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Ex-aluno da rede pública fará Fuvest para atuar na melhoria da educação

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Paulo Henrique de Lima é bolsista de escola particular de São Paulo.
Prova da primeira fase da Fuvest vai ser neste domingo (30).

Vanessa Fajardo, no G1
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Paulo Henrique de Lima, de 18 anos, é um dos 141.888 candidatos inscritos para a prova da primeira fase da Fuvest que ocorre neste domingo (30). Ele tentará uma vaga no curso de economia para no futuro trabalhar na área da educação, seja na esfera pública ou no mundo corporativo. O candidato fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o vestibular da Unicamp e ainda prestará Insper e Fundação Getulio Vargas.

A vontade de ajudar a melhorar a educação do Brasil é reflexo da própria história de Paulo Henrique. Ele só deixou a rede pública de ensino no segundo ciclo do ensino fundamental porque foi aprovado em uma seleção acirrada que garantiu uma bolsa de estudo em uma escola particular, a Santo Américo, em São Paulo, por meio do Ismart – instituição que apoia jovens de baixa renda com excelente desempenho acadêmico.

Na escola particular mescla o terceiro ano do ensino médio com o cursinho pré-vestibular e sente mais preparado para encarar a maratona de provas. “A educação é o único meio para mudar de vida e sair da mesmice, pois permite a evolução das pessoas”, diz.

Antes de efetivar a matricula na escola Santo Américo, Paulo passou por uma fase de adaptação em que teve de conciliar as aulas na rede pública e na particular ao mesmo tempo. Mas como sempre foi muito dedicado, diz que não problemas com o desempenho escolar.

“As minhas maiores dificuldades foi em relação ao ambiente. As pessoas tinham coisas que eu nunca tinha visto, foi um choque no início. Os três ou quatro meses iniciais foram mais problemáticos.”

A mãe de Paulo trabalha como auxiliar de limpeza, mas atualmente está afastada por problemas de saúde, o pai é autônomo. Apesar de não terem conseguindo chegar à faculdade, sempre incentivaram os filhos a estudar. Paulo tem um irmão de 16 anos. “Eles sempre deixaram claro que nossa única função enquanto criança era estudar, que o trabalho era por conta deles.”

O jovem gosta de estudar desde criança. Na infância tinha fama de perguntador entre os professores porque não deixava passar nenhuma dúvida na sala de aula. Neste ano, no terceiro do ensino médio, foco o primeiro semestre nas provas da escola para fechar o ano. No segundo semestre, os estudos foram dedicados ao vestibular. Ficava na escola das 8h até as 17h e quando chegava em casa ainda estudava mais duas ou três horas. Aos fins de semana, fazia simulados.

“Me preparei bem, acho que consigo passar. É claro que a concorrência assusta um pouco, mas é um medo bom. Um dos meus maiores problemas é que fico nervoso nas provas. Já cheguei a suar, mas fiz a Unicamp e fiquei tranquilo. Só não sei se vou conseguir manter a calma na Fuvest.”

No primeiro semestre, Paulo praticou natação e atletismo para relaxar. No segundo optou somente pelos treinos de corrida na escola. Outra válvula de escape é astronomia. Quando está muito cansado, procura vídeo ou artigos sobre o assunto para distrair. Ele garante que a atividade o ajuda a descansar.

Nesta reta final da Fuvest, no entanto, vai desacelerar o ritmo dos estudos. “Quero revisar alguns tópicos que não estou muito confiante, principalmente em biologia e português, mas pretendo descansar um pouco.”

Provas começam às 13h
A prova da primeira fase será aplicada neste domingo em 119 escolas (68 na região metropolitana de São Paulo e 51 no interior do Estado). Os portões serão abertos às 12h30 e as provas começam às 13h.

Este ano farão a primeira fase 141.888 candidatos, que disputam 11.177 vagas, sendo 11.057 de cursos da Universidade de São Paulo (USP) e 120 da medicina da Santa Casa. O resultado da primeira fase será divulgado no dia 22 de dezembro. As provas da segunda fase serão realizadas nos dias 4, 5 e 6 e as provas de habilidades específicas nos dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2015.

‘É preciso se dedicar’, diz estudante da rede pública que domina 10 idiomas

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Nascido em Santa Lúcia, João sempre estudou em escolas públicas (Foto: Deivide Leme/Tribuna Impressa)

Nascido em Santa Lúcia, João sempre estudou em escolas públicas (Foto: Deivide Leme/Tribuna Impressa)

Fábio Rodrigues, no G1

 

“Nada é impossível. Se você se dedicar, você aprende”. É dessa forma que o estudante de uma escola pública de Santa Lúcia (SP) João Vitor Martinez de Oliveira, filho de um metalúrgico e de uma dona de casa, explicou a facilidade que tem para aprender idiomas. Além do português, o jovem de 18 anos domina outras nove línguas na leitura e na escrita: espanhol, francês, inglês, italiano, alemão, russo, japonês, coreano e mandarim, língua oficial da China, país onde fará intercâmbio por seis meses a partir de agosto após ser aprovado em um concurso.

Aluno do Centro de Estudos de Línguas (CEL), na Escola Estadual João Manuel do Amaral, em Araraquara, Oliveira sempre frequentou escolas públicas onde aprendeu inglês e mandarim, mas aos 15 anos começou a estudar sozinho em casa. “Eu procurava músicas, textos, vídeos infantis com músicas do alfabeto para saber soletrar certas palavras e fui aprendendo. Depois treinava com amigos nativos que vinham fazer intercâmbio no Brasil, então, eu perguntava como se expressar no idioma deles com gírias como a gente também usa aqui”, relatou o jovem da pequena Santa Lúcia, cidade com 8,2 mil habitantes.

Segundo ele, o mandarim é a língua preferida. “É também a mais difícil, porque não tem alfabeto, é preciso conhecer o ideograma”, contou. A paixão pelo idioma é tão grande que ele foi aprovado em primeiro lugar na região central em um concurso promovido pela Secretaria da Educação do Estado, em parceria com o Instituto Confúcio.

No próximo mês, ele embarca para Nanchang e ficará hospedado por seis meses na Universidade Jiangxi Normal University com tudo pago. O jovem também receberá ajuda de custo no valor de 1,5 mil iuenes, a moeda local (cerca de R$ 500). A única despesa dele será com as passagens aéreas, que custam cerca de R$ 3,5 mil ida e volta. O valor foi pago pelos pais.

Estudante de Santa Lúcia adora mandarim e irá para a China em agosto (Foto: Clausio Tavoloni/EPTV)

Estudante adora mandarim e fará intercâmbio na China em agosto (Foto: Clausio Tavoloni/EPTV)

Dedicação
Filho de um metalúrgico e de uma dona de casa, Oliveira tem uma irmã de 16 anos e outro de 23 e não se considera superdotado. “Tenho força de vontade, só isso. A maioria das pessoas não consegue aprender um idioma por falta de estudo”, explicou o jovem.

Apesar da dedicação, ele disse que estuda apenas uma hora por dia e que prefere conversar com os nativos que vêm ao Brasil aprender português. O contato permitiu que ele aprendesse com os estrangeiros até a cozinhar. “A culinária chinesa é fácil”, relatou.

Expectativa
Com a ajuda da internet, Oliveira frequenta as redes sociais chinesas e disse estar preparado para a nova aventura, apesar da ansiedade. “É um país com uma cultura totalmente diferente, então você tem aquele receio do choque cultural, mas estou confiante de que vai dar tudo certo”, disse.

Quando voltar, ele pensa em prestar vestibular para o curso de letras em alguma universidade pública. Um dos objetivos do estudante é se tornar professor de língua portuguesa na China. O outro é aprender grego.

A mãe do estudante disse que está contente com a novidade, mas triste porque o filho ficará mais de 17 mil quilômetros distante de casa. “Vai dar saudade, preocupação, mas acredito que vai dar tudo certo porque ele é responsável, se esforça, então ele merece”, afirmou a dona de casa.

João conversa conversa com chineses por meio de redes sociais (Foto: Clausio Tavoloni/EPTV)

João diariamente conversa conversa com chineses por meio de redes sociais (Foto: Clausio Tavoloni/EPTV)

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