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“Na escola, seguimos escravos”, diz professora que emocionou a Flip

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Lázaro Ramos se emociona com a fala da professora Diva Guimarães. Foto: Iberê Perissé/Divulgação Flip

Lázaro Ramos se emociona com a fala da professora Diva Guimarães. Foto: Iberê Perissé/Divulgação Flip

A mulher que comoveu o Brasil com seu relato conta sua trajetória

Wellington Soares, na Nova Escola

“Não sei o que me deu.” É assim que a professora aposentada Diva Guimarães explica a sua fala na Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela falou por exatos 13 minutos e 16 segundos, tempo suficiente para produzir um discurso magnético. Viralizou – e por bons motivos. A participação de Diva tocou em feridas abertas sobre o racismo no Brasil. A base das reflexões foram sua própria vida: dos tempos como estudante à experiência em sala de aula e o seu abrir de olhos sobre a situação dos negros no país.

Ao final do discurso emocionado, um apelo do ator e escritor Lázaro Ramos, que palestrava: “A gente precisa fazer um pacto de investir em Educação pública de qualidade”. Aplausos.

Em entrevista por telefone a NOVA ESCOLA, Diva reforça o discurso de Lázaro. Afirma que a falta de qualidade é ainda mais grave na abordagem de questões raciais. “São poucos os professores que conseguem contar a verdadeira história da África, do povo negro, dos indígenas.”

Na entrevista abaixo, ela relaciona a própria trajetória como aluna e professora da Educação Básica ao racismo no país e diz acreditar na Educação como principal motor de mudança.

NOVA ESCOLA O que motivou sua fala naquela sessão da Flip?

DIVA Não sei. Não foi pensado, mas foi a oportunidade que eu tive de falar sobre o meu sentimento e o sentimento das pessoas negras. Em Paraty, eu pude participar, pela primeira vez, de uma mesa com negros e que falasse sobre os negros. Durante a semana, participei de várias palestras que foram me tocando e, naquela mesa, quando começaram a falar sobre o racismo no passado de Portugal, eu pensava: não, isso não acontece em Portugal. Isso é o que acontece aqui, agora. Eu queria falar com o Lázaro depois porque ele mexeu muito com as minhas emoções, mas aquela foi a oportunidade que eu encontrei.

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Foto: Bruno Santos/Folhapress

Na palestra você disse que somos escravizados até hoje. É uma colocação forte. O que você quis dizer?

DIVA São as oportunidades que nos dão que nos escravizam. É só perguntar para qualquer pessoa negra, ou de periferia, ou indígena. Quando era pequena, tive a oportunidade de fazer o primário em um colégio interno, mas eu era obrigada a trabalhar lá. Além disso, passava por situações que os alunos brancos de classe média não passavam: apanhava muito e evito até hoje as coisas que eu comia lá – uma sopa de lentilha com gosto de mofo e pão molhado no café com leite. No ginásio, passei a dar aulas em troca de moradia e de um tempo livre para estudar pela manhã. Nada mudou desde o período da escravidão, nem para mim nem para o mundo. Seguimos escravos.

Além dos maus-tratos, como foi a experiência escolar para você?

DIVA Estive sempre cercada de uma maioria de pessoas brancas. No colégio interno, todas as minhas colegas negras eram as pessoas que estavam ali por serem assistidas – estavam ali nas mesmas condições que eu. No ginásio e no magistério, tinha uma ou outra colega com a cor da pele como a minha. Nas aulas, aprendi o que estava nos livros. Não tinha nada de bom que a gente [os negros] fazia. Você não se via nas páginas escolares como negro. Você estudava a história dos Estados Unidos – às vezes a gente até tinha que decorar palavras em inglês –, estudava sobre a Europa, mas nada sobre a África. Tudo o que diziam era que a gente veio de lá escravizado para trabalhar no Brasil. Eu passava mal. Ficava revoltada quando falavam da escravidão porque as pessoas começavam a olhar para mim porque eu era a única negra.

Esse sentimento de revolta foi muito presente na sua vida?

DIVA Sim. Sempre briguei muito e fui muito revoltada… Não, eu era justiceira. Lembro de ler um livro sobre a vida do Lampião e ele se tornar meu ídolo. Ele foi um oprimido: viu toda a família morrer quando era criança porque roubaram as terrinhas deles, depois se salvou e cresceu e foi se vingar. Eu tinha vontade de me vingar também. Não tinha oportunidade, mas tinha vontade. Eu fiz até o plano de fugir para me juntar ao bando dele. Era uma revolta contra a discriminação – hoje a gente fala bonito, fala bullying! A minha vingança, felizmente, é a Educação. Você não precisa pegar em armas, com a Educação, com a leitura, você passa a saber quem você é, quais os seus direitos e seus deveres. A coisa muda. Pela arma ninguém muda ninguém.

Então a revolta passou?

DIVA Ah, ainda tem horas que eu tenho vontade de explodir. [ela gargalha e volta rápido ao tom sério que dominou a conversa] Quando eu vejo a matança de jovens negros… Não só de negros, mas das pessoas da periferia – em que a maioria é negra. Vão empurrando a gente cada vez mais para os cantos.

Se a escola não a preparou, como você criou consciência sobre o que é ser negro?

DIVA Eu aprendi pela leitura. Teve uma mãe de família para quem a minha mãe lavava roupas que me incentivou demais. Pelos livros, eu fui despertando. Li Darcy Ribeiro, que fala muito bem sobre a África, sobre os negros. O que me ajudou muito também os livros do Jorge Amado que são livros-denúncia. Tem outro que acho espetacular, que eu acho que são fantásticos é o José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima. Muitos livros são aparentemente romanceados, mas são denúncias! O Jorge Amado fez a denúncia da exploração sexual de crianças negras lá nos anos 1930 e 1940.

Como as escolas hoje podem fazer diferente?

DIVA Eu acredito principalmente na força da fase da pré-escola. O preconceito que as crianças têm, elas trazem da orientação de casa e vão se tornando assim, se nada é feito. E nada é feito, porque a maioria deste país é branca. Quer dizer, a maioria é negra, mas eles são mais bem protegidos – não vou nem dizer que eles têm mais força, porque se eles tivessem mais força a gente nem existiria.

Você disse que não mudamos até hoje. Você tem esperança de que mudemos no futuro?

DIVA Eu tenho esperança na Educação. A geração de hoje, em que muitos são cotistas, e os filhos deles vão ter outra cabeça. Muitos jovens vieram conversar comigo em Paraty. Muitos mesmo. A gente pensa que eles não estão ligados em tudo o que acontece, mas eles estão muito ligados. A mudança vem daí. Vai demorar um tempo, mas vai mudar.

O bem que faz ler um livro, em 7 razões comprovadas pela ciência

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Publicado na Revista Prosa Verso e Arte

O primeiro livro impresso data do séc. XV, mas antes de Cristo já o Homem começara a escrever em folhas de papiro, no Egito. Desde então quase todo o conhecimento ficou gravado em páginas de livros e, nas últimas décadas, as obras publicadas cresceram ainda mais em número, assim como foram surgindo investigações sobre os benefícios da leitura.

De fomentar a inteligência a prolongar a esperança média de vida, a leitura só traz benefícios

Os sete benefícios de ler um livro, segundo a ciência:

Alarga o vocabulário
Nenhuma atividade expõe uma pessoa a maior e mais diversificada quantidade de palavras. Mais do que assistir a programas televisivos de conversas, vulgo talk shows, ou infantis, como a “Rua Sésamo”, e mais do que uma conversa de amigos, mesmo que sejam todos licenciados, é a leitura que aporta um vocabulário mais alargado, indica um estudo da Universidade da Califórnia.

Desperta a inteligência
A ciência já mostrou que a genética e a educação são fatores que influenciam a inteligência, sendo que ler é uma das principais fontes de conhecimento. Um estudo de 2014 com crianças, realizado por investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da King’s College of London, em Inglaterra, concluiu que a evolução das capacidades de leitura “pode resultar em melhorias nas habilidades cognitivas verbais e não verbais”, que “são de vital importância ao longo da vida”. E quanto mais cedo se começar, melhor.

Previne doenças
Correr e ir ao ginásio são atividades físicas na moda porque o exercício fortalece o corpo e promove o bem-estar. Mas, por mais variado que seja o treino, nem todos os músculos são trabalhados. Para garantir que nenhum fica para trás, ler um livro é um bom remédio: inúmeros estudos indicam que a leitura estimula os músculos do cérebro e torna-os mais fortes, podendo atuar como fator preventivo em doenças degenerativas como o Alzheimer. Está também provado que pessoas com profissões intelectualmente mais exigentes têm menor propensão para desenvolver patologias ligadas à deterioração do cérebro.

Reduz o stresse
Nem caminhar, nem ouvir música, nem beber um chá. Nada resultou melhor do que ler um livro para acalmar um coração acelerado, segundo uma pesquisa liderada pelo neuropsicólogo britânico David Lewis, da Universidade de Sussex. Bastaram seis minutos de leitura para os níveis de stresse das pessoas que aceitaram participar diminuírem até 68%, contra um máximo de 61% quando tentaram acalmar através da música. Um chá (54%) ou uma caminhada (42%), outras alternativas avaliadas, mostraram-se menos eficazes.

Promove a empatia
Ainda que um livro seja encarado como uma companhia, ler é em si mesmo um ato solitário. Mas entre os seus benefícios encontra-se também a tendência para causar melhor impressão nos outros. Um estudo de dois investigadores holandeses mostrou que a leitura de narrativas ficcionadas influencia características própria da condição humana como a capacidade de criar empatia. E esse é um trunfo importante em qualquer relação, seja pessoal ou profissional.

Combate o envelhecimento do cérebro
Há uma relação direta entre a atividade cognitiva realizada ao longo dos anos e a perda das capacidades cognitivas associadas ao envelhecimento natural, como a memória, o raciocínio ou a perceção. Quanto maior atenção se dedicar à primeira, por exemplo através da leitura de livros, mais lenta se torna a segunda, concluiu um estudo de 2013 publicado no jornal científico Neurology, da Academia Americana de Neurologia.

Aumenta a esperança média de vida
Mais dois anos. Em rigor, 23 meses. Conforme um estudo da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, revelou que, em média, é esse o tempo que vivem a mais as pessoas que leem um livro 30 minutos por dia, quando comparadas com as que não o fazem. Os investigadores chegaram a esta conclusão ao fim de 12 anos de estudo, publicado no jornal Social Science and Medicine.

Fonte: Revista Visão

Ferréz leva para França seu ódio aos ricos e à classe média

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Rodrigo Casarin, no UOL

“Sou o pregador do ódio!”.

Todos leitores sabem que os alvos preferidos de Ferréz são os ricos e a classe média alta. Em entrevista exclusiva ao UOL, após ser questionado sobre quem prega a conciliação entre todas as classes existentes no Brasil, disparou o torpedo que abre este texto. “Querem conciliação do quê? Enquanto meu povo lavar privada, quero que ele não idolatre os ricos, que entenda que já nasceu sendo roubado. Nosso povo aceita muito as coisas, é muito simpático”, continuou.

Antes, em sua fala na mesa que dividiu com Ronaldo Correia de Brito e Godofredo de Oliveira Neto no Salão do Livro de Paris, já havia seguido linha semelhante. “Se a gente da periferia não é a esperança, essa classe média preguiçosa que não sabe nem fazer café que também não é. Nós que possibilitamos a vida deles, só não recebemos a renda por isso”.

O autor de “Capão Pecado” disse estranhar o luxo de Paris, mas que isso faz com que entenda um pouco as vontades dos brasileiros mais abastados. “Em São Paulo eu não frequento os lugares da hora, aí, chego aqui, vejo o que o rico de lá quer fazer”. O escritor sabe que seu discurso incomoda muita gente, mas não se importa com isso, pelo contrário, afirma que seu papel não é “fazer massagem”. “Eles não gostam quando eu falo, mas da favela eles podem falar, né!?”.

É o povo mais simples, aliás, que está retratado em “Os Ricos Também Morrem”, seu novo livro, lançado pela Planeta, que apresenta contos feitos ao longo dos últimos três anos, escritos com uma linguagem bastante acessível para que possam ser facilmente compreendidos por alunos e por adultos que não estão habituados a ler.

Em um dos contos, o alvo são os food trucks, algo que também causa indignação em Ferréz. “Tem essa tendência de pegar tudo que já existe e colocar nome em inglês. Daqui a pouco lançam o super motoboy”, ironiza. “A classe média tem um esvaziamento cultural tão grande que precisa desses supérfluos, pagar R$30,00 em um pão com salmão, para achar que está vivendo”.

Ao ser questionado, por conta do título da obra, se os ricos morrem de maneira diferente, disse que sim: “eles morrem tomando suco verde e achando que são eternos”.

Dentre os textos está também “Pensamentos de um ‘Correria’”, conto inspirado em um assalto a Luciano Huck (levaram o relógio do apresentador), publicado originalmente na Folha de São Paulo. Narrando a situação da perspectiva do assaltante, Ferréz acabou sendo acusado de apologia ao crime e precisou prestar explicações em uma delegacia. Hoje, a respeito de Huck, diz que o global “é um bom representante da classe dos coxinhas”.

Ainda sobre a Globo, Ferréz não mostrou empolgação alguma ao saber que três novelas da emissora programadas para este ano serão, de alguma forma, ambientadas na favela. “Nunca vi nada na Globo ser positivo. Outro dia, vi que em uma novela tinha três estereótipos em um único personagem, que era negro, gay e cabeleireiro. Falta profundidade, qualquer tema eles transformam em uma idiotice”.

Neste ano Ferréz também lançará mais um livro juvenil, este pela Dsop, com ilustrações de Fernando Vilela. “A Menina Ana e o Balão” contará a história de uma garota que, após perder o seu pai, aluga um balão para procurá-lo no céu, uma forma de abordar a morte junto às crianças.

O conselho de Maurício de Sousa que mudou a vida de uma leitora

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Leila Endruweit, no ZH

A leitora Ana Paula Mesquita Scalabrin, 45 anos, escreveu para ZH para contar sua história envolvendo o cartunista Maurício de Sousa, que esteve autografando obras na Feira do Livro de Porto Alegre na última sexta-feira.

Ela conta que em sua primeira gravidez, em 1999, ela decorou o quarto da filha, Bruna, com bonecas da Mônica. No entanto, complicações no parto fizeram o bebê morrer logo após o nascimento. Ana entrou em depressão e passou a dormir com algumas bonecas e as tratá-las como suas filhas.

Sem esperança de receber algum consolo, Ana Paula escreveu para Maurício de Sousa relatando a história e teve uma grata surpresa. Em uma bela carta, ele sugeriu que as bonecas fossem doadas para crianças carentes.

– Ele disse que isso faria o meu anjo feliz – contou Ana.

Seguindo a sugestão do cartunista, a cada dia uma boneca foi doada. Recuperada da depressão e decidida a ser mãe novamente, Ana engravidou em 2001 de Giovana, que também teve seu quarto decorado com o tema Turma da Mônica.

Ao saber que o cartunista estaria na Capital, Ana Paula correu para a fila de autógrafos para realizar o sonho de abraçá-lo e agradecê-lo.

– Quando contei minha história para ele, ficamos emocionados, sentimento compartilhado por todos ao nosso redor. Choramos juntos – conta.

Gabriel Pensador: ‘Professor é herói do dia a dia’

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Imagem: Google

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Renata Mendonça, no UOL

“Eu tô aqui pra quê? / Será que é pra aprender? / Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?”

O rapper Gabriel o Pensador causou polêmica em 1995 com a música Estudo Errado, em que questiona o formato e o conteúdo das aulas, que via como distantes da realidade fora das salas de aula. O rap, à época, foi bastante criticado por professores e educadores.

“Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci.Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi.Decoreba: esse é o método de ensino.Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino”, diz a música.

Duas décadas depois do lançamento de Estudo Errado, em meio à campanha para as eleições presidenciais de 2014 e no momento em que graves problemas da educação como a violência contra professores e a desvalorização do ensino voltam à tona, a BBC Brasil procurou Gabriel o Pensador para saber o que ele mudaria nessa letra se fosse fazer uma versão hoje. Veja o seu depoimento:

‘Escola ideal’

“Mais do que imaginar uma escola ideal, seria ideal a gente transformar a escola a partir das dúvidas, das curiosidades dos alunos em relação à realidade fora da sala de aula. Tanta informação que uma criança hoje recebe na internet, na televisão…tudo isso gera milhões de questões que já não se enquadram dentro do que é passado pelo MEC, dentro das disciplinas. Acho que o que os alunos precisam é entender um pouco mais sobre ética, sobre violência, sobre política, como funciona a sociedade, por que certas coisas acontecem, por que certas coisas permanecem acontecendo depois de tantos anos…

É um desafio para os professores adaptar o conteúdo das suas aulas para coisas cada vez mais próximas do dia a dia, das coisas da atualidade. Isso dá resultado sempre, quando é feito nas aulas de redação, por exemplo, nas aulas de história, de geografia, muitos professores já fazem isso. Minha crítica na letra ‘Estudo Errado’ era justamente em relação a essa distância do conteúdo do que era passado nas matérias para a vida real.

Outro problema crônico que a gente tem na escola brasileira é a evasão escolar, então mais um desafio é tornar cada vez mais interessante para os alunos esse conteúdo. Isso também faz parte do que eu abordei na letra da música. E eu acho que é um dos problemas da escola de hoje em dia. Além da falta de resultado efetivo, porque mesmo para aqueles que frequentam a escola, às vezes o nível de aprendizado é muito baixo, principalmente na questão da interpretação de texto, da alfabetização, da compreensão de certas matérias. A gente tem muito a evoluir, mas também tem muitos trabalhos bonitos sendo feitos, com grandes educadores, e eu confio que isso já esteja sendo trabalhado pelos professores.

‘O valor que o professor merecia’

Na frase da letra de ‘175 Nada Especial’, o professor reclamava ‘esse não é o valor que um professor merecia’. Ali eu estava falando do salário, mas hoje eu poderia lembrar da polícia batendo nos professores em manifestações, da falta de respeito dos alunos que agridem e ofendem professores e os desrespeitam verbalmente. Isso também faz partedesse lamento do professor, que não vê seu valor reconhecido. Não é só uma questão de salário. Para mim, o professor é o herói do dia a dia, essa é a palavra que cabe perfeitamente. O professor é herói pelo amor com que ele se dedica a profissão, pela superação que ele demonstra, que deve inspirar os alunos, e na sua dedicação ao acolhimento, que é uma das coisas mais generosas e importantes que os professores dão para os alunos, não só os alunos das classes mais baixas, mas todos que tem às vezes pouco tempo com seus pais, com suas famílias, e sentem esse acolhimento, esse carinho, essa amizade do professor.

Violência

O aumento da violência não é um problema só das escolas ou das salas de aula, é um reflexo de um aumento da violência na sociedade e da falta de valores, da diminuição da ética, da amizade, do respeito, do amor à vida. E da própria falta de esperança, que leva uma grande massa de jovens e adolescentes para um caminho da violência, do ‘nada a perder’. Esse é um problema muito complexo, que só os professores não vão conseguir resolver. Mas acho que deve haver uma medida de emergência para proteger a integridade física dos professores, e também uma medida educativa, que extrapola a sala de aula, que possa tentar recuperar um pouco esses valores na nossa sociedade, em todas as idades, nos pais e nos filhos.

Solução

A solução da educação no Brasil é uma questão bem complexa, que precisa de muitas pessoas trabalhando sério, fazendo um programa abrangente de medidas para melhorar. Mas acho que um ponto fundamental é a destinação de mais verba para a educação, para a construção de escolas, para equipar as escolas, para pagar os professores e os funcionários. O Brasil tem muito dinheiro só que o dinheiro é desviado para outros caminhos, para falcatruas variadas, superfaturamento de obras, muitas outras coisas que dão mais dinheiro, mais margem para lucro dos políticos corruptos do que a educação. E na área da educação, a gente vê muitos escândalos absurdos também, até com a merenda escolar, entre outros. Então uma primeira medida seria corrigir esse absurdo e destinar muito mais recursos pra educação.

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