Contando e Cantando (Volume 2)

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3 motivos para ler sempre

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Fonte: Shutterstock

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Perceba como é que ler sempre pode beneficiar a sua memória, a sua concentração e até mesmo reduzir o stresse

Publicado no Universia Portugal

Desde muito pequenos que a leitura está presente nas nossas vidas. Depois, quando chegamos à escola, aproximamo-nos cada vez mais dos livros, que nos levam a mundos fantásticos e que nos ensinam um pouco mais sobre a nossa língua e a nossa cultura. Na universidade, continuamos imersos na leitura, seja através de conteúdos técnicos ou de literaturas especializadas, seja através de leituras mais pessoais, como a ficção ou um romance.

No entanto, quando chegamos à vida adulta a rotina sempre apressada e a falta de tempo obrigam-nos por vezes a deixar de lado o hábito da leitura. Apesar disso, é importante reservar algumas horas por dia para se dedicar aos livros, já que a leitura traz inúmeros benefícios ao nosso dia a dia. A seguir, confira 3 motivos para continuar a ler sempre:

1. Concentração total

Ao ler um livro é preciso estar atento ao enredo, aos personagens e aos detalhes da história. Exercitar essa atenção de forma contínua ajuda a melhorar a capacidade de concentração em diversas outras tarefas.

2. Memória afiada

A leitura é uma forma certeira de treinar a memória, já que temos que decorar nomes de personagens, lugares e todos os outros detalhes dos enredos. Se quiser aumentar ainda mais o treino do cérebro, a dica é ler mais do que uma história ao mesmo tempo. Com o passar dos dias, vai sentir a diferença na sua capacidade de memorização.

3. Chega de stresse

Uma das maneiras mais eficazes de reduzir o stresse é apostar em atividades que afastam a mente dos problemas e da ansiedade. A leitura é um desses hábitos e uma verdadeira aliada na luta contra o nervosismo. Assim que chegar da escola, do trabalho ou da universidade, reserve algum tempo para ler uma revista, livro ou website. O importante é que escolha um tema do seu interesse e que desligue completamente a mente da rotina.

4. Mais conhecimento

Não importa o tema das leituras que faz, este simples hábito é sem dúvida capaz de lhe ensinar sempre alguma coisa diferente. Quando lemos revistas, biografias e livros sobre factos históricos adquirimos um tipo de conhecimento essencial para o entendimento do mundo. Por outro lado, as ficções e livros de ficção ajudam a melhorar a escrita, pois costumam ter textos de linguagem mais complexa, e também estimulam a criatividade.

Livros para colorir, a falta de tempo e nossas mentiras sinceras

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Rodrigo Casarim, no UOL

Os livros para colorir estão em alta. Títulos como “Jardim Secreto”, “Floresta Encantada” e “Fantasia Celta”, somados, já venderam milhões de exemplares, aparecem com destaque impressionante em livrarias e atingem um número cada vez maior de pessoas. O sucesso é tanto que começou até a faltar lápis de cor em diversas papelarias – já mostramos isso aqui no UOL.

Como não poderia deixar de ser, a febre também veio acompanhada de polêmicas. Alguns alegam que ficar pintando desenhos seja coisa para criança, outros debatem se a atividade realmente possui poder terapêutico – muitos pintores garantem que colorir é um momento quase sempre solitário, introspectivo e desconectado da tecnologia, o que funciona como uma terapia. Importantes figuras do mercado editorial discutem se essas obras devem ou não figurar na lista dos mais vendidos, espaço que já dominam há algum tempo. Posso até ter uma opinião ou outra sobre esses assuntos, mas nada muito definitivo.

O que tenho certeza é de como muitas pessoas que até outro dia diziam não ter tempo para nada – e usavam essa desculpa para justificar a falta de leitura – encontraram espaço em suas agendas nem tão concorridas assim para passar duas, três, seis, dez horas semanais pintando. Até outro dia não tinham tempo sequer para ler um micro conto, mas agora acham quase todos os dias algum período ocioso para usar seus lápis de cor.

Quantos não passam boa parte de suas horas assistindo televisão ou navegando a esmo pela internet e, depois, alegam não ter tempo? Hoje pega até mal dizer que tem algum tempo sobrando. Estar sempre correndo e estressado virou um sinal bem estúpido de status. Daí que essa suposta falta de tempo serve como uma desculpa perfeita para não fazermos aquilo que não gostamos. Contudo, muitas vezes fica feio dizer “não leio porque não gosto”, então diversas pessoas garantem não ler apenas pela falta de tempo.

Só que aí aparece uma atividade que lhes atrai e que, ironicamente, chega exatamente por meio de um livro, o que deixa a situação apenas mais caricata. Antes essas pessoas não liam um livro por falta de tempo, mas agora arrumaram algumas horas semanais para pintar… um livro! Continuam não tendo tempo para mais nada, mas se algum outro modismo aparecer, realocam suas agendas para que consigam fazer o que realmente querem.

Não vou dizer que deveriam deixar de pintar – ou de assistir tevê, navegar na internet, empinar pipa, ficar olhando passarinhos… – para ler. Cada um faz o que quer da vida. Quero apenas mostrar que a falta de tempo não pode servir de desculpas. Sempre arrumamos tempo para aquilo que nos interessa, sempre, desde que nos interesse de verdade. No Canto dos Livros, meu antigo blog, já havia escrito sobre como o preço dos livros servia como desculpa para aqueles que não queriam ler; a falta de tempo é outra dessas desculpas, talvez a mais utilizada atualmente, mas também não se sustenta.

Não quer ler? Não leia! Mas não fique inventando lorotas. Falta tempo? Além de que o tempo não para, Cazuza também cantava que mentiras sinceras lhe interessavam. Todos nós temos nossas mentiras sinceras, o problema é quando elas nos servem de muletas.

Febre colorida

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Especialistas comprovam os efeitos terapêuticos dos livros para pintar, maior fenômeno editorial recente que tem conquistado cada vez mais adultos

Paula Rocha, na IstoÉ

Em uma movimentada livraria na cidade de São Paulo, duas clientes na faixa dos quarenta anos discutem por causa de um livro. “Esse é o último exemplar e eu preciso dele”, diz uma delas. No que a outra responde “mas eu também preciso”, enquanto um vendedor tenta acalma-las. O motivo do debate não é o recém-lançado “Philia”, de Padre Marcelo Rossi, ou o novo “Ansiedade”, de Augusto Cury, ambos na lista dos mais vendidos no País, mas sim uma singela obra praticamente sem frases e com 96 páginas ilustradas em preto e branco. Trata-se do título “Jardim Secreto” (Editora Sextante), um livro com desenhos para serem coloridos por adultos. Desde que foi lançada no Brasil, em dezembro de 2014, a obra vendeu mais de 600 mil cópias e motivou o surgimento de dezenas de títulos similares, em um fenômeno literário que surpreende editoras e leitores e que já ganhou ares de febre.

REFÚGIO Helena Sordili usa o livro "Jardim Secreto" para relaxar e esquecer os problemas

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Helena Sordili usa o livro “Jardim Secreto” para relaxar e esquecer os problemas

 

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Pode reparar. Há cerca de um mês, redes sociais como Instagram e Facebook foram invadidas por fotos de desenhos coloridos, feitos especialmente por mulheres entre 34 e 54 anos de idade. “Nós sabíamos do sucesso do livro na Europa e nos Estados Unidos, mas nunca imaginamos que a repercussão no Brasil tomasse proporções tão gigantescas”, diz Nana Vaz de Castro, gerente de aquisições da Sextante. Em abril, a editora lançou no País o título “Floresta Encantada”, de Johanna Basford, mesma autora do “Jardim Secreto”, e a venda desses itens explodiu. “Aqui no País, o ‘Jardim’ já está indo para a 14ª reimpressão, enquanto o ‘Floresta’, desde a Páscoa, já vendeu 400 mil exemplares”, diz Nana. E assim como acontece com seu predecessor, o segundo livro de colorir mais vendido do Brasil tem sumido das prateleiras das livrarias com velocidade impressionante. “A enorme procura por esses produtos pegou o mercado editorial de surpresa”, diz Thiago Oliveira, coordenador comercial de livros nacionais da Livraria Cultura. “Quando chegam, acabam muito rápido e as editoras estão tendo de produzir mais para suprir a demanda.”

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Um dos motivos que explicariam a popularidade dos livros de colorir para adultos é o fato de eles proporcionarem uma espécie de desintoxicação do mundo virtual. “É uma forma de me desconectar. Para colorir, saio da frente do computador e do celular”, conta a designer e blogueira Helena Sordili, de 38 anos, que foi pega pela febre multicolorida há cerca de dois meses. Outra qualidade muito atribuída aos livros é seu caráter anti-estresse, apesar das brigas geradas pelos exemplares. “Quando estou pintando, entro numa espécie de transe. Esqueço os problemas e nem escuto as pessoas a minha volta”, diz Helena. Sensação que pode ser alcançada com outras atividades ocupacionais, acredita Selma Ciornai, psicóloga e fundadora do curso de arte-terapia do Instituto Sedes Sapientiae. “Assim como uma terapia ocupacional, o ato mecânico de colorir exige concentração e esvazia a mente, proporcionando um estado mais relaxado e meditativo”, diz.

MANIA Ivonete já gastou R$ 1 mil em materiais e aguarda a chegada de mais lápis de cor

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Ivonete já gastou R$ 1 mil em materiais e aguarda a chegada de mais lápis de cor

Mas, assim como a discussão entre as mulheres do início da reportagem, nem tudo são flores para os leitores dos livros de colorir. Para a corretora de móveis Ivonete Nogueira da Silva, de 50 anos, apesar do apelo anti-estresse, os títulos podem estressar muita gente que não consegue pintar como gostaria. “As empresas não estavam preparadas para essa loucura. Há um mês comprei pela internet uma caixa de lápis de cor com 72 cores que não chegou até agora”, diz Ivonete, que calcula já ter gasto cerca de R$ 1 mil em materiais para colorir. Segundo informações da Faber-Castell, a busca por lápis de cor no País quintuplicou em abril, em relação ao mesmo período do ano passado. “Nossa prioridade hoje é atender a essa forte demanda e normalizar os estoques nos pontos de vendas”, diz Claudia Neufeld, diretora de marketing da Faber-Castell. Segundo Ibraíma Dafonte Tavares, editora executiva da Editora Alaúde, que está prestes a publicar mais dois títulos do nicho, a mania dos livros de colorir dá sinais de que deve continuar. “Eu acho que a tendência continua este ano. O fato é que as pessoas ficam verdadeiramente felizes colorindo esses livros”, diz. Depois de conseguirem comprá-los, é claro.

Fotos: João Castellano/ Ag. Istoé; Thiago Bernardes/Frame

Livros para colorir viram moda entre adultos que querem relaxar

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As amigas Fernanda Antunes, 26, e Elaine Lucas, 28, utilizam livros de colorir que compraram

As amigas Fernanda Antunes, 26, e Elaine Lucas, 28, utilizam livros de colorir que compraram. Fabio Braga/Folhapress

Gabriela Malta e Gabriela Alves, na Folha de S.Paulo

Há pouco mais de uma semana, capturadas pelo tédio, a biomédica Fernanda Antunes, 26, e a psicóloga Elaine Lucas, 28, resolveram ir à livraria. Saíram de lá com um livro que não continha muitas palavras, mas muitas imagens para colorir.

Desde então, elas estabeleceram uma competição para ver quem conseguia terminar de colorir primeiro. Por enquanto, Elaine está na frente.

Esses livros para adultos colorirem encontraram um espaço inusitado nas prateleiras das livrarias e viraram moda entre pessoas de diversas idades, que publicam as suas “obras” em redes sociais como o Instagram.

“Eu comprei o livro porque gostava de pintar quando era pequena, e fazer coisas que lembram a infância trazem uma sensação de leveza”, conta Fernanda, que agora diz ter o que fazer “em um domingo entediante”.
Além disso, diz ela, ter o livro era um ótimo pretexto para comprar uma caixa com muitos lápis de cor.

O mecanismo “antiestresse”, segundo a psicóloga Maria Olímpia Saikali, não tem nada a ver com a regressão à infância, porém. Ela explica que o processo de se envolver em alguma atividade prazerosa leva à produção de endorfinas e, consequentemente, à redução do estresse.

Para Elisa Kozasa, pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein, uma pessoa ocupada em terminar a pintura do livro não se concentra nas preocupações incômodas do dia a dia.
“Você está no controle daquela atividade que está fazendo, escolhe as cores que são agradáveis para você, e seu cérebro fica focado nisso”, afirma ela.

Elaine está de acordo. “É gostoso ver o desenho em branco e ir preenchendo. É bom fazer uma atividade sem a pressão que todas as responsabilidades do dia a dia exigem”. Além disso, ela diz sentir especial prazer ao terminar a pintura e contemplar a sensação de missão cumprida.

O livro que Elaine e Fernanda colorem é baseado na fauna e flora da Escócia e se chama “Jardim Secreto”. Criado pela ilustradora daquele país Johanna Basford e publicado no Brasil pela Sextante, a obra, de 96 páginas, já vendeu mais de 1,5 milhão de cópias no mundo e de 100 mil por aqui.

No mesmo nicho, outros livros para colorir trazem de mandalas (“Mandalas Mágicas”, da Vergara & Riba), mitologia (“Fantasia Celta”, da editora Alaúde) e, bom, até sexo em grupo (“Suruba para Colorir”, da Bebel Books). A maioria dos livros custa por volta de R$ 30.

Os desenhos já vêm impressos nas páginas e cabe à pessoa preenchê-los com as cores que desejar.

“É um lazer diferente do que fazer um curso de desenho e pintura, porque aprender a desenhar é mais difícil. Demora um tempo para que a pessoa tenha traços firmes e coerentes. No livro, o desenho já vem pronto e a pessoa se dedica a colori-lo. Mesmo alguém que não tenha tantas habilidade artísticas consegue se surpreender com a qualidade do trabalho que executou”, diz Kozasa.

Além disso, trata-se de uma fonte de lazer que não envolve computadores ou celulares. É um prazer mais lento: “A pessoa se dá um tempo maior do que dois minutos para fazer alguma coisa”.

Mas a surpresa pode não ser positiva para todos. Dependendo da personalidade da pessoa, dizem os especialistas, se ela enxerga o livro mais como desafio do que como lazer, pode haver mais frustração do que relaxamento.

Outra angústia pode ser começar a se sentir pressionado pela beleza das pinturas das outras pessoas –especialmente quando elas ficam se exibindo na internet.

Colorir livros vira alternativa entre leigos para tratarem emoções

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"É como terapia, desliga minha mente e as cores despertam prazer", Fernanda Perez Marinho, supervisora de loja

“É como terapia, desliga minha mente e as cores despertam prazer”, Fernanda Perez Marinho, supervisora de loja

Livros de Johanna Basford são sucesso, mas profissionais alertam que exercício sozinho não resolve o problema

Tetê Monteiro, no Saúde Plena

“Colorir revela meu lado criativo, desliga a minha mente e as cores despertam prazer. É como uma terapia.” A afirmação de Fernanda Perez Marinho, de 28 anos, supervisora de loja, faz coro a milhares de outras vozes, de pessoas que descobriram no vaivém dos lápis de cor cura para os males do corpo, da alma e da mente. Febre nas prateleiras das livrarias, os livros Jardim secreto e Floresta encantada, ambos de Johanna Basford, com a sugestiva frase nas capas “Caça ao tesouro antiestresse”, viraram referência para aliviar problemas e transtornos emocionais. E, de certa forma, vão ao encontro da linha defendida pelo terapeuta ocupacional Rui Chamone Jorge (1941- 2013). O tratamento chamoniano – ainda usado por seus seguidores nas sessões de psicoterapia – propõe prevenir, tratar, curar e reabilitar pacientes por meio de atividades livres e criativas.

Nos consultórios, porém, o colorir ganha um realismo mais técnico e científico. “Colorir é um passatempo, uma atividade relaxante, antiestresse e benéfica. Pode ser terapêutico desde que esteja associado a um contexto de tratamento”, explica a terapeuta ocupacional Ana Luiza Cesar Viana. Ela alerta ainda que, quando o paciente apresenta um adoecimento, como depressão, é preciso aliar o conteúdo artístico com outras intervenções clínicas. “Por isso o colorir não pode ser usado como panaceia, ou seja, um remédio para todos os males. Ele, sozinho, não resolve o problema”, defende.

Fernanda, que já fez terapia, inclusive em grupo, concorda que os livros de colorir são passatempo, mas considera que esse momento relaxante pode ajudar pessoas como ela – “ansiosas” – a evitarem impulsos, como a compulsão alimentar. “Fico praticamente o dia todo em frente a um computador. Quando chego em casa à noite, quero descontar na comida. Então, depois que comprei o livro, faço um lanche e passo mais de uma hora colorindo. Esvazio a mente. É um processo criativo, que me faz desligar do cansaço do dia a dia e ainda me afasta desta overdose digital que estamos vivendo.”

Para Ana Luiza, em casos como o relatado por Fernanda, colorir pode sim ajudar, pois é considerado atividade relaxante. Além disso, segundo a terapeuta ocupacional, contribui para a construção da identidade. “O ser humano necessita criar, se expressar. A atividade artística traz a pessoa para dentro de si. Com a cor e ferramentas que usa, ela constrói o que quer fazer e coloca para fora um olhar novo sobre si mesma. Esta consciência é que ajuda a pessoa a transformar a si mesma”.

AFASTAMENTO DIGITAL A terapeuta corrobora com o afastamento digital que Fernanda cita. “É uma ótima ideia para tirar as pessoas do computador, dessa frieza e da alienação que a virtualidade excessiva está construindo.” Para ela, o trabalho manual com lápis de cor ainda aproxima as pessoas da estética. “Não existe o bem sem o belo”, diz Ana Luiza.

Fernanda não segue uma rotina para colorir seus livros. Depende do dia. Mas é nas cores que ela também se encontra, inclusive estreitando mais os laços com a mãe, Leda, de 69, que é companheira da filha na atividade artística. “Voltei ao tempo quando fui comprar os lápis de cor, me senti criança. Foi muito bom. Gosto de usar todas as cores. Minha vida está colorida”, brinca.

Ana Luiza explica que entrar em contato com as cores é automaticamente entrar em contato com as emoções. “Identificamos sentimentos com cores. Por isso dizemos: ‘Fiquei vermelho de raiva’, ‘Meu coração está cinza’”. Deixando a filosofia do simbolismo de lado, a terapeuta ocupacional volta a lembrar a ‘função’ do colorir: distrair, relaxar, construir o belo, voltar-se para si, meditar, criar. “Pode ser um bom remédio para o cansaço e a vida moderna.”

Palavra de especialista: Gilda Paoliello, psiquiatra e psicanalista

Poder apaziguador

“Perguntada, assim de chofre, se colorir faz bem à saúde mental, me veio logo à mente a imagem de Aninha, minha netinha de 4 anos, que passa horas a fio colorindo princesas e seus castelos, feliz da vida. E o que faz bem às crianças, é claro, faz bem a todos. Atividades lúdicas neste mundo robotizado são muito bem-vindas, e a psiquiatria sabe disso. O recurso da criatividade do desenho e do colorir é, há muito, utilizado pela terapia ocupacional e arte-terapia. São atividades que têm poder organizador e apaziguador para nosso mundo interior. O uso das cores como recurso terapêutico é também instrumento diagnóstico, muito usado em testes psicológicos, sendo um espelho de nossa vida interna, por meio de processos identificatórios. Colorir ativa diferentes áreas cerebrais, ligadas à criatividade, além de relaxar áreas que controlam as emoções. Como qualquer outro recurso terapêutico, o uso do colorir não é aplicável a qualquer quadro. Nos quadros de agitação, ansiedade muito forte ou depressão paralisante, a pessoa não terá capacidade de introspecção ou de abstrair-se de suas angústias para usufruir do prazer de desligar-se do mundo por meio das cores. Mas nada é remédio para tudo…”

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