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Quais são as melhores cidades no mundo para se estudar?

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Além de Montreal (foto), o Canadá tem Vancouver e Toronto na lista

Além de Montreal (foto), o Canadá tem Vancouver e Toronto na lista

 

Publicado no UOL via BBC Brasil

Qual é a melhor cidade do mundo para ser estudante? De acordo com o ranking 2017 das melhores cidades universitárias, realizado pela consultoria britância QS (Quacquarelli Symonds), trata-se de Montreal. A cidade canadense desbancou Paris, que perdeu pela primeira vez em quatro anos a liderança do ranking, ficando em segundo lugar dentre as 100 cidades que fazem parte da lista.

O Brasil aparece no ranking representado por duas cidades: São Paulo (69º) e Rio de Janeiro (94º). A capital paulista caiu seis posições em relação ao último levantamento, de 2016, enquanto o Rio de Janeiro fez sua estreia na lista.

Para entrar no ranking, as cidades devem ter uma população de pelo menos 250 mil habitantes e ser sede de, pelo menos, duas universidades que fazem parte do QS World University Rankings.

O ranking é baseado em um conjunto de parâmetros, como a qualidade das universidades, custo e qualidade de vida, caráter internacional, acesso ao mercado de trabalho e experiência estudantil.

A edição de 2017 ampliou a lista para 100 cidades – no levantamento anterior, foram contempladas 75.
Lista das melhores cidades para ser estudante

1. Montreal (Canadá)
2. Paris (França)
3. Londres (Inglaterra)
4. Seul (Coreia do Sul)
5. Melbourne (Austrália)
6. Berlim (Alemanha)
7. Tóquio (Japão)
8. Boston (Estados Unidos)
9. Munique (Alemanha)
10. Vancouver (Canadá)
69. São Paulo (Brasil)
94. Rio de Janeiro (Brasil)

Destinos alternativos

O Canadá aparece bem classificado em termos de conveniência para estudantes internacionais. Além de Montreal, Vancouver aparece na 10ª posição e Toronto em 11º no ranking. O país tem a vantagem de oferecer cursos em duas línguas: inglês e francês.

O resultado reforça a tese de que o Canadá pode concentrar uma parcela maior do rentável mercado de educação internacional, especialmente diante das incertezas sobre as mudanças nas regras de entrada dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump.

Para Ben Sowter, responsável pela Unidade de Inteligência da QS, a crescente popularidade do Canadá faz parte do aumento de “alternativas para os destinos de estudo tradicionalmente dominantes, tanto na Europa como na América do Norte”.

“O Canadá vai se tornar um ator importante”, prevê Sowter. Segundo ele, o país norte-americano pode atrair estudantes dos Estados Unidos, enquanto o Reino Unido pode perder alunos para a Irlanda, Holanda e países escandinavos.

Um porta-voz da cidade de Montreal confirma que houve um grande aumento no número de estudantes internacionais, especialmente da China, Índia, França e Irã.

Queda de Paris

Paris aparece, por sua vez, como a segunda colocada no ranking. A queda em relação ao levantamento anterior é atribuída ao custo de vida e à diminuição de certos critérios desejáveis, como segurança.

Sowter não acredita, no entanto, que haja uma ligação com os ataques terroristas na capital francesa. Ele afirma que poucas cidades são apontadas nas entrevistas com os alunos como mais atraentes do que Paris.

Segundo ele, os estudantes concordam que não há cidades com “risco zero”, seja Boston, Berlim ou Paris, todas têm mantido seu apelo.
Londres é Londres

Já a terceira cidade mais atraente para os estudantes, segundo o estudo, é Londres.

As instituições de ensino britânicas estão preocupadas, no entanto, com o impacto que o Brexit (saída da União Europeia) pode ter no Reino Unido, fazendo com que seja percebido como um destino menos acolhedor para os estudantes estrangeiros.

Pesquisas recentes de universidades britânicas revelaram uma queda de 7% na candidatura de estudantes da União Europeia.

Ainda não há sinais, no entanto, de um impacto negativo sobre Londres no ranking deste ano, uma vez que a capital do Reino Unido subiu da quinta para a terceira posição na lista.

É importante lembrar que a desvalorização da libra após o Brexit também facilitou o acesso a estudantes estrangeiros em termos financeiros.

As universidades de Londres obtêm alta pontuação devido à qualidade. “Nenhuma cidade possui a variedade e qualidade de universidades como Londres”, diz.

Assim como Boston (oitavo lugar) –que conta com a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e a Universidade de Boston–, Londres e Paris também se beneficiam do grande número de instituições de ensino.

Fortaleza alemã

Além do Canadá, o outro único país com duas cidades no top 10 é a Alemanha, com Berlim, em sexto, e Munique, na nona posição.

O resultado reflete as vantagens financeiras da Alemanha para estudantes estrangeiros, que não pagam sequer taxa de matrícula.
Ásia vem aí

Os países asiáticos – principalmente China e Índia – fornecem o maior número de estudantes estrangeiros.

Mas os países asiáticos também estão atraindo alunos internacionais, com cinco cidades no top 20 do ranking, lideradas por Seul, que subiu para o quarto lugar, e Tóquio, que está em sétimo.

Xangai é a cidade chinesa com a melhor classificação, ocupando o 25º lugar. Já Mumbai (ex-Bombaim) é a primeira cidade indiana na lista, na 85ª posição.

Além de São Paulo (69º) e Rio de Janeiro (94º), outras cidades latino-americanas que aparecem no ranking são: Buenos Aires (42º), Cidade do México (51º), Santiago (62º), Bogotá (73º), Monterrey (76º) e Lima (99º).

O fato é que a competição para atrair estudantes internacionais é um grande negócio. Os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado, e as cifras anuais mostram que, pela primeira vez, mais de um milhão de estudantes estrangeiros se encontram em universidades do país. Apenas a China enviou cerca de 330.000 alunos.

Além dos benefícios que resultam dos contatos transnacionais para pesquisa e da projeção da influência cultural a nível internacional, estima-se que os estudantes estrangeiros contribuam com quase US$ 36 bilhões para a economia dos EUA.

Tudo que você precisa saber para estudar em Portugal

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Custo de vida baixo, excelência acadêmica e idioma em comum. Conheça as vantagens de estudar em Portugal e entenda como se candidatar, seja na graduação ou na pós.

Ruas de Lisboa, Portugal (Foto: Agliberto Lima)

 

Custo de vida baixo, excelência acadêmica e idioma em comum. Conheça as vantagens de estudar em Portugal e entenda como se candidatar, seja na graduação ou na pós.

Publicado na Época Negócios

O pequeno país na “ponta” da Europa virou destino de muitos brasileiros. São vários os motivos que tornaram Portugal o queridinho da vez: o custo de vida reduzido, as vantagens de estudar em universidades europeias, o idioma similar e o clima ameno. Tanto para graduação quanto para a pós, incluindo mestrados acadêmicos e doutorados, as instituições portuguesas são avaliadas como excelentes e apresentam facilidades para brasileiros.

Esse perfil mais amigável não surgiu à toa. Além do histórico dos dois países, que remete aos idos do Brasil colônia, as mudanças na legislação de Portugal e os acordos firmados com o governo brasileiro facilitaram o intercâmbio de estudantes. Por exemplo, com a permissão de processos seletivos alternativos que contemplassem alunos estrangeiros, esse movimento ganhou força. De 2014 para cá, mais universidades portuguesas aderiram à mudança.

Como se candidatar para estudar em Portugal

Quando se trata de graduação, o caminho mais certeiro para os alunos interessados é o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Graças às parcerias firmadas com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), algumas instituições portuguesas aceitam o resultado do teste como requisito único para admitir brasileiros. Esse movimento começou com o pontapé inicial vindo da Universidade de Coimbra, a mais antiga de Portugal, que hoje disponibiliza mais de 600 vagas para brasileiros.

“O que me chamou a atenção foi o nome e a tradição de Coimbra como um todo”, resume a paulista Fabíola Pretel, que começou a graduação em Jornalismo em Coimbra em 2015. Na época, ela conta que a possibilidade de estudar no exterior contando com a nota do ENEM pareceu uma ótima oportunidade, além dos custos baixos no país. Atualmente, diversas instituições adotaram o ENEM como porta de entrada para a graduação, como a Universidade do Algarve, a Universidade de Aveiro e o Instituto Politécnico do Porto (IPP).

Já os candidatos a mestrado e doutorado (ou “doutoramento”, como dizem os portugueses) passam por um processo diferente. Cabe ao aluno interessado reunir documentos como histórico escolar e cartas de recomendação para fazer a application – aos moldes do que acontece em outras instituições europeias. “Eles pediram meu histórico escolar, o diploma, uma carta de motivação, e, ainda, que três pessoas me recomendassem”, explica Ramon Bittencourt Mendes, que cursa o Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico na Universidade do Porto.

Ainda que muitos currículos de pós-graduação sejam oferecidos em inglês, não há exigência de testes padronizados como o TOEFL ou o IELTS na seleção inicial. No máximo, é solicitada uma declaração do candidato sobre sua proficiência no idioma. “Só que, além das aulas, as apresentações dos seminários, os debates e os artigos exigidos por disciplina devem ser todos falados e escritos em inglês”, destaca a doutoranda em Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas Saskya Lopes.

Já o doutorando Jamil Farkatt enxerga, nas exigências do doutorado, uma oportunidade para trabalhar de vez o inglês. “Se você não tiver o idioma na ponta da língua, mas um currículo bom e muita vontade de aprender, consegue se desenvolver bem”, diz ele, que estuda Engenharia e Gestão Industrial na UPorto.

Cabe ao estudante, portanto, ficar atento às exigências específicas de cada instituição, disponíveis nos sites oficiais. Em casos como o da Universidade do Porto, por exemplo, cada candidato deve também enviar aos professores do departamento de interesse pedidos para orientação da tese.

Porto, Portugal (Foto: Wikimedia Commons)

Porto, Portugal (Foto: Wikimedia Commons)

 

Como conseguir um intercâmbio

Para quem não pretende fazer uma etapa inteira da formação em terras portuguesas, outra opção é a do intercâmbio acadêmico. Há diversas bolsas para graduação, como as oferecidas pelo banco Santander, a exemplo das Bolsas Ibero-Americanas. Para esse tipo de programa, cabe à universidade brasileira conveniada selecionar os alunos que são elegíveis ao intercâmbio – de acordo com processos internos.

Já entidades como a Capes (Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) também lançam editais para doutorados-sanduíche, que incluem um período determinado em universidades portuguesas combinados à experiência no Brasil.

Quais são os custos com anuidade

Quando se trata de anuidade (ou “propina”, como é chamada por lá), os valores podem variar de acordo com a instituição de ensino e os acordos firmados com o Brasil. Algumas delas estabelecem valores menores para os países lusófonos, como é o caso da Universidade do Porto. Também há diferença para os níveis de formação, como é o caso dos custos para graduação e pós-graduação. Na Universidade de Coimbra, famosa por concentrar mais estudantes brasileiros, a mensalidade sai por 700 euros.

“O que eu aconselharia é tentar verificar qual a universidade na qual a sua área tem mais relevância, escolher a melhor e buscar financiamento”, opina Jamil Farkatt, que conseguiu uma bolsa Erasmus, depois de se formar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Pagar por si próprio vale a pena, também. Em comparação às universidades mais conceituadas e privadas no Brasil, uma pós-graduação aqui sai muito barata”, complementa.

Em média, a candidatura sai por 50 euros – com taxas extras para quem deseja fazer cursos que necessitem de exames de aptidão física.

Quais as vantagens, então, de estudar em Portugal

Por um custo baixo e com um processo de candidatura simplificado, Portugal oferece uma experiência acadêmica consistente. Em outras palavras, bons professores e boas oportunidades para os alunos. Como a baiana Saskya Lopes explica, as universidades investem na internacionalização. “Há sempre a possibilidade de estar em contato com pesquisadores de todo o mundo, de conhecer a perspectiva sobre seu tema nos mais diferentes lugares, seja em palestras ou discussões no café com os colegas”, ela explica, destacando sua experiência em Coimbra.

“Portugal hoje é um país com universidades muito boas, reconhecidas lá fora. Nomeadamente, a de Lisboa e a do Porto se destacam em tecnologia”, aponta Jamil Farkatt. No caso dele, a ideia era a aproveitar a oportunidade na Europa para pesquisar energia eólica. “Temos aqui a oportunidade de trabalhar com docentes portugueses que têm experiência nos EUA, em Londres… O corpo docente português é um corpo docente top class”, resume.

A história desta senhora de 65 anos que frequenta sala de aula com crianças de seis anos vai te emocionar

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Publicado no Hypeness

As vezes as pessoas perdem oportunidades de realizar sonhos e deixam de fazer coisas importantes por acreditarem estar ‘muito velhas’. A verdade, no entanto, é que não existe um limite de idade para fazer o que temos vontade. Um ótimo exemplo disso é Juscelina Maria Cruz Madalena, a Dona Nena, de Foz do Iguaçu, PR.

Aos 65 anos ela cursa o 1º ano do ensino fundamental ao lado de 22 crianças que tem entre seis e sete anos de idade na Escola Municipal Monteiro Lobato. Na infância ela foi proibida de estudar pelo pai, que precisava da ajuda dela na lavoura, e depois pelo marido, mas ela nunca desistiu do sonho de aprender a ler e escrever.

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Já separada e tendo o apoio dos filhos, ela finalmente tomou coragem e começou a frequentar a escola.

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A história de Dona Nena viralizou após ser publicada na página do Facebook ‘Que História é Essa?’ pela jornalista Izabelle Ferrari. Ela soube do fato através de seu primo João Vitor, de seis anos, que é colega da idosa na escola. Sua curiosidade a fez querer conhecer Dona Nena e foi o que fez.

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O resultado do encontro com Dona Nena foi narrado no post que teve mais de 28 mil curtidas e centenas de comentários de pessoas que se emocionaram com o relato.

Leia o post divulgado nas redes sociais na íntegra:

“- “João…” – eu, falando com meu priminho de seis anos.
– “Ã?”
– “É verdade que você tem uma coleguinha de 65 anos na sala de aula?”
– “Sim” – ele está no 1º ano do ensino fundamental.
– “Ah, é?”
– “É a dona Nena.”
– “E como ela é?”
– “Velha.”
– “Humm… e o que ela fica fazendo na sala?”
– “Escrevendo o que a professora põe no quadro.”
– “E por que será que ela faz isso, João?”
– “Ela quer saber ler.”
Quando uma história dessas chega ao meu ouvido soa como provocação.
Fui conhecer a dona Nena.
Escola Municipal Monteiro Lobato. Bairro Porto Belo, Foz do Iguaçu. 1º ano do ensino fundamental ou primário, como preferir. Dona Nena está sentada na última carteira. Ao redor dela 22 alunos com idades entre seis e sete anos. Ela: 65.
– “Posso falar um pouquinho com a senhora?” – perguntei.
– “Claro, minha filha!”
Negra, lenço colorido na cabeça, sorriso a cada meio minuto…
– “Por que a senhora está vindo pra escola?”
– “É que quando eu era criança, meu pai não me deixou estudar, né? Só trabalhar na lavoura. Nós chorava, mas ele dizia que menina muié não precisava estudar, não. E a minha mãe dizia que estudar servia só pra escrever cartinha pros namorados.”
Cresceu analfabeta. De letras e números. Quando casou, o marido também não permitiu que ela estudasse.
– “Comecei a estudar no Mobral, escondido dele,” ela contou. “Um dia ele foi fuçar na minha bolsa e viu meu caderno e meu lápis. Perguntou se eu estava estudando. Eu disse que tava sim. Sabe o que ele fez? Pegou meu caderno e rasgou todinho!”
Ela largou os estudos de vez.
Aos 65 anos, dona Nena (separada há 20 anos) tem dois filhos. Um formado.
Veio deles o apoio.
– “Procurei a escola municipal do bairro onde eu moro. Falei com a secretária: ‘Rose, não tem algum estudinho pra mim aí, não?”
Rose ficou surpresa. Achou que dona Nena não iria aguentar estudar de dia com as crianças.
Mas a candidata a estudante primária, de 65 anos, não desistiu. Foi falar com a diretora.
– “Ela disse que se eu quisesse vir, podia vir, mas ela não acreditou que eu viria mesmo…”
Quando dona Nena apareceu no portão, pronta pra estudar, foi um choro só!
– “Elas ficaram emocionadas. Choravam e me abraçavam! Diziam que se todos fossem como eu, nosso país estaria bem!”
O Conselho Escolar – formado por pais, alunos, professores e funcionários – aprovou. A diretora Lídia Prieve e a coordenadora Miria Zwirtes acompanham tudo de perto e a professora, Iracy da Costa Passos, que tem a mesma idade de dona Nena, se sente desafiada.
– “A diferença” – explica a professora – “é que pra criança você fala uma vez e ela aprende. A pessoa de idade você tem que repetir cinco, seis vezes. O entendimento é mais difícil. Mas isso não atrapalha o andamento da aula. Pelo contrário. Eu vou lá na carteira da dona Nena e explico baixinho pra ela, mas as crianças não se aguentam: levantam e vão lá me ajudar. Aí, acabam aprendendo duas vezes!”
A coleguinha, Yannely, de seis anos, conta como faz:
– “Eu falo as letras que ela vai escrever. Ela aprende quase fácil, porque às vezes ela erra um pouco a letra.”
E “ái” da dona Nena se ela falta.
– “As crianças vão lá em casa me buscar! kkkk”. E completa: “sonho em ser uma professora, ser uma enfermagem… Eu quero ler pra mim abrir mais uma atividade. Nunca é tarde. N-U-N-C-A É T-A-R-D-E! Eu fico pensando assim: meu Deus, agora tá na minha vez!”

* Todas as fotos: Izabelle Ferrari

Lavrador larga a roça para estudar e se torna médico após 19 anos em MG

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Lavrador largou a roça aos 20 anos e se dedicou aos estudos para se tornar médico em Monte Belo (Foto: Reprodução EPTV / Tarcísio Silva)

Lavrador largou a roça aos 20 anos e se dedicou aos estudos para se tornar médico em Monte Belo (Foto: Reprodução EPTV / Tarcísio Silva)

 

Mesmo sem recursos, ele decidiu estudar e agora realizou sonho.
História virou capítulo de livro de cardiologista que também o ajudou.

Publicado no G1

Um morador de Monte Belo (MG) superou a baixa escolaridade e a falta de dinheiro para realizar um sonho: deixar de ser lavrador e se tornar médico. Após 19 anos investindo nos estudos e muita superação, ele hoje é motivo de orgulho para os pais. A história de José Reinaldo virou até capítulo de livro.

O início dessa história começa na zona rural de Monte Belo, onde o trabalho não era nada fácil.

“Eu tinha uma vida rural né, trabalhei em Alfenas em uma fazenda, lá eu cuidava de vaca. Aí a gente pediu conta e veio para Monte Belo, aí eu arrumei um emprego em uma granja de suínos”, conta José Reinaldo Lopes da Silva.

Quando ele decidiu ser médico, ele tinha apenas o ensino fundamental. Aos 20 anos, José Reinaldo então decidiu deixar a roça e voltar a estudar. O que ele nem imaginava na época é que demoraria quase duas décadas até ele ver o sonho virar realidade.

“Se você pensar que são 19 anos, é uma vida, de batalha, mas, valeu a pena”.

José Reinaldo é de família simples. Os pais têm pouco estudo e sempre trabalharam pesado para criar os oito filhos. A mãe, Dona Divina, cortava cana e fazia de tudo. “Eu tinha que trabalhar né, deixar eles pequenininhos pros maiorzinho cuidar, foi muito díficil, e eu larguei de trabalhar com 52 anos porque não aguentei mais, de cortar cana. A gente ficava até com dó dele, porque passava até fome, tem dia que ele passava com uma banana”, conta a aposentada Divina Rosa Lopes.

O interesse pela medicina veio em um momento de sofrimento da irmã, Sueli. Ela ficou doente e José Reinaldo precisou acompanhá-la no hospital.

“Como era hospital escola, tinha uma rotina de corrida de leito, que eles falam. Os professores vão com os alunos do 5º, 6º ano e eles vão discutir o caso, e eu gostava muito disso. A cada dia mais que eu permanecia lá, foi nascendo o desejo de ser médico mesmo”, conta José Reinaldo.

Durante o tratamento da irmã, ele encontrou pelo caminho pessoas que o incentivaram a lutar pela profissão. Uma delas foi uma cardiologista.

“Como ele já era técnico de enfermagem, ele queria pagar a consulta da irmã e foi aí que eu disse pra ele para que não pagasse a consulta, que comprasse livros e estudasse, porque ele já tinha dito que tinha a intenção de ser médico”, conta a médica Ana Márcia de Melo.

A médica descobriu que os dois tinham muito em comum. Além de parentes distantes, eles também enfrentaram dificuldades para estudar. A cardiologista escreveu um livro e dedicou um capítulo para contar a história de José Reinaldo.

“Esse livro é uma autobiografia que é uma alusão às pessoas que fazem as coisas de uma forma diferente. Eu entitulei essas pessoas de ‘flores de maio’. As flores de maio elas florescem no inverno e não na primavera, elas fogem do convencional. E o Zé realmente é uma flor de maio, ele fugiu totalmente do convencional, porque é um menino que saiu da zona de risco, da marginalidade, da pobreza, de tudo que poderia ser o futuro dele e se tornou uma pessoa de bem”, completou a médica.

Com pouco estudo, José Reinaldo encontrou um abismo entre ele e a medicina. Venceu todas as dificuldades dando um passo de cada vez. Foi aprovado no vestibular para Medicina na faculdade em Ribeirão Preto (SP), mas não tinha dinheiro para pagar as mensalidades. Foi aí que escreveu uma carta contando a sua história.

“Eu fiquei seis meses lá dentro com se tivesse passeando, sem me preocupar, sem preocupar com pagar nem nada, e foi correndo as mensalidades. Depois disso (da carta), eu consegui bolsa integral nele, aí, já estava preocupado só com estudar”, conta o novo médico.

Filho de família simples, ex-lavrador chegou a passar fome durante os estudos (Foto: Reprodução EPTV / Tarcísio Silva)

Filho de família simples, ex-lavrador chegou a passar fome durante os estudos (Foto: Reprodução EPTV / Tarcísio Silva)

 

Depois de 6 anos, José Reinaldo colou grau e finalmente se tornou médico. Motivo de orgulho para os pais. “Só de ver ele em cima da mesa para assinar (a ata de colação) eu fiquei muito emocionada”, disse a mãe.

“Um pai pobre estudar um filho para médico não é fácil não”, disse o aposentado Pedro Lopes, pai de Reginaldo.”

Agora, o novo médico, que dá expediente no Hospital Bom Pastor, de Varginha (MG), pretende ajudar os amigos da terra e retribuir também tudo o que fizeram por ele. “É uma alegria indescritível, eu entrando aqui hoje no Hospital Bom Pastor, não tenho nem palavras para mensurar o que estou sentindo neste momento”, disse o médico.

E para quem acha que não é possível realizar seus sonhos, José Reinaldo tem um recado. “Trace uma meta e persiga até o fim e não desista nunca, enquanto há vida, há esperança”, completou.

Confira uma ótima lista com as 10 melhores técnicas de estudo, segundo a ciência

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Ensino

Publicado no Amo Direito

Um estudo publicado na revista científica Psychological Science in the Public Interest avaliou dez comuns técnicas de estudo para classificar quais possuem de fato a melhor utilidade.

Técnicas de estudo bastante populares no Brasil, como resumir, grifar, utilizar mnemônicos, visualizar imagens para apreensão de textos e reler conteúdos foram classificadas como as de utilidade mais baixa.

Três técnicas de estudo foram encaradas como de utilidade moderada: interrogação elaborativa, auto-explicação e estudo intercalado.

E as duas que obtiveram o mais alto grau de utilidade na aprendizagem foram as técnicas de teste prático e prática distribuída.

É a ciência desaprovando boa parte das nossas técnicas de estudo, muito baseado em resumos, grifos, mnemônicos e mapas mentais. Por outro lado, foi confirmada a impressão de que a realização de exercícios em doses cavalares era extremamente efetiva para o estudo para concursos públicos.

Se você quer uma visão mais detalhada de como funciona o aprendizado, é recomendado fortemente que leia o livro Os 7 Pilares do Aprendizado, de Paulo Ribeiro, que já escreveu no Mude.nu como a ciência pode melhorar o seu aprendizado.

Antes de prosseguir, lembre-se de que o ranking reflete os resultados da pesquisa, porém cada pessoa tem suas próprias técnicas de estudo e nada está escrito em pedra. Dito isto, falemos agora sobre as dez técnicas de estudo (das piores para as melhores).

1. Grifar, a de menor utilidade entre as técnicas de estudo

Prepara-se para dar um descanso ao seu grifador amarelo. O estudo aponta que a técnica de apenas grifar partes importantes de um texto é pouco efetiva pelos mesmos motivos pelos quais é tão popular: praticamente não requer esforço.

Ao fazer um grifo, seu cérebro não está organizando, criando ou conectando conhecimentos. Então, grifar só pode ter alguma (pouca) utilidade quando combinada com outras técnicas.

2. Releitura (utilidade: baixa)

Reler um conteúdo, em regra, é menos efetivo do que as demais técnicas apresentadas. O estudo, no entanto, mostrou que determinados tipos de leitura (massive rereading) podem ser melhores do que resumos ou grifos, se aplicados no mesmo período de tempo. A dica é reler imediatamente depois de ler, por diversas vezes.

3. Mnemônicos (utilidade: baixa)

Segundo o dicionário Houaiss, mnemônico é algo relativo à memória; que serve para desenvolver a memória e facilitar a memorização (diz-se de técnica, exercício etc.); fácil de ser lembrado; de fácil memorização.

Em apostilas e sites de concursos públicos, é muito comum ver o uso de mnemônicos com as primeiras letras ou sílabas, como SoCiDiVaPlu para decorar os fundamentos da República Federativa do Brasil (artigo 1º da Constituição).

O estudo da Psychological Science in the Public Interest mostrou que os mnemônicos só são efetivos quando as palavras-chaves são importantes e quando o material estudado inclui palavras-chaves fáceis de memorizar.

Assuntos que não se adaptam bem a geração de palavras-chaves não conseguiram ser bem aprendidos com o uso de mnemônicos. Então, utilize-os em casos específicos e pouco tempo antes de teste.

4. Visualização (utilidade: baixa)

Os pesquisadores pediram que estudantes imaginassem figuras enquanto liam textos. O resultado positivo foi apenas em relação a memorização de frases. Em relação a textos mais longos, a técnica mostrou-se pouco efetiva.

Surpreendentemente (ao menos para mim), a transformação das imagens mentais em desenhos também não demonstrou aumentar a aprendizagem e ainda trouxe o inconveniente de limitar os benefícios da imaginação.

Isso não invalida completamente o uso de mapas mentais para estudos, já que esses consistem além de desenho a conexão de ideias e conceitos.

De qualquer maneira, o resultado do estudo é que a visualização não é uma técnica efetiva para provas que exijam conhecimentos inferidos de textos.

5. Resumos (utilidade: baixa)

Resumir os pontos mais importantes de um texto com as principais ideias sempre foi uma técnica quase intuitiva de aprendizagem.

O estudo mostrou que os resumos são úteis para provas escritas, mas não para provas objetivas.

Embora tenha sido classificado como de utilidade baixa, a técnica de resumir ainda é mais útil do que grifar e reler textos. O paper diz que a técnica pode ser uma estratégia efetiva para estudantes que já são hábeis em produzir resumos.

6. Interrogação elaborativa (utilidade: moderada)

A técnica de interrogação elaborativa consiste em criar explicações que justifiquem por que determinados fatos apresentados no texto são verdadeiros.

O estudante devem concentrar-se em perguntas do tipo Por quê? em vez de O quê?.

Seguindo o exemplo que demos pouco antes, em vez de decorar um mnemônico como SoCiDiVaPlu, o ideal seria perguntar-se por que o Brasil adota a dignidade da pessoa humana como fundamento da República? E buscar a resposta na origem do estado democrático de Direito e na adoção do princípio da dignidade da pessoa humana pelas principais democracias ocidentais após a Revolução Francesa.

Note que esse tipo de estudo requer um (mais…)

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