de ações inovadoras e mudança de culturas corporativas – com a missão de acelerar a igualdade racial no mercado de trabalho.

Uma das principais vozes no debate sobre o assunto, a autora questiona as vantagens e desvantagens raciais na realidade brasileira e propõe mudanças nessa lógica. No livro, ela faz um raio X da influência da cor da pele na trajetória profissional e convida os leitores a abraçar e entender essa causa – independentemente de sua origem. “A função de cada pessoa é essencial na luta por igualdade. O branco que entende seu papel no mundo sabe que uma sociedade mais inclusiva é algo bom para todos”, justifica.

Resultado da sua dissertação de mestrado em relações étnico-raciais no Cefet-RJ, a publicação traz 16 depoimentos inéditos de pessoas de diferentes etnias e profissões, além das falas da própria autora, seus pais e CEOs de grandes empresas brasileiras, a quem aplica o conceito de raça em diferentes contextos.

Entre os entrevistados também estão o ator Bruno Gagliasso e a atriz Maria Gal e, a partir das suas trajetórias, Luana sinaliza a raça e o gênero como diferencial competitivo. “São atores com a mesma faixa de idade, mas não com as mesmas oportunidades, sobretudo no recorte publicitário. A branquitude do Bruno dá a ele benefícios de conseguir mais papéis em campanhas. Já ter a pele preta como a de Maria Gal ainda é motivo de recusa”, explica.

Nascida no Rio de Janeiro, Luana passou sua infância na Penha, Zona Norte da cidade. Na adolescência, sonhava em ser modelo e subiu à passarela pela primeira vez no Fashion Rio, em 2008. Em seguida, começou a desenhar uma carreira de modelo internacional, trabalhando em países como Bélgica, África do Sul, Inglaterra e França, onde desfilou para Paco Rabanne e Saint Laurent. De volta ao Brasil, percebeu que a oferta de trabalho como modelo era muito limitada e acabou desistindo da profissão para ingressar no curso de publicidade e propaganda na PUC-Rio. Depois, como bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras, cruzou novamente o oceano e foi estudar na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Na época, atuou ainda como voluntária na campanha de Barack Obama à presidência do país.

Apesar de todas essas experiências terem contribuído para sua formação, Luana conta que a maternidade a fez entender ainda mais seu papel. “A dádiva de ser mãe é poder mostrar que trilhei um caminho movido por um propósito”, defende. “Pari quase dentro do escritório, levei minha filha para reuniões e dessa forma acho que ela vai ter uma compreensão maior do mundo desde cedo.”

Sobre o futuro, a ativista tem uma certeza: “Não quero ter de falar de igualdade racial daqui a 50 anos. Falar sobre o mercado de trabalho delegando aos algoritmos o papel de ser inclusivo é a extensão da incapacidade de se colocar no lugar do outro”, desabafa. “O futuro não está nas máquinas, deve estar nas mãos de pessoas de todas as raças, gêneros e sexualidades.”

Conheça os escritores que usavam tarô e os jogos de sorte na escrita de seus livros

0

William Butler Yeats, Philip K. Dick e Jorge Luís Borges eram alguns que se influenciaram pelas cartas e moedas nos rumos tomados em suas obras

André Nogueira, na Aventuras na História

O tarô e os jogos de sorte são elementos importantes para algumas pessoas quando se trata de tomada de decisões. O tarô, por exemplo, pode recriar trajetórias de vida e projetar sua continuidade e, assim, produzir uma narrativa sobre o futuro.

Muitos artistas tiveram suas vidas marcadas pelo gosto pelas cartas e pela sorte aleatória. Philip K. Dick, por exemplo, autor de O Homem do Castelo Alto, decidiu a trajetória de sua obra tendo como principal influência uma moeda que lançava corriqueiramente sobre sua mesa para decidir rumos narrativos. O famoso “cara ou coroa” guiou boa parte da história que conta a vida estadunidense após a vitória alemã na guerra e a tomada do país pelos nazistas.

P. K. Dick / Crédito: Wikimedia Commons

Nessa época, Dick estava também muito influenciado pela sua recente descoberta: um jogo místico chamado I-Ching, de origem chinesa, muito próximo do esquema do tarô, mas que funciona a partir de números e moedas. O autor usava a diversidade de rumos possibilitados pelo uso do I-Ching para sua massiva produção de obras. Os jogos de moedas usados por Dick eram essenciais para sua produção literária.

O I-Ching é um jogo que permite o diálogo. As moedas respondem suas perguntas com o positivo e o negativo (sim e não). Já no tarô, a experiência é mais profunda e modificadora.

Tarólogos dizem que o uso das cartas é uma forma de traçar um relato compreensível em meio à confusão da vida. Seria uma estratégia de conceber um trajeto delineável e narrável em meio às múltiplas possibilidades de caminhos já percorridos e a se percorrer. Essa característica do tarô fez com que o jogo atraísse a atenção e o afeto de grandes nomes da literatura mundial.

O tarô começa na mesa como num mapa / Crédito: Reprodução

Sylvia Plath, por exemplo, usou o tarô para produzir pelo menos três poemas completos da compilação Ariel, de 1965, e, a partir deles, concebeu o desenvolvimento de uma trajetória guiada, como em um jogo de tarô.

William Butler Yeats, conhecido por sua ligação com filosofias ocultistas, usou frequentemente o tarô em sua obra, não somente na tomada de decisões, mas no próprio imaginário poético de sua narrativa.

A pintora e escritoa Leonora Carrington imaginava o tarô como o equivalente a espelhos, pois mostram aquilo que não conseguimos ver, e usou essa metáfora em diversas obras surrealistas que produziu.

Pamela Lyndon Tavers teve sua vida bastante influenciada pela crença no tarô. Sua principal obra, Mary Poppins, é marcada pelo clima obscuro e incerto, muito mais do que as versões cinematográficas. Tavers era frequentadora constante de sessões de tarô, mesmo que não necessariamente para pensar o rumo de suas obras, mas para pensar em sua vida pessoal. A adoção de sua filha e a mudança de casa foram frutos diretos do resultado de seu jogo de cartas, por exemplo.

P. L. Tavers / Crédito: Wikimedia Commons

Jorge Luís Borges, talvez o maior escritor da história argentina, também era um adorador desses jogos de sorte. Muito afeito ao tarô, Borges se deixou influenciar muito, na vida privada e em sua obra artística, pelas sessões de carta. Chegou a escrever uma poesia cuja principal influência era o I-Ching, chamada Para uma versão do I-Ching, em A Moeda de Ferro (1976):

Nosso futuro é tão irrevogável

Quanto o rígido ontem. Não há nada

Que não seja uma letra calada

Da eterna escritura indecifrável

Cujo livro é o tempo. Quem se demora

Longe de casa já voltou. A vida

É a senda futura e percorrida.

Nada nos diz adeus. Nada vai embora.

Não te rendas. A masmorra é escura,

A firme trama é de incessante ferro,

Porém em algum canto de teu encerro

Pode haver um descuido, a rachadura,

O caminho é fatal como a seta,

Mas Deus está à espreita entre a greta.

J. L. Borges / Crédito: Wikimedia Commons

O uso dessas formas de pensar o futuro foi tão influente na arte, em tantas partes do mundo, que em muitos aspectos a presença do tarô e do I-Chang não pode ser ignorada para pensar o desenvolvimento artístico e autoral de diversas figuras centrais da literatura.

Para muitos, o campo místico e supersticioso da análise do tempo pessoal é suporte básico para a vivência pessoal e para a experiência artística e da sublimação, servindo como preenchimento dos vácuos que a vida propriamente material não consegue acessar.

O tarô, que muitas vezes sofre preconceitos e represálias, foi fonte primal para o nascimento de romances e contos que não podem ser negados pelos que presam a arte. Afinal, é muito difícil negar a qualidade dos contos de Borges, das alucinadas histórias de Dick ou dos quadros de Carrington e todos eles se basearam na sorte e na superstição para poderem existir hoje.

‘O diário de Myriam’: conheça livro da menina síria que registrou a guerra civil

0

A menina Myriam registrou as experiências da guerra civil nos escombros de Aleppo. (Foto: Divulgação/F. Thomas)

Livro chega ao Brasil e traz relato do conflito no olhar da menina Myriam Rawick. Francês correspondente de guerra que a ajudou a publicar fala de ‘olhar inocente’ e diz que ela quer estudar no exterior.

Carlos Brito, no G1

Era 2013. Por razões até hoje não totalmente compreendidas, o prédio da congregação cristã em Aleppo, nos arredores da cidade, se mantinha de pé em meio à paisagem desolada. Naquele momento, a maior cidade da Síria era pouco mais que um amontoado de escombros, resultado mais visível da guerra civil que, àquela altura, se estendia por pouco mais de dois anos.

Naquele cenário de violência quase infinita e pouquíssimas esperanças, o jornalista e correspondente francês de guerra Philippe Lobjois encontrou uma pequena sobrevivente, Myriam Rawick, então com oito anos.

Incentivada pela mãe, a menina cristã de origem armênia havia começado a escrever um diário sobre as situações que presenciara durante o conflito. Lobjois percebeu que estava diante de uma história que precisava ser contada.

As observações da menina – cuja escrita, a partir daquele momento, seria auxiliada por Lobjois – se transformariam no livro “O diário de Myriam”, recém-lançado no Brasil pela DarkSide. O jornalista esteve no Brasil, onde participou da Feira Literária de Araxá. Ele também passou pelo Rio de Janeiro para divulgar a obra.

Depois de meses de escrita e revisão feitas em Aleppo, Lobjois levou o diário de Myriam à França e o mostrou a uma série de editoras – uma delas, enfim, decidiu transformar o relato em livro.

O jornalista e correspondente francês de guerra, Philippe Lobjois, ajudou na escrita da obra. (Foto: Divulgação/Olivier Roller)

A obra representa uma oportunidade incomum para que o leitor enxergue uma situação de confronto humano a partir da perspectiva de uma pessoa cuja personalidade ainda está em formação – na maioria das vezes, as maiores prejudicadas em situação de conflito.

“São raros os livros que mostram os efeitos da guerra pelos olhos das crianças. Há exceções, é claro, e talvez a mais conhecida seja ‘O diário de Anne Frank’.”

A partir de 2011, a Síria foi varrida por uma guerra civil – de um lado, havia combatentes de oposição que pretendiam derrubar o ditador Bashar al-Assad, do outro, tropas fiéis ao regime.

Foram quatro anos de um conflito que reduziu Aleppo, até então a cidade mais importante da Síria do ponto de vista comercial e capital econômica da nação, a centenas de prédios destruídos – não havia energia elétrica, não havia água, não havia nada.

Observadores internacionais classificavam a situação como “catastrófica” do ponto de vista humanitário.

O embate entre opositores e defensores do regime se estendeu por quatro anos, ao custo de 100 mil vidas. Apenas em 2016, com auxílio da máquina de guerra russa, as forças do governo conseguiram retomar Aleppo de forma definitiva.

Apesar do cenário de destruição, Myriam optou por permanecer na cidade ao lado de sua família.

Go to Top