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George R.R. Martin faz lista de seus livros favoritos para os fãs de ‘Game of thrones’

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George R.R. Martin na premiere da terceira temporada de Game of Thrones, em 2013 – Matt Sayles / Invision/AP

‘O Senhor dos Anéis’ ocupa espaço de honra na lista

Publicado em O Globo

RIO — George R.R. Martin sabe que seus mais ávidos fãs esperam há anos a publicação de “The winds of winter”, sexto capítulo das “Crônicas de gelo e fogo”, inspiração da série “Game of thrones”, da HBO. Ele já descartou o lançamento do livro para esse ano, mas agora ofereceu um pequeno consolo.

O autor publicou no site da Biblioteca Pública de Nova York (NYPL, na sigla em inglês) uma lista com nove livros cuja leitura ele recomenda. São cinco obras de fantasia e cinco de literatura em geral, sendo que “O Senhor dos Anéis” aparece nas duas listas.

Os livros ajudam a compreender de onde Martin tirou o universo de intrigas, traições, violência, luta pelo poder e criaturas sobrenaturais que o mundo vem acompanhando em “Game of thrones” desde 2011 — e nos livros desde 1996. A lista faz parte de uma iniciativa da NYPL e da HBO para incentivar a leitura. Confira as listas abaixo:

LIVROS DE FANTASIA

“O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien.

“Em busca de Watership Down”, de Richard Adams

“O único e eterno rei”, de T.H. White

“Lord of Light”, de Roger Zelazny

“A Wizard of Earthsea”, de Ursula K. LeGuin

LIVROS DE FICÇÃO EM GERAL

“O Senhor dos Aneis”, de J.R.R. Tolkien

“O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald

“Catch-22”, de Joseph Heller

“Um conto de duas cidades”, de Charles Dickens

“O príncipe das Marés”, de Pat Conroy

Apaixonada por literatura, moradora de rua transexual viraliza na web: ‘Na solidão, comecei a conversar com os livros’

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Fernando Evans/G1

Adriana Cavalcanti, de 29 anos, vive há 17 nas ruas de Campinas (SP) e ganhou notoriedade ao comentar a greve dos caminhoneiros na internet.

Publicado no G1

A costumada a viver entre a invisibilidade e o preconceito, Adriana Cavalcanti, de 29 anos, encontrou nos livros uma paixão e a companhia para a solidão. Transexual, negra, nordestina e vivendo nas ruas de Campinas (SP) há 17 anos, ela conta que buscou em textos, poemas e músicas as explicações do “porquê é quem é, o porquê o Brasil é o Brasil”. Durante a greve dos caminhoneiros, em maio, um vídeo em que ela aparece ultrapassou dois milhões de visualizações. Nele, a moradora de rua mostra sua opinião sobre a paralisação e sua visão sobre a democracia.

O G1 encontrou Adriana no entorno de uma agência bancária, no bairro Ponte Preta, onde ela vive atualmente. Veja, abaixo, alguns pontos sobre o que ela contou. Na sequência, leia mais detalhes da entrevista:

Adriana fugiu da casa de acolhimento para as ruas aos 12 anos
Desenvolveu a paixão pelos livros e teve até uma biblioteca itinerante
Na infância, sonhava ser cantora ou atriz
Quer sair das ruas e ter um lugar para os cães e livros

‘Os livros falam’

Dormindo sob a laje de uma agência bancária, acompanhada de quatro cães, poucas roupas e com a comida que as esmolas diárias podem proporcionar, Adriana confia na literatura para poder entender o mundo.

Na falta de com quem conversar, eu entendi que os livros falam. Eles estão sempre a falar”, diz.

Engajada em dar voz às pessoas que estão à margem da sociedade, ela diz que com a inesperada fama alcançada pelo vídeo que se espalhou pelas redes sociais quer mostrar aquilo que, define, “a cidade teima em não ver”.

Se minha caneta for a língua, então que essa seja escritora das mais densas páginas em branco, para que outras pessoas possam com a caneta compor suas histórias”, afirma.

Saída das ruas

Esta busca coletiva, conta ela, caminha lado a lado com o sonho pessoal. Sonho de sair das ruas, realidade que conheceu desde quando tinha 12 anos, depois de fugir de uma casa de acolhimento e ser internada em unidades da Febem, atual Fundação Casa.

Eu nunca fiz nada de mal para ninguém. Meu único crime foi roubar bolachas para me alimentar. Não estava roubando porque eu gostava. A fome é cruel“, diz.

Após o vídeo dela se multiplicar pela web, internautas organizaram um financiamento coletivo para tentar reunir recursos para dar condições iniciais para Adriana recomeçar a vida fora das ruas (veja mais detalhes abaixo).

Adriana Cavalcanti divide a barraca instalada sob a laje de um banco com os quatro cães (Foto: Fernando Evans/G1)

Vítimas Algozes

Ela conta que ainda criança conheceu as dificuldades que as ruas reservam àqueles que vivem nelas. Para Adriana, a comunidade em situação de rua ou não é vista, ou é vista como vilã.

“É como mostra Joaquim Manoel de Macedo em ‘As Vítimas Algozes'”, fala em menção à obra que retrata os escravos como violentos e perigosos para defender, por meio do medo incutido nos barões, ideais abolicionistas no Brasil do final do século 19.

Referência

Ao comparar a realidade com a literatura, a transexual elege “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, como uma bíblia para a própria vida. A obra que retrata crianças e adolescentes moradoras de rua em Salvador nos anos 1930, ela diz, norteia seus passos. “É uma história real”, afirma.

Vestidos de farrapos, sujos, semiesfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas”, escreveu Jorge Amado em um dos trechos do clássico.

Viralizou

Morando há um ano na região do Cemitério da Saudade, em Campinas (SP), Adriana cultivou amizades e inimizades naquele reduto. Há quem torça o olhar para ela e seus cachorros, mas tem quem pare para conversar ou oferecer ajuda.

Um dos amigos é o atendente Orlailson Araújo, de 29 anos, autor do vídeo da Adriana que circula pela rede. O rapaz conta que conheceu Adriana na região onde ele trabalha, no Cambuí, mas a aproximação se deu quando a transexual se mudou e fixou residência no atual endereço, na agência bancária que fica perto da casa dele.

Eu comecei a conversar mais e me aproximei mais dela“, explica Orlailson. As visitas passaram de ocasionais para frequentes e culminou com a gravação do vídeo em maio deste ano.

Estava no meio da greve e, do nada, deu a ideia de fazer o vídeo para perguntar o que a Adriana achava. Liguei o celular e pedi para meu namorado gravar”, lembra.

Para surpresa de Orlailson, o vídeo com Adriana espalhou-se pelo mundo. Só no perfil dele numa rede social, ultrapassou a marca de 2 milhões de views.

Além de repercutir no Brasil todo, recebi mensagens dos Estados Unidos, Portugal, Angola“, conta.

Adriana e Orlailson, que fez o vídeo que viralizou na web (Foto: Fernando Evans/G1)

Vaquinha

Um desses contatos pela internet veio de Chicago, nos Estados Unidos, onde mora a brasileira Jéssica Moreira-Spencer. Foi dela a ideia de criar, a partir do vídeo, uma campanha para tentar ajudar Adriana a sair das ruas.

Eu descobri sobre a Adriana por um vídeo que apareceu na minha timeline que dois amigos compartilharam. E fiquei com ele na cabeça, fui dormir pensando nela. Aí, no dia seguinte, tive a ideia de buscar quem a entrevistou. Conversei com o Orlailson e disse que poderíamos fazer algo para ajudá-la”, conta.

A vaquinha online busca R$ 5 mil, mas o valor, claro, não é suficiente para conseguir uma moradia para Adriana.

“[O dinheiro] vai ajudá-la. Mas estamos nos organizando, com outras pessoas na internet, na tentativa de conseguir um terreno e uma casa contêiner para a Adriana”, diz o atendente.

A possibilidade enche de esperança a moradora de rua, que hoje divide uma pequena barraca de camping com quatro cachorros, “seus parentes das ruas”, diz.

Imagina se eu consigo um terreno qualquer, um terreninho que seja, que eu consiga me estabelecer, ter espaço para deixar meus cães, meus livros“.

Paixão pelos livros

Adriana conta que desenvolveu a paixão pelos livros graças aos professores de português que teve na infância, ainda nas casas de acolhimento e durante as passagens pela antiga Febem. A leitura, segundo ela, foi um refúgio para lidar com o preconceito.

Eu comecei na minha solidão, isolamento, a conversar com os livros. Foi quando descobri Jorge Amado, Aluísio Azevedo, Tobias Barreto, Joaquim Manoel de Macedo“, lembra.

Nas ruas, acumulou tantos livros que chegou a montar uma espécie de biblioteca itinerante, onde emprestava títulos para outros moradores de rua ou quem demonstrasse interesse. A iniciativa, no entanto, acabou repentinamente. “Os guardas levaram com a justificativa da operação cata-treco”, diz.

Se muitos livros se foram, os ensinamentos dos escritores ficaram, e ajudaram no que Adriana define como “compreensão de mundo”. Questionada quais seriam os títulos inesquecíveis ou essenciais, ela tratou de listar alguns:

Capitães de Areia, de Jorge Amado
As Vítimas Algozes e A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo
O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco
Poemas de Cruz e Souza
Composições de Vinícius de Moraes

Sua atual leitura é o “O Cortiço”, romance escrito por Aluísio Azevedo e um clássico da literatura brasileira. Protegida do frio apenas por uma barraca fina, Adriana devora com tanta paixão o livro que chama a atenção de quem passa pelo banco.

“Um rapaz chegou e me disse que na escola ele era obrigado a ler esse livro. Perguntei se ele se sentia obrigado a ler esse livro, e disse que sim. Que era um ‘livro chato’. Aí, depois que eu li três páginas, ele disse: ‘nossa, mas é bonito, hein?’ Expliquei: ‘não, bonito é a maneira que você o enxerga, e a maneira que eles te oferecem'”, conta Adriana, que completa.

Nada do que você é obrigado a fazer é bonito. Tudo que você por prazer faz é maravilhoso. Agora, ele quer o livro emprestado“.

Vida nas ruas

Adriana conta que fugiu de uma casa de acolhimento com três colegas, todos já mortos. Relembra que, enquanto tinha de lidar com a fome, frio e medo, foi apresentada às drogas. Passou pela cola, maconha e chegou ao crack, que utiliza “às vezes”, avisa.

A droga é uma válvula de escape para o inferno que se vive nas ruas”, diz. O uso do crack, conta, serve como um apoio para os momentos difíceis. “Sem sair de si e da realidade“, fala.

Eu gasto mais tempo com livro do que com crack. Eu gasto mais tempo com pessoas como eu do que com crack. Não sou uma nóia, mas lógico que vou usar, sim. Quero saber quem é o ser humano que ia conseguir passar a noite sem dar uma ‘pauladinha’ sabendo que poderia morrer no dia seguinte“.

Adriana relata que sobreviveu a quatro hipotermias nas ruas de Campinas (SP) (Foto: Fernando Evans/G1)

A morte, aliás, já passou próxima de Adriana pelo menos quatro vezes em 17 anos nas ruas de Campinas.

Eu já sofri de hipotermia quatro vezes. Já coloquei a mão na frente da boca e expirei ar gelado. Eu já perdi os sentidos, eu já morri!

Adriana diz ter tirado lições até destes momentos mais extremos. “Para quem morreu e continuou por aqui, graças a esse trote de Deus, então eu passei a aproveitar a vida. Meu sonho quando era criança não era ser nóia, não era ser moradora de rua. Meu sonho era ser artista, cantora…”

O mundo já está te condenando. Se você continuar se condenando quanto o mundo de condena, tá f….. Se o mundo tá de condenando, se absolva. Se o mundo te priva, se permita.”

Nova York investe US$ 317 milhões em reforma de sua biblioteca mais famosa

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Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Biblioteca pública de Nova York (Foto: Getty Images)

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço

Publicado na Época Negócios

A biblioteca mais emblemática de Nova York, conhecida pelos famosos leões que descansam em sua entrada, realizará a maior reforma da sua história, que custará US$ 317 milhões e não está livre de polêmicas.

A biblioteca, que fica na Quinta Avenida, está sempre bastante movimentada devido ao fluxo de turistas, mas também é uma das que mais recebe pesquisadores em todo o país, e permanecerá em obras até o fim de 2021.

Há quatro anos, um grupo de pesquisadores conseguiu derrubar o projeto de reforma anterior e ameaçou processar a instituição se esta não voltasse atrás em sua tentativa de se desfazer de suas estantes centenárias.

Com a nova reforma, a biblioteca ganhará 20% de espaço para salas de pesquisa, exibição e oficinas educativas e incorporará uma cafeteria, uma nova loja, um elevador e um novo terraço.

No entanto, o plano diretor não trata de um assunto complicado: o uso que será dado às estantes emblemáticas.

Estas, datadas de 1911, não cumprem com os requisitos de temperatura, umidade e segurança para incêndios que são necessários para as coleções mais delicadas.

É por isso que a maior parte dos arquivos que costumavam ficar nelas estão temporariamente realocados na biblioteca de Bryant Park, e suas prateleiras abrigam outra coleção diferente, a da biblioteca de Mid-Manhattan, que está envolvida em outra enorme reforma avaliada em US$ 200 milhões.

“Vamos levar um tempo antes de tomar uma decisão. É melhor demorar um pouco mais do que decidir às pressas e cometer equívocos”, afirmou o presidente da rede de bibliotecas públicas de Nova York, Anthony Marx, durante a apresentação do plano diretor em uma audiência pública nesta semana.

“Como se atrevem a chamá-lo de plano diretor se ele não contempla o aspecto mais importante da biblioteca, como o das estantes?”, questionou um usuário durante a sessão de perguntas.

“O que as pessoas querem é ter mais livros à disposição e acesso aos mesmos o mais rápido possível”, afirmou outro, que lembrou com nostalgia da época em que podia sentir o cheiro entre as estantes, pegar ele mesmo o livro e, durante o caminho, “deparar-se com outros exemplares” que sequer sabia que existiam.

Marx defendeu que, apesar dos livros estarem em outras bibliotecas, o tempo médio de entrega é de 27 minutos, e destacou que, graças a um acordo com as universidades de Harvard, Columbia e Princeton, o catálogo foi ampliado em 7 milhões de novos exemplares.

A abertura de uma cafeteria na biblioteca também levantou paixões. “Café? Café neste edifício majestoso?”, resmungou uma senhora de idade avançada, provocando aplausos do público que assistia à apresentação do plano.

Dos US$ 317 milhões do plano diretor, 144 já foram investidos na última década, e a maioria desses recursos provém de doações para a rede de bibliotecas públicas de Nova York.

Esta rede é, apesar do nome, uma fundação privada que recebe recursos públicos e particulares, e tem 92 centros distribuídos nos distritos de Manhattan, Bronx e Staten Island.

A reforma envolverá uma reorganização dos espaços. Os andares superiores receberão as salas silenciosas de leitura, para estudantes, leitores e pesquisadores, enquanto os visitantes e os eventos ficarão restritos aos andares de baixo.

A parte externa do edifício não sofrerá mudanças, exceto pela transformação de uma entrada para funcionários na Rua 40, que se transformará em um terraço com jardim, pensado para os grupos de estudantes que visitam a biblioteca, e que ajudará a descongestionar os acessos.

A arquiteta holandesa Francine Houben, cujo escritório ficará responsável pela reforma, detalhou que o edifício é “esplêndido”, mas que existem algumas salas nobres que o público não vê na atualidade, um “erro” que será reparado após as obras.

Apesar da insistência do público, que perguntou pelo futuro das estantes, Anthony Marx se limitou a dizer que todos os usos possíveis serão avaliados.

“Que uso vocês querem dar para uma estante? Coloquem nela os seus livros!”, alfinetou uma senhora presente no evento, levando o público aos risos na sala.

(Por sergi Santiago)

Como a Finlândia, país referência em educação, está mudando a arquitetura de suas escolas

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Distinção entre salas de aula e corredores deixam de existir (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Distinção entre salas de aula e corredores deixam de existir (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Com plano aberto e menos divisórias, centros de ensino buscam mais flexibilidade, autonomia dos alunos e um espaço mais adequado ao aprendizado baseado em projetos.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

Faz anos que a Finlândia se tornou referência mundial em educação, mesclando jornadas escolares mais curtas, poucas tarefas e exames e também adiando o início da alfabetização até que as crianças tenham sete anos de idade.

E, mesmo com um dos melhores resultados globais no PISA (avaliação internacional de educação), o país continua buscando inovações – inclusive na estrutura física das escolas.

Uma das apostas é o chamado ensino baseado em projetos, em que a divisão tradicional de matérias é substituída por temas multidisciplinares em que os alunos são protagonistas do processo de aprendizado.

Parte das reformas é imposta pela necessidade de se adaptar à era digital, em que as crianças já não dependem apenas dos livros para aprender. E tampouco os alunos dependem das salas de aula – pelo menos não das salas de aula atuais.

Adeus às paredes

Por isso as escolas finlandesas estão passando por uma grande reforma física, com base nos princípios do “open plan”, ou plano aberto. A busca é, essencialmente, por mais flexibilidade.

As tradicionais salas fechadas estão se transformando em espaços multimodais, que se comunicam entre si por paredes transparentes e divisórias móveis.

O mobiliário inclui sofás, pufes e bolas de pilates, bem diferentes da estrutura de carteiras escolares que conhecemos hoje.

“Não há uma divisão ou distinção clara entre os corredores e as salas de aula”, diz à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) Reino Tapaninen, chefe dos arquitetos da Agência Nacional de Educação da Finlândia.

Desse modo, explica ele, professores e alunos podem escolher o local que considerarem mais adequado para um determinado projeto, dependendo, por exemplo, se ele for individual ou para ser executado em grupos grandes.

Mas não se trata de espaços totalmente abertos, mas sim de áreas de estudo “flexíveis e modificáveis”, agrega Raila Oksanen, consultora da empresa finlandesa FCG, envolvida nas mudanças.

“As crianças têm diferentes formas de aprender”, diz ela, e por conta disso os espaços versáteis “possibilitam a formação de diferentes equipes, com base na forma como eles prefiram trabalhar e passar seu tempo de estudo”.

Diferentes ambientes

O conceito de plano aberto deve ser entendido de forma ampla – não só sob perspectiva arquitetônica, mas também pedagógica.

Segundo a consultora, isso significa que não se trata apenas de um espaço aberto no sentido físico, e sim de um “estado mental”.

Mobiliário passa a incluir sofás e pufes em vez de tradicionais carteiras (Foto: Kuvatoimisto Kuvio )

Mobiliário passa a incluir sofás e pufes em vez de tradicionais carteiras (Foto: Kuvatoimisto Kuvio )

Tradicionalmente, as salas de aula “foram projetadas para satisfazer as necessidades dos professores”, afirma Oksanen.

“A abertura (física) almeja que a escola responda às necessidades individuais dos alunos, permitindo a eles que assumam a responsabilidade por seu aprendizado e aumentem sua autorregulamentação”, diz ela. “Os próprios alunos estabelecem metas, resolvem problemas e completam seu aprendizado com base em objetivos.”

Vale destacar que a ideia do plano aberto não é totalmente nova.

Na própria Finlândia, as primeiras escolas com esse modelo foram idealizadas nos anos 1960 e 70, como grandes salões separados por paredes finas e por cortinas, explica Tapaninen, da Agência Nacional de Educação da Finlândia.

Conceito de "plano aberto" não se refere apenas ao ambiente físico, mas a um conceito pedagógico, dizem especialistas (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Conceito de “plano aberto” não se refere apenas ao ambiente físico, mas a um conceito pedagógico, dizem especialistas (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Mas na aquela época a cultura de aprendizado e os métodos de trabalho não estavam adaptados a esse tipo de ambiente. Além disso, havia reclamações quanto ao barulho e à acústica. Por tudo isso, nos anos 1980 e 90 o pais retomou o modelo de salas de aula fechadas.

Agora, um dos objetivos da reforma do sistema educacional finlandês é desenvolver novos ambientes de aprendizado e métodos de trabalho.

A ideia é que espaços físicos inspirem o aprendizado, mas não é preciso limitar-se à escola ou mesmo a um lugar físico.

“(As aulas) devem usar outros espaços, como a natureza, museus ou empresas”, explica Tapaninen.

“Videogames e outros ambientes virtuais também são reconhecidos como ambientes de aprendizagem. A tecnologia tem um papel crescente e significativo nas rotinas escolares, permitindo aos alunos envolver-se com mais facilidade no desenvolvimento e na seleção de seus próprios ambientes.”

Sem sapatos

A escolha pelo modelo trouxe desafios: o barulho e a luz intensificados pelo plano aberto, por exemplo, precisam ser levados em conta na criação de um bom ambiente de aprendizado.

“O uso de carpete no chão eliminou o ruído causado pelos móveis e pelo caminhar das pessoas”, explica o arquiteto.

E as escolas se converteram em espaços “sem sapatos”: os alunos ficam descalços ao entrar ou usam calçados leves.

Escolas mais abertas podem ser também mais vulneráveis, o que desperta preocupações com segurança.

“Já tivemos na Finlândia casos de invasores que atacaram escolas, matando estudantes e professores”, explica Tapaninen.

Ele se refere, por exemplo, ao caso de um estudante de 18 anos que dez anos atrás disparou contra seus colegas em uma escola em Tuusula, deixando oito mortos.

Por conta disso, cada escola finlandesa é obrigada a ter um plano de segurança com base na análise de riscos, criar rotas de fuga em cada espaço e fazer simulações de ataques para preparar os alunos.

Mas, segundo Tapaninen, a abertura das escolas “ajuda a orientação a rotas de fuga, mais do que em salas de aula fechadas e em corredores”.

A Finlândia tem 4,8 mil centros de ensino básico e superior. Anualmente, o país está reformando ou construindo entre 40 e 50 espaços, explica o arquiteto. E a maior parte deles segue o conceito de plano aberto.

“As escolas e seus usuários podem escolher livremente seu próprio conceito de ambiente de aprendizado, dependendo da visão local, do plano de estudos, da cultura de trabalho e de seus métodos”, diz ele. “Aparentemente, a tendência de abertura nos ambientes educativos está se tornando a favorita (das escolas).”

Confira principais destaques de hoje da Flipelô

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Emicida debate temas sociais com poesia na Flipelô, nesta quinta (10) (Foto: José de Holanda/Divulgação)

Emicida debate temas sociais com poesia na Flipelô, nesta quinta (10) (Foto: José de Holanda/Divulgação)

Vanessa Brunt, no Correio 24Horas

A Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) deixou de ser um sonho antigo da Fundação Casa de Jorge Amado e ganhou a sua primeira edição. A iniciativa abre para o público a partir de hoje (10) e comemora os 30 anos da Fundação, que abre as portas gratuitamente durante todo o mês de agosto em homenagem aos escritores Jorge Amado, Zélia Gattai e Myriam Fraga, curadora do projeto, que faleceu em fevereiro de 2016.

Não à toa, no primeiro dia de eventos gratuitos e comemorativos da programação também se comemora a data de nascimento do autor que dá nome ao local responsável pela Flipelô. A quinta-feira de Jorge movimenta o Pelourinho com debates, shows, espetáculos, exposições, saraus e atividades gratuitas, como cursos que abraçam a vida do escritor e temas contemplados em sua literatura. Mas, artistas como o rapper Emicida, vão além da memoração e marcam presença hoje levantando temáticas diferenciadas.

Jorge Amado, que faria 105 anos, foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, além de ser o autor brasileiro mais adaptado do cinema, do teatro e da televisão. Sucessos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra foram criações suas. As obras literárias de Jorge Amado, com 49 livros ao todo, foram traduzidas em 80 países, em 49 idiomas, bem como em braille e em fitas gravadas para cegos.

Confira os destaques que acontecem no dia do aniversário do escritor baiano, separados em dois blocos (Sendo Amado e Além de Amado):

Sendo Amado

O artista visual Denissena faz grafite ao vivo (Foto: Divulgação)

O artista visual Denissena faz grafite ao vivo
(Foto: Divulgação)

 

Concerto para Jorge Amado e outras homenagens da Casa do Governo

A calçada da Casa do Governo será palco da Orquestra ComPassos, apresentando o Concerto Para Jorge Amado. A apresentação é composta por canções de co-autoria de Jorge e composições inspiradas na obra do escritor. Serão realizadas duas apresentações. A primeira hoje (10), às 16h30, e a última, no encerramento da festa, domingo (13), às 16h.

Vizinha da Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, a sede do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) será, entre os dias 10 e 13 de agosto, a Casa do Governo na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). O espaço será aberto para uma grande diversidade de ações promovidas pelo Estado, através da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA). Abertas ao público, as atividades envolvem exposições diversas, oficinas temáticas, exibição de documentário, palestra e concertos.

Ainda na Casa do Governo, o hall de entrada da casa, durante todos os dias da festa, será espaço onde os visitantes poderão conferir exposições como Vida e História de Jorge Amado, composta por 22 quadros grafitados pelo artista visual Denissena, que vai preparar parte da mostra ao vivo; também estarão expostos figurinos de baianas tradicionais, a camisa do Ypiranga (time do coração de Jorge) e brinquedos de culturas populares, como as burrinhas, bonecões mamulengo e boi multicor, além de Teatro Lambe-Lambe com os esquetes O Quarto de Dona Flor e O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Durante a Flipelô, os visitantes da casa conferem a exibição do documentário Jorge Amado 100 Anos.

Carybé

O escritor Jorge Amado também ganha destaque no Centro Cultural Solar Ferrão com a exposição 100×100 Carybé Ilustra Jorge Amado, com horário especial: das 9h às 17h. Criada para comemorar o centenário dos dois artistas, a mostra busca promover uma reflexão sobre a cultura da Bahia através do relato da amizade entre dois grandes ícones responsáveis por obras de que mesclam originalidade e beleza. A exposição traz ilustrações de obras como O Sumiço da Santae Jubiabá, além de fotos que revelam diferentes momentos da amizade entre Jorge e Carybé.

Durante a festa, o Solar Ferrão recebe até sábado (12) a oficina A Arte do Livro de Pano, das 08h30 às 12h. A atividade acontece na Galeria tendo como público-alvo os professores do ensino fundamental e médio, e demais pessoas interessadas. Com o sub-tema Do Conto Oral à Criação do Livro de pano a proposta da oficina é o estudo do conto popular e o processo de criação de textos. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo telefone: 3116-6714 ou e-mail: [email protected] (o número máximo de participantes é de 25 pessoas).

Mostra Audiovisual na Sala de Arte Cine XIV

A Sala de Arte Cine XIV produz mostras audiovisuais que dão enfoque hoje para a obra A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge. Considerado um clássico da literatura brasileira, o livro conta a história de Joaquim Soares da Cunha, respeitável cidadão casado e com filhos, que leva uma vida pacata de funcionário público. Um dia porém, o personagem resolve mudar seu destino, e assim, comete o grave disparate de abandonar a família para viver como um vagabundo, entregando-se aos vícios mundanos, especialmente a bebida, quando recebe o apelido de Quincas Berro D’água. A obra percorre as mortes metafóricas do personagem principal. Antes da exibição, serão também contempladas as obras Auto da Compadecida, do autor Ariano Suassuna, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Além de Amado

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O Espetáculo Minas de Conceição Evaristo faz parte da programação, às 10h
(Foto: Jessé Oliveira/Divulgação)

Debates, bate-papos e mais no Teatro Sesc-Senac

Pela manhã, às 10h, o Espetáculo Minas de Conceição Evaristo, homenagem à escritora mineira de mesmo nome, preenche as programações com participação de Vera Lopes, Alexandra Pessoa e Emillie Lapa. Literatura infantil e contação de histórias dão prosseguimento aos eventos do dia no Sesc-Senac, às 14h, ainda trazendo bate-papo com o autor Ilan Brenman e mediação de Mônica Menezes. Para às 15h30, a contadora de histórias Danielle Andrade faz narrações com o tema Histórias de Mundo Afora.

E a poesia toma conta do fim da tarde no teatro. Às 16h, a Oficina de poesia com o poeta, músico e dramaturgo Denisson Palumbo anima o local e torna-o mais reflexivo com o Poesia em voz alta. As inscrições gratuitas podem ser feitas pelo e-mail: [email protected] Já às 17h, o CandomBlackesia: Axé e Poesia na Batida, traz alegria e profundidade com Nelson Maca & Afro-Power-Trio.

À noite, o Sesc recebe Alexandra Lucas Coelho, de Portugal, e Gildeci de Oliveira Leite, da Bahia, 18h30, para a conferência Deus-dará: 500 anos de história entre Portugal e Brasil.

O rapper Emicida fecha as programações do dia, 20h, participando da mesa de discussão do projeto A Rua é Nóiz – Poesia e protesto. O artista estará ao lado de João Jorge, presidente do Olodum, com mediação de Larissa Luz.

Debate também no Museu Eugenio Teixeira Leal

Às 16h, o Museu apresenta mesa de discussão com Ronaldo Correia de Brito, Salgado Maranhão e mediação de José Inácio Vieira de Melo. O tema do debate gira em torno da indagação: Com a Palavra o escritor – Como anda a literatura brasileira contemporânea?

Recitais na Fundação Casa de Jorge Amado – com espaço para novos artistas

No Café Teatro Zélia Gattai, dentro da Fundação, acontece o projeto A Voz Edita, com declamações de poemas e a participação de 12 poetas brasileiros, com curadoria de José Inácio Vieira de Melo. Os saraus, que ocorrem de 18h à 19h, também trarão mais dinâmica à palavra escrita e cantada, com momentos espalhados por toda programação. Nomes da literatura como Cleberton Santos, Igor Fagundes, Walter César, Salgado Maranhão, Elizeu Moreira Paranaguá e Rita Santana estão confirmados para a quinta-feira. “O evento inteiro segue uma linha mais informal, com café e muita troca de ideias. Poderemos também abrir espaço para que pessoas do público mostrem a própria arte”, afirma Angela Fraga Sá, atual diretora da fundação.

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O músico Amadeu Alves realiza sarau com Fabrício Rios
(Foto: Divulgação)

Sarau no Largo do Pelourinho

O Largo não fica de fora dos movimentos culturais da Flipelô e também traz declamações. Às 21h30, as ruas são tomadas pelo sarau com o músico Amadeu Alves e Fabrício Rios (Rede Sonora).

Editoras baianas

O espaço das editoras baianas fica por conta da Casa Amarela, que mora ao lado da Fundação Casa de Jorge Amado. A Edufba, editora da Ufba, marca presença junto com outras editoras universitárias, como a Eduneb, a Editus e a Editora da Uefs. Na Casa Amarela estarão também editoras como Caramurê, Solisluna, Corrupio, Mondrongo e Humanidades.

Outras exposições

Mais exposições podem ser vistas na Casa de Arte Oxum, com o tema Aquarela do Descobrimento e no Centro de Formação Artesanal do Sesc (CFA), com o Artesanato e Literatura Exposição, que apresenta livros sensoriais.

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