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Cartas de João Cabral de Melo Neto vão a leilão

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Correspondências foram trocadas com Drummond, Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira

Publicado no Último Segundo

Quanto valem cartas particulares assinadas por Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, três dos maiores poetas brasileiros? Para a família de João Cabral de Melo Neto, o destinatário, são papéis de pouco valor, “porcaria” empoeirada pelo tempo.

No leilão que será realizado nos dias 10 e 11, no Rio, pela Babel Livros, conjuntos de parte da correspondência deles ao amigo comum, mais um nome nessa lista de gigantes, têm lances que começam em R$ 600, no caso de Vinicius (13 cartas e telegramas enviados entre 1949 e 1966), e R$ 1.200, no de Drummond (35 cartas datadas de 1940 a 1953).

Foto: Reprodução

 

Os itens estarão em exposição aos interessados a partir de sábado. O catálogo pode ser visto em www.babellivros.com.br/miolo_para_site.pdf e inclui primeiras edições de outros autores, entre raridades diversas.

Também à venda, bilhetes de artistas espanhóis, como Joan Miró, Joan Brossa e Modest Cuixart, dos quais o pernambucano, poeta e diplomata, se aproximou quando trabalhou no Consulado Geral de Barcelona, além de rascunhos manuscritos por ele e uma primeira edição de “Duas Águas” (poemas reunidos) com a singela dedicatória: “Para Papai e Mamãe, lembrança do filho amigo, João. Recife, 1956”.

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Como apresentar seu livro e despertar interesse das editoras (V)

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Gabriela Nascimento, no blog Gabi Gabiruska

Eu sei que você é modesto. Sei que você não gosta de se gabar e se vangloriar sobre o que realizou. Mas, na seção “Sobre o Autor”da sua proposta de livro, você terá de superar essa sua inclinação natural a ser reticente. Esta é a hora de você vir a público e dizer todas as coisas positivas sobre si mesmo e revelar suas credenciais como um bom escritor, como um agente faria se o estivesse representando.

Faça como “meus meninos”, arrisque-se na sua seção “sobre o autor”, mas lembre-se de falar na 3a. pessoa

Ihhh, isso não faz seu estilo? Não se preocupe, vou lhe dizer um segredo (de bastidor ) todos os autores já publicados se tornam peritos em mostrar o que sabem fazer bem, sem culpa nenhuma (ou arrogância). Dê uma olhada em qualquer sinopse de autor e você entenderá o que quero dizer. Eles sempre escrevem sobre si mesmo na terceira pessoa. Esse é o segredo! Assim, em vez de dizer “eu publiquei um artigo na revista tal e tal”, você diz “[Preencha seu nome aqui] publicou um artigo na revista tal e tal”. Confie em mim, uma vez que você comece se referir a si mesmo na terceira pessoa, vai ficar muito mais fácil e divertido de escrever sua seção “Sobre o Autor”.

Alguns pontos que podem te orientar:

  • Liste suas publicações nacionais, se houver (vale conto, participação em coletâneas, artigos para revistas e sites de boa audiência).
  • Mencione qualquer participação sua em programas de rádio e TV.
  • Fale sobre reportagens de jornais que mencionaram seu trabalho.
  • Mencione sua formação, se for o caso. Médicos, professores, psicólogos, dentistas e outros profissionais devem sempre mencionar sua trajetória educacional, especialmente quando seu livro refere-se ao seu campo de conhecimento.
  • Adicione qualquer outra informação relevante sobre si mesmo.
  • Aponte alguma empresa em que trabalhou que possa completar seu perfil como autor daquele livro.
  • Diga que você está entusiasmado com o livro. As editoras gostam de ouvir isso.

E se eu não tiver credenciais anteriores a minha publicação?

Mesmo que você não tenha créditos editoriais anteriores, ainda assim é possível conseguir um contrato de livro – acredite! Concentre-se em qualquer credencial que possa soar positiva. Por exemplo, se você é um cientista, foque em sua formação e experiência profissional. Se você é um professor, aponte os cursos que você leciona (lecionou) e pesquisas que tenha feito. Se você é uma dona de casa, foque justamente na natureza incomum dessa situação (uma dona de casa, com um olhar para x ou y coisa, alguns episódios vividos em seu cotidiano que fazem do seu olhar de mundo ser mais rico que qualquer outro). Se alguns jornais, revistas e sites já manifestaram interesse em sua história, mencione isso.

Os editores sabem que todo mundo começa por algum lugar e, acredite, se por uma lado eles preferem trabalhar com autores consagrados (que lhes oferecem alguma segurança), por outro, estão MUITO ansiosos para descobrir novos talentos (a coisa mais gostosa para um editor é revelar um novo autor que, se brilhar, será graças – em grande parte – a sua investida e ajuda!).

Edgar Rice Burroughs (escritor norte-americano conhecido pela criação do personagem Tarzan) foi um mestre na publicidade. Mesmo na apresentação de seu primeiro manuscrito, Edgar não hesitou em dizer ao editor que ele era bom. Não precisa exagerar, é claro, mas se você escrever na terceira pessoa você terá o tom certo e garantirá que é a melhor pessoa para escrever este livro.

E aí, já começou a colocar a mão na massa? Conte-me! Comente!

Paulo Coelho e a síndrome de Van Gogh

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Alexandre Matias, no Trabalho Sujo


Liv entrevistou o “mago”:

“Acho que os escritores simplesmente não entendem o que está acontecendo e sofrem da síndrome de Van Gogh: ‘Vou morrer e as pessoas vão descobrir minha arte’, o que é um equívoco. Ou eles se adaptam a essa realidade ou não vão sobreviver. Recentemente li uma reportagem no Guardian que dizia que eu só podia agir assim porque sou rico, o que não é exatamente verdade. Quando eu comecei, tudo o que eu mais queria era ser lido, se existisse e-book naquela época, eu certamente apoiaria.”

A entrevista inteira tá no site do Globo.

 

Dica do Tom Fernandes

Amigos ausentes: Rubem Alves

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Rubem Alves – Google

Uma das alegrias da literatura está em que ela cria a possibilidade de estabelecer conversas mansas com pessoas ausentes e mesmo mortas. Muitos dos meus melhores amigos, pessoas com quem converso longamente, estão mortos há muito tempo.

É o caso de Albert Camus. Ler Camus é um exercício de felicidade. Poderíamos até formar uma dupla… Seus pensamentos mais pessoais não se encontram em seus livros com príncípio, meio e fim. Encontram-se nos seus diários, onde registrava os pensamentos que lhe ocorriam sem imaginar que um dia seriam transformados em livros. Muitas das suas experiências batem com as minhas.

Num certo lugar ele escreve notas para um romance: “Infância pobre. Eu tinha vergonha da minha pobreza e da minha família. Só conheci essa vergonha quando me puseram no liceu. Antes, toda a gente era como eu e a pobreza parecia-me o próprio ar desse mundo. No liceu foi-me dado comparar.”

Num outro lugar ele comenta: “Que pode um homem desejar de melhor do que a pobreza? Não disse miséria nem o trabalho sem esperança do proletário moderno. Mas não vejo o que pode desejar-se a mais do que a pobreza ligada a um ócio ativo”

Foi exatamente essa a minha experiência. Minha infância foi vivida na pobreza. A princípio grande pobreza. Depois, pobreza simplesmente. Desses anos não tenho uma única memória infeliz. Tive dores, como toda criança tem: dor de dente, dor de tombo, dor de barriga, dor de queimadura. Mas não tive experiência de infelicidade.

Minha infelicidade começou quando a vida melhorou e nos mudamos de uma cidade do interior de Minas para o Rio de Janeiro. Meu pai me matriculou num colégio de cariocas ricos. Foi então que, como Camus, senti vergonha da minha pobreza e da minha família: eu era diferente, não pertencia ao mundo elegante dos meus colegas.

Num outro lugar do seu diário, Camus registrou: “Atenção: Kierkegaarg, a origem dos nossos males está na comparação”. Kierkegaard foi um solitário filósofo dinamarquês. Os desbravadores são sempre solitários. Veem coisas que os outros não veem. Como foi o caso de Nietzsche. Kierkegaard foi meu primeiro amigo filósofo. Com ele tive longas e mansas conversas. Sua filosofia é construída em meio a uma teia de sutis percepções psicológicas.

O sofrimento da pobreza, quando não é miséria, se encontra na comparação. A miséria é diferente da pobreza. A pobreza está muito próxima da simplicidade. Simplicidade tem a ver com as coisas que são essenciais. Simplicidade é caminhar com uma mochila leve. A riqueza, ao contrário, é caminhar arrastando muitas malas pesadas, sem alças…

A pobreza simples é uma pobreza feliz. Feliz porque leve. É a comparação, origem da inveja, que a torna infeliz. Camus e eu experimentamos a infelicidade da comparação na escola. Mas hoje não é preciso ir à escola para sentir a sua maldição. Basta ligar a televisão. A televisão é uma máquina de infelicidade, na medida em que ela nos obriga a comparar. Os pobres, nos lugares mais distantes, ligam as novelas e sentem a sua desgraça. A comparação é um exercício dos olhos: vejo; estou feliz.

 

Trecho do livro “Ostra feliz não faz pérola”

Dia Nacional do Escritor

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Imagem Google

Publicado originalmente no Dinheiro na Conta

Dia Nacional do Escritor – O dia 25 de julho é um dia dedicado a homenagear o escritor brasileiro. O surgimento da data se deu a partir da década de 60, através de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, quando realizaram o I Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores – UBE, do Rio de Janeiro.

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