Contando e Cantando (Volume 2)

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Livro ‘A Hora da Estrela’ completa 40 anos e ganha edição comemorativa

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Paulo Henrique Silva, no Hoje em Dia

Clarice Lispector tinha uma caligrafia bonita, mas, doente, sofrendo com um câncer no ovário, as letras se tornaram rabiscos nervosos, quase incompreensíveis, buscando qualquer papel à frente (até o verso de um talão de cheques) para se transformar, mais tarde, na obra-prima da escritora. Poucos dias após pôr um ponto final em “A Hora da Estrela”, a ucraniana naturalizada brasileira faleceu, sem tempo de ver o sucesso do livro, ainda hoje no rol dos mais vendidos.

Quarenta anos depois, a publicação retorna às prateleiras numa edição comemorativa, em que se destacam 16 páginas com a reprodução dos manuscritos de Clarice. “Hoje ela é a nossa campeã de vendas, independentemente de gênero. E o sucesso dela só fez aumentar com o passar dos anos, algo que, em vida, não experimentou. Ela não tem apenas leitores. São fãs, seguidores, para usar uma linguagem mais contemporânea”, registra Pedro Vasquez, editor da Rocco.

Cult
Para Pedro, Clarice alcançou o status de cult, como Frida Khalo e Simone de Beauvoir. “Clarice é uma figura emblemática, uma referência para a mulher contemporânea, sobretudo as jovens. O rosto dela está em bolsas, camisetas… Não se trata de campanha. Tudo acontece espontaneamente”, registra o editor, que enumera vários ingredientes para explicar o sucesso de “A Hora da Estrela” – do filme lançado em 1985, exibido em cerca de 80 países, ao fato de o livro ser uma “carta de despedida”.

“Tem esse tom (de adeus) sim. O narrador do livro é um escritor em crise criativa que se coloca como um autor em fim de linha”, assinala. A história de uma migrante nordestina em São Paulo também tem papel preponderante. “Ela é um pouco fora do padrão de Clarice, marcado por questões existenciais e universais. Macabéa é um mito brasileiro, tipicamente nordestino, mas ao mesmo tempo o lado cosmopolita de Clarice também passa nesse livro”, salienta.

A via-crúcis de Macabéa é, de acordo com Pedro, muito representativa da vida nacional, tanto em 1977 quanto em 2017. “O grande problema dela é a solidão. Ela se sente inadequada, sem lugar no mundo. Mas há uma esperança, quando consegue se encantar com certas coisas, como uma flor de plástico, que não precisa ser regada e não estraga. Macabéa tem essa simplicidade, que faz você logo se identificar com ela”, analisa.

Ensaios
A edição comemorativa conta com apresentação da escritora Paloma Vidal, sobre o processo de descoberta dos esboços, guardados no Instituto Moreira Salles, e seis ensaios assinados por Nádia Battela Gotlib, biógrafa da autora; pelo acadêmico Eduardo Portella, falecido no último dia 2; pela professora Clarisse Fukelman; pelo escritor irlandês Colm Tóbin; pela crítica francesa Helène Crixous; e pela pesquisadora argentina Florencia Garramuño.

Florencia apresenta um dos textos mais curiosos, a partir da foto de Clarice na “passeata dos cem mil”, ocorrida em 1968, em virtude do assassinato do estudante Edson Luís, protestando ao lado de Milton Nascimento, Ziraldo, Gilberto Gil, Chico Buarque. “Ela alerta para o fato que Clarice não se omitia em relação aos grandes acontecimentos de seu tempo. Esse lado não presente nos romances, mas nas crônicas e na vida dela”.

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Manuscritos do livro são um presente para os fãs da autora

A escritora e professora universitária Paloma Vidal tem uma história parecida com a de Clarice Lispector. Nasceu no estrangeiro (Clarice na Ucrânia e Paloma na Argentina), mas veio pequena para o Brasil (aos dois anos, como a autora de “A Hora da Estrela”), onde desenvolveu essa dupla nacionalidade. Os caminhos se cruzaram quando traduziu para o espanhol “Legião Estrangeira” e “Um Sopro de Vida”.

Indagada sobre a questão da identidade, Paloma “pensa alto”, como ela mesma diz, nessa entrevista de Buenos Aires, feita pelo WhatsApp, observando que Clarice tem um trabalho marcado pela convivência com a estrangeiridade. Macabéa seria fruto disso. “Ela sai do Nordeste e vai para o Rio, que não é o Rio turístico, visto de viés. E Macabéa não só se relaciona com o imaginário nordestino, da pobreza, mas com a figura deslocada também”, afirma.

Monumentalização
Para alguém que também tem na escrita a sua forma de expressão, Paloma confessa que ficou intrigada com o processo de Clarice, após mergulhar nos manuscritos da escritora para fazer a crônica que abre a edição comemorativa. “É difícil aproximar-se desses escritos e não cair no lugar comum, diante de uma certa monumentalização. Às vezes, eles também não dizem nada, sobre a chave ou segredo, mas faz você pensar no processo”.
Paloma destaca que, mentalmente, passou a amarrar todos os bilhetes e folhas soltas e pensar na maneira como foi dado um corpo e um espaço para todo aquele material.

“O que mais me interessou, e que interessa aos autores em geral, é tentar entender o percurso. Como tantas coisas surgiram no caminho e depois ficaram de fora”, destaca a autora, que, ao receber a tarefa, sentiu o “peso” da responsabilidade.

“Esses manuscritos ainda não foram muito estudados. É um material incrível, que pode ser mais aprofundado a partir do ponto de vista da crítica genética (acompanhamento teórico-crítico do processo de criação). Mas depois entendi que esse foi um primeiro passo, que outros textos vão vir. É bom que isso tudo esteja disponível”.

Mais lançamentos
A intenção da editora Rocco é relançar todos os livros de Clarice com edições repaginadas. No próximo ano, será lançado “Todas as Crônicas”, que terá o mesmo formato de “Todos os Cantos”, publicado em 2016, com os textos ordenados por data de veiculação.

Bruxa cantora é a estrela de novo conto de J. K. Rowling

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Publicado por Folha de S.Paulo

A escritora britânica J. K. Rowling publicou mais um conto no site “Pottermore“, dedicado ao universo criado por ela em sua saga de livros de sucesso, “Harry Potter”. Dessa vez, a personagem principal é uma bruxa cantora, Celestina.

O nome da bruxa é mencionado diversas vezes nos livros de Potter, mas ela nunca aparece de fato.

Num texto de 500 palavras, Rowling esclarece um pouco sobre a vida da bruxa, considerada uma “sensação internacional da música”. A escritora fala um pouco do início da carreira de Celestina, de seus pontos altos e da vida pessoal da artista fictícia.

A escritora britânica J. K. Rowling, em imagem feita em Londres, em setembro de 2012 - / Lefteris Pitarakis/Associated Press

A escritora britânica J. K. Rowling, em imagem feita em Londres, em setembro de 2012 – / Lefteris Pitarakis/Associated Press

Além da história, há também um arquivo de áudio, o primeiro do site. Trata-se da faixa “You Stole my Cauldron but You Can’t Have My Heart” (em tradução livre, você roubou meu caldeirão, mas não pode ter meu coração).

A música foi gravada por Celestina Warbeck and the Banshees, banda que se apresenta ao vivo todo dia na atração Beco Diagonal, do parque The Wizarding World of Harry Potter, em Orlando, nos Estados Unidos.

Rowling já descreveu Celestina no passado como uma de suas personagens “fora dos holofotes” favoritas em toda a saga. O nome da cantora é inspirado no de uma ex-colega da autora, com quem ela trabalhou na Anistia Internacional, em Londres.

8 livros eróticos para quem curtiu “50 Tons de Cinza”

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Romances eróticos fazem sucesso nas livrarias! Veja algumas opções mais que calientes 😉

Publicado no Guia da Semana

  • "História de O"

    “História de O”/Créditos: Reprodução

O bestseller 50 Tons de Cinza, da escritora inglesa Erika Leonard James, despertou nos leitores, principalmente nas mulheres, a vontade de procurar romances eróticos nas prateleiras das livrarias.

Isso ocasionou um corre-corre nas editoras, que desenterraram obras de anos atrás e ainda incentivaram autores da nova safra a escrever sobre o tema.

Se você é fã de romances eróticos, nós separamos alguns livros que certamente vai fazer sucesso na hora de dormir 😉

Juliette Society – Sasha Grey

A ex-estrela pornô Sasha Grey encabeça no universo literário erótico em “Juliette Society”. A história fala de um de clube secreto que tem poderosos da sociedade como integrantes .

Delta of Venus – Anaïs Nin

Publicado pela primeira vez em 1978, o livro reúne contos escritos durante a década de 1940 e transita por vários temas sexuais. Uma curiosidade é que este livro foi encomendado por um cliente que usava o codinome “colecionador”. Esse cara era conhecido por  outros escritores por encomendar ficção erótica para seu consumo privado.

A Vida Como Ela É – Nelson Rodrigues

O autor não é classificado como um escritor erótico, mas suas crônicas são repletas de adultério, pecado e desejos. Não só “A Vida Como Ela É”, mas diversas obras de Nelson Rodrigues giram em torno do prazer e da moral.

A História de O – Anne Desclos

Neste romance erótico, Anne Desclos usa o pseudônimo Pauline Réage. O livro foi publicado em 1954, na França e conta a história de uma mulher livre e independente que se torna escrava sexual de seu amante René e outros homens.

Trópico de Câncer- Henry Miller

Foi publicado em 1934 e por seu considerado um conteúdo pornográfico e obsceno ficou proibido nos EUA até 1961. O livro é o resultado da experiência da vida boêmia do escritor durante uma temporada em Paris, em que se deitava com prostitutas e mulheres solitárias.

Coisas Eróticas – Denise Godinho e Hugo Moura

A dupla de jornalistas fala sobre a primeira produção pornográfica brasileira, de como o filme “Coisas Eróticas”, do italiano radicado em São Paulo Raffaele Rossi, foi um marco no fim da pornochanchada e alavancou a produção de filmes “pornô por pornô” no Brasil.

Minha Vida, Meus Amores – Henry Spencer Ashbee

O escritor inglês Henry Spencer Ashbee colecionou histórias de erotismo e pornografia. Essa biografia fala sobre sua vida rodeada por mulheres e diferentes experiências amorosas com elas.

Justine – Marquês de Sade

É um clássico das histórias eróticas. Escrito por Marquês de Sade, que é conhecido por seus contos repletos de sexo, a obra aborda a vida de uma moça ingênua e defensora do bem que se envolve em crimes e depravações. Se você se interessar mais sobre Marquês de Sade veja o filme “Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000), do diretor Philip Kaufman.


Concurso Cultural Literário (6)

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meu amigo jesus

Nikolaj tem apenas 13 anos quando perde os pais em um acidente de carro na Dinamarca, ficando aos cuidados de sua irmã, Sis, sete anos mais velha. Com o tempo, o pesado fardo de tomar conta do irmão problemático fica insuportável, mas ele, mesmo já adulto, não consegue suportar a ideia de perder a proteção da irmã. E vai a extremos para chamar sua atenção, colocando em perigo a própria vida e a de quem está à sua volta.

Filhos da maior estrela de rock do país, amada por milhares de fãs, eles recebem uma grande herança, que os deixa ricos. Mas o dinheiro nunca compensará a enorme dor da perda. Um dia, abalado, chega em casa e encontra um desconhecido sentado no sofá. É um motociclista corpulento e barbudo, que parece imune às ameaças de Nikolaj. Diz se chamar Jesus Cristo e o aconselha a limpar seu passado e a ajudar algumas pessoas para que tenha uma vida melhor. Curiosamente, mesmo sem saber quem é aquele estranho, no auge do desespero o jovem acaba aceitando sua ajuda e suas orientações incomuns. E as consequências são surpreendentes…

Uma inusitada tragicomédia sobre confiança e amizade, e sobre como as ações individuais ditam a vida de quem nos cerca. Arrebatador.
Financial Times

Um livro de estreia engraçado, destemido, absurdo, caótico, mas que é, por mais estranho que pareça, uma afirmação da vida. Uma obra surpreendente.
The Guardian

Husum explora uma ideia, já fora de moda, de aceitar o que outra pessoa quer que você faça. E mostra como isso, em uma época de individualismo, talvez seja a melhor coisa que alguém possa fazer.
Herald Tribune

Uma história frenética, num clima para lá de bizarro e repleta de humor negro.
Big Issue

Uma narrativa efervescente, de estilo despojado, e centrada em personagens que são às vezes chocantes e muitas vezes sinistros, mas de um jeito bem engraçado.

Mais um concurso cultural para quem curte ler bons livros.

É bem simples participar: descreva em no máximo duas linhas qual a característica de Jesus Cristo que o mundo mais precisa atualmente.

O resultado será divulgado no dia 30/8 às 17h30 aqui no post e no perfil do twitter @livrosepessoas.

Boa sorte? 🙂

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Parabéns aos ganhadores: Taiza A. B. Silva, Ronara e Márcio Trevisan

Sasha Grey vem ao Brasil em agosto lançar seu primeiro livro

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Em “Juliette Society”, Sasha narra a história de uma jovem estudante que se envolve com um clube secreto cujo objetivo é simplesmente o sexo

Publicado no Portal O Dia

Se um romancista precisa conhecer bem um tema para convencer um leitor de que aquela história é real, a estrela americana Sasha Grey (foto abaixo) pode ficar tranquila quanto a seu primeiro livro.

Em “Juliette Society”, romance erótico que será lançado no Brasil em agosto pela editora Leya, Sasha narra a história de uma jovem estudante que se envolve com um clube secreto cujo objetivo é simplesmente o sexo. Ela dedica, por exemplo, uma página inteira para descrever uma felação, inclusive com direito a um sugestivo “aahh” na última linha.

“Juliette Society” é o primeiro livro de Sasha, uma bela jovem que ficou famosa na indústria pornô por ter estrelado 271 filmes entre seus 18 e 23 anos, sem pudores, em papéis que lhe renderam prêmios como a de melhor cena de sexo grupal (troféu dividido com mais 17 atores e atrizes), a de melhor cena de sexo oral e outros cuja descrição é inapropriada para um jornal sem restrição de idade. Aos 25 anos, Sasha certamente já teve relações com um número maior de pessoas do que a quantidade de amigos que a maioria de nós tem no Facebook.

Mas, aos poucos, ela passou a atuar em outras frentes: atuando em filmes em Hollywood, como “Confissões de uma garota de programa” (2009), de Steven Soderbergh, lançando a banda experimental aTelecine e, agora, enveredando pela literatura. O romance, sobre o qual ela falou em entrevista por telefone, trará Sasha ao Brasil, entre 19 e 25 de agosto.

Em sua carreira, você parece sempre estar perseguindo novos projetos. Você só tem 25 anos, mas já se tornou uma conhecidíssima atriz pornô, fez filmes em Hollywood, lançou uma banda e agora está publicando um livro. Existe um limite?

Eu acho engraçado pensar nisso. Pouco antes de deixar a indústria pornô, lancei minha própria produtora, para dirigir e produzir meus próprios filmes pornô. Mas foi o maior fracasso da minha carreira. Então aprendi que existe uma separação entre projetos criativos e projetos comerciais. Quando há muito dinheiro envolvido, as coisas são mais difíceis, você nunca sabe o que pode acontecer. Mas, pensando em trabalhos artísticos, sim, eu acho que posso fazer qualquer coisa. Nada me faz parar.

O quanto de “Juliette Society” é baseado em suas próprias experiências?

Alguns dos cenários sexuais que eu descrevo vieram de experiências que eu tive, e tenho certeza de que os fãs mais fiéis vão identificar esses cenários. Mas também há muita coisa no livro que é baseado em histórias que ouvi e li. É uma combinação.

(mais…)

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