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Pressão da sociedade civil faz aumentar número de escritoras na Flip

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Publicado no UOL

Bielorrussa Svetlana Alexievich, convidada da Flip 2016

Bielorrussa Svetlana Alexievich, convidada da Flip 2016

O número de escritoras convidadas para a 14ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é o maior da história do evento, criado em 2003. O encontro reunirá em Paraty, no Rio de Janeiro, entre 29 de junho e 3 de julho, 22 homens e 17 mulheres no palco principal. Um avanço, se comparado ao de 2015, quando 32 homens e 11 mulheres compuseram as mesas de debate, e ao de 2014, em que apenas nove mulheres participaram do encontro, contra 38 homens.

A homenageada deste ano é a poetisa Ana Cristina Cesar (1952-83), representante da poesia marginal da década de 1970. A romancista Clarisse Lispector foi a única mulher homenageada antes dela. A principal autora da programação da Flip é jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2015 e autora de Vozes de Chernobyl.

Apesar do aumento significativo, a Flip continua pouco inclusivo, na opinião de ativistas como a arquiteta, escritora e feminista negra Stephanie Ribeiro, ao questionar a ausência de autores negros na festa.

“Vivemos em um país em que a maioria da população é negra. Temos escritores negros maravilhosos nas várias regiões do Brasil, mas essas outras narrativas, fora do eixo Rio-São Paulo, muitas vezes são ignoradas. Entendo que existe uma necessidade comercial de chamar determinados nomes, mas é possível criar alternativas para haver mais inclusão, se não vamos trabalhar sempre com uma narrativa única”, declarou Stephanie, que também criticou o fato de que mulheres negras, quando lembradas, geralmente são limitadas a falar apenas sobre racismo no mundo literário.

“É importante fazer esse recorte, mas as mulheres negras diversas, às vezes querem escrever um romance, um livro de receitas. Para criarmos empatia, precisamos enxergar a realidade do outro e a literatura no Brasil não consegue fazer isso. Não porque as pessoas negras não estão escrevendo, mas porque o que elas estão escrevendo não tem espaço na biblioteca, na livraria, na editora e na Flip”, completou Stephanie.

A editora e cofundadora do coletivo Kdmulheres?, Laura Folgueira, reconhece o esforço da Flip, mas espera mais, bem mais. O coletivo surgiu em 2014 e fez um pequeno manifesto durante a Flip daquele ano para questionar a invisibilidade das mulheres no campo da literatura. Desde então ela e outras ativistas têm dialogado com os organizadores do evento para melhorar esse quadro.

“Do mesmo jeito que eles olharam para a questão de gênero, eles também têm que olhar para a questão de outras minorias, a racial, a LGBT, a indígena. A desculpa nos anos anteriores para o pequeno número de mulheres era de que os convites haviam sido recusados, mas é preciso ter isso como bandeira”, defendeu ela. “A representatividade é uma das formas mais palpáveis de mudar a sociedade. Uma menina negra precisa ver mulheres negras escritoras ocupando espaços de visibilidade para entender que ela também pode ocupar esse espaço. Ler Carolina Maria de Jesus, por exemplo, uma mulher negra, que morava em favela, pode ser uma micro-revolução na vida de uma pessoa, no sentido de empoderá-la a escrever”, ressaltou ela.

O curador da Flip, Paulo Werneck, explicou que a ausência de autores negros não ocorreu por falta de convites, mas admitiu que houve falha. “Fizemos vários convites, tanto nacionais como internacionais, mas não obtivemos respostas positivas. Certamente poderíamos ter feito outros convites, mas fizemos aqueles que tinham a ver com a curadoria”, disse ele ao citar alguns dos convidados, como Paulinho da Viola, Elza Soares e Mano Brown.

4 livros empoderadores de autoras negras

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Publicado no Universia Brasil

Por meio dos livros, os autores conseguem passar suas mensagens para os leitores, incentivando-os a buscar seus objetivos pessoais. Com o mesmo foco, algumas escritoras negras produziram obras que podem ser consideradas de grande importância para o empoderamento feminino negro. A seguir, confira 4 livros imperdíveis para alcançar todos os seus objetivos:

1 – The Little Black Book of Success: Laws of Leadership for Black Women, de Elaine Meryl Brown Marsha Haygood, Rhonda Joy McLean

O foco do livro é dar dicas para as mulheres negras sobre como atingir o sucesso profissional. As escritoras são empreendedoras de sucesso e pretendem fazer com que o livro sirva como uma espécie de mentor, fazendo com que cada vez mais mulheres negras consigam se destacar dentro do mercado de trabalho.

2 – O que eu sei de verdade, de Oprah Winfrey

Durante as páginas do livro, a apresentadora Oprah Winfrey fala sobre as lições que aprender com situações do passado. O objetivo central da autora é estimular as leitoras a sempre serem o melhor que puderem, dando o seu melhor para conseguirem alcançar tudo o que almejam.

3 – All the Joy You Can Stand: 101 Sacred Power Principles for Making Joy Real in Your Life, de Debrena Jackson Gandy

A autora busca mostrar para as leitoras como elas podem transformar positivamente a vida que levam, por meio de histórias que viveu. Ela escreve para deixar claro que, ao mudar, as pessoas conseguem atingir seu potencial mais alto, seja no âmbito pessoal ou profissional.

4 – The Personal Touch by Terrie Williams

Terrie Williams mostra como conseguiu criar uma empresa de sucesso e, por meio de suas experiências, incentiva que outras mulheres sigam o mesmo caminho. O foco é mostrar que não importa de onde a pessoa venha, ela sempre conseguirá atingir os objetivos que deseja ao se esforçar para tal.

4 autoras para ler (e reler!)

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Tico Farpelli, no Correio de Uberlândia

Em 8 de março de 1857, um grupo de mulheres ocupou uma fábrica têxtil norte-americana para protestar por melhores condições. Diz-se que foram trancafiadas dentro do local, que foi, posteriormente, incendiado. 130 mulheres morreram em 8 de março, que ficou conhecido como o DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Aproveitando a data e as importantes discussões feministas que tomaram conta de nosso país nos últimos anos, peço que neste dia, você leitor, seja menino ou menina que lê, reflita sobre as atitudes que têm no dia a dia que possam estar vinculadas ao machismo e ao conservadorismo patriarcal que, por meio de um discurso de manutenção da ordem social, silencia as vozes femininas e as transforma em vítimas de agressões físicas e morais, muitas vezes invertendo valores e as colocando como causadoras do próprio sofrimento. Não desejo parabéns pelo dia da mulher, desejo respeito, pois cada ser humano merece ter o respeito e a dignidade que lhe são devidas.

Aproveito também esta data para indicar a vocês 4 escritoras que merecem ser lidas. Quer por sua importância histórica, quer por sua habilidade narrativa, cada uma dessas 4 mulheres merece um lugar nesta lista e no seu coração. Confira:

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– Agatha Christie

A mestra do suspense policial na literatura mundial publicou mais de 80 livros durante a vida. Recebeu o apelido de “Rainha/Dama do Crime” e segue como a autora popular que mais vendeu livros no mundo, com 4 bilhões de cóprias vendidas, perdendo em número apenas para Shakespeare e a Bíblia.

Principais Obras: “Assassinato no Expresso do Oriente”, O Caso dos dez negrinhos” e “Cai o Pano”.

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– Jane Austen

Também britânica, Jane Austen é considerada por uma corrente de pensadores como conservadora, entretanto, sua literatura traz algumas quebras de paradigmas que contrasta com a moral da época. Austen criou personagens femininas memoráveis que, em suas pequenas ações, demonstravam o repúdio pela condição feminina de mulher, esposa e moeda de troca por riqueza e influência familiar.

Principais obras: “Persuasão”, “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito”.

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– Clarice Lispector

Nascida na Ucrânia, mas naturalizada brasileira, Clarice Lispector é um grande expoente da literatura nacional. É considerada como uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX. Publicou contos, romances e novelas que retratam, na simplicidade do dia a dia, os aspectos psicológicos que trazem reflexões e momentos de epifania dos personagens.

Principais obras: “A Hora da Estrela”, “A Paixão Segundo G.H.” e “Laços de Família” .

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– Chimamanda Ngozi Adiche

Escritora Nigeriana, expoente da literatura africana e feminista contemporânea no mundo. A autora é uma voz forte que atravessa o mundo levando, por meio de suas histórias e postura empoderadora da mulher, um grito que pede por liberdade e respeito.

Principais obras: “Meio Sol Amarelo”, “Hibisco Roxo” e “Americanah”.

Projeto incentiva a leitura de livros escritos por mulheres

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O clube de leitura traz a discussão de livros escritos por mulheres

O clube de leitura traz a discussão de livros escritos por mulheres

 

A iniciativa quer colocar em evidência a literatura produzida por mulheres por meio de rodas de leitura

Heloisa Aun, no Catraca Livre

Com o objetivo de promover a leitura de textos literários e livros escritos por mulheres, as três amigas e ativistas Juliana Leuenroth, Juliana Gomes e Michelle Henriques criaram o projeto Leia Mulheres no início do ano passado. O clube de leitura feminista, que teve início em São Paulo, logo se expandiu por todo país.

Inspirada na campanha #readwomen2014, da escritora britânica Joanna Walsh, que também propunha a leitura de mais autoras, a iniciativa brasileira nasceu para colocar em evidência a literatura produzida por mulheres por meio de rodas de discussões em diversas cidades.

“A maioria das pessoas que frequenta o clube não é do meio editorial. Elas têm profissões diversas, e essa troca de experiências é o mais bacana. Queremos trazer a literatura para perto, não elitizá-la”, conta Juliana Gomes, em entrevista ao Catraca Livre.

De acordo com Juliana, os livros das rodas são escolhidos pelas mediadores das cidades ou por meio de votação online das mulheres que participam dos encontros.

Atualmente, os clubes de leitura acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro, Boa Vista, Recife, Curitiba, Sorocaba, Itapetininga, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Campina Grande, Maceió, São Bernardo do Campo, Campinas, Brasília, Belo Horizonte, Sarapuí e Juiz de Fora. Para consultar a agenda, clique neste link.

11 citações de Jane Austen que provam que ela era a Rainha da Insolência

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Filme Become Jane, 2007 (Miramax)

Filme Become Jane, 2007 (Miramax)

 

Publicado no Escritoras Inglesas

Até Jane Austen tinha seus críticos. Mark Twain, por exemplo, não era um fã (certa vez, ele disse “toda vez que leio Orgulho e Preconceito, me dá vontade de desenterrá-la e acertar o crânio dela com sua própria tíbia”). Por outro lado, Harper Lee admirava Austen, dizendo que “em outras palavras, tudo o que quero ser é a Jane Austen do sul do Alabama”. Charlotte Brontë definitivamente não era uma fã e já disse que “dificilmente eu gostaria de viver com suas senhoritas e cavalheiros em suas casas elegantes, mas restritas”, entre outras críticas. Virginia Woolf explicou suas opiniões sobre Jane Austen dizendo que havia “muito pouco de rebeldia em sua composição, muito pouco descontentamento”.

Pessoalmente, tenho que descordar da última afirmação. Em primeiro lugar, não posso evitar notar o humor oculto e as duras críticas que permeiam a sua obra (embora frequentemente as deixem passar por causa do sr. Darcy). Em segundo lugar, se ler suas cartas, você vai ver que Jane Austen era a rainha da insolência. Ela deu um bom uso ao seu humor afiado e ela foi, basicamente, a definição de “ignorar os haters”. Acha que Jane Austen era toda histórias de amor e citações românticas? Escolha uma de suas cartas e você encontrará uma história bem diferente.

A propósito, como vou deixar a juventude, acho muito gratificante ser uma espécie de acompanhante (em bailes), porque sou colocada no assento perto do fogo e posso beber o tanto de vinho que eu quiser”. Carta de 6 de novembro de 1813 sobre envelhecer.

Não vou dizer que suas amoreiras estão mortas, mas receio que não estão vivas”. Carta de 3 de maio de 1811 sobre suas habilidades de jardinagem.

Pensarei com delicadeza e prazer no belo e sorridente semblante dele e em seus modos interessantes, em uns anos, o terei transformado em um rapaz incontrolável e descortês”. Carta de 27 de outubro de 1798, sobre o seu sobrinho de 3 anos de idade.

Não gosto das srtas. Blackstones; de fato, sempre fui determinada a não gostar delas então não há menos virtude nisso”. Carta de 8 de Janeiro de 1799 sobre não gostar das pessoas.

Na próxima semana, devo começar a trabalhar no meu chapéu, no que você sabe que minhas principais chances de felicidade dependem”. Carta de 27 de outubro de 1798 sobre a importância dos chapéus.

“Seu silêncio sobre o assunto do baile me faz supor que sua curiosidade é muito grande para caber em palavras”. Carta de 24 de janeiro de 1809 sobre a importância dos bailes.

Enviei minha resposta… a qual escrevi com muito esforço, porque era rica e ricos são sempre respeitáveis, qualquer que seja seu estilo de escrita”. Carta de 20 de junho de 1808 sobre classe e poder.

Ben e Anna vieram aqui… e ela estava tão bela, foi um tanto prazeroso vê-la, tão jovem, tão florescente e tão inocente, como se ela nunca tivesse tido um pensamento mau na vida, e ainda assim há razão em supor que ela já teve, se acreditasse no pecado original”. Carta de 20 de fevereiro de 1817 sobre as aparências enganarem.

“… que ótimo a sra. West pudesse ter escrito tais livros e reunido tantos trabalhos difíceis, com todo o cuidado de sua família, é de se admirar! Escrever parece impossível para mim com a cabeça cheia de juntas de carneiro e doses de rubarbo”. Carta de 8 de setembro de 1816 sobre a sra. West que, aparentemente, não é muito brilhante.

Ele e eu não devíamos concordar minimamente, é claro, em nossas ideias de romances e heroínas – retratos da perfeição, como você sabe, deixam-me doente e má”. Carta de 23 de março de 1817 sobre a importância de heroínas imperfeitas.

Não quero que as pessoas sejam muito agradáveis, isso me poupa o trabalho de gostar muito delas”. Carta de 24 de dezembro de 1798 sobre gostar das pessoas.

Fonte: Bustle

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