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Posts tagged escritor

Anel pertencente a Jane Austen é vendido em leilão

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Publicado originalmente na Revista Cult

Com uma larga pedra turquesa sobre um aro de ouro, anel que pertencia à escritora Jane Austen é vendido em leilão, em Londres, por £ 150 mil, junto com uma carta escrita a mão pela sua cunhada Eleanor Austen, legando a joia à sobrinha Caroline.

A carta, datada de 1863, confirma que o anel do século 19 era realmente da escritora.

“Minha querida Caroline”, Eleanor escreve, “o anel junto à carta pertencia a sua tia Jane. Foi-me dado pela sua tia Cassandra, logo que ela soube que eu estava noiva do seu tio. Deixo para você. Que Deus lhe abençoe”.

A peça rara faz parte de uma série de pertences da Jane Austen vendidos em leilão. Em 2011, um rascunho escrito a mão de um livro não publicado da autora foi vendido por mais de £ 1 mi. Foi dado como o mais antigo manuscrito da escritora que sobreviveu ao tempo.

9 autores que odeiam a versão dos seus livros para o cinema

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Máquina de escrever
Rafael Aloi, na Exame.com

Adaptações

São Paulo – Walter Salles lança no dia 13 de julho o filme “Na Estrada”, baseado em um dos livros mais cultuados nos Estados Unidos: “On the Road” (“Pé na Estrada” em português).

O livro foi escrito em 1960 e levou 52 anos até que algum diretor tivesse a coragem de adaptá-lo para os cinemas. Como todo livro que possui muitos fãs, pode acontecer de o filme de Salles receber muitas críticas por parte deles. Mas, pelo menos, ele não terá que lidar com a opinião de Jack Kerouac, autor do livro, que faleceu em 1969.

Outros diretores não tiveram a mesma sorte. Clique nas imagens acima para conferir alguns autores que não gostara das adaptações para o cinema de suas obras.

O Iluminado

O Iluminado
O aclamado filme de Stanley Kubrick, lançado em 1980 e considerado uma das obras-primas do suspense, é um terror para Stephen King, que escreveu o livro em 1977.

Segundo o New York Daily News, King disse não gostar de Jack Nicholson como Jack Torrance, personagem pelo qual o ator é sempre lembrado. Segundo o escritor, Nicholson já interpretava um louco mesmo antes do protagonista se tornar um.

Para King, Stanley Kubrick fez um filme visualmente bonito, mas que não tem nada a ver com o terror e os aspectos sobrenaturais que ele narrou em seu livro. Em entrevista à revista Writers Digest, o autor disse que assistir a um formigueiro por 3 horas é mais emocionante do que o filme de Kubrick e que esta é a única adaptação de seus livros que ele se lembra de ter odiado.

Em 1997, o escritor coproduziu e escreveu uma versão de “O Iluminado” para TV, que foi transmitido pela rede ABC, mas que não chegou aos pés do sucesso do filme de Kubrick.

Watchmen
O quadrinista Alan Moore criou diversos personagens, entre eles os heróis de Watchmen que foram levados para o cinema em 2009. Moore odiou o filme. Em entrevista para o Los Angeles Times, antes de o filme ser lançado ele afirmou que estava colocando uma praga sobre o filme.

Na verdade, Moore odeia Hollywood. Ele considera os milhões de dólares gastos nas superproduções como dinheiro jogado fora e que seria muito melhor aplicar a grana para recuperar o Haiti. Para Moore, os filmes nunca chegarão perto do poder de qualquer livro existente.

Outras obras de Alan Moore já foram adaptadas para o cinema (e todas ele odeia), como “A Liga Extraordinária” e “V de Vingança”. Este último ele pediu para ter seu nome retirado dos créditos.

Forrest Gump
O filme de 1994 ganhou seis estatuetas do Oscar, incluindo os de melhor filme e melhor ator. Mas o autor do livro Winston Groom não ficou muito satisfeito com o resultado final.

Groom não gosta da interpretação de Tom Hanks e, segundo o New York Times, preferia que o ator John Goodman interpretasse Forrest nos cinemas. O autor ainda disse que a adaptação poliu o personagem, retirando as partes mais profanas do livro para deixá-lo mais aceitável aos olhos do público.

Em 1995, Groom escreveu a continuação do livro Gump & Co. A primeira frase desta segunda obra é: “Nunca deixe alguém fazer um filme sobre a sua história”.

Mary Poppins
O clássico da Disney que mistura animação e atores reais ganhou dois Oscars em 1965: melhor atriz (Julie Andrews) e melhor direção de arte. Mas o que poucas pessoas sabem é que Pamela Travers, a autora da série sobre Mary Poppins, chorava de decepção na première do filme.

Segundo o jornal britânico Telegraph, durante a produção do filme, Pamela pediu várias alterações no roteiro. Ela odiava as sequências de animação e queria que fossem retiradas.

A autora considerava Julie Andrews muito bonita para interpretar Poppins e disse também que a atriz tinha toda a capacidade para fazer o papel, mas foi completamente mal dirigida.

Segundo o jornal, Walt Disney não convidou Pamela para a première do filme, mas ela conseguiu um ingresso e foi do mesmo jeito. Ela disse que sua personagem foi completamente traída por Walt Disney e que o “filme trazia muita fantasia e pouca mágica”.

Eu Sou a Lenda
O livro de Richard Matheson lançado em 1954 já foi adaptado três vezes para o cinema. E nenhuma delas foi de seu agrado.

O primeiro filme, de 1964, foi chamado de “Mortos que Matam” no Brasil e foi coescrito pelo próprio Matheson. Porém o autor não gostou do resultado final e pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos. No lugar, entrou seu pseudônimo, Logan Swanson.

O último filme foi lançado em 2007 com Will Smith no papel principal e, diferente do livro, a história se passa em Nova York e não mais em Los Angeles.

Segundo a revista Mental Floss, Matheson disse na época do lançamento do filme que não entendia porque Hollywood ainda era fascinada com o seu livro já que “eles nunca se importaram em filmá-lo da maneira como foi escrito.”

Cena do filme Bússola de Ouro com Nicole Kidman e Dakota Blue Richards

Bússola de Ouro
Impulsionado pelo grande sucesso da série Harry Potter e da trilogia do Senhor dos Anéis, em 2007, foi lançado o primeiro filme da trilogia Fronteiras do Universo escrita por Philip Pullman.

No começo, Pullman ficou feliz de saber que seus livros seriam transformados em filmes, mas após o lançamento do primeiro filme, veio a decepção. O filme se encerra antes de muitos eventos importantes do livro. Em uma entrevista para o Guardian, o escritor afirmou que os produtores o informaram que usariam as cenas que faltaram no primeiro filme como o começo do segundo.

Aí veio mais uma decepção para o autor. “A Faca Sutil” e “A Luneta Ambar”, segundo e terceiros livros respectivamente, não tem previsão de produção.

A produtora diz que não sabe se será possível continuar a série devido ao boicote da comunidade cristã americana ao primeiro filme, o que fez com que a bilheteria dentro do país fosse baixa. A Liga Católica dos EUA acusa a série de Philip Pullman de atrair as crianças para o ateísmo.

A Fantástica Fábrica de Chocolate
Roald Dahl, o autor da história de Charlie e Willy Wonka, chegou a escrever partes do roteiro para o primeiro filme lançado em 1971. Mas o escritor não gostou nem um pouco da versão final.

Segundo a BBC, Dahl não gostou que o foco da história passou para Willy Wonka ao invés do garoto Charlie, o verdadeiro protagonista do livro. Até o título original do filme foi alterado de “Charlie and the Chocolate Factory” para “Willy Wonka and the Chocolate Factory”.

Segundo a BBC, o filme foi patrocinado pela Quaker que estava lançando os chocolates Wonka na época.

A decepção de Dahl foi tão grande que ele não deixou que a continuação da história, “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”, virasse outro filme. O autor também proibiu outras versões da Fantástica Fábrica de Chocolate. Somente após sua morte, em 1990, é que começaram as negociações para um novo filme, que foi lançado em 2005 e produzido por Tim Burton.

Laranja Mecânica
Stanley Kubrick parece não ter uma relação amigável com os autores dos livros que adapta para o cinema. Anthony Burgess que escreveu o livro “Laranja Mecânica” também não ficou nada satisfeito com o filme feito pelo diretor em 1971.

Segundo a revista Mental Floss, Burgess disse o seguinte sobre o filme: “O livro pelo qual eu sou mais conhecido, ou conhecido apenas por ele, foi reduzido a uma glorificação da violência e do sexo. O filme tornou fácil para as pessoas não entenderem sobre o que o livro se trata, e este mal-entendido vai me perseguir até a minha morte”.

Solaris
O livro de Stanislaw Lem já foi adaptado duas vezes para o cinema. A primeira foi em 1972 e a segunda em 2002.

Lem não ficou satisfeito com nenhuma das duas versões . Para ele, nenhuma conseguiu reproduzir de forma decente a história sobre uma inteligência alienígena tão grande que chega a ser classificada como um planeta.

Em seu site oficial, Lem fez algumas críticas sobre a última versão nos cinemas, ele disse que: “Não se lembra do livro ser sobre problemas sexuais de pessoas no espaço sideral” e que o único objetivo com o seu livro era “criar um encontro humano com alguma outra forma de vida que realmente existe, mas que não pode ser reduzida a conceitos humanos, imagens ou formas. Por isso o livro se chama Solaris e não Amor no Espaço Sideral”.

Finais inéditos de Hemingway

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Imagem Google

Publicado originalmente no Estadão.com

Uma nova edição de Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, chegou ontem às livrarias americanas incluindo pela primeira vez os 47 finais alternativos imaginados pelo autor. Dessa forma, leitores terão acesso direto ao processo de criação do escritor, que se revela às voltas com diversas opções de desfecho antes de se decidir a colocar o ponto final na história do militar Frederick Henry e a enfermeira Catherine Barkley na Primeira Guerra Mundial.

O livro foi lançado em 1930. Quase três décadas depois, em uma entrevista concedida em 1958, Hemingway reconhecia ter reescrito o final do livro 39 vezes; anos mais tarde, um pesquisador encontrou em seu acervo 41 versões; e, recentemente, o neto do autor, Sean Hemingway, descobriu mais seis finais no material de seu avô depositado na Biblioteca John Fitzgerald Kennedy, em Boston. Foi então que a família do escritor começou a negociar com a editora Simon & Schuster uma nova edição da obra.

O livro relata, de maneira “semibiográfica”, segundo os editores, a “eterna e inesquecível” história de amor entre o tenente americano Frederick Henry e a enfermeira inglesa Catherine Barkley. O livro capta a “dura realidade da guerra e a dor dos amantes envolvidos em sua inevitável destruição”, diz a apresentação.

Intitulado Adeus às Armas: A Edição da Biblioteca Hemingway, o volume traz o texto original e, na sequência, inclui em anexo todas as 47 versões alternativas. Em algumas, percebe-se pequenas mudanças, frases reescritas ou suprimidas; em outras, vários parágrafos aparecem ou desaparecem do texto, levando a uma alteração no tom da narrativa, que pode assumir caráter mais fatalista ou otimista. Em especial, chamam atenção os trechos dedicados à reflexão sobre a vida e a morte. “Não há outro final além da morte e o nascimento é o único princípio”, escreve Hemingway em um dos finais descartados mais tarde.

Os desfechos alternativos, no entanto, não são a única novidade do volume. Está lá, por exemplo, uma lista de títulos imaginados por Hemingway para o romance, como O Encantamento, Amor na Guerra, Todas as Noites ou ainda Sobre Feridas e Outras Causas. Há também ilustrações utilizadas na primeira edição e uma série de indicações de passagens reescritas ao longo da criação do livro, com suas respectivas versões originais. Há ainda fac-símiles de páginas manuscritas, um texto introdutório preparado pelo autor para uma edição de 1948 da obra e um prefácio assinado pelo seu filho, Patrick Hemingway. / EFE

 

Dica do Francisco A Salerno Neto

O caminho do sucesso dos novos escritores

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Publicado originalmente no No Mundo e Nos Livros

O escritor Paulo Coelho acaba de afirmar que a nova geração de escritores não está prestando atenção e aproveitando todas possibilidades que tem diante de si hoje em dia. Para isso citou o caso do livro “A batalha do Apocalipse” de Eduardo Sphor que entrou em todas as listas de mais vendidos com comentários simples na internet que se propagam mesmo não sendo da crítica especializada.

Hoje com o advento da internet, os escritores podem expressar o que pensam inclusive sobre qualquer obra literária. Paulo Coelho lembrou ainda que quando alguém vai comprar um livro, esse leitor “não vai procurar os comentários da crítica especializada, mas daqueles que já leram. Isso pode determinar o sucesso global ou a morte súbita de um texto.”

Paulo Coelho que sempre foi muito criticado pela mídia lembrou os leitores que nunca faltou espaço para ele na mídia. Lembrou ainda que as previsões sobre ele, era de que fosse apenas um fenômeno de moda, mas com o crescimento da internet, passou a escrever para blogs e redes sociais, ampliando o alcance daquilo que julgava interessante dizer.

Para Paulo Coelho os escritores sofrem da “síndrome de Van Gogh” (ser reconhecido apenas após a morte). O grande erro dos novos escritores é que tentam “agradar a um sistema falido da cultura construída com verbas de ministérios e cimentada com resenhas misteriosas e ilegíveis. Gastam uma imensa energia em busca de reconhecimento que já não está nas mãos daqueles que pensam detê-lo.”

Paulo Coelho diz ainda “A esses, eu digo: os meios de produção e divulgação estão a seu alcance – e isso nunca aconteceu antes. Se ninguém presta atenção ao que estão fazendo, não se preocupem. Continuem adiante, porque cedo ou tarde (mais cedo que tarde) alguém entenderá o que dizem. Os brasileiros não são lidos no exterior porque ninguém se interessa em traduzi-los.” Hoje os autores podem fazer todos esse trabalho sozinho e sem gastar muito. Podem traduzir seu livro e publica-lo tanto no Brasil como no Exterior de maneira totalmente gratuita.

Os autores britânicos, por exemplo, revelaram em um pesquisa já preferem eliminar seus editores e publicar seus livros por conta própria. Estas são talvez as duas revelações mais surpreendentes da pesquisa “Do you love your publisher?” (“Você ama sua editora?”), feita para identificar a atitude de escritores britânicos em relação a seus editores por encomenda do Writer’s Workshop. A auto publicação de e-books também é mais atrativa, pois o retorno financeiro também é maior. Quem sabe você autor muda de atitude agora?

Escritor de gaveta: você deveria ser

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Texto escrito por Camila Kehl no Livros Abertos

Eram chamados, com relativa precisão, de escritores de gaveta. Com o surgimento da internet, essa denominação passou a ser questionável — aquele sujeito que preenchia folhas e folhas de um caderno com seus pensamentos e desabafos se transformou no blogueiro que usa o espaço para publicá-los. Por falta de definição melhor, entretanto, ou justamente por não haver uma de que eu goste tanto, acho digno chamar todos os que não têm livro publicado (as tentativas não contam), mas que ainda assim produzem compulsivamente, de escritores de gaveta.

Eu sou uma escritora de gaveta. E com orgulho. Nunca tentei publicar meus escritos porque eles não foram produzidos com essa finalidade. Mais do que isso, até: eu me sentiria incomodada se alguém os lesse (mas isso sou eu; alguns gostam de compartilhar os seus). Os arquivos de texto salvos no meu computador e toda a sorte de linhas traçadas em papéis aleatórios foram, em grande parte, concebidos como uma jornada de autoconhecimento. De vez em quando, como uma boia, as palavras me auxiliam em momentos difíceis e não permitem que eu afunde. E aí temos a importância não só da leitura, mas da escrita.

[Claro que dá pra diferenciar a produção bem pessoal daquela iniciada com o simples propósito de, se tudo der certo, virar um livro. Mas uma não anula a outra, na medida em que ambas mexem com a essência do escritor; ambas, portanto, podem ser terapêuticas e esclarecedoras.]

Desde que eu aprendi a escrever, eu escrevi. Completei alguns diários, mas hoje não consigo mais seguir essa linha organizada, já que respeitar a própria ordem dos dias é complicado. Dá para definir minha produção como caótica: pequenos contos, frases soltas, pensamentos, argumentações, ideias, poemas, explosões, desabafos, tudo solto e misturado em cadernos e mais cadernos, em arquivos salvos no computador e em algumas folhinhas que estavam à mão quando precisei delas. Não existe um critério, portanto: escrevo aquilo que dá vontade, quando posso e preciso.

A escrita é tão positiva quanto a leitura, embora seja menos estimulada e praticada. Por quê?

As pessoas costumam acreditar que, para escrever, é necessário ter algum tipo de talento ou conhecimento especial. Não é verdade — não quando se trata de colocar seus sentimentos e pensamentos em palavras. Com o exercício quase diário, e ainda em conjunto com a leitura, a escrita pode ser aprimorada; dá pra dizer, então, que essa habilidade é uma daquelas que se adquire com a prática.

A contribuição para o autoconhecimento, como já mencionei, é incontestável. Parece-me — e perdão se soar exagerada — que as pessoas têm encontrado, para seus problemas, soluções em caixinhas que vêm com uma tarja preta; dentro, a felicidade em forma de pílulas. Não que a escrita seja a solução para todos os males. Longe disso. Mas ela pode ser um bom ponto de partida para desbravar aquilo que assusta, enraivece, alegra e entristece. E uma ótima maneira de aprender a lidar com tudo isso. Reler o que fomos no passado é, ainda, um jeito delicioso de ver como mudamos. E como as coisas mudavam enquanto nós nos transformávamos.

Rainer Maria Rilke, em Cartas a um jovem poeta, pediu que o admirador e aprendiz imaginasse o que seria de sua vida sem a escrita; se não conseguisse conceber uma existência assim, então sua vocação para a poesia seria verdadeira. Eu não iria tão longe, mesmo porque não creio em uma única vocação, uma espécie de dom imutável e que pertence à essência de alguém (duvido também dessa essência). Eu diria que cada um, do seu jeito, deveria escrever. Não para mudar o mundo, mas para enxergar e perceber a si e a sua própria vida de um jeito mais bonito. O que também é, afinal, uma tentativa de mudar o próprio mundo.

Mr. Bean escrevendo para si mesmo. Um cartão, sim, mas é uma forma genuína, ué.

Mr. Bean escrevendo para si mesmo. Um cartão, sim, mas é uma forma genuína, ué.

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