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Os livros expandem seus domínios e viram objetos de decoração

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Livros deixam estantes e gavetas e ganham novo  uso para embelezar ambientes como objetos também decorativos

Luana Ribeiro no A Crítica

Livros viram artigo versátil de decoração                                                                  Livros viram artigo versátil de decoração (Reprodução)

 

Comece um novo capítulo da decoração da sua casa: tire alguns livros empoeirados da estante e espalhe pela casa.  Além de ficarem  visíveis e prontos para serem folheados a qualquer momento, eles podem dar aquele toque pessoal que faltava na sua sala.

De acordo com o arquiteto Antoine Vieira, os livros podem também ajudar a dar identidade a  um ambiente. “Livros sobre cinema, espalhados na mesa de centro da sala de vídeo da casa, quebra a monotonia e conferem personalidade”, diz.

Organização

Não existe mistério na hora de decorar com livros, mas é preciso ficar atento à organização. “Tem que ter um alinhamento de tamanho, e eles tem que ficar disposto de forma harmoniosa”, diz Antoine. De acordo com o arquiteto, as mesas de centro são os lugares mais indicados para expor os livros. “Eles podem ser  empilhados, espalhados em forma de leque e até para servir de apoio para vasinhos com flores”, explica.

Para o arquiteto Achilles Fernandes, é preciso ter cuidado para não exagerar. Se o livro for muito grande,  a quantidade em cima de uma mesa de centro deve ser de no máximo dois, por exemplo. “Para que não tomem muito espaço e a mesa possa ser usada e decorada com outros elementos decorativos, como vaso com flores e esculturas”, diz Achilles.

Coffee tableBooks

Existem no mercado livros essencialmente criados com apelo decorativo, chamado de coffee table books. São aqueles livros grandes, com pouco texto, repleto de fotografias e com uma capa bem atraente.

“Esses livros se tornam elementos decorativos muito interessantes e ainda passam para  a visita o título de culto e bem informado, ou seja, uma imagem muito boa”, afirma o arquiteto Achilles Fernandes.

Na Saraiva Megastore, por exemplo, existe uma seção exclusiva com livros desses modelos, com assuntos que vão de decoração à música. Aliás, os temas das publicações também merecem atenção, afinal, eles podem dizer um pouco sobre a personalidade e gostos do dono da casa. “Se o livro é de arte passa a impressão que o morador tem o interesse por arte, o que o eleva a categoria de culto e refinado”, conclui Achilles.

Pedras da Memória

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Fotos: reprodução

Fotos: reprodução

Alguns netsuquês da coleção de Edmund de Waal, tema do livro.

Cláudia Laitano, no Mundo Livro

Estudos recentes mostram que a memória não é como os filmes, que são sempre iguais. Nossas lembranças assemelham-se mais a uma peça de teatro: parecem sempre as mesmas, mas cada vez que são evocadas são reconstruídas do zero – eventualmente incorporando alguns detalhes e abandonando outros. O livro A Lebre com Olhos de Âmbar (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. Editora Intrínseca, 318 páginas), escrito por Edmund de Waal, mostra que a memória também pode ser lapidada com a sutileza e riqueza de detalhes de um artesão que talha peças de marfim do tamanho de uma caixa de fósforos.

De Waal é um ceramista célebre no Reino Unido. Durante cinco anos, colocou seu trabalho em segundo plano para dedicar-se a investigar a história da família e de uma magnífica coleção de 264 netsuquês (pequenas esculturas japonesas, talhadas em madeira ou marfim, como na imagem que ilustra o post), adquirida por um antepassado no final do século 19 – quando o orientalismo virou mania entre artistas e colecionadores.

Com formação em literatura em Cambridge, o autor construiu um livro extraordinário, que combina relatos de viagens (visitou todas as cidades que hospedaram a coleção da família ao longo de mais de cem anos), reportagem, história (a narrativa acompanha desdobramentos de episódios como o Caso Dreyfus, na França, e a I e a II Guerras, além de mencionar figuras como Renoir, Proust e Rilke) e ensaio cultural. “Eu quero saber qual a relação entre esse objeto de madeira que giro entre meus dedos – duro, surpreendente e japonês – e os lugares onde esteve. Quero ser capaz de entrar em cada cômodo onde este objeto viveu, de sentir o volume do espaço, de conhecer os quadros nas paredes, de saber como era a luz que vinha das janelas. E quero saber em quais mãos esteve”, anuncia no prefácio do livro.

A narrativa se inicia na Paris de 1871, onde o milionário Charles Ephrussi (1849 – 1905), judeu de origem russa, compra a coleção de netsuquês de uma só vez. Ephrussi era amigo dos impressionistas e comprava seus quadros antes mesmo de serem pintados. Sob sua encomenda, Manet pintou o quadro  Une Botte d’Asperges, e Renoir chegou a incluí-lo no fundo de uma pintura, O Almoço dos Remadores, na qual aparece de cartola. Dândi sofisticado, impressionou tanto o jovem Marcel Proust que se tornou uma das fontes de inspiração para o Charles Swann de Em Busca do Tempo Perdido.

De Paris, a coleção migra para um palacete da Viena do começo do século 20, como presente de casamento do tio Charles para o sobrinho Viktor Ephrussi (1860 – 1945). Ali a coleção é instalada em um quarto de vestir, já que os netsuquês já não estão tão na moda assim, e viram brinquedo nas mãos dos filhos de Viktor. Ao longo dos anos, a poderosa família judia vê o antissemitismo ganhar forças lentamente até tornar-se uma ameaça terrivelmente concreta. Com a anexação da Áustria pela Alemanha, em 1938, Viktor e a mulher são obrigados a deixar tudo que têm para trás, inclusive a preciosa coleção de esculturas – e a forma como ela é resgatada para a próxima geração é uma das encantadoras surpresas do livro que não vale a pena estragar aqui. Um dos filhos de Viktor, Ignace (1906 – 1994), tio de De Waal, é o próximo herdeiro da coleção, que leva consigo para o Japão, onde fixa residência depois do final da II Guerra. É em Tóquio que o autor do livro vai encontrar a coleção de netsuquês pela primeira vez, durante uma temporada de estudos nos anos 1990.

De Waal (1964) é o atual guardião da coleção. Os objetos foram instalados em sua casa em Londres – em uma estante de bronze com prateleiras de vidro e portas sempre destrancadas, para que seus filhos possam brincar com as estatuetas. A história da coleção continua. Esse delicado e precioso livro, narrado com elegância e riqueza de detalhes, terá igualmente longa sobrevida na memória dos leitores – muito além da última página.

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dica do Tom Fernandes

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