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Posts tagged Eva

12 escritoras para ler em 2017

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Apesar de maioria entre os leitores, presença feminina no mercado editorial ainda é pequena.

Publicado na Estante Virtual

A literatura escrita por mulheres é frequentemente definida como “livros para mulheres”. Uma analogia de gênero que segrega leitores pelo fato de serem homens ou mulheres e não por interesses, vivências ou regionalismo. Um exemplo é uma lista do The Huffington Post que reapareceu no feed de notícias do Facebook e indica 21 títulos que “toda mulher deveria ler”. Curiosamente todos escritos por outras mulheres. Será que esses não seriam dignos de atenção da ala masculina também? Segundo a Revista Forum, J.K. Rowling, da saga Harry Potter, no início da carreira recebeu da sua editora o conselho de usar suas iniciais para assinar seus livros para que, assim, eles também atraíssem a atenção masculina e vendessem mais.

Para acabar com o desconhecimento e o preconceito sobre as autoras, há alguns anos, vêm surgindo movimentos de incentivo e afirmação feminina. Como o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), lançado pela escritora Joanna Walsh, com a finalidade de aumentar a visibilidade dentro do mercado editorial. O projeto acabou inspirando outros coletivos no mundo todo e, aqui no Brasil, surgiu o Leia Mulheres – clube que promove encontros mensais ao redor do país para a discussão de obras de escritoras. Afinal, quanto menos divulgadas, elas serão menos lidas e, consequentemente, menos premiadas. O próximo evento marcado será no dia 25 de janeiro, no Rio de Janeiro, para conversar sobre o livro Hibisco roxo, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Confira nossa seleção para preencher 2017 com histórias contadas por mulheres do mundo todo. As escolhas vão desde mundos fantásticos aos livros de não ficção. Um para cada mês do ano. “Who run the world?/ Girls!”

Outlander: A viajante do tempo, de Diana Gabaldon

Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros. Diana Gabaldon cresceu no Arizona, Estados Unidos, e é de ascendência mexicano-americana e inglesa. Tem formação em Zoologia, Biologia Marinha e Ecologia. A série Outlander transformou-se em um enorme sucesso mundial e foi adaptada para a TV em 2014.

A vida que ninguém vê, de Eliane Brum

Uma repórter em busca dos acontecimentos que não viram notícia e das pessoas que não são celebridades. Uma cronista à procura do extraordinário contido em cada vida anônima. Uma escritora que mergulha no cotidiano para provar que não existem vidas comuns. O mendigo que jamais pediu coisa alguma. Essas são algumas das fascinantes histórias da vida real e que fizeram sucesso no final dos anos 90, quando as crônicas-reportagens eram publicadas na edição de sábado do jornal Zero Hora. Reunidas agora em livro, formam uma obra que emociona pela sensibilidade da prosa da jornalista Eliane Brum.

Vintém de cobre: Meias confissões de Aninha, de Cora Coralina

No tempo do mil réis, o vintém de cobre era a moeda mais desvaliosa, aquela que mal comprava um doce. Cora Coralina batizou com o nome da velha moeda as suas quase memórias, ou meias-confissões, como ela prefere, redigidas em versos.

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie

Nascida no dia 15 de setembro de 1977 na Nigéria, Chimamanda Ngozi Adichie publicou seu primeiro romance, Hibisco roxo, em 2003. O segundo, Meio sol amarelo, ganhou o importante Orange Prize em 2007. A autora é voz importante na luta pelo direito das mulheres, tendo escrito, inclusive, as obras Sejamos todos feministas e Americanah – uma história de amor implacável que trata de questões de raça, de gênero e de identidade. Bem-humorado, sagaz e sensível, esta obra é, além de um romance arrebatador, um épico contemporâneo.

Fim, de Fernanda torres

O romance de estreia de Fernanda Torres traz um grupo de amigos cariocas às voltas com a morte e as próprias frustrações. Com uma narrativa leve e a partir de diferentes pespectivas, Fernanda conta e reconta os fatos, deixando a história ainda mais rica e envolvente. Com Fim, seu primeiro romance, a atriz consolida sua transição para o universo das letras e mostra que, nesse âmbito, é uma artista tão completa quanto no palco ou diante das câmeras.

A face oculta de Eva: As mulheres do mundo árabe, de Nawal El Saadawi

Este livro apresenta, por meio de depoimentos e entrevistas, a verdadeira mulher que vive no mundo árabe, diferente daquelas que o Ocidente conhece, ora apresentadas como dançarinas do ventre, ora recobertas da cabeça aos pés com um pesado véu. A obra mostra a face das camponesas e das trabalhadoras urbanas, de estudantes e de professoras, de profissionais liberais e de doutoras – das mulheres que pensam e das mulheres que falam o que pensam.

Uma vida pequena, de Hanya Yanagihara

Quando quatro amigos de uma pequena faculdade de Massachusetts se mudam para Nova York em busca de uma vida melhor, eles se veem falidos, sem rumo e amparados apenas por sua amizade e por suas ambições. Com uma prosa magnífica e genial, Hanya Yanagihara criou um hino trágico e transcendental do amor fraterno, uma representação magistral da dor física e psicológica, e uma análise da verdade nua e crua que permeia a tirania da memória e os limites da resistência humana. Foi finalista dos importantes Man Booker Prize e do National Book Award.

Não sou uma dessas, de Lena Dunham

Lena Dunham apresenta uma coleção de relatos pessoais hilários, sábios e dolorosamente sinceros que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. A autora conta a história de sua vida e faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta. Comparada a Salinger e a Woody Allen pelo The New York Times como a voz de sua geração, ela é conhecida pela polêmica que desperta e por sua forma única e excêntrica de se expressar e encarar a vida.

Niketche: Uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane

Negra de origem humilde, Paulina teve de percorrer um longo caminho até se firmar como escritora. Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, a autora faz uma literatura ligada às suas raízes culturais, abordando temas femininos num país em que a atividade é exercida quase em sua totalidade por homens. Niketche conta a história de Tony, um alto funcionário da polícia, e sua mulher Rami, casados há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido é polígamo: tem outras quatro mulheres e vários filhos. Numa decisão surpreendente, Rami decide ir atrás das mulheres do marido.

As águas-vivas não sabem de si, de Aline Valek

A três mil metros de profundidade, o oceano é um mundo sem luz, cheio das mais curiosas formas de vida e em sua maior parte inexplorado para quem vive na superfície. É nesse ambiente que mergulha Corina, flutuando no escuro como um astronauta no espaço, do jeito que gosta: cercada de água. Corina faz parte de uma equipe com cinco pessoas, que pesquisam os arredores de uma zona hidrotermal com o objetivo de testar trajes especiais de mergulho. A protagonista se vê obrigada a enfrentar seus dilemas e os dos colegas, em uma expedição liderada por um cientista com uma obsessão: encontrar inteligência no fundo do oceano. Uma história sobre mergulhar na solidão e ao mesmo tempo se cercar das vozes que pulsam no oceano.

Contornos do dia que vem vindo, de Léonora Miano

Depois da guerra que devastou Mboasu, um país africano imaginário, os pais não conseguem mais cuidar de seus filhos, que são expulsos de casa, acusados de serem a causa de todos os males. Contornos do dia que vem vindo conta a trajetória de uma dessas crianças, Musango, determinada a reencontrar sua mãe para, assim, compreender sua própria história. Ao acompanharmos a sua busca, testemunhamos a angústia e o crescimento de uma criança perdida no meio de um país atormentado pela violência, pela prostituição e pela superstição religiosa. Léonora Miano nasceu em Camarões e se naturalizou francesa. Foi a primeira autora de origem africana a ganhar o Prêmio Femina.

As três Marias, de Rachel de Queiroz

Publicado originalmente em 1939, o romance é um importante marco na literatura brasileira e um dos mais populares em toda a obra de Rachel de Queiroz. A história tem início nos pátios e nas salas de aula de um colégio interno dirigido por freiras e tem como protagonistas: Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José, amigas inseparáveis. A escritora foi ainda mais fundo em um tema que já estava presente em todas as suas obras anteriores: o papel da mulher na sociedade.

Além desses nomes, participe e conte quem não poderia ficar de fora da lista!

Professores de hoje são heróis, diz premiada autora infantojuvenil

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Eva Furnari fala sobre educação, tecnologia e comportamento do brasileiro

Publicado no Divirta-se

 (CFAG/Divulgação)

Eva Furnari não costuma conceder entrevistas. “Fico tão concentrada no trabalho”, justifica a autora e ilustradora de livros infantojuvenis publicados e premiados no Brasil e mundo afora – Itália, México, Equador, Guatemala, Bolívia. A italiana de 64 anos, que mora em São Paulo desde os 2, abriu exceção para o Pensar, na ocasião de relançamento de Anjinho, obra de 1998 premiada com o Jabuti de melhor ilustração. E falou, com o mesmo destemor com a qual escreve, sobre bullying, comportamento, novas tecnologias, educação, da falta dela. “A democracia não é um mar de rosas, requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres demais, mimadas pelo capitalismo”, analisa. Eva assina o texto e as imagens de mais de 60 livros, alguns retirados por ela mesma do mercado. “Porque não estava satisfeita com eles. Tenho uns 60 e poucos livros, então, acontece”. No fim das contas, a escritora, que confessou não ler quando criança por ter hipermetropia, não resiste a uma boa história.

Alguns títulos infantojuvenis estão tão focados na moral da história que são chatos. Que qualidade é imprescindível em um livro para jovens e crianças?
Na literatura cabe de tudo, desde que seja benfeito. Os professores usam muito a literatura na escola e viramos (autor e professor) uma dupla, mas acho que alguns focam mais no valor ético e acabam fazendo um material que é mais racional. Mas, se a literatura infantil não tiver um aspecto emocional, a criança não se liga, não atinge. Sobre o que é imprescindível, acho que, em primeiro lugar, a qualidade do texto. Precisa ser escrito em linguagem adequada pois são leitores ainda em desenvolvimento, mas acho que uma boa história é uma história bem contada. Normalmente, o que interessa e envolve o adulto vai envolver e interessar à criança também.

Você se considera uma escritora realizada?
Realizada, com certeza. Tenho mais de 30 anos de carreira. E o carinho enorme que recebo de professores. Às vezes, não tenho tempo de atender as pessoas… Mas, por outro lado, me sinto começando junto com desafios novos. Não consigo repetir projetos. Quando me pedem “faz um livro parecido com aquele e tal”, não consigo. Se repetir, acho que fica vazio, irracional, a gente precisa criar com alma. Nesse sentido, cada livro é uma experiência nova.

Você tem uma relação com personagens que, nos padrões da sociedade, parecem perdedores. Felpo Filva; Mel, que sofre bullying em Nós; os personagens de Listas fabulosas. Todos eles, no entanto, são anti-heróis encantadores. Tem algo de autobiográfico nisso?
Acho que aconteceu com todo mundo. Todo mundo tem um desajuste. O ser humano quer ser reconhecido, protegido, olhado com consideração, amor. Uns são mais intensos, sofridos, outros mais leves, mas acho que hoje existe uma tentativa de maior cuidado com o outro. A competição é natural, a disputa por liderança está em cachorros, mas somos racionais e podemos tentar ver de um ponto de vista diferente. É natural uma criança querer ser mais do que outra e fazer isso diminuindo o outro, mas é dever do adulto oferecer outras alternativas, ver que o problema existe naquele que quer humilhar. Acho que essa consciência é do adulto.

Sua infância foi feliz?
Foi sim, muito feliz. Tinha todas aquelas mais brincadeiras

Que qualidades você admira nas crianças de agora? Quais não admira?
A criança é o resultado de como está sendo educada. Ela ocupa o espaço que o adulto deixar. Admiro o interesse delas por tudo, suas ideias, suas observações. Mas muitas vivem com a falta de respeito. E isso não admiro. Não respeitar professores, colegas, mais velhos. Não admiro criança folgada, mimada.

E o que você pensa da educação hoje?
Estamos em um momento de confusão, com novos padrões. A educação saiu de autoritária e centralizada, da época da ditadura militar, para, com a guerra, a emancipação da mulher, um modelo democrático. E em todas as instâncias: governo, família. A tentativa é conciliar a necessidade de ordem coletiva com liberdade pessoal. Na educação estamos em fase experimental sobre como equacionar este conflito. A democracia não é um mar de rosas, requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres demais, mimadas pelo capitalismo. Hoje, o desafio maior é comportamental, de relacionamento, da figura de autoridade. Os professores são verdadeiros heróis e me alegro de fazer parte desse time que batalha. O governo parece ser do contra e, em vez de ajudar, atrapalha. Mas acho que estamos indo bem: existe uma democracia em construção.

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