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Em sua estreia no ‘Guardian’, Elena Ferrante relembra seu primeiro amor

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“Eu amei aquele menino até chegar a um ponto de achar que eu ia desmaiar”, escreveu Elena Ferrante

Publicado na Claudia

Elena Ferrante, pseudônimo da escritora italiana famosa por livros como “A Amiga Genial” e “ História do Novo Sobrenome”, é a nova colunista semanal do jornal inglês The Guardian. Em sua primeira publicação, a escritora, que não revela sua verdadeira identidade, começa percorrendo suas primeiras vezes e como tais experiências são moldadas ao longo do tempo.

Ferrante conta sobre o momento em que perdeu a sua virgindade na adolescência e como acabou se apaixonando pelo seu primeiro parceiro de cama. Relembra que tal período foi seguido de muitas incertezas e ansiedades: “Consequentemente, eu descobri o que lembro distintamente do meu primeiro amor: o meu estado de confusão”.

Na época, a escritora tinha 15 anos e se encontrava com o menino, de 17, todos os dias, às seis horas da tarde, em uma área deserta atrás do ponto de ônibus. Em uma noite, resolveu fazer amor com ele com tanta energia e intensidade desinibida que após o ato resolveu não encontrá-lo mais. Porém, relembra que tal menino foi um marco na sua vida: “Certamente eu amei esse menino até o ponto em que, ao vê-lo, perdi todas as percepções do mundo e senti-me perto de desmaiar, não por fraqueza, mas por excesso de energia.”

A escritora conclui que as primeiras vezes são experiências que, independente de serem boas ou ruins, carregam conhecimentos para o futuro que irão preencher nossas vidas. ” O que estávamos no início é apenas um vago pedaço de cor contemplado desde o limite do que nos tornamos.”

Novo livro de Elena Ferrante chega ao Brasil no fim de outubro

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Publicado no UOL

Capa do livro "História de quem Foge e de quem Fica", de Elena Ferrante

Capa do livro “História de quem Foge e de quem Fica”, de Elena Ferrante

O terceiro volume da tetralogia escrita pela misteriosa autora italiana Elena Ferrante –cuja identidade verdadeira pode ter sido revelada por um jornal italiano– será lançado no Brasil no fim do mês de outubro.

A data foi anunciada pela editora Globo Livros, que publica a série da escritora por meio do selo “Biblioteca Azul”.

A terceira parte da tetralogia se chamará “História de quem Foge e de quem Fica” (em italiano, “Storia di chi Fugge e di chi Resta”) e é a continuação de “História do Novo Sobrenome”, vendido no Brasil desde abril de 2016.

Dona de uma prosa direta e envolvente, Ferrante é sucesso absoluto na Itália há mais de 20 anos –embora não revele sua verdadeira identidade– e vem conquistando cada vez mais fãs no resto do mundo, inclusive a candidata à Casa Branca Hillary Clinton.

Sua “série napolitana”, dividida em quatro livros, narra a história das amigas Elena e Lila, contada pela primeira após o súbito desaparecimento da segunda. “História de quem Foge e de quem Fica” apresenta o início da fase adulta das duas, que após passarem a infância e a adolescência em Nápoles, agora vivem realidades opostas.

O primeiro livro da tetralogia, “A Amiga Genial”, também está disponível nas livrarias brasileiras, mas ainda não há previsão de lançamento para o quarto, “Storia della Bambina Perduta” (“História da Menina Perdida”, em tradução livre).

Por este último, Ferrante chegou a ser indicada em 2016 ao Man Booker International Prize, um dos mais prestigiosos prêmios literários do mundo. No Brasil, a italiana também publicou o romance “Dias de Abandono”, que fala sobre uma mulher que é deixada repentinamente pelo marido.

Jornalista italiano declara ter descoberto a verdadeira identidade da escritora Elena Ferrante

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Anita Raja, a mulher por detrás do pseudónimo Elena Ferrante

Anita Raja, a mulher por detrás do pseudônimo Elena Ferrante

 

A escritora Elena Ferrante, que nunca aceitou revelar a sua identidade, pode ter visto o seu anonimato desfeito. O jornalista italiano Claudio Gatti garante que descobriu o verdadeiro nome da autora.

João Francisco Gomes, no Observador

A misteriosa escritora italiana Elena Ferrante, autora da tetralogia A Amiga Genial, de quem nunca se viu uma fotografia ou se soube o verdadeiro nome, pode agora ter visto a sua identidade revelada. Apesar de ter dado várias entrevistas nos últimos anos — todas por escrito, e através da mediação da Edizione e/o, a editora que publica os seus livros –, Ferrante sempre preferiu o anonimato para poder escrever em liberdade. Agora, num artigo publicado na The New York Review of Books, o jornalista italiano Claudio Gatti garante que a verdadeira identidade de Elena Ferrante é Anita Raja, uma tradutora ligada à editora que publica os livros da escritora.

De acordo com Gatti, Anita Raja trabalhou durante anos como tradutora de literatura alemã para a Edizione e/o, e chegou a coordenar uma coleção que incluiu obras de Ferrante. Um porta-voz da editora explicou ao jornalista italiano que a tradutora trabalhava como freelancer, não sendo funcionária da casa. N0 entanto, Gatti teve acesso aos registos dos pagamentos feitos pela editora a Anita Raja, que terão aumentado exponencialmente ao longo dos últimos anos, correspondendo aos lançamentos de sucesso dos livros de Ferrante.

Registos imobiliários consultados pelo jornalista italiano mostram que em 2000, depois da adaptação ao cinema do primeiro livro de Ferrante, Anita Raja comprou um apartamento de luxo em Roma. Um ano depois, comprou uma casa de campo na Toscânia. Já depois do sucesso comercial dos romances de Ferrante, que só chegou em 2014 e 2015 quando os livros foram traduzidos para dezenas de línguas e vendidos em vários países, o marido de Raja, Domenico Starnone (que, aliás, tinha sido apontado como um dos possíveis nomes por detrás do pseudónimo de Ferrante), comprou um apartamento em Roma, avaliado em cerca de dois milhões de dólares.

Já em relação aos rendimentos de Raja, referidos pelo jornalista italiano, parecem estar diretamente relacionados com o sucesso das obras de Ferrante. Em 2014, os rendimentos da tradutora subiram 65% em relação ao ano anterior, ultrapassando os três milhões de euros. No ano seguinte, a subida foi de 150%, passando dos 7,5 milhões de euros. De acordo com Claudio Gatti, a editora não teve, nesses anos, outros bestsellers de sucesso comparável com os de Ferrante. Além de estes valores não se enquadram com os pagamentos habitualmente feitos aos tradutores, e correspondem aos direitos de autor arrecadados pelos livros de Ferrante naqueles anos.

Nem Anita Raja nem o seu marido, Domenico Starnone, responderam aos pedidos do jornalista italiano para confirmar a história. Sandro Ferri, um dos donos da editora, disse a Gatti que “se este é um artigo que pretende fazer revelações sobre a identidade de Ferrante, digo-lhe desde já que não daremos respostas”.

Anita Raja, uma napolitana de 63 anos, é filha de Golda Frieda Petzenbaum, uma judia alemã, que teve de fugir para Milão em 1937 com a família. Já em Itália, após Mussolini ter entrado na Segunda Guerra Mundial, a família acabou por ser enviada para um campo de concentração. Os pais de Golda ainda conseguiram, contudo, enviar a filha para a Suíça. No fim da guerra, a mulher foi viver para Nápoles, onde conheceu um magistrado italiano, Renato Raja. Os dois tiveram Anita em 1953, e mudaram-se para a capital italiana em 1956. Desde que escreveu o primeiro romance, em 1992, que a autora nunca aceitou desfazer o seu anonimato.

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